To be good or to be evil
20 Nossos Meninos
Uma semana depois, tudo continuava na mesma. Aquele clima de poucos amigos da galera do Mal e o lance de “sempre perdoar e ser bom” da galera do Bem.
— Nossa, eu até diria que ser Mal o tempo todo cansa minha beleza, mas eu seria incapaz de dizer uma mentira tão grandiosa, já que nunca estive mais belo. – comentou Kaique se olhando no espelho e jogando beijinhos para si mesmo. Alexandre e Miguel reviraram os olhos.
— Como esse cara é chato... – murmurou Miguel.
— Nossa, mas essa cidade aqui tá um tédio. – disse Alexandre. Os três se encontravam na casa de Alexandre, que estava livre pra eles. – A mesma coisa de sempre... As meninas Más na guerra contra as Boas. Os meninos não andam mais juntos.. Nosso grupinho se separou e a cidade perdeu a graça, já que está fraca de festas e outras atividades diferentes no dia-a-dia, parece que até meu namoro estancou e caiu na mesmice.. – ele suspirou. – Se eu tiver que ir mais um dia pra faculdade e aguentar as mesmas baboseiras de sempre sem nada novo pra fazer, eu vou... – ele fez o sinal de uma arma e apontou para a sua cabeça, abaixa o dedão.
— Eu acho... – disse Kaique, virando-se para eles. – Que nós devíamos animar um pouco as coisas, certo? – o olho de Alexandre brilhou por um instante, só de pensar na ideia de uma coisa divertida para fazer. – Que tal a gente juntar nosso grupo de amigos e sair para zuar... Ou simplesmente passar um tempo juntos?
— Ótimo! – disseram os dois em resposta.
— Sem meninas. – falou Kaique. – Sem meninas. – os dois responderam automaticamente.
...
Pedro estava sozinho em casa. Ele estava sentado sozinho na sala, assistindo um filme: A Noite dos Mortos Vivos. Ele se divertia muito, comia pipoca e dava altas risadas com o filme. (Algo raro de ver).
Desde que ele por uma luz divina revelou seus sentimentos para Penton e ela disse que ia pensar mas na verdade só se afastou dele, já fazia mais de uma semana em que eles não se viam, ela sempre se esquivava dele com as amigas. Agora ele se afundou ainda mais na solidão e na verdade sentia raiva de ter dito seus sentimentos para ela. Ele não queria admitir, mas só descobriu que sentia algo por ela quando viu ela com outro. Ai pensou “nossa, mas ela gostava de mim... acho que agora vou atrás” e talvez tenha sido tarde demais. Ele esperava que não fosse.
Numa manhã de sexta, ele tinha faltado na faculdade já que não estava nenhum pouco a fim. Ele via o filme sozinho na sala e se divertia, quando a campainha tocou e ele levou um susto.
Essa hora todas as pessoas da idade dele estavam estudando, quem estaria ali? Um adulto? No mínimo suspeito.
Sem levantar do sofá, ele fez um sinal com sua mão e usou sua magia para abrir a porta. Para sua surpresa, eram Miguel, Alexandre... e Pedro. Caso não se lembrem, Pedro tinha um problema sério com pessoas “não assustadoras.” Miguel era um híbrido, portanto tinha passe livre. Alexandre era um metamorfo então ele estava na linha do “mais ou menos”. Agora Kaique... era um anjo. Ele não gostava de anjos, fados, sereios ou qualquer tipo de poder que não saísse de uma criatura medonha.
Muito tempo atrás, quando Marcabeth ainda achava que tinha chances com Kaique e antes de tudo aquilo acontecer, o maior empecilho na relação deles era Pedro. Ele não aceitava que Marcabeth namorasse ninguém menos que nota 7 numa escala de assustadores. Com o tempo, Marcabeth, Penton e as outras amigas mostraram que esses sentimentos dele estavam errados e que as pessoas podiam ser boas e legais mesmo se não fossem “assustadoras”. (E que inclusive elas também podiam ser assustadoras mesmo que não tivessem nascido monstros assustadores por natureza). Ele virou amigo de Jessie, Luisia, Lucas e os outros e esqueceu completamente dos seus sentimentos negativos. Ele continuava não gostando de Kaique, mas passou a ser unicamente pelo que ele tinha feito com sua irmã.
Mas agora ele era do Mal e nada podia guardar seus sentimentos rancorosos. Ele olhava para Kaique e só via suas grandes asas douradas (por mais que elas estivessem guardadas) e lembrar do mau que ele já tinha feito a sua família, olhava esse sorriso de escárnio dele e queria arrancar o cérebro dele e comer em uma mordida só...
— Hãn, podemos entrar? – disse Miguel.
— O que vocês querem aqui? – ele disse, entredentes. — Minha irmã está na faculdade, onde vocês deviam estar também.
— Hum... na verdade viemos ver você. – começou Alexandre. – É que o grupo dos garotos não se junta já faz um tempo e nós decidimos agitar por aí.
— Vamos! Vai ser divertido. – disse Kaique, empolgado.
Instantaneamente veio um NÃO gigantesco estampado na mente de Pedro. Mas antes que ele pudesse emitir qualquer coisa, sua mente teve outras ideias. Ele tinha raiva de Kaique e queria se vingar... Que oportunidade seria melhor do que essa? Um dia em que todos os amigos passariam juntos e ai se acidentalmente ele caísse de uma rocha... oooops. Inclusive também haveria sereios e fados lá, talvez a sua janta de hoje fosse mais saborosa: cérebros fresquinhos.
— Sim... Vai ser divertido. – Pedro falou jogando uma última pipoca na boca e se dirigindo para a porta, enquanto os três já iam saindo. Enquanto ele desligava a tv seus olhos brilhavam num intenso tom de vermelho. Ele riu baixinho.
...
Agora o acesso aos bonzinhos seria o mais difícil. Decidiram mandar Miguel, porque ele às vezes andava com esse grupo também, já que era Meio-Termo. Ele encontrou Lucas, Douglas e Júnior sentados juntos na frente da faculdade, pois a aula já tinha acabado.
Júnior estava com o namoro com Veliria mais pra lá do que pra cá. Ele não gostava muito das transformações da namorada, mas tinha que aguentar. Miguel entendia bem disso, já que tinha dias em que ele pensava em Aluria o tempo todo e tinha outros em que ele só tinha vontade de esquecê-la (ou destruí-la). Depois de que ela tinha virado Boa, eles conversaram bastante na forma de lobos, mas nunca mais se beijaram ou se aproximaram romanticamente, o que Miguel achava péssimo.
Douglas estava namorando Luisia. O namoro estava bom e por mais que eles se afastassem às vezes, agora os dois estavam decididos a permanecer juntos.
Diferente dos três, Lucas e Jessie estavam dando um tempo. Desde o dia da festa eles não tinham conversado mais do que simples palavras como “oi” ou “como você está?”. Ele via que Jessie sofria muito que isso, mas ela sabia que não ia dar certo. Ela com certeza queria tentar, mas Lucas sabia que ia sair machucado dessa relação e Jessie também sabia que ia feri-lo, por isso sofria em silêncio. Resumindo: os dois estavam acabados e infelizmente, mas momentaneamente ninguém falava nada para que eles voltassem.
Convencê-los a ir passear e se divertir por um dia não foi tão difícil quanto ele pensou e logo os dois foram se encontrar com os outros meninos.
...
Miguel continuou andando, à procura dos outros. Ao chegar na quadra da faculdade ele encontrou Caio e Matheus jogando futebol. Esses dois eram claramente os craques da escola, eram os melhores e mandavam super bem. Quando eles jogavam juntos ninguém conseguia prestar atenção em outra coisa. Por isso Miguel se distraiu por alguns instantes, vendo-os jogar. Até que Caio viu ele e gritou:
— E ai Miguel! Quer bater uma bolinha?
— Eu? Com vocês dois? Hahaha muito obrigado, não quero fazer o papel do bobinho. – os três riram.
Caio ainda tinha problemas para controlar sua raiva e ansiedade. Ele queria voltar com Aluria. Mas... Assim como ela se distanciou de Miguel, também se distanciou dele. Na verdade ainda mais, já que ele não conversava com ela de forma alguma. Apenas cumprimentos pelos corredores da faculdade, o que o fazia perder as esperanças mais e mais e ficar cada dia mais descontrolado.
Ele e Miguel sabiam que os dois gostavam de Aluria mas meio que tinham se acertado. Não tinha mais essa rixa entre os dois de “vamos ver quem pega a menina primeiro”. Os dois gostavam dela. Os dois mereciam ficar com ela. No fim era ela quem ia escolher e eles já tinham aceitado isso... Por isso se tratavam atualmente como amigos. (O que deixaria Aluria mais puta ainda, já que ela achava uma relação muito estranha).
Matheus era um caso sério... Ultimamente ele vinha tendo ataques sérios e por vezes nem se lembrava do que tinha feito. Isso não condizia nenhum pouco com seu lado Bom, já que ele só devia pensar no Bem e em coisas boas. Mas suas atitudes já tinham mudado um pouco e seus amigos tinham percebido, inclusive Caio, que era quem mais andava com ele. Desde o dia em que ele vira a aproximação entre Penton e Pedro ele só pensava nisso... Ele vinha tentando se aproximar de Penton nessa semana e eles realmente tinham se visto algumas vezes, mas apenas ficaram juntos e conversaram, nada de mais. Matheus estava preocupado porque estava sentindo que Penton não queria mais formar um casal com ele. (Será que algum dia ela quis?, ele pensava).
Os dois estavam nessa bad intensa e jogavam para se distrair. Eles também foram se divertir com os amigos sem problemas.
Antes de sair da faculdade ele encontrou Ricardo. Miguel o viu sozinho e decidiu chamá-lo também para se divertir com os colegas. De início ele não queria, mas no fim ele aceitou.
...
Miguel os mandou na frente e foi andar no centro da cidade para comprar algo antes de se encontrar com os outros amigos. Quando ele andava ele reconheceu Eduardo, o quase-namoradinho da Marcabeth. Ele estava andando com outro cara, Miguel tinha a impressão de que já tinha visto ele antes mas não lembrava ao certo... Depois ele se lembrou que se tratava de Joaquim, um certo crush da Mostich.
— E ai cara. – Miguel disse para Eduardo.
— Oi Miguel, o que faz por aqui? – ele disse, fazendo um toque para cumprimentar.
— Só andando... Olha, hoje a gente vai sair por ai, só os meninos para se divertirem... Tá a fim de colar?
Eduardo se sentiu intimidado de aparecer por lá, mas seu colega Joaquim o convenceu a ir. Os dois nem eram amigos, apenas se conheciam de vista e estavam conversando hoje. Mas talvez fosse uma oportunidade para criarem intimidade e viraram um amigo do outro, e também amigo de todos os outros membros do grupo.
Os três se encaminharam para o ponto de encontro.
...
Quando todo o Bond estava chegando no parque (eles decidiram ir para lá primeiro, depois na cachoeira, depois apostar corrida e depois onde o destino mandasse) um menino esbarrou com tudo no Lucas. Lucas estava vacilando, conversando com os amigos e quase tombou, já que o menino era bem forte.
— Olha por onde anda, babaca.
Lucas olhou indignado pra ele, juntamente com seus amigos. Todos iam começar a revidar, mas o garoto já tinha saído andando.
— Eu conheço ele, é o Roberto. – cochichou Miguel baixinho, pois também tinha lembrado do crushzinha da Jessie. (pelo visto Miguel sabia das crushs de todo mundo, shhhhhhh)
Roberto foi abrindo caminho entre o grupo de amigos e quando chegou a vez de empurrar Miguel, este firmou o pé no chão e não se deixou empurrar. Roberto olhou para cima, fez uma expressão de desprezo e foi seguindo em frente.
— Gostei desse cara! – gritou Pedro lá do fundo. Ele veio andando na direção de Roberto e Miguel. – Ei, tá a fim de dar um rolê com a gente? Você parece ser um cara bem bacana, na verdade parece comigo risos, e para ser sincero eu também to em minoria aqui, não vou com a cara de quase ninguém.
Aparentemente Roberto também tinha ido com a cara de Pedro, já que decidiu se juntar ao grupo, mesmo fazendo cara feia para alguns dos membros.
...
Rafael andava invisível pelo parque, pronto para pregar uma peça em alguém, quando viu este grupo imenso com um, dois, três.... 13 meninos! Minha nossa, essa pegadinha vai ser ótimo. Ele ficou por perto ouvindo o papo, ouviu quando Roberto entrou no grupo e viu que pelo visto ele só ia gosta de Roberto e Pedro daquele grupo de pamonhas. Ele não era sociável porém quando se tratava de ouvir a conversa dos outros ele gostava. Esperou os amigos caminharem mais alguns passos quando foi na direção de Júnior e colocou o pé na sua frente, derrubando-o. Ele ficou bravo, acho que tinha sido alguma raiz.
Esperou um pouco mais e empurrou Kaique. Como ele tinha sentido duas mãos em suas costas ele gritava, perguntando quem foi. Mas Caio estava atrás dele e dizia que não foi ele.
Continuaram acontecendo pequenos fatos incômodos para todos do grupo. Os meninos já estavam nervosos e a ponto de se jogar um em cima do outro e sair no tapa...
— Mas quando a diversão vai começar? – sussurrou Douglas, resmungando.
— Já começou! – disse Rafael baixinho.
E enfim ele apareceu. Inventou uma desculpinha qualquer e disse que tinha visto aquele grupo imenso de amigos e que parecia uma jornada divertida e ele queria participar. Falou diretamente com Miguel, que parecia unir os dois grupos. Assim que falou com ele já foi na direção de Pedro e Roberto, que caminhavam juntos zombando dos outros. Ele viu que aquela era a melhor área nesse grupinho medíocre. Mas ele queria ver se podia pelo menos dar algumas risadas com eles. (E sim, Miguel tinha reconhecido ele e sabia que ele era crush da Veliria).
...
Eles caminharam pelo parque, apreciando a vista, vendo os animais. Separavam-se em grupos de dois ou três e impressionantemente a visita ia muito bem. Mesmo com as diferenças do grupo, os membros que não gostavam um do outro, alguns sendo Bons e outro Maus, a conversa e as brincadeiras iam rápidas demais.
Alguns votaram para eles jogarem um RPG, mas acabou não rolando, já que a maioria queria ir na cachoeira.
Nem preciso dizer que alguns membros tinham planos malignos né? Matheus queria acabar com Pedro, Pedro com Kaique, Kaique com qualquer um, Rafael com qualquer um e Roberto só queria zuar. Tirando eles, as outras almas estavam puras e boas, tranquilas e apenas brincando.
Quem olhasse esses 14 meninos iam achar que eles eram amigos de infância (e alguns até eram), já que eles riam, se empurravam, um zuava o outro e por enquanto a brincadeira estava num ponto ótimo.
Ao chegarem na cachoeira, eles decidiram competir para quem fazia o melhor pulo. Óbvio que o Lucas ia ganhar, mas todos iam brincar. Inclusive o Lucas foi o mais difícil de ser convencido a brincar. Ele não queria mergulhar na água, já que sabia que quando ele caísse lá sua cauda ia aparecer... Ele odiava que outras pessoas exceto Luisia e Jessie vissem sua cauda. Ainda mais que Pedro estava lá e ele sabia que ele adorava zuar esse tipo de coisa... Ele não queria ir, não queria. Mas no fim Douglas o convenceu, já que disse que todos iam participar.
Lucas foi o primeiro a saltar, já que ele queria sair da água rápido. Ele não se esforçou quase nada porém seu salto saiu perfeito, parecia um atleta profissional. Todos ficaram com os queixos caídos. (Até Pedro, por mais que ele nunca fosse admitir).
Um por um eles foram saltando. Roberto atentou contra Ricardo, empurrou ele com força da ponta da rocha, mas Ricardo apenas esticou suas pernas elásticas enormes e voltou a ponta da rocha, dando um chute em Roberto, que caiu na água com um estrondo, esbravejando.
Rafael tentou atacar Miguel, que simplesmente o ignorou, se transformou em lobo e pulou. Chegou perto de Douglas para fazer alguma graçinha, mas este já tinha virado lobo e virou para ele, rosnando. Rafael ficou invisível e se afastou, depois voltou ao normal e pulou na água de boas.
Matheus até pensou em tentar causar contra Pedro, mas seu lado Bom não deixou. Ele fez um pulo sincronizado com Caio.
Kaique e Pedro eram os últimos. Óbvio que Pedro tinha planejado aquilo. Kaique se preparou para pular. Ele abriu suas asas e ia fazer um belo salto, quando, vindo de fininho.. Pedro puxou sua perna e o derrubou no chão. Kaique foi pego de surpresa e os amigos que estavam lá em baixo não conseguiram ver o que aconteceu.
Kaique ainda nem tinha visto quem ou o que tinha puxado ele, mas se debatia com o susto. Pedro segurava seu braço com força e todo o peso estava em cima das asas de Kaique, que sentia muita dor.
— Acho que você não é tão valente assim, nem assustador, não é? – disse Pedro.
Kaique fez um olhar apavorado pois percebeu que Pedro estava mais forte do que ele. Tentou derrubá-lo, mas Pedro sorria. Então ele fez o pior possível: mordeu a asa de Kaique.
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