To All The Boys I've Loved Before
11 Amigos? Amigos.
Notas iniciais

Passei o final de semana quase que incomunicável. Mal peguei o meu celular, pois precisava focar em dar andamento ao vestido da Chloé.
Troquei apenas algumas mensagens com o Adrien entre o sábado e o domingo, mas ele também estava ocupado com as tarefas que seu pai o colocava para fazer. O que foi bom pra mim, porque fiquei a noite de sexta, sábado e domingo quase sem dormir, por ter ficado pensando nas besteiras que o Kim tinha dito.
O pior é que eu mal consegui encarar Adrien na entrada segunda-feira. Sorte minha que ele não percebeu, pois achou que o meu comportamento estranho era por conta da minha noite mal dormida. E que a minha noite mal dormida, era por conta da quantidade excessiva de macarons que eu tinha comido ontem à noite – eu realmente comi macarons, mas não excessivamente. Que seja. Eu tenho um álibi.
Não sei como não peguei no sono durante a aula, mas deve ter sido por um fio.
Na hora do intervalo eu fiz a mesma coisa de tentar ao máximo passar despercebida – não podia falar com Luka com essa cara de zumbi. Cheguei no meu armário e suspirei aliviada por ter conseguido chegar ali à salvo. Abri o armário e de lá caiu um envelope cor-de-rosa.
Era um dos meus envelopes.
Ué, será que Adrien tinha devolvido a carta que eu dei para ele? Será que ele odiou? Será que ele me achou uma ridícula?
Abri pra conferir com as mãos trêmulas e gelei quando notei que era a carta que eu tinha escrito para o Félix.
— É, eu recebi. – me virei rapidamente, dando de cara com o ser mais imbecil da face da Terra – Sabe, eu me mudei. Mas aquela casa continua sendo dos meus pais e recebemos as correspondências. – deu de ombros – De qualquer maneira, sempre imaginei que esse ódio que você demostrava por mim, era algum amor reprimido. – eu queria dizer a verdade, queria mesmo. Mas eu simplesmente não conseguia, estava completamente em choque. Era uma catástrofe total – Namorar o meu primo foi uma estratégia?
— O quê? – foi a única coisa que eu consegui pronunciar.
— Pra se aproximar de mim, me deixar irritado ou coisa do tipo. Eu imagino que esse seja o motivo mais plausível para o namoro de vocês. – foi uma suposição tão absurda, que eu nem sabia como responder. Eu nunca faria isso, mesmo que eu realmente gostasse de Félix. – Que seja, você não precisa mais mentir agora. – Félix se aproximou e eu recuei batendo as costas no meu armário. Eu queria muito sair dali. Mas meu corpo travou e eu não conseguia fazer nada.
— Oi, Marinette. Atrapalho algo? – viramos na direção da pessoa, era Luka. Ele encarava Félix com uma expressão indecifrável.
— Na verdade...
— N-Não. – respondi, cortando Félix.
— Podemos conversar?
— Claro. – falei e Félix se afastou a contragosto. Rapidamente fui na direção de Luka. O loiro virou as costas e saiu, então sem pensar muito eu abracei Luka.
— Calma, ele já foi. – senti uma enorme vontade de chorar, mas felizmente conseguir segurar. – Está tudo bem agora.
— Obrigada. – me separei dele um pouco constrangida.
— Ele não chegou a fazer nada, não é?
— Não, não. – respirei fundo algumas vezes, tentando manter a calma. – Obrigada novamente.
— Não precisa me agradecer. – ele sorriu – Eu vim pra gente conversar, mas agora não é o melhor momento. Que tal eu levar você pra sala?
— Você não precisa se incomodar.
— Não é um incômodo, vamos. – Luka fez sinal com a cabeça e eu sorri o acompanhando em silêncio. Não era um caminho muito longo, porém felizmente era um silêncio reconfortante entre nós.
— Eu quero agradecer por ter me salvado daquela situação. – assim que chegamos, falei com a voz baixa e constrangida. Foi muito fofo da parte dele, mas eu não deveria precisar de ninguém para me salvar desse tipo de situação. Eu quem deveria ter me afastado. Só que eu não consegui e Luka felizmente chegou na hora certa. – Eu devia... Eu não... Eu não consegui sair. Eu fui fraca. – me sentei no degrau da sala de aula e logo ele sentou ao meu lado.
— Não, você não foi fraca. Acontece. – colocou a mão sobre o meu ombro – Nem sempre a gente consegue ter uma reação rápida. Isso não quer dizer que você seja fraca, Marinette. – dei um sorriso triste – Aliás, encare isso como um agradecimento pela sua carta. – minhas bochechas esquentaram e eu desviei o olhar.
— Olha, sobre a carta...
— Eu sei, ela provavelmente foi escrita há algum tempo atrás e você não gosta mais de mim. – levantou as mãos – Afinal, você namora o Adrien agora. – se ele soubesse a verdade... – E eu quero dizer que não tem problema. Mas eu fico curioso em saber o porquê você a enviou para mim agora.
— Não fui eu. Na verdade, não sei quem foi. – dei de ombros.
— Como assim?
— Eu escrevo cartas quando eu gosto de alguém. Ao longo da minha vida, escrevi cinco no total. E eu não envio, eu guardo elas. Só que houve uma confusão e essas cartas foram parar no abrigo, provavelmente coloquei a caixa com as cartas na caixa de doação. – ri sem humor – Mais uma obra do meu azar. Enfim, alguém enviou elas. Sinto muito.
— Tudo bem. Quando você escreveu a minha? – fiz uma careta.
— Há dois meses.
— Jura? Achei que tivesse sido um pouco antes, já que você me parecia ser apaixonada pelo Adrien desde aquela época. – ao que parece, Luka era mais um dos discípulos do Kim, dizendo que eu sou apaixonada pelo Adrien. Mas tudo bem, era bom ele achar isso.
— Pois é. – falei para não alongar muito o assunto.
— Não quero parecer nenhum inconveniente, mas... Eu gosto de você. – bateu seu ombro de leve no meu – E eu sei que você não gosta de mim. Estou bem com isso, até porque você parece muito feliz com o Adrien e isso é o suficiente. – meu coração apertou naquele momento. Eu queria poder dizer que o meu namoro com o Adrien era uma mentira, e que quem eu amava de verdade, era ele, só que eu não podia. Não podia, porque estaria contando mais uma mentira. – De qualquer maneira, obrigado pela carta. E eu espero, de verdade, que a gente possa ser amigos mais próximos. Eu gosto da sua companhia, Marinette.
— Também gosto da sua. – sorrimos um para o outro.
— Amigos? – estendeu a mão.
— Amigos. – confirmei, o puxando para um abraço. Fechei meus olhos e deitei no seu ombro, em seguida ele levantou e me ajudou a ficar de pé.
— Preciso ir pra aula agora. Você vai ficar bem?
— Vou sim, obrigada Luka.
— Eu que agradeço. – piscou e saiu acenando, enquanto eu retribuía com um sorriso no rosto.
Quem diria que eu conseguiria resolver as coisas tão facilmente com Luka? Tudo bem que o incidente com Félix foi péssimo, mas pelo menos eu consegui falar com Luka.
A nossa conversa teve exatamente o mesmo efeito das minhas cartas. Parecia que um enorme peso tinha saído de cima de mim e a minha paixão por Luka, tinha ido embora com ele. Contudo, o meu carinho e admiração ainda estavam ali.
— Srta. Dupain-Cheng, pra direção. – Sra. Mendeleiev, minha professora de química, brotou na minha frente e me fez levar um susto.
— O quê? Por quê? A aula nem começou, eu...
— O diretor pediu para que eu a chamasse.
— Ah, ok. – nem questionei e andei até a diretoria. Quando cheguei lá, bati na porta e quando ele disse eu podia entrar, adentrei o local e quase caí pra trás com a cena que eu vi. Adrien estava sentado em uma das cadeiras segurando um pano com gelo sobre a boca. Do outro lado da sala, Félix estava parado em pé com gelo na bochecha e um corte na boca. Certamente estava pior que o primo mais novo. – O que aconteceu?
— O estúpido do seu namorado...
— Você quer que eu arrebente a sua cara de novo? – meu melhor amigo disse em um tom calmo e assustador.
— Ninguém vai quebrar a cara de ninguém! – Sr. Damocles repreendeu. – Srta. Dupain-Cheng, esses dois garotos brigaram e um deles disse ser por sua causa. O que aconteceu?
— Aquele imbecil tentou beijar ela à força! Eu vi tudo! – Adrien levantou e eu fui rapidamente até ele.
— Ah, por favor! Eu...
— Calados! – o diretor ordenou e eu ajudei Adrien a sentar novamente.
— É verdade, Sr. Damocles. – falei determinada. Tinha sido fraca antes, mas agora eu faria a minha parte – O Félix tentou me beijar à força.
— Você não disse que não queria me beijar.
— Mas eu também não disse que queria. – falei séria – Só porque você não ouviu um “não”, isso não significa que automaticamente é um “sim”, Félix. – ele se calou e desviou o olhar.
— Ok, então vocês dois podem ir pra aula. – Sr. Damocles fez sinal para mim e Adrien. Logo depois apontou para Félix – E você, temos que conversar.
Agradeci e ajudei o meu melhor amigo a sair da sala. Andamos um pouco e eu parei na frente dele, em seguida dei um tapa não muito forte no seu braço.
— Ei! Por que fez isso?
— Porque você não pode ficar se metendo em brigas por minha causa, ainda mais com o seu primo. Seu pai vai te matar.
— Eu não ligo. E eu sei que o Luka te protegeu, eu vi. Estava pronto pra ir quebrar a cara do Félix ali mesmo, mas o Nino me segurou e aí o Luka chegou. – suspirou – Só que quando ele passou por mim e deu um sorriso debochado, eu não me aguentei. Aquele babaca mereceu. – sorri de leve. – Então pode me xingar, eu não me arrependo de nada.
Me aproximei de Adrien, fazendo ele ficar confuso. Pousei a mão no seu rosto, prendendo a atenção dele.
Cada detalhe daquele garoto parecia uma pintura das mais bem feitas. Ele com certeza é uma das pessoas mais bonitas que eu já vi, se não a mais bonita. Tão bonito quanto o pôr do sol. Até mais bonito.
— Obrigada por me defender.
— Eu sempre vou defender você, Marinette. – me aproximei ainda mais e fiquei na ponta dos pés. O loiro baixou o pano com gelo e eu pude encostar de leve os meus lábios nos seus, cuidando para não machuca-lo.
Nos beijamos rapidamente e assim que nos separamos o abracei. Fechei meus olhos e aproveitei o calor dos braços de Adrien, desejando que não precisasse sair dali nunca mais.
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