No dia seguinte, a chuva tinha parado. Só que o tempo continuava fechado. Veliria estava olhando pela janela, hoje ela tinha acordado cedo.

Alexandre bateu na porta. Quando viu que Veliria já estava acordada ele foi sentar ao seu lado.

– E ai irmã, nós nem temos nos falado muito ultimamente. Tudo bem? E você e o Júnior?

– Ah Alex, nós estamos ótimos. Já vamos fazer 2 anos juntos logo logo, igual você e a Most. Eu sinto como se nos conhecêssemos a vida inteira...

– E vocês meio que se conhecem né ahahah já que a gente não se lembra da nossa vida antes dos 15.

– Pois é.. Ah, hoje eu estou meio melancólica pra ser sincera.

– Pois bem. – ele levantou e abraçou ela. – Fica pensando bonitinha ai, enquanto isso eu faço um café pra gente e depois nós vamos pra facul, ok? Hoje eu tenho aula com o Ramon e todo mundo sabe o quanto ele é paranóico.

– Hahah valeu Alex. Hoje era meu dia de fazer o café mas obrigada, pensar vai ser bom. – Alexandre mandou um beijinho no ar e saiu, fechando a porta.

A amizade dos dois era uma coisa meiga e única. Não se podia dizer que eram os irmãos mais ligados do mundo. Ultimamente eles não tinham tido muito contato, já que quase não tinham novidades para contar. Seus amigos eram os mesmos e seus namorados eram irmãos, ou seja, durante o dia-a-dia eles já sabiam tudo o que acontecia com o outro. Quase não tinham do que conversar em casa.

Mas o mais importante é que um cobria o outro. “I got you back” era a frase que melhor descrevia os dois. Veliria era extremamente feliz por ter ele.

...

Veliria e Alexandre foram juntos para a escola. Ao chegar lá eles se separaram.

– Adivinha quem é.

Alguém tinha chegado por trás de Veliria e coberto seus olhos. Ela reconheceria aquelas mãos macias em qualquer lugar. E é claro, tinha brilho caindo em cima dela, o que deixava as chances de serem outra pessoa muito menores.

– Seria o meu amor? – ela falou sorrindo.

Júnior deu um beijo nela e tirou as mãos. Como fado, sempre caíam brilhos dele quando ele ficava feliz. O que acontecia praticamente todas as vezes que os dois estavam juntos.

Eles eram meio que o casal “top” do grupo. Quase nunca brigavam. Até quando estavam longe, estavam perto.

– Ok, o que a gente vai fazer hoje? – ele perguntou.

– Eu não sei... Nem to muito a fim de sair hoje, por mim só ficava lá em casa sentada. Assistindo um filme, talvez.

– Ahhh, mas em casa não. Queria fazer algo diferente hoje! Se você quer filme, vamos no cinema então?

Veliria sorriu. Ela não conseguia negar nada pra ele. E mesmo não se sentindo 100% ok ela concordou em ir.

...

Eles foram cada um pra sua aula. No intervalo, Veliria ficou com as amigas, como sempre.

Todas conversavam, mas ela se sentia meio área, meio fora dos assuntos. Ela nunca era assim, sempre era bem participativa nas conversas e nas zueiras. E nada a satisfazia mais do que rir de qualquer um que se ferrasse.

– Ve, você ta meio pra baixo hoje? – perguntou Aluria. Todas a olhavam com olhares preocupados.

– Ah, eu estou um pouco sim. Eu até diria que é coisa de metamorfo, mas meu irmão parece estar bem suave, então... é coisa minha mesmo. Só não sei o quê.

– Você ta deixando a gente preocupada, garota. – disse Luisia.

– Eu nem tava a fim de sair hoje, mas o Jú insistiu...

– Mas então não vai! Pensa se você passar mal quando estiver lá? – comentou Jessie, preocupada.

– Agora já falei que vou, já era. – comentou Veliria.

– Tá, mas se precisar de algo liga pra gente ta? – falou Marcabeth.

– E se prepara pra noitada porque pelo visto o Ju caprichooooou haha – falou Penton.

– Só não magoa meu irmão hein, trata ele muito bem como ele merece, menina! – lembrou Mostich, rindo (porém Veliria sabia que ela falava sério).

– Ok meninas, qualquer coisa eu falo com vocês.

Todas se separaram e foram pras suas aulas. Quando acabaram as aulas Veliria saiu na frente pra não ter que ir acompanhada das amigas com mais perguntas incômodas.

...

À noite, Veliria se arrumou bastante. Ela caprichou no visual porque sabia que não poderia 100% da sua companhia, já que ela se sentiu mal o dia todo.

Colocou um vestido e passou uma bela chapinha nos cabelos loiros, fazendo cachinhos nas pontas. Colocou seu colar favorito e pegou uma jaqueta para caso esfriasse. Para completar o visual, botas marrons. Ela se olhou no espelhou e se surpreendeu, estava de matar!

Alexandre entrou no quarto e assobiou.

– Caprichou hein irmã! Aproveitem e juízo hein. – ele falou e deu um beijo de boa noite nela.

– Valeu maninho, não me espera.

Ela ouviu batidas na porta e desceu pra abrir.

– Uau! Nem acredito que a minha namorada consegue ficar ainda mais bonita. – Júnior falou, dando aquele sorriso lindo de sempre. Ela amava quando ele sorria e quando ele dizia que ela era bonita. Depois de quase dois anos a palavra “namorada” ainda parecia nova pra ela.

– Obrigada e você também não está nada mal, meu namorado lindo.

Os dois se beijaram na porta e saíram andando de mãos dadas. Os dois poderiam ir voando, mas como estavam tão arrumadinhos decidiram ir caminhando mesmo.

Foram no cinema, assistiram Thor, Veliria já tinha visto duas vezes mas queria mais.

Assistiram ao filme abraçadinhos, trocando apenas selinhos.

Depois do filme saíram caminhando de mãos dadas para dançar. Eles viram um restaurante com música e já entraram.

Veliria amava dançar, às vezes ela se sentia um pouco tímida na frente dos outros, mas no fim ela se entregava.

A primeira música que estava tocando era uma das músicas que Veliria mais gostava no mundo, a música que representava eles dois. No mesmo segundo Júnior sorriu, porque também sabia disso. Começou a tocar We Found Love da Rihanna. (ouçam, kridas!). Veliria mal esperar começou os primeiros acordes e já correu pra dançar.

Dessa vez ela nem teve a fase do “tenho vergonha, tem muita gente aqui.” Eles dançaram juntinhos, às vezes se beijavam. Veliria sorriu muito a noite toda.

Mesmo se sentindo meio estranha, Veliria jamais poderia negar que aquela noite foi fantástica. E ela sabia que Júnior também achava isso. Ela ficava contente por fazê-lo feliz.

Os dois dançaram várias outras músicas e algumas juntinhos. Depois ele a levou para casa e eles deram um beijo de despedida, já de madrugada. Ela amava ele, amava muito. Ela gostava do modo como ele a fazia bem.

Veliria dormiu e teve lindos sonhos com aquele dia lindo.

...

No dia seguinte, ela se sentia mal de novo. Resolveu conversar com seu irmão sobre isso, talvez ele entendesse algo sobre o porquê dela estar sentindo isso. Mas não adiantou, ele só queria saber do encontro. E ela respondeu, sorrindo, fingindo estar bem.

Ela resolveu ir sozinha para a escola, para pensar um pouco. Colocou sua música no celular e saiu ouvindo The Best Damn Thing da Avril Lavigne (ouçam, kridas!) e caminhou sozinha. Ela queria se transformar em algo e correr pela floresta.

Enquanto estava pensando nas possibilidades ela viu dois caras esbarrando num menino sem querer. O menino caiu com tudo. (Veliria deu risinhos, pois ela adorava ver pessoas caírem, etc) Ele já levantou querendo brigar com os dois, mas os meninos pediram desculpas e saíram andando.

Veliria viu o menino de longe e pensou que o conhecia da faculdade, mas na verdade não. Mesmo assim ela já estava por perto, então resolveu ver se estava tudo bem.

– Ei garoto, tudo bem? Se machucou?

– Não, eu to bem. – ele respondeu meio bravo.

Quando ele levantou o rosto, ela percebeu que ele tinha sangue nas mãos, machucou quando caiu. Mas ele era maravilhosamente maravilhoso. Veliria não sentia isso há muito tempo, ela nem lembrava mais. A última vez que ela tinha sentido que alguém era maravilhoso ao extremo, ela tinha namorado com essa pessoa. E estava namorando até agora.

– Então... tá.

Ela falou isso mas não foi embora, ficou olhando pra ele.

– E ai, vai ficar ai me olhando por quanto tempo? – ele falou, ríspido.

– Ah.. Desculpa.

Que menino grosso! E por que ela estava sendo educada? Ela raramente era educada, ainda mais com desconhecidos.

Ela saiu andando, mas depois voltou.

– Você tem certeza que tá bem? Sei lá, eu tô sentindo uma coisa vindo de você.

– Na verdade eu estou bem. Isso é só um pouco de sangue. Você que está emanando algo estranho, parece que ta doente ou sei lá, não entendo direito o que é.

Como ele sabia que ela não estava se sentindo bem?

– Hãn.. O que você é? Você lê mentes?

– Hahaha, não. – pela primeira vez ele sorriu. – Eu na verdade... – e quando falou isso ele sumiu bem diante dos olhos dela. — ... faço isso. – e apareceu de novo atrás dela, piscando.

– Uau! Como..? Caramba! Que poder maneiro, você consegue ficar invisível!

– Sim. E você?

– Eu sou metamorfa. Consigo virar o que ou quem eu quiser. Mas ainda estou aprendendo.

Ela não sabia porque estava contando tanto pra esse menino, mas sentia que podia confiar nele.

– Legal, é um poder maneiro também. Meu nome é Rafael. E o seu?

– Veliria, prazer.

– Quer sentar? – ele disse, mas parecendo bem desinteressado.

– Hum... Sim. Só um pouco.

Eles conversaram por um bom tempo. Ele era meio seco, mas até conseguiu arrancar algumas risadas dela.

Depois eles se despediram e ela se sentiu mal. Ela queria ver ele de novo, mas não sabia se ia rolar.

Ela sentia algo forte vindo dele. E só depois de muito tempo ela notou que nem tinha falado do namorado, nem tinha pensado em Júnior, durante a conversa toda.

No dia seguinte ela estava bem como nova, não sentia mais nenhuma dor.