To be good or to be evil
14 A Escolha I
O dia da Escolha havia chegado. Ao mesmo tempo em que todos se sentiam ansiosos, preocupados e com medo, se sentiam também curiosos. Na verdade eles sabiam que de um jeito ou de outro teriam que passar pela Seleção dos Escolhidos e escolher um lado. Ninguém que passava dos 19 anos podia continuar na cidade e não ter um lado. Ou você escolhia um lado ou morria, simples.
Quando acordaram, as pessoas que passariam pelo teste acharam duas pilhas com roupas completamente amarelas, da cabeça aos pés. Até a meia e o tênis eram da mesma tonalidade. Não era aquele amarelo (#sambástico) neon ou amarelo-ovo. Era um amarelo claro, parecia cor de parede de prédio velho.
Na casa de Marcabeth, ela levantou primeiro e achou suas roupas em cima da mesa, ao lado das de Pedro.
Marcabeth gritou e chamou pelo irmão, ultimamente ele tinha dormido muito e acordado sempre tarde.
Pedro desceu, com aquela cara de morto que parecia fazer parte do seu dia-a-dia nos últimos dias, pegou as roupas e começou a se vestir, sem dizer uma palavra. Marcabeth apenas observava, se lembrando do irmão protetor que ela teve um dia e sentindo muita falta dele.
Marcabeth também começou a se vestir, ainda observando Pedro. Ultimamente ela tinha se preocupado muito com ele (mais do que o normal) e com todas as pessoas, ela parecia preocupada com tudo... com os sentimentos das outras pessoas? Ela estava super confusa, já que ela nunca tinha ligado para nada disso antes.
Os dois sentaram à mesa e pegaram cérebros novinhos em folha na geladeira. Hoje tinha uma quantia especialmente grande, eles deviam ter que se alimentar bem.
Alguns minutos depois, uma voz saiu do alto falante. “Caros cidadãos de 19 anos da cidade de Gousti, hoje é o dia!” Era a mesma voz de homem velho que tinha dado o recado ontem na escola. “Eu sou da Base e falo em nome de todos os representantes.” Ele deu uma risadinha e fez uma pausa. Marcabeth olhou para Pedro, mas ele nem sequer se mexeu. “Espero que neste momento todos já tenham comido e estejam vestidos, dentro de 5 minutos todos devem sair de suas casas e se dirigir para a sede da Base do seu bairro. Chegando lá, haverá uma fila e todos ficarão em salas separadas. Vocês receberão mais informações por lá mesmo, por enquanto só precisam saber que vocês têm que estar com o psicológico preparado. O teste é facílimo para alguns, mas pesado para outros. Portanto se vocês tem alguma fé: rezem. É o melhor momento para fazer isso já que depois será tarde demais.” Ele riu de novo. “Boa sorte a todos e saibam que todo o grupo da Base espera que este ano haja poucas perdas, que todos tenham a força e a serenidade requeridas no teste. Alguns terão a chance de me ver no teste, torça para você ser esse sortudo!! Feliz dia da Escolha!” Ele fez um som que parecia beijos sendo jogados no ar, riu mais uma vez e o som desligou automaticamente. (Sim, todas as casas tinham um sistema de som interligados com a Base para quando fosse necessário passar recados rapidamente).
Marcabeth e Pedro saíram juntos, se dirigindo para a sede da Base mais perto de sua casa, que não era muito longe. As amigas também iriam para aquela sede, já que todas moravam na mesma redondeza. Marcabeth estava nervosíssima, ela achava que já sabia qual lado ia escolher, mas o tempo todo ficava refletindo se estava certa. Já Pedro estava numa fase completamente dark da sua vida e não ligava para nada. Ele nem sequer tinha decidido ainda seu lado e estava pensando em decidir lá na hora.
Ao chegarem na sede da Base, estranharam, já que devia estar cheio, mas tinha apenas uns 4 casais de irmãos chegando, e quando entravam eles pareciam desaparecer. “Estranho”, pensou Marcabeth.
Ao entrar na sede, havia uma atendente, com seus 25 anos.
— Nomes?
— Marcabeth e Pedro.
— Poderes?
— Zumbis.
— Ok, achei vocês, já podem entrar.
Marcabeth só via uma sala e como a moça não fez nenhuma indicação, ela imaginava que fosse aquela.
— Hum.. e as informações que a Base disse que iríamos receber, moça?
A atendente baixou bem seus óculos e a olhou da cabeça aos pés, nervosa. Depois olhou para Pedro e relaxou.
— Lá dentro, querida. Vocês podem ficar juntos, todos os irmãos podem. Mas na hora do teste vocês irão separados. Agora entre logo ou irão se atrasar.
Já que Marcabeth estava receosa, Pedro foi na frente e abriu a porta com um movimento da mão, usando sua magia. Marcabeth ficou surpresa, já que ele quase nunca usava magia.
Os dois entraram. A sala era completamente marrom, alguns tons acima da tonalidade da roupa deles. Havia 6 cadeiras de cada lado da sala e atrás tinha uma porta. Só faltavam os dois para a sala ficar cheia com os 12 membros sentados. Marcabeth reconheceu uma colega de classe ali naquela sala e as duas trocaram leves sorrisos. Logo que Pedro e Marcabeth sentaram, surgiu uma mulher da porta.
Uma representante da Base que estava vestida do mesmo jeito que a atendente na entrada (roupa social lilás dos pés a cabeça) surgiu na sala, saída daquela única porta à frente.
— Ok, vou passar algumas informações. – todos se sentaram mais eretos nas cadeiras, para prestarem atenção. – O Teste tem algumas fases. Vocês vão primeiro passar por um teste de moralidade. A pessoa designada vai fazer algumas perguntas sobre questões consideradas polêmicas ou controvérsias no mundo humano e vocês dirão o que pensam a respeito. O segundo teste é psicológico. Vão fazer perguntas sobre o que você se lembra da sua infância e o que você espera do seu futuro. Se você é cético ou tem esperanças. – As pessoas na sala trocaram olhares nervosos. – O terceiro teste é a parte mais aguardada: a Escolha. Eles realmente farão a pergunta e vocês terão o direito de responder em voz alta, mas no fundo quem escolhe é seu coração, suas atitudes e sentimentos passados. Vocês podem responder o que quiserem, não terá problemas, mesmo se você disser uma coisa e no teste resultar outra, dará no mesmo.
A representante mexeu em uns papéis que segurava e na verdade só agora as pessoas notaram que ela os trazia consigo.
— Mais uma coisa: sejam sinceros o tempo todo. Os testes são absolutamente secretos, apenas alguns membros da Base verão, se for necessário: em caso de morte ou necessidades futuras, por isso eles são gravados. Você não é obrigado a contar para nenhum conhecido, isso fica à sua escolha.
Ela olhou os papeis e viu o primeiro nome da lista.
— Vocês serão chamados pela ordem alfabética do nome das meninas, já que os irmãos entrarão ao mesmo tempo. – Ela estalou os dedos e neste momento surgiu outra porta no fim da sala, onde antes só havia uma. – Esse ano decidimos inovar e todos os irmãos farão o teste ao mesmo tempo. Vocês podem dar um abraço de despedida ou de esperança de um novo começo antes de entrarem. Agora vamos. Boa sorte a todos! – todos os irmãos trocaram olhares pasmos, surpresos e nervosos. Mas a ansiedade era mais forte e todos só queriam acabar logo com isso e ir para cada. – Ok, começando. Fabíola e seu irmão Nêmesis, a garota entra na porta esquerda e o menino na direita. — Os dois se abraçaram e se separaram. Algum tempo depois Marcabeth ouviu um grito.
—
Das 12 pessoas na sala, agora só tinham 6. Marcabeth achava que era a próxima, pela ordem alfabética. Ela segurou a mão de Pedro, nervosa.
— Será que tudo vai dar certo? – ela disse, receosa.
— Talvez. – respondeu Pedro, cabisbaixo. E para surpresa de Marcabeth, também segurou sua mão.
Como o previsto, a atendente voltou à sala e chamou o nome de Marcabeth. Os dois seguraram firme um na mão do outro e seguiram à diante.
— Eu te vejo do outro lado, irmão.
— Com certeza.
Os dois se abraçaram e Marcabeth sentiu muito medo ao soltar sua mão.
Marcabeth entrou na sala de teste. Ao contrário da sala de espera que era completamente marrom, essa era completamente preta. Os olhos até doíam um pouco ao entrar, já que escurecia tudo ao redor e dava um certo destaque na sua roupa amarela. Havia uma moçinha sentada na mesa, ela ainda era nova, devia ter uns 20 anos. Também se vestia como as outras duas, roupa social lilás. Ela tinha o cabelo castanho avermelhado e era baixinha.
— Olá querida. Eu vou realizar seu teste hoje, mas não se preocupe. Vou fazer algumas perguntas e você pode ser completamente sincera, ok? Tudo está sendo gravado para o caso de ser necessário um uso no futuro.
— Ok.
— Sente-se aqui na minha frente. – Marc sentou enquanto ela colocava alguns dispositivos nela, coisas que ela não conhecia. Ao terminar ela se dirigiu para a cadeira da frente e sentou de frente para um computador de última geração, também tinha alguns papeis para fazer anotações e canetas em cima da mesa.
— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?
— Hum... – Marcabeth pensou, mas ela não sabia responder isso. Deixou seu coração falar e se surpreendeu: — Não.
— Seu irmão está entre a vida e a morte, uma pessoa o ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?
— Eu tento conversar com a pessoa. Se não tiver jeito eu corro e luto com ele para salvar meu irmão.
— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?
— Peço para a pessoa se entregar para as autoridades.
— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?
— Inferno. – Marcabeth respondeu tão rápido e tão sem restrições que até se espantou. E ficou triste com isso.
— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?
— Pego para mim.
A moça olhou desconfiada para a tela e falou:
— Isso é mentira, você não pegaria para você o dinheiro.
— Hum... pegaria sim?
— Os resultados dizem que não, mas ok, podemos prosseguir. A verdadeira resposta já foi computada. – Marcabeth olhou abismada para ela. Como um computador poderia saber mais da vida dela do que ela mesma? – Prosseguindo, entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?
— Hum.. um amigo.
— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?
— Prefiro viver, mas não como monstro. Mas também a ideia de ser heroína não é meu ponto principal.
— Sobre a sua infância, você sente falta dela?
— Não me lembro de praticamente nada, então não sinto.
— Daqui há 5 anos onde se imagina?
— Trabalhando na Base, talvez.
— Daqui há 50 anos onde se imagina?
— É... Não sei? – a moçinha prosseguiu sem interrupções, então Marcabeth achou que o computador acreditou que ela realmente não sabia.
— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?
— Não.
— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?
— Sim.
— Espera o melhor ou o pior da vida?
— O pior, sempre.
— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?
— Não, acho que não consigo ser fiel o tempo todo...
— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e seu irmão ou sua melhor amiga estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?
— ... n-não. – A moça olhou curiosamente para a tela.
— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?
— Arma.
— Matar ou morrer?
— Matar.
— Sorrir ou chorar?
— Sorrir.
— Felicidade é o principal da sua vida?
— Hm.. Não.
— Azul ou vermelho?
— Azul.
— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?
O coração de Marcabeth batia acelerado. Ela achava que queria uma coisa, mas ai pensava em outra... não poderia estar mais em dúvida. A sua vida inteira Marc achava que seria Má (e isso não queria dizer necessariamente que ela seria uma pessoa ruim, mas que ela teria mais chances de ir por esse caminho), mas ultimamente ela tinha pensado mais e achava que ser Boa não seria tão ruim.
— Eu... eu realmente não sei. Eu acho que serei Má.
O computador apitou. A moça se levantou e colocou algo no braço de Marcabeth, um dispositivo que piscava.
E então veio a dor... Uma dor infinitamente mais dolorosa do que qualquer outra que ela tinha sentido na vida e maior do que ela achou ser capaz de existir. Ela gritou, achando que isso faria diminuir. Mas nada fazia. Foram os 10 minutos mais excruciantes da sua vida, e era uma dor tão inconveniente que ela não poderia explicar para ninguém o que estava sentindo. O que ela via: ela não sabia explicar. Imagens, vultos, pareciam cenas do passado. Ela, o irmão, as amigas. Tudo corria diante de seus olhos, mas com informação demais e escuro demais para ela entender. O que ela ouvia: rugidos, barulhos, grunhidos, sons agudos. Muitos sons ao mesmo tempo que queriam estourar sua cabeça. Era muita dor, muito barulho, muitas imagens. Marcabeth tentava segurar os gritos, mas ela não conseguia se conter e gritava vez ou outra, um grito ensurdecedor. Ela já havia caído da cadeira e estrebuchava no chão tinha um tempo. E depois dos 10 minutos mais longos da sua vida, tudo passou. A dor, as vozes, os sons, as imagens.
Ela conseguiu abrir os olhos novamente e se localizar. A menina estava sentada, lixando as unhas. Quando percebeu que Marcabeth tinha saído do transe ela se levantou e trouxe um copo d’água à ela.
— Caramba menina, eu achei que você não ia aguentar. Ninguém demora tanto tempo para voltar a si.
— O quê.. Por que isso aconteceu?
— Nós sempre colocamos o dispositivo no final das perguntas. Ele pesa seu coração e enxerga suas dúvidas. Se você tiver dúvidas quanto ao seu lado, você passa pelas dores, até seu coração se decidir. Por isso tantas pessoas morrem, algumas não suportam a dor, certos corações não conseguem entender... Cada um com sua confusão haha
— Você também teve tantas dores?
— Nãooo, nem tanto. Minhas dores duraram só 2 minutos, eu não tinha tantas dúvidas assim. Mas você é extremamente forte! – ela levantou e foi até seu computador. – Você é a paciente que eu peguei que passou pelo maior tempo de convulsões, chegando há 10 minutos.
— Iupi, quebrei um recorde. – disse ela, segurando a cabeça.
— Sabe por quê? Seu coração estava em quase 50% para cada lado, ele não conseguia se decidir. No fim ele escolheu.
— Então eu sou oficialmente uma das novas Más da cidade de Gousti?
— Hahahah não. Você tinha pensado errado. Você é uma Boa. – Marcabeth deu sorte de pegar uma assistente extremamente boazinha e nova, para responder tantas perguntas. Geralmente elas respondiam o mínimo possível e deixavam o paciente descobrir seu lado por si só. – Quando você sair você verá por si mesma. Agora você precisa ir! Tchauzinho e espero que você aproveite o novo modo como verá o mundo agora.
Marcabeth agradeceu e se levantou. Quando já estava na porta, a moçinha gritou.
— Ah!!! Mais uma coisa. Agora que você já é uma adulta, poderá ver o lado de todas as pessoas só de olhar para a cara delas, não precisa perguntar nem nada. Fica mais fácil de seguir com sua vida, alguns grupos não gostam de se misturar. Agora tchau!
Marcabeth tinha muitas perguntas mas foi empurrada para fora da sala.
Quando Marc saiu e voltou para uma sala marrom de espera, Pedro já estava lá sentado a esperando.
—
Voltando alguns minutos no tempo...
Pedro entrou na sala, havia um homem branco de óculos e rosto sério esperando por ele. Ele devia ter seus 23 anos.
Como Pedro também estava no seu modo silencioso, apenas sentou na cadeira que ele indicou. O moço explicou como teste ia funcionar e Pedro concordou, então foram direto para o teste já que nenhum dos dois estava muito a fim de papo.
— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?
— Jamais.
— Sua irmã está entre a vida e a morte, uma pessoa a ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?
— A defendo, sob qualquer custo.
— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?
— Converso com ele e peço para ele se entregar para os médicos. Se ele não tiver coragem, eu conto por ele.
— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?
— Hm.. Interessante pergunta. Não sei, talvez céu?
— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?
— Se eu souber de quem é, devolvo. Se não pego para mim.
— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?
— Conhecido.
— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?
— Morrer como herói.
— Sobre a sua infância, você sente falta dela?
— Minha infância e nada é a mesma coisa. Não sou ligado ao passado.
— Daqui há 5 anos onde se imagina?
— Formado na faculdade, trabalhando e cuidando da minha irmã.
— Daqui há 50 anos onde se imagina?
— Caso haja um outro lado, trabalhando para a Base.
O homem ficou extremamente surpreso sobre como ele respondia rápido e quase não tinha dúvidas. “Esse vai ser fácil e rápido”, ele pensou.
— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?
— Não.
— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?
— Talvez.
— Espera o melhor ou o pior da vida?
— Nossa... Essa eu não sei responder. Acho que o pior? – finalmente o moço olhou para a tela do computador de forma suspeita.
— Haha finalmente uma mentira, meu caro. Achei que ia responder tudo em vapt-vupt. Na verdade você acredita no contrário, no seu íntimo.
— É mesmo? Nossa. Haha.
— Ok, prosseguindo, pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?
— A todas não.
— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e sua irmã ou seu melhor amigo estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?
— Sim.
— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?
— Arma.
— Matar ou morrer?
— Evitar os dois. Se não for possível, matar.
— Sorrir ou chorar?
— Ultimamente estou mais na vibe de chorar. Mas vou em “sorrir” pensando no passado.
— Felicidade é o principal da sua vida?
— Não, a minha felicidade não.
— Azul ou vermelho?
— Vermelho.
— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?
— Eu quero ser Bom.
O moço levantou e foi até ele colocar o dispositivo. Com o tempo toda a dor veio e Pedro gritou. Depois de 7 minutos, a dor passou.
— Finalmente! Seu coração tinha bastante dúvidas.
— Nem me fale... Eu fui bom a minha vida inteiro, até cheguei a ser chato de tanto tentar seguir as regras. Mas nessa última semana muitos pensamentos perturbadores me ocorreram. Por isso tanta dúvida... Mas enfim, qual lado ele escolheu?
— Você descobrirá em breve. Também agora verá o mundo com novos olhos e poderá saber qual o lado de cada um dos adultos. Agora vá.
Quando Pedro saiu da sala preta e entrou na marrom, uma mecha vermelha surgiu em seu cabelo. Marcabeth ainda não estava lá, então ele sentou para esperá-la.
—
Quando Marc viu ele e percebeu a cor do seu cabelo, ela gritou.
— Vermelho! Nós ficamos separados então! – ela olhou para baixo e aparecia uma mecha azul em seu cabelo.
— Como assim vermelho? – Pedro não conseguia ver seu próprio cabelo. – E como assim você está de azul? Deveria ser ao contrário!
— Pois é menino, todos fomos pegos de surpresa.
Pedro se sentia um novo homem, era como se um peso imenso tivesse saído de cima dele. Ele não se sentia mais triste o tempo todo e com pensamentos estranhos na cabeça. Era apenas... ele mesmo.
Os dois saíram conversando e foram para casa.
...
Mostich chegou na cozinha de manhã e quando viu as roupas apenas resmungou.
— Como assim vou sair sem nenhum rosa? Tô nem vendo.
Júnior riu e a acalmou, falando que eram as regras. Os dois se vestiram e ouviram a mensagem de som do alto falante, depois saíram para a sede mais próxima.
Chegando lá, a moça perguntou seus nomes e poderes.
— Mostich e Júnior, fada e fado.
Ditos os nomes eles entraram e esperaram uma sala marrom de 12 pessoas encher. Depois disso veio uma atendente e explicou todo o protocolo. Os dois irmãos ficaram nervosos mas aguardaram sua vez.
Demorou um tempinho até serem chamados, já que era por ordem alfabética. Ao chegar sua vez, os dois deram um longo abraço e desejaram boa sorte um ao outro.
Mostich entrou na sala, que agora era preta ao invés de marrom. Tinha uma menina da sua altura na sala, bem parecida com ela, também loira e devia ter seus 21 anos. Ela vestia roupa social lilás e parecia bem simpática.
Explicou para Mostich como seriam os testes, disse que ela devia contar a verdade ao máximo possível e que quando ela terminasse o teste poderia ver o lado de todos os adultos, já adiantou praticamente todas as informações.
— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?
— Acho que não.
— Seu irmão está entre a vida e a morte, uma pessoa o ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?
— Tento impedir a pessoa sem machucá-la, mas sempre protejo meu irmão.
— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?
— Ajudo a pessoa, converso com ele, tento entendê-lo...
— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?
— Céu.
— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?
— Procuro o dono e devolvo.
— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?
— Meus amigos, sempre!
— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?
— Viver sendo um monstro.
— Sobre a sua infância, você sente falta dela?
— Eu não lembro de basicamente nada... Minha infância começou aqui, com o Júnior ao meu lado.
— Daqui há 5 anos onde se imagina?
— Me formando na faculdade e depois não sei.
— Daqui há 50 anos onde se imagina?
— Eu gostaria muito de voar pelo mundo, só não sei se isso seria possível... Mas voando por aí seria uma ótima resposta.
— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?
— Sim.
— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?
— Hm.. Sim. – A menina olhou para o computador com uma cara suspeita, mas preferiu não falar nada e seguiu com as perguntas.
— Espera o melhor ou o pior da vida?
— Melhor.
— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?
— Não, acho que eu não conseguiria..
— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e seu irmão ou sua melhor amiga estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?
— Eu ia tentar dividi-las. rs
— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?
— Faca.
— Matar ou morrer?
— Talvez.. Matar? Não sei.
— Sorrir ou chorar?
— Sorrir, sempre!
— Felicidade é o principal da sua vida?
— Sim.
— Azul ou vermelho?
— Vermelho.
— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?
— Serei Boa.
A menina veio em direção de Mostich e colocou o dispositivo no seu braço. Dentro de 5 segundos ela já sentiu a dor, uma dor bem forte e intensa. Ela gritou bastante, não conseguiu e nem tentou se conter. Depois de tensos 7 minutos, ela parou de tremer e a moça se dirigiu a ela.
— Uau, você demorou para decidir. Mas você se enganou, seu coração te indicou pro lado do Mal. – Mostich quase guspiu a água que a moçinha tinha lhe dado, mas no fundo no fundo ela nem estava tão surpresa assim.
A menina a ajudou a se levantar e falou que o mundo seria visto por outros olhos agora. Quando ela saiu, a mecha vermelha apareceu automaticamente no seu cabelo e Júnior já estava esperando por ela.
—
Quando Júnior entrou na sala, um homem mestiço esperava por ele. Já parecia estar à beira de sua retirada, com 24 ou 25 anos, mas mesmo assim se mostrava sorridente. Estava de roupa lilás como todos os outros e tinha um sorriso branquíssimo.
Ele explicou tudo a Júnior e chegou até a lhe responder algumas dúvidas, depois indicou a cadeira para ele se sentar e iniciou o teste.
— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?
— Nunca.
— Sua irmã está entre a vida e a morte, uma pessoa a ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?
— Protejo-a sem ferir ninguém.
— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?
— Indico a ele o caminho da sede mais próxima.
— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?
— Céu.
— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?
— Devolvo!
— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?
— Os dois.
— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?
— Morrer como herói.
— Sobre a sua infância, você sente falta dela?
— Vez ou outra eu tenho relances da minha infância. Mas nada de mais... Apenas a Mostich brincando, um lugar escuro.
— Daqui há 5 anos onde se imagina?
— Trabalhando e cuidando da casa. Talvez casado.
— Daqui há 50 anos onde se imagina?
— Sendo um bom pai.
— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?
— Não, provavelmente não. Só se pudesse levar algumas pessoas comigo.
— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?
— Sim.
— Espera o melhor ou o pior da vida?
— Tento sempre pensar positivo: o melhor.
— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?
— Sim.
— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e sua irmã ou seu melhor amigo estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?
— Sim, sem nem pensar duas vezes.
— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?
— Faca.
— Matar ou morrer?
— Morrer.
— Sorrir ou chorar?
— Sorrir.
— Felicidade é o principal da sua vida?
— Sim. – o homem olhou estranho para o computador, mas prosseguiu.
— Azul ou vermelho?
— Azul.
— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?
— Eu serei Bom.
O homem se aproximou e colocou o dispositivo nele. Júnior não sabia o que esperar, então a dor veio. Durou apenas 1 minuto e se foi.
— Seu coração tinha poucas dúvidas, meu jovem. Parece que você acertou.
Júnior nem precisou tomar água ou de ajuda para se levantar. Com um belo sorriso, o homem indicou a sala de espera. Júnior saiu e ficou esperando por Mostich, quando sua mecha azul apareceu e ele fez um baita esforço para enxergá-la.
Ele estava ainda extremamente feliz e pensando na mecha, quando Mostich saiu. E seu cabelo ficou com uma mecha vermelha. Júnior se sentiu estranho e ficou preocupado.
— Mas vermelho, Most? Pensei que você também seria azul. – falou ele num tom ausente, desesperançoso. Most achou o tom dele exagerado e ficou um pouco brava.
— Sim,eu também achava, mas me enganei. Nós não podemos escolher tudo na vida, Júnior.
Os dois caminharam para casa, silenciosos.
...
Kaique acordou primeiro, desceu e viu as roupas. Logo em seguida Jessie desceu e já pegou suas peças para se vestir. Os dois ouviram a mensagem no alto falante e já saíram em seguida, pois já estavam prontos.
Ao chegarem na sede, uma atendente vestida de lilás e com os cabelos combinando com a roupa, perguntou o nome deles enquanto mascava seu chiclete.
— Nomes e poderes?
— Jessie e Kaique, anjos.
Os dois seguiram para uma sala marrom, na qual já havia bastante gente mas ainda restavam dois lugares para encher.
Depois que os dois chegaram, uma moça veio até a sala, explicou todo o procedimento e já começou a chamar os nomes.
Jessie foi a segunda da lista e ela estava extremamente preocupada com Kaique, não sabia o que ele podia se tornar. Pelos sinais que ele havia dado em todos esses dias, provavelmente o lado negro da força já tinha pego ele, mas nunca se sabe né...
Ao serem chamados eles se abraçaram e Jessie deixou uma lágrima cair. Ela sempre foi completamente dona de si, mas ela não conseguia se controlar quando tinha a ver com Kaique.
— Vai ficar tudo bem, irmãzinha. Eu juro que saio dessa vivo por você. – ele piscou e entrou na sala e ela fez o mesmo.
Quando Jessie entrou, uma garota de óculos e cabelos negros como a noite a recebeu. Ela parecia nervosa e também era nova, devia ser o primeiro ano dela ali.
A menina falava rápido e tentou explicar tudo o mais detalhadamente possível para Jessie, que era super inteligente e entendia rápido.
Elas logo começaram os testes e o nervosismo de Jessie passou, ela só precisava ser sincera e isso era algo que ela fazia bem.
— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?
— Não. – No mesmo segundo a menina já olhou pro computador.
— Já começou bem hein amiga? Mentindo pra si mesma logo na primeira pergunta haha
— Hãn... Mas eu não.. eu não menti.
— Ok ok, talvez você não se conheça tão bem quanto pensa haha Seu irmão está entre a vida e a morte, uma pessoa o ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?
— Corro e defendo meu irmão. Se a pessoa tiver machucado ele de alguma forma, faço ele pagar. – até Jessie se surpreendeu com a resposta, a moça deu sorriso e elas prosseguiram.
— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?
— Aviso a Base, mas antes deles chegarem vou conversar com a pessoa e tentar ajudá-la.
— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?
— Céu.
— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?
— Se eu souber de quem é, devolvo.
— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?
— Conhecidos e amigos, claro.
— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?
— Caramba, essa é difícil! Acho que morrer como heroína.
— Sobre a sua infância, você sente falta dela?
— Eu não me lembro de quase nada da minha infância, exceto uma memória. Certa vez eu estava brincando com Kaique num jardim e uma luz muito muito forte veio em nossa direção, ele caiu com força no chão e eu corri para socorrê-lo, mas só lembro disso. Pelo jeito minha infância não foi tão boa, então não sinto falta.
— Daqui há 5 anos onde se imagina?
— Estudando muito.
— Daqui há 50 anos onde se imagina?
— Num trabalho bem loko, talvez para a Base.
— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?
— Talvez.
— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?
— Não.
— Espera o melhor ou o pior da vida?
— Melhor.
— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?
— Gosto de ser fiel e pretendo ser, só não sei se consigo.
— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e seu irmão ou sua melhor amiga estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?
— Depende, mas provavelmente sim.
— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?
— Os dois.
— Matar ou morrer?
— Matar.
— Sorrir ou chorar?
— Sorrir. Fazer os outros chorarem. – Jessie respondia tão rápido que nem parecia ouvir as perguntas direito, nem ela sabia por que respondia essas coisas. Parecia outra pessoa.
— Felicidade é o principal da sua vida?
— Não.
— Azul ou vermelho?
— Vermelho.
— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?
— Eu sinceramente não sei. Me sinto apegada aos dois lados e não sei qual deles me atrai mais. Vou deixar meu coração escolher sozinho. – Jessie falou mas depois ficou preocupada, pois não sabia se podia fazer isso. A moça simplesmente balançou a cabeça e seguiu na direção dela, pegando um dispositivo e colocando em seu braço.
Jessie sofreu muito. Ela se sentiu torturada, como nunca antes. Ela se segurou ao máximo e conseguiu gritar apenas poucas vezes. Ela via muitas coisas, ouvia, não entendia nada...
Ainda estava em transe quando a porta ao fundo bateu. A assistente se assustou, estava distraída. Foi até lá e se surpreendeu ao abrir a porta e dar de cara com o representante mais conhecido da Base. Era Jhonatan, o mesmo que tinha feito os discursos no alto falante. Quase ninguém conhecia seu rosto. Jessie estava em transe e não conseguia ver nem ouvir.
— Ela está em transe faz quanto tempo? – ele perguntou para a assistente.
— 10 minutos, senhor. Não sei se ela vai aguentar.
— Ah, com certeza vai. Ela já vai parar de tremer então. – a assistente olhou incrédula para ele, mas ele fez um sinal para ela se sentar e ela obedeceu. Ele foi ao corredor, pegou uma cadeira e voltou para a sala. Fechou a porta e se sentou com um copo de água na mão, esperando.
Depois de terríveis 11 minutos de tortura, Jessie acordou. Ela via tudo girando e aceitou a água. Quando a tontura passou e ela conseguiu focalizar no rosto daquele homem estranho ela tomou um susto. Ele era velho, claramente tinha mais de 25 anos. Devia estar na casa dos 30-35. Jessie quase derrubou a água.
— Quem é você? O que faz aqui no meu teste?
— Sou Jhonatan, o cara que faz as mensagens no alto falante. – ele sorriu e ela notou que ele não era de se jogar fora. – Eu estou no seu teste porque nos resultados mostrou que você tinha 40% do coração para o lado mal e 60% para o lado bom, mostrou que você foi boa e justa a sua vida inteira, porém agora no teste que você fez, quem ganhou foi o lado Mal e ao sair daqui você ganhará uma mecha vermelha. – Jessie ficou surpresa. – Estou aqui porque a Base se interessa muito por pessoas que foram boas a vida toda e mesmo assim foram para o lado do Mal, isso é bem raro de acontecer. Só vim checar se você estava bem, e me apresentar é claro.
Jessie estava bem confusa e ainda com dores e não sabia o que falar.
— Hum... tá bom? – ela disse e ele riu.
— Agora está na hora de sair, seu irmão já está lá fora. Só vim te dar um olá e te dizer que a Base se interessou em você, Jessie. Até breve. – ao dizer isso, ele se levantou e beijou mão de Jessie. Fez um tchauzinho no ar para a assistente e saiu da sala.
Ambas ficaram sem fala, mas logo a assistente se despediu e Jessie saiu. Realmente, Kaique já estava lá.
—
Tinha um homem negro bem alto para atender Kaique. Ele parecia não ser muito adepto a conversas, já que era bem intimidador.
Explicou rapidamente o protocolo à Kaique e nem o deixou fazer perguntas, já começando logo com os testes, depois de mostrar a cadeira na qual que ele deveria sentar.
— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?
— Sim.
— Sua irmã está entre a vida e a morte, uma pessoa a ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?
— A defendo, bato em quem for necessário.
— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?
— Aviso para a sede.
— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?
— Inferno.
— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?
— Pego para mim.
— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?
— Tô pouco me fudendo para os dois, mas provavelmente do conhecido.
— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?
— Hahaha fácil: viver sendo um monstro.
— Sobre a sua infância, você sente falta dela?
— Não me lembro de nada, não sinto.
— Daqui há 5 anos onde se imagina?
— Longe, bem longe da faculdade. Trabalhando talvez.
— Daqui há 50 anos onde se imagina?
— Curtindo, eu espero. Talvez com um trabalho maneiro que me faça viajar pelo mundo.
— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?
— Provavelmente não, depende da proposta.
— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?
— Não.
— Espera o melhor ou o pior da vida?
— Pior.
— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?
— Não.
— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e sua irmã ou seu melhor amigo estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?
— Para a minha irmã sim, para o resto não.
— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?
— Faca.
— Matar ou morrer?
— Matar, sem dúvidas.
— Sorrir ou chorar?
— Chorar.
— Felicidade é o principal da sua vida?
— Não.
— Azul ou vermelho?
— Vermelho.
— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?
— Lado do Mal.
O homem ficou extremamente surpresa com todas as respostas rápidas e sinceras, era extraordinariamente raro achar alguém que não mentia (mesmo que não fosse propositalmente) em nenhuma resposta. Depois de passado o momento de choque, ele se dirigiu à Kaique com o dispositivo na mão e o colocou no seu braço.
Rapidamente ele caiu no chão, e se segurou para não gritar. A dor durou 4 minutos e ele só soltou um grito, perto do fim.
— Seu coração tinha poucas dúvidas, parece que você viveu a vida já sabendo que iria ser Mal. – o atendente disse, sorrindo. – Você acertou seu lado escolhido e agora verá o mundo com outros olhos, sem esse peso da dúvida nas costas. Você verá todos os adultos com os lados estampados em suas faces. Parabéns e boa sorte!
Kaique agradeceu e saiu da sala, ganhando sua mecha vermelha logo em seguida, nada surpreso. Ele realmente se sentia mais leve e ficou feliz com isso.
Em alguns minutos, chegou um homem estranho e passou por ele. Ele estranhou muito e ficou curioso do por que ele tinha entrado na sala de teste da sua irmã, mas soube que ele era da Base.
Como o homem não saia logo, ele teve medo de que sua irmã tivesse morrido lá dentro e esse homem veio para retirar seu corpo, ele levantou e andava na sala marrom para lá e pra cá. Mas logo o homem saiu – sozinho – e isso o acalmou.
— Tchau Kaique. – disse o homem e foi andando rapidamente para o fim do corredor.
Logo Jessie saiu e quando ele viu a mecha vermelha na irmã mal pode expressar sua felicidade.
— Estamos juntos de novo, maninha! Nem acredito.
— Pra sempre. – ela disse.
— Que cara estranho foi esse que passou hein? Ele sabia meu nome, mds.
— Menino, nem te conto.
Os dois foram felizes juntos para casa, conversando e contando suas experiências.
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