Notas iniciais
Boa Leitura!!!

Me afastei de Adrien, envergonhada. O que eu tinha na cabeça? Não podia dar uma de Félix e tentar beijar outras pessoas – tudo bem que eu e Adrien já fizemos isso um com o outro, mas era diferente, os dois queriam.

— Hã... Então... Vamos pra aula? – Adrien assentiu e passamos a caminhar lado a lado.

— E no final das contas, você conversou com o Luka?

— Sim. Eu expliquei toda a situação e felizmente ele entendeu. – falei olhando para o lado. Por algum motivo era meio estranho falar disso com o Adrien – Descobri que ele também gosta de mim.

— Ah! – exclamou surpreso – Isso é... Incrível. Fico feliz por você. – ficamos em silêncio – Isso quer dizer que o nosso namoro de mentira chegou ao fim? – pisquei os olhos, assimilando a pergunta.

— Quem sabe a gente conversa depois da aula?

— Tá bom. De qualquer jeito eu não ia pra casa logo depois mesmo. Quanto mais eu adiar o assassinato que meu pai vai querer cometer contra mim, melhor. – eu ri de leve e paramos em frente a porta da nossa sala – Mas vai ter valido a pena.

— Você é maravilhoso, Adrien.

— Sei disso. – soquei bem de leve o seu braço. Não queria machucá-lo ainda mais.

— Vamos entrar.

Bati na porta e a professora disse para nós entrarmos. Assim que o fizemos, ela e os demais alunos nos encararam com uma expressão de espanto.

Fui direto para o meu lugar de costume, abri o meu caderno e comecei a fazer as anotações sobre a aula. Mas meu cérebro insistia em pensar no acontecimento de hoje mais cedo.

Adrien tinha batido no primo dele por mim. As consequências seriam bem ruins, conhecendo o pai dele. Contudo, isso não o impediu de me defender.

E no final eu ainda o beijei.

Suspirei e encarei a vista da janela. Não podia continuar esse meu teatrinho de namoro falso com Adrien. No final, acredito que nós dois iríamos sair machucados. Só que eu também não queria terminar de certa forma.

Que droga! Por que eu tenho que ficar tão confusa?

As coisas eram para estar certas. Luka gosta de mim, Félix apanhou e eu e Adrien estamos mais próximos do que nunca. Se isso estivesse acontecendo com a Marinette de dois meses atrás, que escreveu a carta de Luka, ela não pensaria duas vezes em se jogar nos braços do garoto lindo de cabelos azuis.

Mas a Marinette de agora, só pensava em se jogar nos braços do garoto lindo de cabelos loiros. E eu, definitivamente, não estou falando do Félix.

***

Depois de responder o interrogatório de Alya e Nino – não os culpo por fazerem tantas perguntas, eu também estaria curiosa no lugar deles –, eu e Adrien pretendíamos conversar. Porém Kim passou por nós com uma postura rígida, nem nos vendo ali, e adentrou a escola novamente. Eu e Adrien nos encaramos.

— Félix. – falamos ao mesmo tempo e fomos atrás do meu irmão. Provavelmente ele tinha escutado o que aconteceu mais cedo e iria tirar satisfações. Embora eu não quisesse que isso acontecesse.

— Ei! Agreste mais velho! – Félix fechou o armário depois de colocar os livros dentro e fitou o meu irmão com uma cara de pavor – Eu ouvi que você tentou beijar a minha irmã. É verdade? – tentei impedir o que quer que fosse acontecer, porém Adrien me segurou.

— Me solta.

— Calma, o Kim só está conversando com ele.

— O que foi? Vai me bater também? – Félix cruzou os braços e se escorou no armário, agora com uma expressão de tédio.

— Não, o Adrien já fez isso por mim. Muito bem por sinal. – sorriu de lado – Só quero que saiba que ninguém mexe com a minha irmã, ok? E agora que o Adrien e ela estão namorando, ele é a minha família também. Mexeu com os dois, mexeu comigo. Se tentar mais alguma coisa, eu garanto que vou te achar primeiro que ele. – apontou, virou as costas e saiu, me deixando boquiaberta.

— Uau! – Adrien exclamou baixo e o meu irmão veio na nossa direção.

— Aquele babaca teve sorte que você pegou ele primeiro. Se fosse eu...

— Vocês dois não têm jeito! – balancei a cabeça em negação – Mas muito obrigada. – Kim sorriu e foi conduzindo eu e Adrien para a saída.

— De nada, irmãzinha. E obrigado por cuidar dela, cara. – disse para Adrien – Você ganhou meu respeito hoje.

— Então antes ele não tinha o seu respeito?

— Claro que não. – nós rimos – Mas agora ele tem. – o loiro sorriu.

— Obrigado, Kim.

***

Minha mãe insistiu para que Adrien almoçasse lá em casa depois do ocorrido. Ela ainda queria ligar para os pais do Félix e reclamar, mas eu não deixei. Seria uma catástrofe maior ainda.

Depois e eu e Adrien fomos para o quarto, com um aviso de “estou de olho em vocês” do Kim – como sempre, desde que começamos o nosso “namoro”.

— Eu gostei do que o seu irmão disse pro Félix. – Adrien falou assim que sentou na minha cama.

— O que exatamente?

— Que me considera a família dele. – sorriu – Eu fiquei feliz por fazer parte uma. Não que as coisas com o meu pai sejam horríveis, só é meio... Frio. E quando ele falou aquilo, eu fiquei muito contente. – meu coração apertou ao ouvir aquilo. Sentei ao lado dele e dei um sorriso reconfortante.

— Desde que viramos melhores amigos, você é parte da minha família, ok?

— Não sabe como é bom ouvir isso, Bugaboo. – beijei sua testa e levantei. – Ah e eu li a sua carta. Não tive tempo de dizer isso mais cedo, mas eu li. – sorri.

— O que achou?

— Eu fiquei extremamente feliz com as suas palavras. Obrigado de verdade.

— Não precisa me agradecer. Você merece.

— Sei disso. – nós rimos. – Bem, agora você quer... Conversar?

— Primeiro, vamos fazer um curativo decente em você.

— Ah, claro. – riu. Peguei o kit de primeiros socorros e parei em sua frente. Não era necessário fazer muita coisa, visto que o pior tinha sobrado para o Félix mesmo. E se tinha sido assim com Adrien, o Agreste mais velho realmente teve sorte que Kim não presenciou o incidente antes.

Adrien fazia esgrima e praticou artes marciais quando era mais novo, ou seja, já era bem ruim. Mas Kim faz natação e vai à academia regularmente, o que certamente seria pior.

— Pronto.

— Obrigado. – sorrimos e eu fui guardar as coisas. Logo, parei em sua frente novamente.

— Acho que podemos conversar agora. – Adrien deu um longo suspiro e permaneceu sentado. – Sobre o nosso namoro de mentira, eu acho que...

— Eu gosto de uma pessoa. – disse, me fazendo ficar em choque por alguns segundos – E por isso eu acho que o nosso namoro de mentira tem que acabar. – engoli em seco. Eu concordava com ele, mas... Por que parecia tão estranho?

Eu não imaginava que terminar um namoro de mentira doía tanto.

— A-Ah... Sim. Eu... Também acho. – me atropelei um pouco nas palavras e em seguida suspirei, desviando olhar – É aquela tal de Kagami, não é?

— Bem, a Kagami é muito legal, bonita e temos coisas em comum. – a cada palavra parecia uma facada a mais no meu coração. – Mas... Ela não é você. – o fitei um tanto confusa. Adrien levantou, fazendo eu ter que passar a olhar pra cima para encará-lo. – Eu tentei focar em outras pessoas e eu me diverti muito com ela, mas eu não posso fingir que não sou apaixonado por você, Marinette. Eu sei que você gosta de outro e que está mais perto do que nunca de ter algo com ele, mas eu não podia deixar você ir sem saber o que eu sinto de verdade. Você é a pessoa que eu gosto.

— Adrien...

— E é por isso que o nosso namoro de mentira tem que acabar. Porque eu amo você e eu não quero te prender, ou ter você comigo sabendo que você preferia estar com ele. – deu de ombros – Só acho que vamos nos machucar assim. E eu te amo demais pra te ver machucada.

Acho que Kim e Luka estavam certos mesmo. Eu sou completamente apaixonada por Adrien Agreste.

— Os momentos que eu passei como sua namorada de mentira, foram, ironicamente os melhores e mais verdadeiros da minha vida. – disse com a voz baixa, ainda em choque. – E o Luka pode ser fofo, lindo e gentil, mas ele não é você. – usei a mesma abordagem que ele, fazendo-o paralisar – Também acho que o nosso namoro de mentira precisa terminar, mas quem sabe... – olhei para baixo constrangida – Podemos começar um de verdade.

— Você está falando sério?

— Sim. – o encarei novamente – Eu não sou boa com as palavras, sou muito melhor escrevendo. Mas aqui vai... – fechei os olhos e respirei fundo – Eu acho que amo você. Quer dizer, eu não acho. Eu tenho certeza. É, eu amo você. – deixei meus ombros caírem – Ai, eu sou um desastre! Espera. Deixa eu escrever uma carta. Vou escrever uma carta e... – fiz menção de sair, porém Adrien segurou o meu rosto e me beijou.

Uma sensação muito boa invadiu o meu corpo naquele momento. Sinceramente, de todos os nossos beijos – a maioria atrapalhados – aquele com certeza tinha sido o melhor.

Ele sentou novamente na cama e me segurou sobre o seu colo. Suas mãos foram para as minhas costas, impedindo que eu me desequilibrasse. Já eu, coloquei as minhas mãos sobre os seus ombros, enquanto sentia o calor dos nossos corpos com a harmonia do nosso beijo.

Adrien Agreste era tudo o que eu queria naquele momento. E eu não me importava mais com nada.

— Eu te amo, Marinette. – paramos o beijo pela falta de ar. Escorei a minha testa na sua e dei um sorriso, ainda ofegante.

— Eu também te amo, Adrien. – foi a vez do loiro sorrir. Em seguida, ele segurou a minha cintura novamente e me deitou na cama ao seu lado. Ficamos abraçados, enquanto ele acariciava as minhas costas e eu o seu cabelo.

Nós dois ficamos assim por um tempo e acho que acabamos dormindo. E com toda a certeza, eu estava mais feliz do que nunca.

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAA AMO QUE AMO!!!! Eu amei esse capítulo, achei muito fofo :3 Pelo menos o Adrinette da fic está vivíssimo e pleno. E a minha inspiração de volta com tudo graças ao J.Seph. Quem diria... Muito obrigada por terem lido, nos vemos no próximo capítulo! Espero que tenham gostado ♥ xoxo