To be good or to be evil
19 Capítulo 19
Como começar o outro dia depois desse? Foram muitas emoções na festa, mas nem todas foram positivas.
Marcabeth era a que sofria mais, já que ela não podia liberar a raiva, enquanto por dentro sofria e muito. Como Mostich pôde fazer aquilo com ela? Se elas fossem apenas conhecidas tudo bem, mas ela sabia muito bem a situação.... E na frente dela... Nem pediu desculpas...
Os sentimentos que ocupavam sua cabeça eram puramente tristes, não existia raiva e nem rancor... só dor. Ela não quis contar para as amigas o que houve, já que não queria causar uma má impressão de Mostich, mas elas sacaram que tinha algo muito errado.
No dia seguinte, Luisia e Aluria foram na casa de Marcabeth. Chegaram logo cedo, bateram na porta com tudo (porque vai que a Marc tava dormindo né, elas queriam acordar logo o bairro inteiro).
Aluria foi bater na porta novamente, agora com sua força de lobo e um segundo antes dela bater abriram a porta... e quem apareceu foi Pedro.
— O-opa. – ela falou e Luisia riu.
— Quase te acerta hein, Pedrão! – comentou Luisia, rindo e dando uma cotovelada amigável nele.
Pedro fez a maior cara de desprezo possível para um ser humano e olhou para Luisia com seus olhos frios. Depois com um olhar igualmente frio encarou Aluria, parando por vários segundos na testa. As duas se afastaram um pouco, já que isso era obviamente uma ameaça para com seus lindos cérebros e Pedro estava com aquela cara (de sempre) dele de morto de fome.
— Tão cedo perturbando? – ele disse, mas deu um passo para o lado para que elas pudessem entrar. – A Marcabeth está no quarto. Ela parece meio mal desde ontem, e vocês sabem... não temos nos comunicado muito mais depois que eu escolhi meu Lado. – ele balançou seu pouco cabelo negro com a mecha vermelha, na verdade ele queria ter o cabelo grande o suficiente para acertá-las na cara, mas não ia rolar. Pedro as encarou de cima a baixo, para elas terem certeza de que ele se achava superior por ter escolhido o time certo! Só babacas viravam bonzinhos, babacas como ele era antes. – Mas enfim... – ele voltou a falar, tentando não se perder em seus pensamentos. – Cuidem dela pra mim, tá? Podemos ter nos afastado mas eu ainda cuido dela do meu jeito, ela sempre vai ser minha irmãzinha. – sua expressão mudou rapidamente, passou de escárnio para dor. Porém rapidamente voltou ao normal.
As duas estavam meio perdidas com relação a ele. Ele sempre tinha sido o certinho do grupo e agora de repente agia dessa maneira estranha SEMPRE, com essas roupas pretas dos pés a cabeça e se escondendo na escuridão... Inclusive o mais estranho sobre ele ultimamente era a mudança de humor repentina. Todo mundo sabia que ele agia mais pros momentos bads do que nunca, mas às vezes ele se abria com as pessoas (como com a Penton ou a Marcabeth), ou seja.... no mínimo suspeito.
— Pode deixar. A gente sempre vai cuidar dela... como uma irmã.
— Tá bom vai, chega de sentimentalismo. Tá na hora do meu lanche. – ele olhou pra testa das duas e lambeu o beiço.
Luisia e Aluria subiram rapidamente.
...
Marcabeth estava no quarto, alisando o cabelo. Ela via seu reflexo no espelho mas o que ela enxergava era muito mais profundo.
Aluria e Luisia entraram correndo no seu quarto e fecharam a porta com força, dando um susto em Marcabeth.
— Meninas! Que surpresa! Vocês estão... ofegando?
— Subimos a escada correndo. – disse Luisia.
— Seu irmão olhava para nossas lindas testinhas de um jeito meu estranho. – comentou Aluria, engolindo em seco.
— Hahahah ele tá estranho ultimamente. Mas é brincadeira... eu acho.
— Ele se preocupa com você. Como se preocupava antes... mas agora ele não pode demonstrar tanto quanto antes. – disse Aluria.
— Você percebeu que depois que a gente escolheu nossos Lados vocês meio que viraram um inverso um do outro? – falou Luisia, rindo. – Tipo, você era a bad girl do grupo, pegava todos, falando mal de todo mundo, só descia pro play se fosse pra causar e o Pedro era o certinho, sempre pensando nos pontos negativos e positivos, sempre pensando nos outros, etc. Agora vocês estão mais parecidos um com o outro com sua forma antiga hahaha
— Na verdade não tem tanta graça assim pra você estar rindo, mas beleza. – disse Marcabeth, bufando. Ela continuou passando a chapinha, sem muito interesse nas amigas.
— Marc, o que você tem? Você não tá normal desde ontem, desde a hora que você se afastou da gente para pegar as bebidas você voltou outra pessoa... O que aconteceu, você viu algo? – perguntou Aluria, se aproximando.
A campainha tocou. Alguns segundo depois bateram na porta do quarto de Marcabeth. Quem entrou foi Veliria.
— Olá amigas. – ela entrou e cumprimentou as meninas. Se hoje ela estava ali é porque seu humor estava pendendo mais para o lado do Bem.
— E ai Vê. Mas voltando, Marc, diz o que aconteceu. – disse Luisia.
Veliria ficou preocupada por um segundo, já que tinha beijado Kaique na noite passada e um: ele era o amor eterno da Marcabeth (então será que por isso que ela tava triste?), dois: o namorado dela não sabia que ela tinha beijado ninguém e três: as meninas não aprovariam ela beijar alguém enquanto namorava.
— Eu vi algo na festa ontem... – Veliria se mexeu um pouco no banquinho. – É sobre o Eduardo. – “Ufa!” Veliria pensou, “Nada sobre o Kaique então eu tô limpa”. Marcabeth continuou: — Eu nem tinha visto ele na festa, mas quando vi já foi direto pra fuder... Vocês não tem ideia.
— Conta logo menina, antes que mate a gente do coração. – comentou Aluria.
— Ele tava beijando uma menina. – Marcabeth gritou. – E pior... – ela começou, bem baixinho. – Era a Mostich.
As três meninas na sala fizeram barulhos, todas surpresas e inconformadas.
— Mas como assim? Por que ela faria isso com você?? Ela sabe o que você sente por ele. – disse Luisia.
— Sim, ela sabe. – completou Veliria. – Mas ela é Má agora. Os sentimentos da Marcabeth não estão no topo de prioridades da lista dela.
As três amigas apoiaram Marcabeth, mas esta deixou claro que não queria nenhum tipo de ódio contra Mostich, pois apesar de tudo elas eram amigas e devia haver algum tipo de explicação. Ela só queria ficar sozinha e.... esquecer.
Então as amigas a deram um forte abraço e se retiraram, enquanto Marcabeth ficava sozinha com seus pensamentos.
...
— Não acredito que a Mostich fez isso.. – comentou Aluria, baixinho.
— Pois é! Ela traiu a amiga E o namorado! Como ela pode ter feito isso? Não acredito que a piriguete era a Marcabeth e agora a Mostich assumiu o posto. Com certeza isso tem algo a ver com pessoas que o nome começa com M, porque não pode ser... o próprio namorado. – dizia Luisia, balançando a cabeça em negação.
— É né... Que péssimo. – disse Veliria, completamente desajustada. – Mas na verdade – ela comentou, tentando mudar de assunto – acho que a gente devia sair hoje. Ir no cinema, sei lá... Qualquer coisa pra fazer a Marc esquecer.
— É uma boa ideia. – Luisia e Aluria disseram juntas.
...
Enquanto isso, nas profundezas do mal (vulgo, casa de uma das meninas Más).
— Caramba, que festa foi essa! Ninguém pode dizer que a Jessie santinha não sabe dar festas! – gritou Penton, se jogando no seu sofá.
— Se o Kaique estivesse aqui ele com certeza ia querer pegar o crédito todo da festa pra ele hahah – falou Jessie, rindo.
— Eu gosto dele mil vezes mais agora do que eu gostava antes, nossa. – disse Penton e as duas riram.
As amigas perceberam que Mostich estava meio quieta, já que ela sempre tinha piadinhas ou ao menos comentários para fazer. Na verdade ela nunca ficava quieta.
— Tá bom, diz agora o que foi. – falou Jessie, mudando de lugar e sentando do lado de Mostich.
— É que... Desde ontem eu to meio mal. E sei lá, desde que tinha escolhido o nosso lado eu nunca mais tinha me sentido assim... era só ousadia e alegria. E agora...
— O quê? – perguntou Penton.
— Peso de consciência. – respondeu Mostich.
— Garota, achei que você tivesse se libertado disso no dia em que seu coração escolheu seu lado por você. – disse Penton.
— Nós temos que ser Más, Mostich. Em todos os sentidos. Se para cada pegadinha que você fizer você ficar sentindo... Nunca vai dar certo pra você. – comentou Jessie.
— Mas o que aconteceu? Dependendo da situação talvez seja normal... A Jessie por exemplo, fica mal quando se trata do Lucas, então... – Jessie a olhou de cara feia. – Sim amiga, pela sua cara eu percebi que vocês brigaram ontem, mas como a nossa amiga Mostich aqui está numa bad maior, essa conversa fica pra depois. Agora, você – ela apontou para Mostich, — é algo sobre o Alexandre? Ontem vocês pareciam tão bem!
— Não, não. Eu e o Alexandre não poderíamos estar melhor, nunca nos sentimos tão próximos. É sobre... a Marc.
— O que tem ela? – disse Jessie.
— Ela viu eu beijando aquele menino que ela gosta ontem.
— Meu irmão? – O Kaique? – Falaram as duas ao mesmo tempo.
— Não, tolinhas! O outro.. O Eduardo.
— Ah! – ambas falaram, batendo com a mão na cabeça.
— O garoto nem queria me beijar... Mas eu não tinha tempo e precisava ganhar a aposta, por isso enganei ele dizendo algo sobre ela e depois beijei ele de surpresa. Como se fosse um filme, ela apareceu bem nesse momento. Por sorte não ficou brava com ele, e no fundo, acho que nem comigo, mas eu ainda a provoquei dando risadinhas antes de sair. Caralho, juro que meu peito dói só de lembrar. Como eu pude ser tão traíra? – Most abaixou a cabeça e colocou as mãos sob ela.
— Olha amiga, vamos considerar sua dor como normal. Marcabeth é uma de suas melhores amigas e imagino que feri-la não seja tão bacana quanto ferir as outras pessoas. Mas vai passar! – respondeu Penton.
— Com certeza eventualmente vai passar... Você precisa aprender a controlar seus sentimentos. Agora vai doer um pouco, mas logo você não sentirá mais nada por elas. E vai conseguir feri-las como se elas fossem apenas mais uma... Todas nós vamos. – comentou Jessie.
— Todas nós vamos. – disse Penton, colocando sua mão sobre a da amiga.
— Todas nós vamos. – falou Mostich com uma pequena lágrima escorrendo dos olhos. Sua mecha vermelha escureceu e a dor passou repentinamente. Ela soube que tinha pleno controle dos seus sentimentos e que pesar não estaria mais entre eles de agora em diante.
...
Veliria ligou para Marcabeth e avisou que elas iam sair. Todas ficaram felizes e se encontraram no cinema algum tempo depois.
— Na verdade nem importa qual filme a gente vai ver, contanto que eu esteja com vocês! Haha – falou Marcabeth.
— Aiiii que fofa. – disse Veliria, abraçando-a.
— Você parece melhor. – comentou Luisia, sorrindo.
— Eu realmente estou. Não adianta ficar triste por algo que já passou. – respondeu Marcabeth. Ela estava excepcionalmente radiante hoje.
— Ai! Eu borrei minha unha, não acredito. – gritou Aluria, que tinha batido em algum lugar.
— Você vai sobreviver, eu garanto hahah – disse Marcabeth.
— Não tenho tanta certeza. – Aluria respondeu baixinho, emburrada.
— A gente podia ver um filme cheio de caras gatos, tipo Magic Mike. – sugeriu Luisia.
— Uma pena que esse filme já não tá passando há séculosss, miga sua louca hahaha – respondeu Veliria.
— Tudo bem, pega a próxima sessão ai. – disse Aluria.
As amigas assistiram o filme, que por sorte era uma comédia. Riram bastante e essa tarde fez muito bem para todas.
Quando elas saíram do cinema, uma jogava pipoca na outra e se divertiam muito.
Enquanto andavam para a saída do shopping, avistaram Eduardo apoiado em uma parede, as olhando. Ou melhor, olhando para ela.. Marcabeth. A única menina pra quem ele tinha olhos.
Aluria jogou o pacote com o resto de pipoca no lixo usando magia. Elas decidiram dar um tempo para os dois conversarem, por mais que Marcabeth dissesse que ela não estava pronta ainda.
Na trilha sonora de fundo do shopping tocava These Four Words do The Maine (ouçam, gatitas!). Marcabeth disse uma palavrão junto com um “você deve estar brincando comigo” ao ouvir a música. Seria um sinal?
— Eu não sei se quero falar com você agora, Edu. – disse Marcabeth e saiu andando.
— Você tá brava comigo? – ele usou sua super-velocidade e alcançou em meio segundo.
— Não! Eu não estou e isso me deixa pior ainda. – ela olhou para baixo. – Você beijou ela?
— Não! Não, não, não, nãooo, eu juro!!! Ela que me beijou e eu demorei meia hora pra entender o que tava acontecendo, você sabe que eu sou meio lerdo, ela disse que você estava lá na cozinha e eu só fui lá pra você... é só você... – ele falava tanta coisa e tão rápido que se engasgou.
— Para alguém com super-velocidade você parece não conseguir se explicar tão rápido assim, haha. Mas eu acredito em você. – ela sorriu para ele.
— Ufa! Desculpa se não consegui me explicar tão rápido, mas é que você é bonita demais e me desconcentra e... – assim que ele falou e percebeu o que tinha dito em voz alta, ficou super vermelho, já que era muito tímido. Marc também corou. – Hãn... – ele tentou dizer, mas nada saia.
Marcabeth se inclinou na direção dele e o beijou. Sim, o primeiro beijo deles! Foi um beijo mágico, tanto é que a luz acima deles explodiu, assustando as pessoas mais próximas que andavam no shopping. As amigas de Marcabeth que estavam à uma certa distância olharam para trás com o barulho e aplaudiram, dando pulinhos. A música mudou e agora tocava Boyfriend de Justin Bieber (ouçam, gatitas!) Novamente um sinal?
Marcabeth tinha esperado bastante para beijar Eduardo, já que ela queria provar que ele não era qualquer um. Ela tinha sentimentos por ele, e agora ela sentia que esses sentimentos só cresciam e ela esquecia Kaique cada dia mais.
Como a vida é cheia de poréns, neste momento Kaique passava no shopping e ao ouvir a lâmpada explodir olhou naquela direção e viu Marcabeth beijando Eduardo. Dizer o que passou na cabeça de Kaique naquele momento é um pouco complicado, já que nem ele entendia. Mas vamos ficar com o pensamento em lentas torturas. Ele olhou para frente e seguiu andando, como se não estivesse abalado. (Mas será que não estava?)
O mundo passava mais lento enquanto Marcabeth beijava Eduardo. Como ele tinha gostado dela desde a primeira vez em que encontrou ela no parque, aquilo era tipo estar no céu. O beijo era calmo e tranquilo e passava o carinho que um sentia pelo outro. Quando o beijo acabou, Eduardo tentou beijá-la de novo, mas ele o afastou.
— Eu preciso ir.
— O quê? – ele abriu os olhos, já que eles ainda estavam fechados. Marcabeth passou a mão na boca e começou a se arrumar para ir embora.
— Sinto muito. Eu te beijei porque eu realmente gosto de você, mas hoje não é dia para gente fazer isso, eu estou passando um ótimo momento com as minhas amigas. Eu preciso de um momento pra pensar se eu te quero como namorado mesmo, isso é, se você me quiser também...
— Eu quero!
— Enfim, amanhã a gente se fala tá? Tchauzinho. – Marcabeth levantou e saiu andando. Ele a olhava boquiaberto e ela jogou um beijinho no ar.
Quando chegou perto das amigas, Aluria falou:
— É, você deixou seu lado piriguete mas parece que a sua arte de piranha de atrair os machos ainda funciona!
— Achei tendência! – comentou Luisia, empurrando o braço da amiga.
— Arrasou. Ele é super fofo, socorro. – disse Veliria.
As amigas foram embora comentando.
...
As amigas se separaram. Veliria foi se encontrar com Júnior. Os dois pareciam estar com os ânimos batendo hoje (ele amava quando ela estava Boa). Aluria aproveitou para conversar com Miguel, porque notou que ele estava no seu dia de Bom também. Ela se transformou em loba e os dois se comunicaram telepaticamente, já que Miguel ainda estava triste com os seguidos foram que Aluria não cansava de dar nele. Por enquanto só conversavam como amigos.
Luisia se encontrou com Douglas. Os dois caminhavam de mãos dadas pela cidade. Douglas era bipolar mas hoje parece que o bom-humor do dia estava afetando todos, já que todos estavam legais. Douglas deixou Luisia decidir onde seria seu passeio. Ela quis nadar, obviamente. Mas antes Douglas quis correr como lobo, então Luisia montou em suas costas.
Era muito bom estar assim conectada com ele. Os dois estavam juntos não tinha muito tempo e ela sempre tinha gostado dele. Eles tinham se pegado antes de namorar e ela achou que nunca sairia disso. Mas ela estava ali, agora, montada nas costas de um lobisomem que corria pela cidade para chegar na praia. Ela cumprimentava colegas da faculdade que via na rua, enquanto Douglas só balançava a cabeça e uivava, já que humanos não podiam ouvi-lo na sua forma de lobo.
Raramente Douglas beijava Luisia, já que ela tinha deixado bem claro desde o início de que ela que gostava de tomar a atitude. Na verdade seus sentimentos eram confusos, já que ela tomava a atitude, ela beijava, ela agarrava, ela falava que gostava dele, mas ela não tinha coragem de pedi-lo em namoro. Mas ninguém precisou dizer “estamos namorando” para os dois entenderem que não queriam ficar com mais ninguém.
— Hoje você canta para mim? – disse Douglas, assim que eles chegaram na praia.
— Eu posso tentar, mas... você sabe.
— E você sabe que qualquer coisa que você faça será lindo para mim. – ele a beijou no rosto. Ela o beijou na boca.
— Tá, vamos lá. – Ela pulou na água e se transformou em sereia e ele veio logo atrás. Segurou na cauda dela e os dois mergulharam. Eventualmente Luisia beijava Douglas para lhe passar ar.
Ela tentou cantar e a primeira tentativa foi falha. Ela vinha tentando cantar enquanto estava sozinha e nadando e nunca conseguia. As poucas vezes que ela conseguiu ela estava com Lucas, que como sempre estava ali para apoiá-la. Hoje ela tinha Douglas para dar seu suporte e Luisia estava confiante, porém com medo de decepcioná-lo. Ele fez um sinal de “tudo bem” e indicou que ela deveria tentar de novo.
Ela tentou mais três vezes e nada. Estava começando a ficar perigoso para Douglas ficar ali embaixo por mais tempo, eles tinham que voltar para a superfície. Luisia tentou de novo e dessa voz a voz dela saiu, por mais que não fosse uma voz perfeita, com uma linda melodia. Saiu baixinha e desafinada. Douglas tossiu e engoliu um pouco de água de tanta emoção. Luisia correu até ele e o beijou de novo. Ela tentou mais uma vez e dessa vez sua voz saiu um pouco mais alta e afinada.
Não era um décimo da voz de Lucas, nem era sua voz de sereia de antigamente, antes de perdê-la: perfeita. Mas era mais do que ela tinha antes, que era nada. Luisia ficou tão feliz que chorava e continuou cantando sua melodia de sereia. Porém antes dela terminar sua voz sumiu e ela engasgou sozinha. Ela chorava muito, não sabia se de alegria ou tristeza. Sempre sonhou com o dia que sua voz voltaria e agora ela sentia que esse dia se aproximava.
Os dois voltaram para a areia e Douglas deu parabéns um milhão de vezes.
— Eu acho que sua voz vai voltar logo, amor. Completamente.
— Eu tô tão feliz... Mas ao mesmo tempo tão triste porque durou muito pouco. – dizia ela entre lágrimas.
— Eu estarei contigo enquanto você treina e tenta recuperá-la. Eu sei que você vai conseguir. – Douglas a abraçou e Luisia sorriu. Ela chorava e ele também. Uma nova esperança surgia diante deles. Se a voz de Luisia tinha começado a voltar... Nem tudo estava perdido.
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