Mais um dia frio na cidade de Gousti. Que novidade!

Hoje era dia de prova do professor Ramon. Todos os amigos do grupo tinham aula com ele em pelo menos um dia na semana.

Ele era extremamente rigoroso e todos passaram o dia anterior estudando para a prova.

Jessie organizava o grupo de estudos, já que era a mais estudiosa. Pedro também a ajudava, porque era disparado o mais nerd de todos.

Todos sempre chegavam nervosos para fazer a prova do Ramon. Ele era doido, nunca sabiam o que esperar dele. As meninas chegaram primeiro e se sentaram no seu lugar de sempre.

— Caramba, se eu tirar 0 eu tô ferrada. – comentou Aluria.

— Não é como se a gente tivesse pais para brigarem com a gente... – observou Penton.

— Só a minha consciência mesmo... – disse Jessie, cabisbaixa.

Todas riram. Os meninos chegaram também.

Troca de olhares estranhos entre Caio e Aluria. Troca de olhares esperançosos entre Penton e Matheus. Troca de olhares questionadores entre Luisia e Douglas. Troca de olhares tímidos entre Marcabeth e Kaique (é, surpreendam-se!). E troca de olhares apaixonados entre os casais.

Depois dessa intensa troca de olhares entre todos, acabaram dando risadinhas e se despedindo, alguns envergonhados, alguns com o coração disparado e com muitas possibilidades passando pela cabeça. Mas apenas disseram “boa sorte” e se separaram.

...

As meninas se encontraram depois da aula. Marcabeth era a mais suave e despreocupada porque, para falar bem a verdade, ela tava pouco se fudendo para sua nota.

As mais preocupadas eram Aluria e Jessie.

Todos acharam a prova difícil. As meninas sentaram no seu lugar de sempre, conforme iam saindo. E os meninos novamente se juntaram a elas.

— Que foi hoje, hein? Vocês nunca são tão grudados com a gente e hoje já é a segunda vez. – falou Luisia.

— É a prova né, deixam os babys preocupados. – disse Veliria.

— Eu acho é bom. – falou Mostich, chamando Alexandre pra sentar ao lado dela.

Sentaram-se em rodinha e todos ficaram conversando e rindo. Daqui a pouco bateu o sinal do intervalo e Mostich teve uma boa ideia.

— Por que todos nós não cabulamos essa aula hoje? E saímos para algum lugar, tipo a floresta?

Alguns já concordaram de cara. Aluria, Jessie, Pedro e Matheus ficaram meio receosos.

Aluria porque seu ex-namorado estaria lá e sua possível nova crush também. Jessie e Pedro porque não queriam perder a aula. Matheus porque ainda não conhecia o pessoal e se sentia meio por fora dos assuntos.

— Marcabeth, não é correto ficar cabulando aula assim. – falou Pedro, sério.

— Olha bem para a minha cara. – ela apontou para o seu próprio rosto. – Eu pareço estar preocupada ou ao menos ligando a mínima para o que você diz?

Pedro ficou de cara feia, mas não tão chocado. Ele queria protegê-la, porém sabia que ela nunca aceitava de bom-grado. Penton fez cara feia para a amiga, ela não gostava de vê-la tratando o irmão mau.

— Você pode vir junto ou não. Mas eu vou. – falou Marcabeth, já andando.

Por fim eles convenceram os 4 a irem. E saíram todos pela porta da frente da faculdade, fazendo vários alunos olhar para aquele grupo enorme cabulando aula. Decidiram ir para a floresta.

...

Na floresta, eles decidiram se transformar. Para isso era melhor se separarem em grupos, pois alguns se sentiam melhor não sendo vistos por todos.

Por fim fizeram os grupos. Foram separados:

Grupo 1: Veliria, Júnior, Mostich, Alexandre, Luisia, Douglas.

Grupo 2: Marcabeth, Jessie, Lucas, Kaique.

Grupo 3: Aluria, Penton, Miguel, Caio, Pedro, Matheus.

Sim, o grupo mais sofrido era o grupo 3 (já que as duas amigas tinham duas crushes para lidarem, logo de uma vez!)

Aluria e Penton não sabiam com quem lidar, na verdade elas não decidiam para quem dar atenção e de quem ficar com raiva.

...

O Grupo 1 decidiu ir para a cachoeira. Luisia queria nadar, Douglas poderia nadar na água com ela. Mostich e Júnior concordaram, pois poderiam voar sobre a água. Já Veliria e Alexandre poderiam fazer ambas as coisas.

Chegando à cachoeira, Luisia já tirou sua camiseta com estampa de peixes e seu shorts verde. Ela sempre andava com o top de nadar e a parte de baixo especial para quando fosse se transformar em sereia, o tecido alongava (ou sumia e depois voltava magicamente, ela não sabia direito).

Douglas se transformou em meio-lobo. Como ele tinha o domínio total de sua transformação ele poderia escolher, e caso virasse lobisomem completo ele não poderia se comunicar com Luisia, portanto optou por nadar com ela enquanto conversavam.

Mostich já tirou suas asas rosas para fora. A blusa dela era aberta nas costas, então ela nem precisou tirar. Ela brilhava intensamente, pois estava muito feliz. Alexandre se transformou em fado primeiramente, para voar com ela.

Veliria pensou em se transformar em fada, mas “já tem três fados aqui”, ela pensou. Por isso ela se transformou em sereia, para poder nadar enquanto Júnior voava, brilhando e feliz.

Os dois casais de cunhados duplos estavam próximos, Luisia não estava tão longe nem tão perto.

— Ei, eu acho que se a gente estiver por perto o casalzinho não vai rolar. – comentou Mostich.

— Realmente, acho bem difícil. – falou Alexandre.

— Pois é, a Luisia não gosta de admitir pra gente que ela é a fim do Douglas. Acho que ela não beijaria ele na nossa frente nem ferrando ahahah – disse Veliria.

— Aproveita que você tá de sereia e vai lá falar com ela, amor. Fala que ela pode se afastar um pouco se quiser, a gente vai ficar aqui. – disse Júnior.

— Eu vou também, te acompanho voando. – falou Mostich, piscando.

As duas foram em direção a Luisia. Chegando perto falaram “Miga, reunião!”

Luisia achou estranho mas se aproximou.

— Então menina, a gente sabe que você não é tímida nem nada, masss.. se quiser se afastar pra investir no bofe, sem problemas. – falou Veliria.

— Quê? Nada a ver eu e el..

— Não precisa mentir para gente, ninguém ta te julgando aqui! A gente super shipa vocês juntos, por isso pode ir na fé. Com certeza o Douglas vai gostar de ir pra atrás das pedras com você. – falou Mostich, rindo.

Luisia corou. (Choquem, já que era bem difícil deixá-la envergonhada!)

— T-tá. Eu vou ver se o Douglas quer ir. Assim ele pode virar lobisomem de vez.

As três se separaram. Mostich e Luisia rindo e fazendo sinais de “pega o boy, miga”. Luisia fazendo que não e fazendo sinal de “ta bom, tchauuu”.

Quando voltaram, Mostich e Veliria fizeram uma brincadeira entre os 4: “quem sabia mais: namorado e namorada ou irmã e irmão?”

— Tá... Com quantos anos a Veliria deu seu primeiro beijo? – falou Júnior.

— Eu sei! Haha – disse Mostich.

— Eu também ahahah – falou Júnior.

— Bom... – pensou Alexandre. Como ele ia saber com quantos anos a irmã deu o primeiro beijo? – 16?

— Simmmmm, boa maninho hahahah – comemorou Veliria.

— Ufa! – fez Júnior.

— Foi comigo né, por isso eu sabia ahahah – falou Júnior, puxando Veliria para si e dando um beijo nela.

— O que a Mostich mais gosta no fato de ser fada? – perguntou Alexandre.

— Essa é fácil.. brilhar! – respondeu Júnior, confiante.

— Com certeza mano, na mosca! – disse Mostich rindo.

O jogo continuou por um tempo. No fim ganharam irmão x irmã, com apenas dois pontos de diferença. Júnior não soube responder qual era a comida favorita de Veliria (pois ela mudava sempre) e Alexandre não soube responder o que era a coisa que Mostich mais odiava (ser ignorada). Os irmãos acertaram. Mostich e Veliria acertaram quase todas tanto dos irmãos quanto dos namorados, por isso elas amavam esse jogo, eram muito boas.

Depois disso eles ficaram apenas sentados ali na ponta da cachoeira, contando histórias do passado. Cada uma abraçada com seu namorado e o beijando eventualmente. Apenas esperando Luisia voltar.

Nesse meio termo, enquanto Mostich e Veliria voltavam para a ponta da cachoeira, Luisia perguntou se Douglas queria ir para trás da pedra, onde tinham outras pedras maiores e um lugar para pular na água. Ele disse que sim.

Os dois chegaram lá atrás, onde ninguém podia vê-los e automaticamente Luisia já sentiu um peso saindo de cima de si. Ela não era tímida pra praticamente nada, mas quando se tratava do Douglas... Ela não queria arriscar.

— Então... Eu fico nessa forma de “meio-lobo” pra gente poder conversar. Mas se você quiser mergulhar mais fundo eu vou ter que me transformar completamente. – disse Douglas.

— Ok, eu te aviso. – disse Luisia enquanto sentava na pedra e batia sua cauda na água.

Douglas sorria olhando para Luisia.

— Ei... Nós dois, a água. Me lembra nosso primeiro encontro. – ele falou, sorrindo. “Por que o sorriso dele tem que ser a coisa mais linda do mundo?” ela pensou.

— Eu também... Foi legal, pena que eu não consegui cantar para você.

— Não tem problema. A última vez foi legal.. Não foi um encontro mas você sabe... No corredor da escola, o beijo. – ele corou.

— Ah isso... – Luisia também corou. Aquele breve momento de valentia que ela teve na faculdade e partiu pra cima dele... Nem ela acreditava no que tinha feito. – Foi realmente bem legal.

Os dois ficaram em silêncio. Luisia percebeu que o momento “fofura” de Douglas tinha passado. Ela sabia que, como os lobos, ele era bastante bipolar e temperamental: raivoso e doce.

— A gente podia fazer de novo. – ela falou. Ele olhou para ela. Ela olhou profundamente nos olhos verdes dele e teve certeza de que (além deles também serem as coisas mais linda do mundo) ele não era o mesmo fofo tentando puxar conversa de dois segundos antes.

— Você tem certeza?

— Sim.

Ele chegou perto. Ele queria ter certeza pois às vezes ficava meio confuso por causa do seu lado lobo. Ele voltou a sua forma completamente humana.

Luisia nem pensou duas vezes e o puxou bem próximo, perto de si.

— Você também quer isso? – ela falou, arfando.

— Eu achei que o lerdo aqui fosse eu, sereia. Você sempre é a garota da atitude e parece saber muito bem o que eu quero.

Ela o beijou. Um beijo intenso, como eles nunca davam antes. Ali onde ninguém mais podia ver. Ainda por cima era na água, o habitat perfeito para Luisia. (Enquanto Douglas parecia um cachorro molhado).

Os dois deram muitos beijos naquela tarde, conversaram um pouco, ficaram de mãos dadas. Depois de um tempo, Douglas se transformou em lobisomem e eles nadaram até bem fundo e Luisia ficou extremamente feliz.

Quando voltaram para a superfície ela olhava para Douglas sorrindo, enquanto ele voltava ao normal.

Luisia tinha aproveitado muito a cachoeira, ela ficou um bom tempo apenas lá embaixo, se molhando.

— Eu acho que isso é o certo, sabe... Nós dois.

— Eu sempre achei isso. – ele pegou na mão dela e deu mais um beijo. – Acho que os outros poderiam saber.

— Não! Eu não estou pronta ainda, mas... Um dia.

Douglas ficou irritado e se afastou um pouco por um momento. Eles conversaram um pouco mais e depois voltaram para encontrar os amigos do outro lado da pedra. Sem mais beijos.

...

O Grupo 2 decidiu ir para o rio. Lucas queria nadar. Para Jessie e Kaique não faria diferença, pois eles poderiam voar em qualquer lugar e para Marcabeth também tanto fazia.

Quando chegaram no rio, Jessie se aproximou de Kaique e falou:

— Ka, leva a Marcabeth pra dar uma volta. O Lucas não gosta de ninguém por perto quando está nadando.

— Claro, porque ele vira uma menininha. Hahahaha – Jessie abriu suas asas rapidamente e bateu com bastante força na cabeça dele, que ficou zonzo.

— Nunca mais fala assim do meu namorado, idiota. E vai logo antes que eu te bata de novo. – E saiu andando. Quando ela passou perto de Marcabeth ela disse: — Depois você me agradece. – e piscou. Marcabeth não entendeu nada na hora.

Kaique saiu para andar com Marcabeth dentro da mata.

Jessie ficou sentada enquanto Lucas tirava a roupa.

— Que visão do paraíso esse meu namorado hein. – ela gritou, rindo. Lucas ficou todo tímido e como sempre, estava usando a sunga especial.

Ele pulou na água e Jessie percebeu que seu humor já mudou. Ele geralmente era bem feliz, mas hoje estava meio cabisbaixo e entrar na água mudou isso rapidinho. Jessie voou até ele, desceu e deu um beijo rápido nele.

— É um sonho ou não poder beijar minha namorada enquanto eu nado e ela voa? – ele disse, sorrindo.

Ele mergulhou bem fundo primeiro, sozinho. Depois subiu de novo, procurou Jessie e ela estava sentada na ponta do rio, brincando com a água apenas nos pés.

— Nada comigo? – ele disse.

— Tem certeza? Achei que você queria um momento pra você, e realmente, não tem problema... Eu posso ficar aqui.

— Não, eu quero te mostrar uma coisa.

Jessie voou até ele e mergulhou bem rápido, espalhando água para todos os lados.

Embaixo da água, Lucas beijou Jessie. Quando sereias ou sereios beijavam embaixo d’água, a respiração do outro ser se expandia e durava mais tempo. Não que eles pudessem ficar sem respirar para sempre embaixo d’água, ou falar, como as sereias podiam. Mas já era uma ajuda para ficar mais tempo por lá.

Quando Lucas chegou numa parte razoavelmente funda ele falou:

— Fiz essa música para você.

E começou a cantar. Era a melodia mais linda que ela já havia ouvido antes. E ela sabia que era a mais linda que ela ouviria depois, até o fim da sua vida. Ela simplesmente não conseguiria descrever em palavras o quanto aquilo era lindo ou o quanto tocava ela. A voz de Lucas era perfeita, deixava tudo ainda mais maravilhoso.

Jessie chorou embaixo da água, seus olhos arderam. Ela se aproximou e beijou ele. Ele queria se soltar para cantar mais, mas ela não deixou. Deu um, dois, três beijos. Depois disso o soltou e fez um sinal para que ele continuasse.

Ele cantou mais um pouco e Jessie ficou muito emocionada. Depois de alguns minutos, ela fez sinais a ele dizendo que precisava subir, porque sentia que logo precisaria respirar. Ela abriu as asas e subiu voando.

Quando chegou lá em cima, Lucas já a esperava na água, ansioso.

— Eu te amo. Sério mesmo. Essa foi a coisa mais linda que eu já ouvi na vida. Muito obrigada.

— Não é nada comparado ao que eu sinto por você.

Ela desceu do ar e o beijou de novo. Eles passaram o resto da tarde brincando na água e no céu, sorrindo e de vez em quando se beijando.

...

Enquanto Jessie e Lucas ficaram no rio, Kaique e Marcabeth entraram na floresta. Ela estava tímida, porém com expectativas.

Mal saíram de vista dos dois, Kaique puxou Marcabeth e começou a beijá-la. Ela ficou surpresa, mas gostou.

— Acho que a gente deveria continuar da onde paramos naquele dia em que o seu irmão chato nos atrapalhou. – ele dizia, e já queria puxar a blusa dela.

— Hãn... tá. Mas espera, pra quê tanta pressa? Temos a tarde toda.

Kaique fez uma cara feia e se afastou um pouco, relutante.

— Ok.. Vamos voar um pouco. – Ao dizer isso ele a agarrou e saiu voando. Marcabeth quase gritou com o susto, mas se segurou. Ela já tinha voado algumas vezes com Jessie, Mostich e Veliria, mas aquilo foi mágico.

Ela sempre quis beijar alguém nos ares (e ela tinha 99% de certeza que esse alguém que ela queria era o Kaique) e pôde finalmente realizar esse sonho, enquanto ele ria e voava mais rápido, ela puxou o rosto dele e o beijou. Ele diminuiu o ritmo um pouco.

— Pronta agora?

— Claro. – ela falou, ansiosa. “Ok, eu não quebrei minha regra e não vou dormir com ele no primeiro encontro, esse já é o segundo.”

Eles foram se beijando no ar e os beijos ficaram mais quentes.

— Acho melhor a gente descer. Não vai ser muito legal para uma zumbi começar a tirar a roupa e coisa e tal no ar.

Marcabeth concordou e ele desceu.

Kaique tirou a blusa de Marcabeth rapidamente e a deitou no chão. Marcabeth estava empolgadíssima, pois apesar dela ser extremamente dada com todos os meninos, ela só gostava verdadeiramente deste aqui. E um dos motivos para ela beber tanto, é porque Kaique nunca tinha dado bola para ela antes... Não até agora.

— Finalmente eu consegui ficar sozinho com você, Maria...

— O quê? – Marcabeth parou na hora que ele queria tirar a calça dela. – Maria? Você está com outra pessoa aqui e eu não percebi?

— Maria, Marcabeth... Tanto faz, você entendeu. – Ele continuou tentando beijá-la e tirar a calça.

— Olha, não.. Para! Já é a segunda vez que você confunde meu nome e eu não gosto disso. Faz eu parecer uma qualquer.

— E você não é? – ele disse baixinho.

— O QUÊ? – Marcabeth falou, empurrando ele e pegando sua blusa do chão. – Você está louco, Kaique? Eu achei que você gostasse de mim! Como você pode falar isso?

— Hahahah sério, Maria ou Márcia ou qualquer que seja o seu nome? Você achou que eu gostava de você? Você achou que ia ser sério? – ele disse rindo.

Marcabeth se segurou para não chorar.

— Já que eu deixei escapar que eu nem ligo pro seu nome, eu vou dizer a verdade. O Rafael me disse que tinha ficado com você bem fácil, só precisou de dois encontros e nem teve muito esforço.

Rafael? Era o último cara com quem Marcabeth tinha dormido, lá da faculdade. Ela só ficou com ele porque estava meio na bad aquele dia e achou que não tinha nada a perder.

— Mal sabe ele que na verdade você foi ainda mais fácil comigo. E eu só não dormi no primeiro encontro porque seu irmãozinho chegou. Na verdade aquilo nem foi um encontro, eu só cheguei na sua casa e PUM! Hahahah você se jogou pra cima de mim.

Agora lágrimas caíam do olho de Marcabeth. Ela bateu com toda força na cara dele.

— Você é um monstro.

— Pena que seu irmão não acha isso! Ou a gente podia dormir juntos com ele em casa mesmo!

— Meu irmão estava certo, não acredito nisso.

Marcabeth saiu correndo pela floresta, chorando. Ela nunca fugia de uma briga, nunca deixava ninguém ofendê-la. Não que ela nunca tinha sido chamada de fácil, isso já aconteceu várias vezes. Mas ela acabou com todos os garotos e garotas que ousaram dizer isso na frente dela. Kaique estava destruindo ela, nunca tinha doído tanto.

Enquanto ela corria, Kaique ficava na mata. Marcabeth achou que ele estava rindo e comemorando como um belo machão que era, mas na verdade ele estava chorando.

...

O Grupo 3 decidiu ir até a parte do jardim. Lá era grande, daria para Penton, Miguel e Aluria correrem.

Esse grupo era o mais complicado. Penton não poderia dar em cima dos dois, claro que se o outro visse, suas chances terminariam. E como ela ainda não sabia qual dos dois preferia, não podia arriscar. Aluria sabia que não queria mais o Caio (ao menos dizia isso pra si mesma), mas ela também não tinha certeza se queria o Miguel.

As duas se juntaram e conversaram um pouco, não sabiam o que fazer para separar o grupo. Afinal, Penton teve uma ideia:

— E se você gritar com o Caio? Na frente de todo mundo? Aí ele vai ficar bravo, vai começar a soltar fogo e vai embora. Depois eu dou um jeito de me livrar de um dos meus dois.

— Não, eu não posso fazer isso com ele, coitado... Não na frente de todo mundo.

— Então chama ele num canto e já era.

As duas matutaram e não conseguiram chegar à outra solução.

Aluria decidiu fazer isso, mas ela ficou com o coração partido.

— Caio, vamos conversar?

Ele se afastou do grupo sorrindo. (Miguel ficou encarando, tentando fazer uma expressão raivosa, mas todos sabiam que ele só estava triste por não ter sido escolhido.) Quando chegaram perto de umas árvores grandes, ele pegou na mão dela.

— Que bom que você me chamou, meu amor. Eu não via a hora de ficar sozinho com você. – ele chegou perto e começou a beijá-la. Por meio segundo Aluria repensou no que ela queria fazer, ela só queria ficar ali beijando ele. Mas todo o passado deles passou em sua mente e ela o empurrou.

— Não Caio, não é isso. Eu quero que você vá embora. É sério, só hoje eu não posso ficar perto de você. Eu não estou me sentindo bem por causa da lua cheia e você perto de mim só piora. Eu me lembro das coisas que aconteceram, das brigas... Eu só me lembro das coisas ruins, tenho certeza que é o lobo falando por mim...

— A gente pode concertar isso, Alu. A gente sempre pode tentar de novo...

— Caio, não! Por favor! Só hoje. Eu não estou pedindo pra você se afastar de mim e do nosso grupo de amigos para sempre. Mas hoje eu não posso lidar com você... eu não consigo.

Caio queria contra-argumentar, mas seus primeiros cabelos já estavam pegando fogo. (Ao fogo, Penton falou um “eu sabia” que Aluria só ouviu por causa da boa audição).

— Eu vou sim... – ele falou, segurando a raiva com todas as suas forças – mas saiba que é porque eu continuo te amando. – ele saiu caminhando para fora do jardim.

Enquanto rolava essa conversa, Penton decidia de quem iria se livrar. Pedro parecia meio bravo hoje e Matheus estava com aquele ar alegre de sempre. O certo seria escolher Matheus, ela achava que era o que tinha mais chances de rolar algo. Mas no fundo... Seu coração sabia que ela gostava de Pedro desde a primeira vez que o vira. Além disso, seria mais fácil mandar Matheus, que era muito amigo de Caio, atrás dele, do que o Pedro. Por fim ela pensou “qual dos dois eu tenho queda há mais tempo?”, obviamente Pedro venceu.

Quando Aluria estava gritando para Caio ir embora, Penton estava pensando sobre o que falar para Matheus. Quando ela viu que a briga estava prestes a acabar, ela chamou Matheus para alguns passos de distância de Pedro e Miguel e falou:

— Matheus, acho que o Caio vai precisar de você.

Ficou estampado no rosto de Matheus que essa era a última coisa que ele esperava ouvir de Penton.

— Hm... Vai?

— Sim, ele está brigando feio com a Aluria neste momento. Pelos batimentos cardíacos dele, acho que ele vai explodir.

Matheus olhou na direção deles e realmente ficou preocupado com o melhor amigo.

— Ela mandou ele ir embora, para um lugar longe dela, só por hoje. Eu acho que ele vai. – Exatamente nessa hora, Caio saiu andando, com os cabelos pegando fogo. Ele ia na direção oposta à que eles vieram. – Você devia ir com ele, ele vai precisar de um amigo.

— Mas... – ele olhava de Penton para Caio, em dúvida. – Eu realmente pensei que hoje ia passar a tarde com você... Quer dizer, com vocês.

Penton corou por um momento, mas não se deixou abater.

— Eu acho que seu melhor amigo precisa de você. Tenho certeza na verdade. Não precisa tirar ele do parque, só afasta ele da Aluria por umas horas. Na hora de voltar pra casa nós encontramos vocês de novo.

— Ok, mas... A gente vai sair de novo né?

— Hãn... Sim, você sempre pode sair com a gente.

— Então tudo bem. Meu amigo precisa de mim. Tchauzinho! – ele deu um beijo na bochecha de Penton, super espontâneo. E correu na direção que Caio tinha ido, enquanto corria Penton viu ele atravessar uma árvore e depois o perdeu de vista.

Aluria veio correndo na direção de Penton, que falou:

— Ok amiga. Agora vamos agarrar nossos boys! – Aluria corou. – Olha, eu sei que você tem dúvidas se eu apoio você com meu irmão e eu realmente tenho dúvidas também. Massssss... Que fique claro que eu dou minha benção e espero de todo coração que tudo dê certo. Só não magoa ele, tá? Agora vai lá que esse já é seu, amiga! – empurrou Aluria na direção de Miguel, que estava do outro lado do jardim, longe o bastante para fingir que não estava ouvindo. Penton saiu andando enquanto Aluria ainda estava empacada lá, sem palavras.

Penton chegou perto de Pedro e inventou a primeira desculpa que pensou.

— Então, eu acho que vi um animal correndo praquele lado e eu estou ficando com fome. Me acompanha? Vamossss. – pegou no braço dele e saiu andando, sem esperar por uma resposta. Pedro estava com cara de ???, mas foi. – Te amo irmãozinho!! Se cuideeeem. – Ela gritou.

Penton andou alguns passos e foi para a parte traseira do jardim, onde as flores recém-abertas ficavam.

— É lindo aqui né?

— Sim, é. Mas não acho que teria algum animal para a gente caçar aqui. – Só de ouvir “a gente” Penton já tremeu, mas ok.

— Então, era mentirinha. Só falei aquilo para gente sair e deixar o Miguel sozinho com a Aluria.

— Ah... ta.

“Menos interessado em mim impossível.” Pensou Penton.

— Então... Você ta bravo hoje ou algo assim?

— Eu não devia ter deixado a Marcabeth ir naquele grupo. O Kaique também está lá e esse moleque não presta.

— Calma, você só está preocupado com isso? Ela sabe se cuidar, tudo vai ficar bem.

— É, talvez... – ele sentou no chão, pensativo.

“Quer saber? Eu to sozinha com ele num jardim lindo, se não for agora não vai ser nunca.”

— Então Pedro, você namora?

— Não. Se eu namorasse vocês iriam saber né...

— E se eu te dissesse que alguém gosta de você?

— Acho bem improvável. Alguém me aguentar sendo o mais nerd e o com a idade mental de mais velho já é difícil, gostar de mim então...

— Mas e se tivesse?

— Eu dava um beijo nela agora mesmo.

— Sério? Você jura?

— Claro hahahah – ele disse, achando que ela estava brincando.

— Porque eu gosto.

— Hãn?

— Eu gosto de você, Pedro! Desde o primeiro dia. Eu sempre gostei de você e sempre tentei me aproximar, mas você parece feito de aço! É todo pálido por fora e parece que também está morto por dentro, não tem sentimentos! – Ela disse, e tinha mais por vir. Ela decidiu soltar tudo pra cima dele. Já que ele ia ignorar ela ou não dar bola pra ela, Penton decidiu despejar tudo o que sempre pensou dele. – Como você pode não ter percebido que eu gosto de você? Só faltava eu me jogar em cima de você, sair literalmente te beijand..

Pedro chegou mais perto e a beijou.

Primeiro Penton nem correspondeu, pois estava surpresa demais para reagir. Quando ela percebeu o que estava acontecendo, não pode perder a chance. Puxou Pedro para mais perto, como se não fosse deixar ele fugir nunca.

Quando ele se afastou Penton ficou apenas encarando ele, sem saber o que dizer.

— Acho que no fundo eu sabia. – ele começou.

— Hum... Que bom.

— Mas eu não queria acreditar que alguém realmente gostasse de mim, isso nunca aconteceu antes.

— “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.”

— Ok ok, já entendi. Quase eu perco uma garota fantástica e super bad vampira lobisomem híbrida girl, porque sou tonto demais para olhar ao redor.

— Vamos focar no “quase”. – disse Penton rindo.

Eles se beijaram de novo e se abraçaram. Penton nem acreditava que aquilo era real. Tudo bem que ela teve que dar o primeiro grande passo, mas era verdade que estavam os dois ali, só nos beijos.

— Eu, bem... Não sei como agir. Eu não saio muito com garotas, mas... Esses beijos não querem dizer que a gente está namorando, né?

— Hum... Não. Ok.

— Eu só... Acho que não estou pronto para namorar. – ele disse, se afastando.

— Tá. Calma Pedro, eu não estou te pedindo nada. – “Mas queria” pensou Penton.

— Eu acho que não sei se um dia eu vou estar pronto. E... Na verdade eu preciso pensar. Eu preciso... Ir.

— O quê? Calma, pra onde? Você não precisa ir.

— Eu quero ficar sozinho. Eu não sei direito o que fazer com você. O que eu sinto.. Hum, tchau Penton.

Pedro correu. Penton sabia que podia alcançá-lo com dois passos e sua velocidade vampírica. Mas ficou apenas ali, encarando as costas dele e observando ele partir. De novo. Como ele partia toda vez, antes de saber dos sentimentos dela. Ela foi extremamente tola de achar que seria diferente.

Penton decidiu voltar para a parte de trás do jardim bem devagar e esperava que tivesse sido melhor para a amiga e o irmão, porque esse encontro dela com certeza foi o pior dos piores (exceto pelos beijos) e seria melhor se não tivesse acontecido.

Aluria estava bem envergonhada com Miguel e não sabia direito como agir com ele. Olha, claramente o garoto gostava dela. Ela sabia, ele sabia que ela sabia. As amigas dela sabiam. Todos sabiam.

Tudo se invertia quando se tratava dos sentimentos dela. As amigas desconfiavam. Ele não fazia ideia. Ela não sabia direito o que sentia.

— Então... – Miguel falou e Aluria deu um pulo. Estava completamente entretida em seus pensamentos.

— Ah, oi. Então Miguel. É... Vamos correr?

— Como lobos?

— Com certeza.

Os dois tiraram suas peças de roupas e só ficaram com as roupas íntimas e logo se transformaram. Eles correram e brincaram de pega-pega. Se divertiram muito e Aluria se sentia bem. Bem do jeito que ela só se sentia com Caio, muito antigamente.

Ela se esqueceu do Caio naquela tarde. Só pensava no Miguel e em como ela deveria ter reparado nele antes. Esse menino era fantástico, será que realmente ele gostava dela?

Aluria queria evitar um relacionamento sério, ela tinha acabado de sair de um.

“Então, é verdade?” – Aluria perguntou para Miguel. Enquanto estivessem transformados em lobisomens, eles poderiam conversar telepaticamente.

“O quê?”

“Você tem mesmo uma quedinha por mim?”

“Na verdade já passou de queda faz tempo.” – Miguel parou de correr. Ele percebeu que o momento brincadeira tinha acabado. Ele começou a se transformar em humano novamente e Aluria fez o mesmo.

— Eu sinto mais do que uma queda por você. Eu gosto de você, muito. E já faz bastante tempo. Desde antes de você começar a namorar.

— Como eu pude nunca notar você?

— As pessoas geralmente não me notam. Esses meus óculos me apagam completamente. – Automaticamente, ele empurrou os óculos mais para trás.

— Eu notei. Mas acho que já era tarde demais.

Miguel foi tomado por um instinto de coragem. Ele sentiu que se não conseguisse uma chance ali e agora, no meio das árvores que os dois se sentiam tão bem, não conseguiria nunca. Até Penton tinha apoiado e falado com a amiga, agora era a hora.

— Se eu tentasse uma coisa, você ficaria brava?

— Imagino que não. Você parece bonzinho.

Miguel foi mostrando seus movimentos lentamente, para ver até que ponto Aluria concordava. Pegou na mão dela. Depois passou os dedos pelos braços. Então puxou ela um pouco mais perto. Passou os dedos na boca dela. E depois a olhou, esperando pela reação dela.

Obviamente, Aluria mal podia respirar quanto mais dar autorização para alguma coisa. Mas ela imaginou que precisava dar um sinal... Então puxou ele um pouquinho mais para perto de si, para ele entender que ela queria que ele a beijasse.

E então ele a beijou. E foi mágico. Foi um beijo calmo, não tão explosivo quanto os de Caio, mas parece que ele tinha treinado a vida inteira apenas para dar o beijo perfeito nela.

Aluria ouviu uma vozinha na cabeça dela. E percebeu que só de estar comparando esse beijo incrível ao do Caio, ela não tinha esquecido completamente ele. Ela percebeu que não queria dar falsas esperanças para o menino. Ele mesmo disse que gostava dela há anos... Claro que ele ia esperar um relacionamento!

Aluria terminou o beijo e fez um “uau” baixinho. Miguel sorriu, tímido porém muito, muito feliz.

Aluria percebeu que a decisão certa a fazer era a mais dolorosa.

— Miguel... – ela disse, quando ele já se aproximava para o próximo beijo.

— Sim?

— Agora eu preciso ir. – ele fez a pior expressão que ele poderia ter dado naquele momento. “que porra está acontecendo aqui?” ele pensou. – Esse beijo foi para provar que eu tenho sentimentos por você. Porque eu tenho, realmente tenho. Mas eu acabei de sair de um relacionamento sério e longo e eu preciso de tempo. Eu sei que você espera mais de mim, e talvez um dia eu possa te dar, mas não agora. Lembra desse beijo, ta? Porque por enquanto vai ser só esse. – Ela passou as mãos nos lábios dele e deu um selinho rápido. Depois saiu andando e nem olhou para trás, mas sabia que Miguel estava prestes a chorar (assim como ela) e ambos estavam se segurando.

“Só não magoa ele, tá?” A voz de Penton soava na sua cabeça.

— Desculpa amiga. Era magoar um pouco agora ou muito depois.

...

Penton e Aluria foram as primeiras a se encontrar na volta para casa.

— Como foi? – começou Aluria.

— Péssimo. – respondeu Penton. – E vocês?

— Pior ainda.

As duas se abraçaram e saíram caminhando para onde encontrariam os outros no parque.

Ao chegar lá, todos estavam excessivamente felizes, exceto Penton, Aluria, Marcabeth, Caio, Matheus e Miguel. E Pedro e Kaique nem estavam lá.

— Eu realmente precisava me animar agora. – falou Marcabeth.

— Super concordo. – disse Penton.

— A gente podia fazer uma festa. – falou Mostich.

— Com certeza, íamos abalar! – confirmou Júnior.

— Uma festa é tudo que eu preciso agora! – disse Jessie, contente.

— Ok, então está combinado. Amanhã nós vemos os detalhes. – disse Luisia.

— E vem festa por aíí. – comemorou Luisia.

Cada um se separou e foi para sua casa. Os que tinham tido um ótimo dia pensaram bastante nos seus momentos e dormiram felizes, os que tiveram um péssimo dia, tentaram ignorar a dor e os sentimentos e focar na festa que aconteceria daqui alguns dias. Porque lembrar era doloroso.