Titanos

4 Quanto as mentiras que você me fez acreditar


Notas iniciais
Não sei porque bolotas o 4° Capítulo saiu duas vezes, mas arrumei :) Desculpa pela demoraaaa, a verdade é que eu tenho até o capítulo 7 pronto, mas eu tava realmente sem tempo pra nada. Boa leitura!

— O-O que...? — Minha voz falha. Minha garganta nunca doeu tanto. Não consigo continuar, minha voz não sai.

— Está tudo bem, agora. — Ele me abraça, e eu devolvo, deixando meu peso cair para seu lado.

Ouço um tiro alto vindo de dentro da casa, e ele tampa minha boca antes que eu possa gritar.

Senhora Shappard.

Quero gritar, mas não tinha nem vestígio da minha voz no mundo.

Cal me paga no colo, indo embora, e eu tento gritar com ele. O que raios ele estava fazendo? Tinha que pegar eles! Ele é um Ardrnte, e não estava fazendo nada!

Tento me soltar por um segundo, mas não tenho forças Desisto. Relaxo, deitando a cabeça em seu peito.

Me leve daqui.

— O que deu em você?

Tento responder. Nada sai.

— Caramba. Está muito inchado e roxo.

Faço uma carta de dor, e agora que não tenho mais nenhuma adrenalina, meu corpo todo dói, principalmente meu pescoço, que latejava.

— Não consegue falar?

Nego.

— Aquela é a casa da senhora Shappard?

— Era. — Isso sai rouco, fraco e irritado.

— O que eu poderia fazer com duas vans cheias de homens? Sinto muito, Mare. Já chamei reforços. Vão intercepta-los na fronteira.

Ele estava certo. Não podia lutar contra eles. Muito menos eu.

— Aqui não é mais seguro pra você, nem pra sua família. Eles sabem quem você é.

O encaro. Não. Não sairia daqui nem que me arrastassem.

— Mare, do céu! — Minha mãe grita, nos vendo aproximar pela mata depois sa longa caminhada.

Kilorn salta os degraus da varanda, e pula em mim. Cal me coloca no chão, apoiada a ele.

— Mare, seu pescoço... — sua voz falha.

— O que aconteceu? — Gina tinha os olhos arregalados.

— Ela não consegue falar. — Cal exllica.

Encaro as malas no chão. Estávamos indo embra.

Minhas pernas falham, Cal me segura firme de novo, e Gina ameaça gritar.

— Deus. — Meu pai morde os lábios, preocupado.

Entrelaço nossos dedos.

Tudo bem.

— Vamos. — Cal me pega de novo, e isso incomoda Kilorn. Vamos pelas árvores, e alguns guardas nos esperavam na van enorme. Inclusive uma médica.

— Oh, pobrezinha, a iluminação está horrível, mas posso ver que está bem feio. — A enfermeira diz, dando uma olhada em meu pescoço roxo. — Vamos entrar.

Cal me coloca num banco perto da janela, e a o resto da mimha família se acomoda nos bancos da frente. A doutora liga a luz interna, e arqueia as sobrancelhas. Devia estar horrível mesmo. Ela toca as laterais sem delicadeza alguma, e eu faço uma careta.

— Vou precisar examinar melhor no consultório. Mas parece que só sofreu danos externos. Vai desinchar, não se preocupe.

Assinto, e ela vai pro primeiro banco.

Fecho os olhos, lembrando do tiro que Cal deu no homem. Estaria morta se não fosse por ele.

Seguro sua mão, e ele me olha.

— Obriga..da.

Cal sorri, soltando o ar que segurava. Acho que ele esperava uma bronca.

— Sempre que for morrer, me chame. — Ele pisca.

(...)

— Abracadabra. — Repito o que a médica me mandou falar, e minha voz sai rouca. Cada letra dói pra sair.

— Vai desinchar em pouco tempo, não foi nada demais. — Ela explica, mais pra Cal que para mim. — Desde que ninguém te enforque de novo, tudo bem.

— Acho que vai ser difícil. — Cal sorri, e eu reviro os olhos.

— Descance a voz, e tome esses analgésicos se quiser. — Ela faz anotações num papel. Que engraçado. Não tinha dinheiro pra isso. — Temos eles aqui. — ela lê meus pensamentos, e sai. Cal se senta a minha frente na mesa. Ele tinha uma expressão franzida.

— Mare... Você sabe o que vai acontecer?

Assinto. Iriam mudar meu nome. Me tirar da minha família. Me mandar pra um lugar longe. Por tempo indeterminado. Viveria com medo. Tudo bem.

— É o único jeito de manter você segura. — Ele respira fundo, voltando a sua pose impassível.

— Você... prometeu... meus irmãos.

— Vou cumprir. — Ele assente, olhando pra baixo. — Tenho que te levar pra sala de interrogatório.

Meus olhos arregalam.

— Não se preocupe. Sem polígrafo. — Relaxo.

Aquela com certeza foi uma das experiências mais estressantes pelo qual já passei.

Vamos em silêncio pelos corredores. Estou com a mesma roupa de antes. A preta com o símbolo vermelho dos Ardentes.

Eles nunca fizeram nada de mal pra mim. Cal é legal. Mas travavamos um conflito com a ditadura que eles serviam. E Cal seria o líder de tudo isso.

Não podia esquecer disso nunca.

Ao mesmo tempo ele salvou minha vida. Vai trazer meus irmãos pra cá. Vai ajudar minha família.

(...)

Ele abre a porta, e todos os olhos se dirigem a mim. Meu pai e minha mãe ocupavam um lado da mesa. Uma mulher e seu guarda outro. Então eu e Cal nos acomodamos no que sobrava.

Cal não sabia por quê a mulher estava aqui. Pelo visto ninguém contava nada a ele, e ele sabia.

— Olá, Mare.

A mulher diz. Seus olhos eram a primeira coisa que viam quando olhavam para seu rosto de porcelana perfeito. Olhos azuis como o mar. Já os tinha visto antes. Em Maven.

Ela usava uma trança perfeita e apertada, assim como suas roupas de couro. Seu salto era maior que eu, e ela não tinha o símbolo dos Ardentes na roupa, e sim, numa tiara de ferro que estampava sua testa.

— Espero que seu pescoço melhore. — Ela diz, e assentir é a única coisa que consigo fazer. — Você foi atacada. Em sua própria cidade. Espero que entenda que aquele lugar não é mais seguro para você. Nem para sua família.

— Eu entendo. — Digo, lançando um olhar para meus pais. Eles mantinham uma expressão indecifrável. Concordavam com isso.

— Você assumirá a identidade de Mareena Titanos, filha do falecido general da Legião de Ferro, Ethan Titanos. Estudará na melhor e mais segura escola do país, a Iron Academy, junto com meus filhos.

Engasgo. Só podiam estar brincando. Meus olhos arregalam tanto que desconfio que vão explodir.

— Sua família vai para Delfie, e assumirão a identidade da família Addams, de um falecido combatente dos Ardentes.

— E Kilorn? — Minha voz sai fraca.

— É sua família? — Hum. Sim. Mas não do jeito que ela está se referindo.

— Não.

— Então ele ficará bem, prometo. — Ela dá de ombros, entregando aos meus pais formulários. — Ao assinarem vocês concordam com a extração de toda a família Barrow de Palafitas. Aceitam passar pela mudança de visual, e retiraremos seus dois filhos do front.

Meu coração para.

Meus irmãos. Bree e Tramy.

Fora da guerra. Em casa. Não conseguia imaginar. Meu coração se enche com uma felicidade que não cabe no peito, e precisa vazar num enorme sorriso. Lágrimas começam a se formar. Faria qualquer coisa que pedissem se os tirassem de lá.

Parei de ouvir tudo que a mulher falava, e olhei pra Cal. Ele pisca. Foi ele.

Cada vez mais ficava difícil não confiar nele.

(...)

Saio e Kilorn está encostado na parede, me esperando. Sabe pra onde terei que ir. Sabe que vou ser mandada pra longe dele.

O abraço forte, e de repente lágrimas começam a rolar. Meu coração aperta, meus olhos ardem com as lágrimas que não paravam nenhum segundo, e sinto seus dedos acariciarem minha cabeça.

— Você precisa ir. Eu sei. — sussurro.

Jogo minha cabeça para trás para fita-lo melhor.

— Não. Podemos fugir. — Eu digo, sorrindo, e seguro sua mão. Ele apenas desvia o olhar.

— Você precisa ir. Você precisa ficar segura.

Pisco, com minha tristeza estampada no rosto.

— Eu estou segura com você.

Ele nega, com um sorriso triste.

— Não está. — Sua voz falha, e uma lágrima solitária escorre.

Não consigo falar nada, apenas fita-lo com os olhos congelados. O que diabos ele estava falando? Eu preciso dele. Preciso.

— Vão me levar de volta pra cidade hoje. Agora, na verdade.

— Kilorn... — um nó de forma em minha garganta. Quantos tempo ficaria sem ele?

Kilorn se inclina, e beija minha bochecha.

— Adeus, Mare.

Ele me larga, se afastando de costas lentamente.

— Eu amo você.

Fecho os olhos.

— Amo você também. — Digo, abraçando o corpo.

— Não do jeito que eu te amo. — Ele resmunga, mas eu ouço.