Luisia e Lucas acordaram ao mesmo tempo em sua casa e desceram para o café da manhã. Quando ela viu que a roupa era amarela e ela não poderia usar verde, ela se incomodou. Deixou claro para o irmão que o verde com o amarelo ficaria lindo, era uma combinação que ela adorava, já que eram as cores da bandeira do Brasil.

O irmão concordou, mas disse que não podiam fazer nada, eram as regras.

Depois de ouvirem o som do alto falante, saíram. Rapidamente chegaram lá e a atendente perguntou seus nomes e poderes.

— Luisia e Lucas, sereia e sereio.

Foram indicados para uma sala, que já estava cheia quando chegaram. A moça contou algumas coisas e depois já começou a chamar as pessoas. Vários gritos ecoavam das salas, deixando Luisia mais preocupada do que já estava. Depois de algum tempo, a moça voltou e enfim chamou Luisia.

Ela e o irmão se abraçaram, os dois com medo. Tanto do teste quanto de perder um ao outro.

Havia uma moçinha loira e delicada dentro da sala, pronta para atendê-la. Ela indicou a cadeira de Luisia, enquanto sentava na sua própria e já explicava o procedimento. Logo já começaram as perguntas.

— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?

— Talvez.

— Seu irmão está entre a vida e a morte, uma pessoa o ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?

— Defendo ele com toda minha vida.

— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?

— Ajudo o doente, o levo a médicos e compro remédios.

— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?

— Céu. – A menina encarou o computador de forma diferente e Luisia soube que ela tinha captado sua mentira, seu medo de na verdade não ir para céu nenhum... Mas a menina simplesmente continuou, sem nada falar.

— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?

— Devolvo metade, pego metade para mim.

— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?

— Estranho.

— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?

— Morrer como herói.

— Sobre a sua infância, você sente falta dela?

— Não sinto, não me lembro dela.

— Daqui há 5 anos onde se imagina?

— Feliz e terminando a faculdade, já trabalhando.

— Daqui há 50 anos onde se imagina?

— Trabalhando mais e mais.

— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?

— Não.

— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?

— Sim. – a moça olhou de novo para o computador e dessa vez comentou:

— Mentindo de novo? Calma, não precisa ter vergonha ahaha

— Não tenho vergonha, mas às vezes me confundo.

— Espera o melhor ou o pior da vida?

— Ahn... os dois?

— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?

— Pretendo tentar.

— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e seu irmão ou sua melhor amiga estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?

— Ia ver a melhor solução ou quem estivesse com mais frio e emprestaria sim.

— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?

— Arma.

— Matar ou morrer?

— Matar.

— Sorrir ou chorar?

— Sorrir.

— Felicidade é o principal da sua vida?

— Sim.

— Azul ou vermelho?

— Azul.

— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?

— Eu gostaria de ser Boa, mas não sei se vou conseguir.

A moça rapidamente se dirigiu a ela com o dispositivo. Logo Luisia caiu estrebuchando, mas logo passou, durou cerca de 3 minutos

Quando levantou, a garota lhe ofereceu um copo d’água. Ela aceitou e logo se recuperou.

— E então? O que deu?

— Ah sim. Você acertou, é Boa!

Luisia saiu da sala feliz da vida e logo ganhou sua mecha azul.

— Isso vai super combinar com verde. – ela disse para si mesma.

Como não tinha ninguém na sala, ela sentou para esperar Lucas.

Quando Lucas entrou, um homem baixinho e carrancudo o atendeu. Ele passou as informações como se Lucas tivesse dificuldades para entender, de tão devagar. Depois ele apontou a cadeira e Lucas se sentou, já bufando. O teste enfim começou.

— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?

— Sim. – O moço olhou de forma desconfiada para o computador e depois prosseguiu.

— Sua irmã está entre a vida e a morte, uma pessoa a ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?

— Nado até ela e a salvo.

— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?

— Aviso que ele precisa contar, se ele não agir eu mesmo conto.

— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?

— Céu.

— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?

— Tento devolver.

— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?

— Gostaria de salvar os dois. Mas conhecido.

— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?

— Morrer como herói, monstro jamais.

— Sobre a sua infância, você sente falta dela?

— Não me lembro de nada.

— Daqui há 5 anos onde se imagina?

— Gostaria de estar nadando em várias cachoeiras.

— Daqui há 50 anos onde se imagina?

— Conhecendo muitos lugares.

— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?

— Não, talvez não.

— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?

— Não sei... Sim?

— Espera o melhor ou o pior da vida?

— Melhor.

— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?

— Sim.

— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e sua irmã ou seu melhor amigo estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?

— Sim.

— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?

— Faca.

— Matar ou morrer?

— Morrer.

— Sorrir ou chorar?

— Sorrir.

— Felicidade é o principal da sua vida?

— Sim.

— Azul ou vermelho?

— Azul.

— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?

— Eu gostaria de ser Bom.

O moço carrancudo veio lentamente com o dispositivo e colocou no braço. A dor surgiu e durou 3 minutos.

Quando passou, o moço informou que ele iria poder reconhecer o lado das pessoas agora.

— E parece que você acertou seu lado.

Depois disso o expulsou e Lucas saiu feliz da vida. Quando saiu, Luisia já estava o esperando. Ele ganhou sua mecha azul e viu que os dois estavam juntos nessa também. Correu e deu um abraço nela.

Os dois foram embora rindo e conversando.

...

Veliria ainda estava na cama quando Alexandre veio chamá-la. Os dois desceram e vestiram rapidamente a roupa. Depois da mensagem do alto falante já saíram caminhando até a sede.

Ao chegar lá uma assistente de cara impassível falou com eles.

— Nomes e poderes?

— Veliria e Alexandre, metamorfos.

Logo eles seguiram para a sala e foram os penúltimos a entrar. De repente apareceu uma moça com alguns papeis e informações sobre o teste. Veliria foi a última a ser chamada. Ela e Alexandre foram de mãos dadas até a porta e depois se despediram, nervosos.

Veliria entrou na sala e uma moça morena a atendeu. Ela sorria, mas parecia não estar muito a fim de papo. Devia ter uns 24 anos, já era velha. Ela apresentou rapidamente a situação e falou do teste, e logo já começaram.

— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?

— N-não.

— Seu irmão está entre a vida e a morte, uma pessoa o ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?

— Eu tento não ferir a pessoa, mas quero salvar meu irmão.

— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?

— Falo com a pessoa e peço pra ela ir até a sede mais próxima.

— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?

— Céu.

— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?

— Devolvo na hora. – A moça olhou para o computador suspeitamente.

— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?

— As duas vidas.

— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?

— Viver sendo um monstro.

— Sobre a sua infância, você sente falta dela?

— Não me lembro de nada.

— Daqui há 5 anos onde se imagina?

— Me formando na faculdade e trabalhando.

— Daqui há 50 anos onde se imagina?

— Casada e feliz, pronta para ver o mundo.

— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?

— Sim.

— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?

— Não. – de novo, a moça olhou para a tela com outros olhos.

— Espera o melhor ou o pior da vida?

— Melhor.

— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?

— Não..

— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e seu irmão ou sua melhor amiga estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?

— Sim.

— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?

— Faca.

— Matar ou morrer?

— Morrer.

— Sorrir ou chorar?

— Sorrir.

— Felicidade é o principal da sua vida?

— Sim.

— Azul ou vermelho?

— Nenhum dos dois.

— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?

— Ai moça, eu não sei o que escolher. Eu sinto que quero os dois, os dois são bem fortes em mim, não consigo pensar em ser de um lado só.

A menina concordou e veio com o dispositivo em sua direção. Veliria logo começou a estremecer e rapidamente já não sentia nada além da dor. Ela gritava bastante. Depois de um tempo notou que a mulher olhava preocupada pra ela (quando conseguia ver algo dentre as imagens estranhas) e percebeu que parecia que já fazia uma eternidade que ela estava ali em transe. Será que ela não ia aguentar? A menina olhava pro relógio.

Nesse meio tempo, Jhonatan entrou na sala. Primeiramente a atendente levou o susto, já que estava tão preocupada olhando para Veliria que nem notou alguém entrando e se assustou com o vulto. Quando ela percebeu quem era ficou nervosa. Ele perguntou há quanto tempo Veliria estava no chão e ela disse que já faziam 11 minutos e ela estava preocupada.

— Calma, ela vai conseguir. Vamos sentar e esperar.

Depois de 12 minutos Veliria voltou a si. Se assustou ao ver mais um contorno na sala, achou que estava alucinando.

A garota estava feliz por Veliria ter acordado, logo deu um copo de água para ela. Depois se dirigiu para o computador para ver o resultado do teste. Veliria percebeu que ela ficou bem contente, só não batia palmas porque não podia, se controlava perante o chefe.

— Você não vai acreditar no seu resultado. – ela disse para Veliria.

— Ela vai acreditar sim. – disse Jhonatan, sorrindo. – Pode deixar comigo querida, eu explico para ela. – A atendente fez um sinal com a cabeça e se afastou, sorrindo.

Veliria estava super confusa e olhava de um para outro na sala.

— Eu sou o Jhonatan, você ouviu minha voz nos altos falantes hoje cedo. Vim te ver hoje porque soube que o seu teste daria um resultado promissor, diferente da maioria.

— Hum... Ok, mas não estou entendendo.

— Resumidamente: O resultado do seu teste não foi da cor azul nem vermelha, você perceberá quando passar pela porta que seu cabelo terá uma mecha amarela. Vai combinar com sua roupa, haha.

— Como assim amarela? Nem sabia que existia essa possibilidade.

— Mas existe. Poucas pessoas são selecionadas para esse grupo. E os novatos não sabem da existência deles, só os adultos. Seu coração simplesmente não conseguiu escolher entre o Bem e o Mal, mas não de uma maneira negativa. Ele queria os dois, sua vida estava repleta dos dois igualmente. Então ele escolheu os dois. Agora você faz parte do grupo que chamamos de Meio-Termo.

Sua cabeça rodava. “Quequetacontecenu” era a única coisa que ela conseguia pensar.

— Enfim Veliria, só passei aqui para dizer que a Base gosta de manter relações com todas as pessoas desse grupo, eles geralmente fazem trabalhos para nós. Mas em breve você saberá mais. Aproveite sua nova cor. – ao dizer isso ele piscou e saiu pela porta, batendo o pé forte no chão.

A moça nem se aguentava de tanta felicidade e Veliria ainda não entendia nada.

— Menina, nem acredito! Além de ser escolhida para um grupo superespecial ainda conheceu o chefe no mesmo dia. Que sortuda! Hahaha só o tempo da sua dor que não foi nada bacana, sinto muito.

— Hum.. okay? Né. Enfim, ainda estou com dores.

A moça a ajudou a ir até a porta e disse que ela poderia ver a cor de todas as outras pessoas agora. Ela passou pela porta e sentiu uma tremenda tontura e achou que ia cair, mas por sorte Alexandre já estava lá e segurou ela.

Alexandre entrou na sala e um cara de seus 23 anos, branco e musculoso estava lá sentado. Ele falava rápido, por mais que parasse quando Alex queria perguntar algo. Depois de breves momentos já começou o teste.

— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?

— Não.

— Sua irmã está entre a vida e a morte, uma pessoa a ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?

— Corro para salvá-la.

— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?

— Conto logo para a sede. – O moço olhou curiosamente para o computador e depois para Alexandre, mas seguiu em frente.

— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?

— Inferno.

— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?

— Pego para mim.

— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?

— Conhecido.

— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?

— Viver sendo um monstro.

— Sobre a sua infância, você sente falta dela?

— Não.

— Hum.. Não por que não sente mesmo ou por que não lembra? Seja mais claro.

— Você só perguntou se eu sinto falta ou não, você que deveria ser mais claro. Não, não sinto falta porque não lembro. – O moço olhou irritado para ele depois da patada que levou, mas continuou perguntando, cada vez mais rápido, pra acabar logo com isso.

— Daqui há 5 anos onde se imagina?

— Indo embora daqui.

— Daqui há 50 anos onde se imagina?

— Longe daqui.

— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?

— Sem dúvidas.

— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?

— Não.

— Espera o melhor ou o pior da vida?

— Pior.

— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?

— Não.

— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e sua irmã ou seu melhor amigo estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?

— Sim.

— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?

— Arma.

— Matar ou morrer?

— Matar!

— Sorrir ou chorar?

— Chorar.

— Felicidade é o principal da sua vida?

— Não.

— Azul ou vermelho?

— Vermelho.

— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?

— Eu quero ser Mal.

Logo o cara veio com o dispositivo, quase correndo. A dor veio em alguns segundos e Alexandre se segurou para não gritar. Ele conseguiu na maior parte do tempo, mas depois soltou logo dois gritos altíssimos, assustando o atendente.

Depois de 6 minutos tudo passou. Logo o atendente disse que ele conseguiria saber qual o lado das pessoas só de ver os cabelos deles, porque quando novatos eles não conseguiam enxergar. Nem sequer deu água para ele e já o mandou embora.

Alexandre saiu e ficou esperando Veliria. Depois de um tempo, ela chegou. Quando passou pela porta ela quase caiu e ele correu para socorrê-la.

— Vermelho, mano? – ela falou e só agora ele tinha percebido que tinha realmente acertado seu lado.

— E você hein, que isso ai? Nunca vi amarelo.

— Pois é, tenho muita coisa pra te contar. Haha

Os dois saíram caminhando, Alexandre dando apoio para Veliria porque ela ainda tinha dores para andar.

...

Penton saiu da cama bocejando e desceu os degraus, cansada. Miguel veio logo atrás, com uma disposição maior.

Os dois observaram as roupas e jogaram um na cabeça do outro, depois pegaram e as vestiram. Cada um pegou dois sacos de sangue da geladeira e tomaram, tomando cuidado para não sujaram a roupa. Logo veio a mensagem pelo alto falante e eles rapidamente saíram.

Ao chegarem na sede tiveram que responder seus nomes e poderes.

— Penton e Miguel, híbridos.

A atendente indicou o caminho e eles seguiram por ele, até chegarem a uma sala marrom, com 4 pessoas dentro. Esperaram até a sala encher e depois saiu uma moça de dentro da sala do fundo e explicou algumas coisas.

Penton foi a penúltima a ser chamada, mas depois de um tempo, enfim chegou sua vez. Miguel beijou sua testa e os dois se abraçaram, dizendo que se veriam do outro lado.

Penton entrou na sala e deu de cara com uma mulher negra bem alta e sorridente, em torno dos seus 22 anos. Ela usava lilás e mexia nos óculos o tempo todo.

A moça explicou os procedimentos para Penton, que prestou atenção e depois concordou com a cabeça.

— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?

— Sim.

— Seu irmão está entre a vida e a morte, uma pessoa o ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?

— Mato a pessoa e salvo meu irmão.

— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?

— Digo para a pessoa ter cuidado para não espalhar e se cuidar logo.

— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?

— Tenho dúvidas quanto a essa.. Céu, talvez.

— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?

— Devolvo uma parte e pego o resto para mim.

— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?

— De um conhecido, sem dúvidas.

— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?

— Hm... viver sendo um monstro. – A atendente olhou para a tela do computador com desconfiança, mas não falou nada, só seguiu com o teste.

— Sobre a sua infância, você sente falta dela?

— Não me lembro de nada.

— Daqui há 5 anos onde se imagina?

— Trabalhando para a Base talvez, ou algum trabalho bem maneiro depois da faculdade.

— Daqui há 50 anos onde se imagina?

— Viajando por aí, conhecendo novas pessoas e também seguindo com o trabalho.

— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?

— Não.

— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?

— Depende. Acho que não.

— Mentiu de novo. – a moça sussurrou. Penton nem ouviu o comentário, então ela seguiu. — Espera o melhor ou o pior da vida?

— Tento esperar o melhor, mas sempre acabo indo pro pior.

— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?

— Sim!

— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e seu irmão ou sua melhor amiga estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?

— Sim.

— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?

— Arma.

— Matar ou morrer?

— Matar.

— Sorrir ou chorar?

— Sorrir e chorar. As vezes a bad, as vezes o lado bom.

— Felicidade é o principal da sua vida?

— Hm... Não sei. Talvez.

— Azul ou vermelho?

— Vermelho sangue.

— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?

— Eu tenho minhas dúvidas. Mas acho que serei Má.

A moçinha veio na direção de Penton com um dispositivo na mão e colocou em seu braço, explicou sorrindo como ia funcionar e Penton ficou um pouco nervosa, mas ok.

Então a dor veio. Ela tomou conta de todos os sentidos de Penton, que se tremia inteira. Caiu no chão rapidamente e continuou estrebuchando, ela gritava sem parar. Depois de 5 minutos a dor passou. A atendente veio com um copo d’água, super prestativa.

Logo ela explicou que quando Penton saísse ela descobriria seu lado pela mecha no cabelo e também poderia ver a dos outros. Logo se despediu dela e Penton saiu.

Quando passou pela porta sua mecha vermelha surgiu e ela percebeu que realmente tinha se tornado Má, agora era real. Ela sorriu. Outro para a sala de espera e viu que não tinha ninguém, então sentou para esperar Miguel.

Quando Miguel entrou na sala, um senhor de 25 anos o atendeu, explicou rapidamente o processo e já indicou a cadeira para ele se sentar.

— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?

— Não.

— Sua irmã está entre a vida e a morte, uma pessoa a ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?

— Defendo ela, mato se necessário.

— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?

— Tento ajudar a pessoa, depois conto para a sede.

— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?

— Céu.

— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?

— Devolvo.

— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?

— Conhecido.

— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?

— Morrer como herói.

— Sobre a sua infância, você sente falta dela?

— Eu.. não lembro de praticamente nada. – O moço viu uma mensagem no computador, que comprovava que ele estava mentindo.

— Tem certeza?

— Talvez de uns flashs, não sei.. não consigo explicar. – O homem o olhou impaciente.

— Tente.

— Bom, eu vejo um clarão, depois uma escuridão. Eu brincava dentro de casa e Penton lá fora. Então ela gritou e eu sai correndo para ver o que tinha acontecido e encontrei Penton desmaiada no chão. Então veio uma luz sobre mim e cai também. – O homem pareceu satisfeito com a resposta e prosseguiu, sem fazer nenhum comentário.

— Daqui há 5 anos onde se imagina?

— Sendo feliz em algum lugar.

— Daqui há 50 anos onde se imagina?

— Conhecendo mais lugares do que apenas esta cidade.

— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?

— Sim.

— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?

— Hm... não?

— Espera o melhor ou o pior da vida?

— Pior.

— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?

— Não, acho que todas nem tem como.

— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e sua irmã ou seu melhor amigo estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?

— Sim.

— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?

— Faca.

— Matar ou morrer?

— Matar.

— Sorrir ou chorar?

— Chorar.

— Felicidade é o principal da sua vida?

— Não.

— Azul ou vermelho?

— Hm... Nenhum dos dois.

— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?

— Olha moço, eu sinceramente não sei te responder. Me sinto atraído pelos dois lados, não sei qual acaba ganhando no final.

O senhor veio em sua direção e colocou um dispositivo no seu braço. A dor que veio a seguir foi insuportável. Miguel gritava mas não adiantava nada, a dor só aumentava.

Enquanto isso, Jhonatan entrou na sala. O atendente ficou tão desesperado que não sabia se fazia reverência, falava com ele ou chorava. Jhonatan apenas riu e fez um sinal com a mão de “deixa pra lá, relaxa”. Perguntou há quanto tempo Miguel já estava se contorcendo.

— Mais de 10 minutos, senhor. Não sei se ele vai aguentar.

Jhonatan apenas pegou uma cadeira no corredor e esperou.

Depois de 12 minutos de sofrimento, Miguel voltou a si. O moço foi ao computador olhar o resultado de grupo escolhido pelo coração de Miguel e ficou boquiaberto.

— Hm... Que anormal.

Jhonatan riu.

— Pode deixar que eu explico para ele, assistente.

Miguel bebia água e piscava um pouco, fazendo sussurros de dor.

— Eu sou o Jhonatan, você ouviu minha voz nos altos falantes hoje cedo. Vim te ver hoje porque soube que o seu teste daria um resultado promissor, diferente da maioria.

Miguel não falava nada, só aguardava por alguma explicação, já que ainda estava boiando.

— Resumidamente: O resultado do seu teste não foi da cor azul nem vermelha, você perceberá quando passar pela porta que seu cabelo terá uma mecha amarela.

— Amarela? Mas gente..

— Sim, essa cor de mechas também existe, só que é para poucos. Os novatos não sabem da existência dela, só os adultos. Seu coração simplesmente não conseguiu escolher entre o Bem e o Mal, mas não de uma maneira negativa. Ele queria os dois, sua vida estava repleta dos dois igualmente. Então ele escolheu os dois. Agora você faz parte do grupo que chamamos de Meio-Termo.

Olha que loko, agora ele seria o diferentão do grupo, super bacana.

Jhonatan explicou que tinha passado ali só para ver como ele estava e que a Base gostava de manter relações com as pessoas desse grupo e que inclusive eles faziam trabalho para Eles. Deixando Miguel curioso e confuso, ele foi embora.

O moço ainda surpreso com todos os acontecimentos, ficou sem reação por alguns segundos. Depois mandou Miguel embora.

Miguel saiu da sala e Penton já estava lá fora esperando.

— Quem foi esse louco que entrou e saiu da sua sala? Eu hein.

— Vish, mil tretas. Vamos indo que eu te conto no caminho.

Quando Penton enfim notou que o cabelo dele estava com uma mecha amarela ela soltou um gritinho.

— Que porra é essa, meu? HAahahah inventaram uma cor pra você?

— Vamos indo. – Miguel falou, rindo.

...

Aluria acordou mais cedo para poder pintar as unhas. Primeiro olhou qual era a cor da roupa para poder combinar. Pegou seu esmalte amarelo neon e começou a pintar.

Depois de alguns minutos, Douglas chegou na sala. Ele gostaria muito de entender qual era a neura da irmã com esse negócio de unhas, porque olha. Todo dia isso.

Os dois comeram uma bela carne crua recém colocada na geladeira. Depois se trocaram e ouviram a mensagem do alto falante e saíram em seguida.

Ao chegar na sede da Base, a moça perguntou nome e poderes.

— Aluria e Douglas, lobisomens.

Seguiram em frente, como a moça indicou. A sala já estava cheia quando chegaram.

— Esse marrom também combina com minhas unhas. – ela disse baixinho para Douglas, que riu.

Logo apareceu uma assistente de roupa lilás explicando os procedimentos. Aluria foi a primeira a ser chamada, os dois se despediram dando abraços.

Quando chegou na sala uma mulher baixinha asiática a espera. Ela tinha uns 24 anos. Rapidamente explicou os procedimentos e seguiu com o teste.

— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?

— Não.

— Seu irmão está entre a vida e a morte, uma pessoa o ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?

— Vou salvar ele correndo, mas tento não machucar ninguém.

— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?

— Falo com ele para ele tomar cuidado.

— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?

— Inferno. – ela falou, cabisbaixa.

— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?

— Devolvo.

— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?

— Tentaria salvar os dois.

— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?

— Morrer como herói, ser um monstro jamais.

— Sobre a sua infância, você sente falta dela?

— Não me lembro de nada.

— Daqui há 5 anos onde se imagina?

— Me formando e saindo com minhas amigas para curtir.

— Daqui há 50 anos onde se imagina?

— Tendo minha própria empresa aqui.

— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?

— Não.

— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?

—Sim.

— Espera o melhor ou o pior da vida?

— Melhor.

— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?

— Sim, quero tentar.

— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e seu irmão ou sua melhor amiga estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?

— Sim!

— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?

— Não gosto de armas... Mas faca.

— Matar ou morrer?

— Morrer.

— Sorrir ou chorar?

— Sorrir.

— Felicidade é o principal da sua vida?

— Sim.

— Azul ou vermelho?

— Azul.

— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?

— Eu quero ser Boa.

A asiática veio com o aparelho e colocou no braço de Aluria. Ela não sabia o que ia acontecer, mas ficou sentada esperando.

A moça voltou para o lugar e ao perceber que não tinha acontecido nada com Aluria ainda, ficou surpresa. Quando ela olhou para o computador viu que o resultado já tinha aparecido.

— Caramba! – ela se encaminhou na direção de Aluria e retirou o dispositivo do braço dela.

— Já foi? Eu achei que ia doer.

— E para 99% das pessoas dói, para algumas dói MUITO. Você foi um dos casos raríssimos em que seu coração não tinha dúvida nenhuma, por isso não precisou passar por nenhuma provação. Você acertou, vai ser Boa.

Aluria saiu da sala sorrindo. Como seu teste tinha sido bem rápido ela já imaginou que teria que esperar o irmão. Dito e feito, ele não estava lá na outra sala quando ela chegou.

Douglas encontrou um homem negro de altura mediana e um pouco gordinho esperando por ele na sala. Tinha em torno dos 21 anos.

Ele era bem gentil e tratou Douglas super bem. Disse o que ia acontecer e explicou para ele direito. Logo eles começaram.

— Começando o teste... você mataria alguém por dinheiro?

— Não.

— Sua irmã está entre a vida e a morte, uma pessoa a ameaça e você está com força total, podendo usar seus poderes, o que você faz?

— Defendo ela.

— Uma doença contagiosa está se espalhando pela cidade, você sabe quem é o culpado, o que você faz?

— Converso com a pessoa.

— Você acha que vai para o céu ou para o inferno, caso acredite que isso exista?

— Céu.

— Você encontrou mil reais na rua, qual sua reação?

— Devolvo.

— Entre a vida de um estranho ou de um conhecido, qual você escolheria?

— Conhecido.

— Prefere morrer como herói ou viver sendo um monstro?

— Não sei... Morrer como herói, eu acho. – O gordinho revirou os olhos para o computador.

— Sobre a sua infância, você sente falta dela?

— Não, não. Acho que não lembro de nada dela.

— Daqui há 5 anos onde se imagina?

— Trabalhando com o que eu gosto.

— Daqui há 50 anos onde se imagina?

— Vivendo a vida feliz, curtindo.

— Trocaria sua vida por uma vida fora da cidade, com destino incerto?

— Não.

— Trabalharia de graça para fazer algo que ama?

— Sim.

— Espera o melhor ou o pior da vida?

— Melhor.

— Pretende ser fiel a todas as pessoas da sua vida sempre?

— Gostaria de tentar.

— Se você estivesse passando frio, mas tivesse apenas uma blusa e sua irmã ou seu melhor amigo estivesse com frio também, você daria a sua blusa para eles?

— Sim.

— Você pode escolher entre uma arma e uma faca, pega qual?

— Arma.

— Matar ou morrer?

— Morrer.

— Sorrir ou chorar?

— Chorar.

— Felicidade é o principal da sua vida?

— Sim.

— Azul ou vermelho?

— Azul.

— Agora a pergunta mais aguardada... Você escolhe qual lado?

— Eu não tenho certeza.. Mas quero ser Bom.

Logo o menino veio com o dispositivo e colocou em seu braço. Mal passou 2 segundos a dor apareceu. Douglas deu uns 3 gritos e parou. Por sorte a dor passou rápido, em 1 minuto ele não sentia mais nada.

— Deu sorte hein. Poucas dúvidas. Você acertou, será Bom.

Depois disso ele se despediu do atendente e saiu da sala. Aluria já o esperava. Os dois tinham mechas azuis nos cabelos. Saíram conversando e rindo.

...

Passando rapidamente pelos nossos outros personagens da história. Os resultados dos outros testes foram:

Eduardo: Bom.

Joaquim: Mal.

Roberto: Mal.

Ricardo: Bom.

Rafael: Mal.

Matheus: Bom.

Caio: Mal.

...

Todos foram para casa depois dos testes, acabaram não vendo uns aos outros. Precisavam descansar, já que o teste requeria muita força de todos. A cidade de Gousti estava vazia no dia da Escolha, o barulho das árvores era o mais alto. Parecia cercada por espíritos de fantasmas sussurrantes.