Titanos

5 E eu disse: estamos indo


— Adorei! — Minha mãe se levanta, brincando com os cabelos loiros na frente do espelho. — Fiquei a cara da riqueza.

Reviro os olhos, sorrindo.

Gina encarava seu refrexo de cabelos negros e óculos bejes discretos. Wow, ela tinha simplesmente odiado.

— Vou raspar. — Ela ameaça, e minha mãe cresce os olhos.

— NÃO OUSE, GINA BARROW.

Meu pai agora tinha fios loiros cobrindo todos seus fios brancos que engoliram os marrons com o passar do tempo. Usava óculos redondos, e ganhou uma cadeira de rodas nova.

— Eu gostei. — Ele dá de ombros, e sorri pra mim. — O que acha?

— Perfeito. — Sorrio.

Eles ganhariam roupas. Ficariam numa aldeia das famílias dos Ardentes, seguros. Ficariam com os filhos que estavam na gurra. Comeriam bem. De graça, com o governo bancando tudo. Por tempo indeterminado.

Eu quase ter sido morta foi uma benção.

Minhas mãos tremiam. Meus irmãos chegariam daqui a pouco. As poucas notícias que tivemos deles nesses últimos dois anos não é nem um pedaço de papel que eles tenham tocado, muito menos uma carta com a letra deles.

Três batidas ecoam na porta, e uma cabeleireira ali perto, abre. Os olhos de Maven são a primeira coisa que vejo.

— Oi. — Ele dá um sorriso amarelo. — Preciso da Mare.

Ele se apoia na porta, me esperando.

— Já volto.

Meu pai assente.

— O que aconteceu?

— Nada. — ele dá de ombros, e eu franzo a sobrancelhas, o seguindo pelo corredor. — Estou encarregado de esperar seus irmãos. Achei que queria ve-los primeiro.

Dou de ombros.

— É, obrigada.

— Ouvi dizer que conheceu minha mãe. — Maven sorri, e eu encaro seus olhos.

— Você tem exatamente os olhos dela.

— É. Você tem os olhos do seu pai. — Ele diz. — O que aconteceu com ele?

— Guerra. — Dou um sorriso triste.

— Essa gurra é horrível. — Assinto. Óbvio.

Ele me encara, me analisando de novo.

— O que você ganha me analisando tanto?

— O jogo. — Ele solta um sorriso malicioso.

— Jogo?

— Quem sabe mais sobre o jogo, ganha. Estou tentando te entender. — Ele estreita os olhos, e eu arqueei uma sobrancelha.

— Então, isso é o jogo.

— Isso mesmo. — Maven sorri, encarando o caminho a frente.

— O que já sabe sobre mim?

— Você deixou seu amiguinho numa terrível friendzone. — Ele ri, e eu o encaro.

— Não.

— Sim. — Ele me olha de volta.

— E é só isso que sabe sobre mim?

— Pois é. Não consigo te analisar. — Maven franze as sobrancelhas, irritado.

Meu sorriso aumenta.

— Não posso ser analisada.

Saio do lado de fora da base, e a enorme pista de avião brilha ao sol. Vários jatos vermelho fogo estavam estacionados em fileiras, ou decolando e pousando. Pessoas corriam para lá e para cá, e a maioria fazia uma continência quando viam Maven. Ele tinha uma pose impassível e madura, como um mini general, mas devia ter minha idade. Ele sim era alguém impossível de analisar, a menos que ele deixasse.

Olho para o prédio atrás de mim. Tinha 4 andares, e com certeza mais de 500 quilômetros quadrados. Era a maior construção que já entrei. E olha que não é a sede principal que comandava todas as outras no país.

— É enorme, não é? — Ele diz, acompanhando meu olhar.

— Com certeza.

— Elara não é a mãe do Cal?

— Não. — Ele fica sério. — Ela morreu.

— Oh.

Eu não tinha idéia. Nem imaginava. E naquela hora, meu coração aperta por um estranho.

No momento em que um jato preto com labaredas vermelhas ardentes corta os céus fazendo um escândalo, fico agitata.

— É um Abutre. — ele explica. Não ligo para o nome do jato. Quero saber dos meus irmãos. — Provavelmente estão aí.

Seu sorriso pequeno é esmagado pela minha felicidade gritante. Estou pronta para correr até o jato que nem pousou, quando Maven me agarra pelos braços urgentemente.

— Quer morrer? Tenha calma, Mare.

Calma o caramba! Minhas mãos tremiam, geladas.

Ele não me solta, como se temesse que eu corresse de novo. Num barulho alto que quase me faz tapar os ouvidos, o abutre pousa, e percebo como ele era enorme. Nunca voei, e espero não voar.

A medida que a porta de trás se abre lentamente, a ansiedade controlava meu corpo. Meus irmãos. Meus irmãos, fora da guerra. Livres. Pra depois perde-los de novo. Mas se ficarão seguros, pra mim está tudo bem.

Meu único e maior desejo é que Shade estivesse aqui. Faz só alguns meses que o perdi.

A primeira coisa que vejo, são soldados fardados igual a Maven descendo em um gupamento perfeito. Eles saem, e meu coração quase murcha.

Maven me solta.

Até que dois garotos altos rindo alto descem correndo.

Tapo a boca, já com lágrimas formando e caindo numa velocidade incrível. Corro até eles também. E quando os toco, sinto que estamos em palafitas, 5 irmãos correndo juntos ao meio da lama. Tramy não tinha nenhma medalha no lado esquerdo, apenas seu nome. Barrow, com letras de forma.

Tramy tinha uma. Prata e brilhante, que espeta meu pescoço.

Paro de pensar nisso. Os abraço com força, os dois me esmagando lutando para me abraçar.

— Baixinha, quando nos disseram que você arrumou encrenca, não acreditamos. — Tramy diz, acariciando meu cabelo para ver se é real.

— Agora acreditamos. — Bree aponta para meu pescoço, e eu o toco, tirando meu braço de suas costas.

— Jesus, Mare. — Ele diz, com uma cara preocupada.

— Eu estou bem. — Forço um sorriso, e o abraço, e depois faço o mesmo com meu outro irmão. — Achei que estivessem...

— Não, nem pensar. Eles não nos deixaram escrever, desculpa. — Bree diz, e já estamos andando na direção de Maven abraçados.

— Cadê o resto dessa família enorme? — Bem... Um está no cemitério. Meu coração aperta.

— Trocando de visual. — Digo, lembrando da minha mãe e seus cabelos loiros. Rio.

— Pra que? — Tramy ergue as sobrancelhas.

— Não contaram a vocês? — Toco a testa. Não queria ter que explicar pra eles que vamos nos separar.

— Não contam nada a gente pobre. — Bree dá de ombros.

— Vão mudar nossa identidade. — A reação dos dois é exatamente a mesma. Sobrancelhas se erguem, e as bocas formam um "o" surpreso. — Vão levar vocês pra Delfie.

— O que quer dizer com "vocês"? — Bree tem coragem de perguntar.

— Vou pra Archenon.