To be good or to be evil
13 Capítulo 13
Já havia se passado um mês depois da festa. As coisas seguiam normal, o mesmo de sempre.
Sobre a festa: as amigas contaram entre si o que tinha acontecido na festa, os beijos, as danças, as coisas estranhas. Marcabeth omitiu a parte dela socar a porta do banheiro de Veliria para “salvar” Kaique. Mostich omitiu que desde a festa ela pensava muito em Joaquim.
Aluria se arrependeu de ter beijado um menino estranho na festa, mas ela decidiu que daria um tempo dos seus dois amores; Luisia sentia sentimentos opostos sobre ter beijado Ricardo. Foi bom, mas gostava de Douglas, só não sabia por que não conseguia admitir na frente de todos; Jessie não gostou nenhum pouco do fato de Roberto ter beijado ela contra sua vontade, ela sentiu como se tivesse traído Lucas, mas as amigas a convenceram de não contar, já que isso só ia criar coisas na cabeça dele; Mostich seguia ausente em seu relacionamento. Alexandre percebia que ela se afastava cada dia mais... As amigas também percebiam e no fundo elas sabiam que era por causa do outro garoto, o da loja que tinha namorada, mas ela negava veementemente; Veliria tentava dar o máximo de atenção e carinho para Júnior, mas todo dia ela pensava no que Rafael tinha dito a ela. Mesmo assim ela lutava, pois queria continuar com Júnior; Marcabeth não parou de beber. Mas nesse mês sua amizade se firmou muito bem com Eduardo. Os dois estavam cada dia mais próximos, mas ainda não tinham se beijado. Ela jurou para si mesma que a partir de agora ela não beijaria nem dormiria com qualquer um, só com pessoas importantes para ela. Ela teria que achar outra fórmula de escape; Penton estava com Matheus. Os dois não estavam namorando, mas meio que estavam juntos. Sempre saiam de mãos dadas nos encontros com os amigos e já não escondiam de ninguém da faculdade. Matheus queria algo sério, mas Penton ficava com o pé atrás. Além dela nunca ter namorado antes e de não querer magoar Matheus, ela ainda pensava em Pedro; Pedro se afastava cada vez mais do grupo. Desde que ele viu Penton e Matheus se beijando na festa, uma luz escura se apoderou dele. Ele não falava com mais ninguém, não saia com os amigos e se fechou completamente; Algo parecido aconteceu com Kaique. Ele reclamava com Jessie sobre as dores de cabeça praticamente todo dia. Ela via que ele estava mudando, mas na verdade ele decidiu se afastar. Nunca chegou a pedir desculpas para Marcabeth, mas o acontecimento daquele dia no parque matava ele por dentro, aos poucos; Ricardo agia como se nada nunca tivesse acontecido naquela festa. Ele continuava jogando seus flertes para todos os lados, inclusive para Luisia, mas percebia-se claramente que ele não tinha interesse sobre ela; Miguel estava acabado com a rejeição de Aluria. Penton achava que ele ia explodir e tentava ajudada-lo, mas ela não sabia mais o que fazer. Ela achava que a única solução seria ele focar em outra coisa, mas Miguel não queria focar em nada; Caio estava cada dia mais nervoso. Qualquer coisa que falassem contra ele, ele já se incendiava e não conseguia mais controlar. Ele ainda tentava voltar com Aluria, dizia que só ela podia ajudá-lo... Mas ela não ligava (ou fingia não ligar) e ele cada dia perdia mais o controle.
A cidade estava um caos. Muitas pessoas mudando de personalidade, alguns pares de irmãos nem aguentavam mais olhar para a cara do outro. O clima nas ruas era pesado e na faculdade mais ainda. As 7 amigas também não estavam se dando muito bem ultimamente, uma ou outra dava um estouro de vez em quando e elas não sabiam o que fazer. Marcabeth estava meiga como nunca e Jessie andava perdendo o controle como nunca antes.
— Cara, a cidade ta parecendo muito mais dark do que já parecia. – comentou Mostich.
— Tá parecendo filme de terror, meu. – disse Luisia, automaticamente sentindo um calafrio.
— Eu acho que sei o que está acontecendo. – confessou Jessie. Todas a olharam ansiosas. Na verdade todas tinham suas desconfianças, mas ninguém tinha coragem de dizer. – É a Escolha. Ela se aproxima. Por isso está tendo esse surto de trocas de personalidade, pessoas mudando, pessoas explodindo... – ela olhou para baixo, já que era uma delas.
— Eu acho que você tem razão. Muitos de nós nem parecem os mesmos. – sibilou Penton.
— Eu não sei o que fazer. Ainda não me sinto afetada, mas tenho medo que isso exploda de uma vez na minha cara. – disse Aluria.
— Eu venho sentindo dores... E tenho tido pensamentos estranhos. – contou Veliria.
— Eu vou confessar uma coisa.. – falou Marcabeth, levantando. – Eu também tenho sentido umas coisas estranhas. Eu me sinto mais... fofa. – As amigas começaram a rir. – Não, não, sério! Penso coisas que nunca tinha pensado antes. Antes eu olhava para um vaso de flores e era tipo “foda-se”, agora eu olho e quero.... cheirá-las. – ela comentou envergonhada e as amigas riram mais.
— Cuidado para não levar uma mordida de abelha quando estiver cheirando hahahaha – falou Penton rindo.
— Ou ficar viciada. – comentou Aluria, fingindo ser séria.
...
As amigas se separaram. Quando estava andando para sala, Veliria teve que se segurar na parede. Ela ia caindo quando Alexandre apareceu.
— Ve, você está bem? Fala comigo, maninha.
— Eu to sim, eu to. – ela disse, empurrando ele. – Agora eu vou pra sala.
— Você precisa descansar! Vamos sentar ali e..
— ME DEIXA! Alexandre, vai você para sua sala. Vai cuidar da sua vida, vai cuidar da sua namorada, o que aparentemente está precisando e ME DEIXA EM PAZ. – quando ela gritava com ele, Alexandre viu uma luz vermelha brilhar em seus olhos. Ela parecia furiosa, mas ao mesmo tempo não parecia ela mesma, parecia que tinha mais alguém dentro dela.
— Isso.. Isso não é você. Você sabe que a Escolha está afetando todo mundo.
Veliria piscou.
— Meu Deus. Meu Deus, meu Deus, desculpa Alex! Você sabe que eu jamais brigaria com você, eu não sei por que eu disse isso. – ela correu para abraçá-lo, chorando.
— Tudo bem, tudo bem. Eu te protejo, irmã. – A expressão dele era de pura angústia.
...
Depois da primeira aula, as amigas iam se encontrar para conversarem mais. Mas todos os professores mandaram os alunos permanecerem nas salas.
— Sentem-se, pestinhas. Sei que vocês queriam se livrar de mim, mas hoje não. Temos um recado da Base. – comentou Ramon, o professor psicótico. Jessie, Marcabeth, Douglas e Pedro estavam nessa aula.
— Menina, o que será? – disse Marc.
— Não sei, mas eu to bem é com medo. – cochichou Jessie.
Um sistema de rádio começou a falar, o som passando por todos os corredores da faculdade.
Um aluno começou a tremer no meio da classe, assustando todos. Ramon fez um movimento com a mão e com seus poderes de bruxo o fez sumir. Isso já tinha acontecido antes, eles sabiam que o garoto tinha sido enviado para a enfermaria.
— O cara é foda. – falou Douglas baixinho. Qualquer pessoa que conseguisse fazer outra desaparecer com um simples movimento de mão, era definitivamente foda. Todos eram bruxos na cidade, mas ninguém focava muito nesse poder e sim no outro, no qual eles eram criaturas ou podiam fazer algo. Pelo jeito Ramon era bom com os dois.
— Silêncio! – Ramon gritou, apontando para os 4, que estavam no fundo. Pedro parecia um morto. Sim, teoricamente ele já estava morto, mas ele parecia um gótico, todo de preto, lá no fundo, sem falar com ninguém e com cara de “quero que todos vocês morram.” #NicoDiAngeloFeelings. Para deixar seu ponto mais claro, Ramon fez voar um giz na cabeça de cada um. Pedro sequer se moveu, enquanto Douglas xingava baixinho.
O som começou a sair da caixa.
“Olá, alunos da faculdade da cidade de Gousti.” Ele falava calma e pausadamente. Era a voz de um homem, provavelmente velho. Muito mais velho do que eles costumavam ali, será que ele já tinha seus 25 anos? Ou será que... ele tinha mais que isso?
“Hoje nós temos um recado importante para todos vocês. Todos sabem que quando completarem 19 anos vocês irão passar por uma fase de Escolha importantíssima e decidirão de qual lado vocês ficarão.” Os cochichos na sala começaram, mas Ramon socou a mesa e todos ficaram quietos novamente. “Alguns não conseguirão. Certos corações não conseguem escolher um lado, como vocês bem sabem. Algumas coisas serão explicadas quando vocês chegaram à sala para a qual foram designados, outras ninguém poderá explicar para vocês.” A voz parou por um instante. O silêncio era tenso.
“Aproveitem esse dia. Todos estão despedidos das aulas e todas as tarefas obrigatórias, como trabalho. Hoje é o Dia Livre. Vocês poderão passear, brincar, sair, se divertir com seus amigos. Todas as pessoas de 19 anos da cidade poderão se divertir sem se preocupar com mais nada. Mas preparem-se psicologicamente, pois pode ser seu último dia.” Alguns deram gritinhos chocados. “O dia da Escolha é amanhã. Todos devem vestir as roupas que serão deixadas em suas casas pela manhã. Despeçam-se dos seus irmãos, dos seus namorados, dos seus amigos. Pode não ser o seu último dia, mas talvez seja o deles. Nunca se sabe que não conseguirá passar no teste.” Todos ouviram sons de alguém mexendo com papel, talvez ele estivesse lendo tudo isso. “E agora lhes desejo boa sorte. Alguns privilegiados me verão amanhã. Tenham sorte no teste e não se preocupem... Todos com o coração limpo passarão. Feliz Dia Escolha! Viva a Escolha e vida longa à Base!” Todos repetiram essa última frase. Pareciam zumbis. “Boa sorte e nunca se esqueçam que vocês são o futuro da cidade de Gousti.” A mensagem desligou. Ramon fez uma reverência para cima, como se fosse para a caixa de som.
— Agora estão liberados. – ele disse e foi o primeiro a sair.
— Que dia! – comentou Jessie.
Todos estavam assustadíssimos. A Escolha já seria amanhã, e se alguém não passasse no teste? A frase do homem velho ressoava por todas as cabeças sem parar: “Pode não ser o seu último dia, mas talvez seja o deles.”
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