Notas iniciais
Desculpem a demora para postar o capítulo, estou tentando não acumular assunto da faculdade. Mas aqui estou eu, vamos a continuação do primeiro encontro face to face entre Emma e Sherlock :)

Emma não se movia, sentia sua perna queimar bem onde Sherlock a tocava, como se olhando-a profundamente, parecia procurar algo no fundo de seus olhos. Ele tocou-lhe o pescoço e ela estremeceu por dentro, se segurando para não deixar transparecer nada.

— Me diga, porque veio até mim? – Sherlock fazia com seu indicador uma linha que ia em direção ao seu colo.
— Eu já disse. – Emma reprimia um arrepio ao seu toque, que fazia uma linha em brasa em sua pele, não se permitiria ruborizar. Sentiu que o dedo dele havia encontrado a corrente do colar que usava sob o vestido, ele desviou o olhar pela primeira vez e puxou-o com rapidez, expondo o grande pingente de ouro em forma de um camafeu rosa e branco com o perfil de uma mulher em relevo e antes que ele pudesse tocá-lo, Emma agarrou-o ocultando-o na palma de sua mão. – O que está fazendo?
— Apenas tentando fazer você dizer a verdade.
— Mas eu estou...
— Não, não está e você parece ser muito boa em esconder coisas. Uma abordagem agressiva não adiantaria, precisei de um apelo sexual tendo em vista a sua condição, mas você parece ser realmente boa nisso de guardar segredos. Como esse pingente que você esconde entre os seios.
— Condição? Que condição? É apenas uma joia de família, um simples relicário.
— Do século XVI e retratando uma deusa grega, Afrodite. Amor, beleza e sexualidade. Isso e as olheiras que você tentou esconder com maquiagem mostram que você tem traços de ninfomania que pelo jeito parece estar em tratamento tendo em vista que você permaneceu imóvel, o que não faria se estivesse sem medicamento, eu faço seu tipo. Você apresenta sintomas mascarados de abstinência, como a dor de cabeça que está sentindo e a falta de sono. – Sherlock simplesmente disparou afastando-se dela e sentando-se na poltrona a sua frente. Percebeu que ela não movera-se, ainda estava com as pernas entreabertas, ao perceber que ele olhava, Emma rapidamente fechou-as. E Holmes deu um meio sorriso. – Não vou conseguir nada de você, quando quiser falar a verdade, fique a vontade.

Emma recolocou o colar sob o vestido, levantou-se pegando o casaco e vestindo-o.

— Já disse porque vim, não me interessa o que acha que sabe sobre mim, só quero saber se vai investigar o meu caso ou não.
— Vou, desde que tenha livre acesso ao que precisar e isso pode incluir alguns detalhes íntimos. – Ele falava tranquilamente com suas mãos juntas, como quem reza, apoiadas em seu queixo.
— Você o terá. Resolva sua pendência, se precisar de algo, sabe onde me encontrar.
— Está tudo sob controle.
— Tenha uma boa tarde, Mr. Holmes. – Disse séria pegando a bolsa e caminhando até a porta.

Sherlock levantou-se rapidamente alcançando-a antes de tocar a maçaneta, puxou-a pelo braço encostando-a contra a porta, prendendo-a contra seu corpo, manteve sua mão nela e aproximou-se de seu rosto. A cintura de Emma queimava, era como se estivesse sendo marcada à ferro pelas mãos dele. Chegando a poucos centímetros do rosto de Emma, Sherlock desviou para a esquerda aproximando-se de seu ouvido.

— Eu sei o porque, eu só quero ouvir você falar. – E afastou-se dela indo até a janela e pegando o violino ali perto, começando a tocar o instrumento.

Emma girou a maçaneta da porta e saiu. Desceu a escada tentando se manter tranquila, chegando ao último degrau respirou pesadamente, colocou a mão sobre a boca e prendeu um som em sua garganta.

— Eu posso te ouvir daqui! – Sherlock gritou do flat, 2 segundos depois ouviu a porta do 221B bater com força e deu um meio sorriso enquanto continuava a tocar uma composição qualquer.

Os quatro homens sobressaltaram-se ao ouvir a porta bater e ao ver que Emma havia saído, assumiram suas posições, Gibbs abrindo a porta do primeiro carro para que ela entrasse e os outros indo para o segundo. Embarcaram, ela parecia que ia explodir, o segurança percebeu mas não disse nada, a conhecia muito bem para saber que não deveria dizer nada, só esperar que ela falasse.

— Gibbs, me leve pra casa. – Disse soltando o ar com força pela boca e colocando o cinto. – E pode correr.
— Sim senhora. – Respondeu fazendo o carro entrar em movimento e saindo da Baker Street.
— Eu juro que ainda vou mata-lo. – Disse depois de um tempo em silêncio.

Gibbs nada falou, apenas olhou-a pelo espelho retrovisor, trabalhava para ela desde sua adolescência, vira-a crescer, então sabia reconhecer quando estava abalada, mesmo que suas feições não demonstrassem isso. Holmes havia aceitado o trabalho, podia afirmar, Emma estava mexida com o homem, não o detetive consultor.

Emma abriu a bolsa, pegou seu iPhone e digitou uma mensagem para Franz.

“Onde você está? EW”

Alguns segundos depois ele respondeu.

“Olá, boa tarde para Vossa Alteza também. Estou na loja e você? FVP”

“A caminho de casa. Largue tudo o que está fazendo e vá para lá, preciso malhar. EW”

“WOW foi sério então. Só vou assinar alguns papeis e saio. Xx FVP”

“Ok, não demore. Xx EW”

Ficou em um silêncio profundo durante todo o trajeto, olhava pela janela do carro o caminho que Gibbs tomava até sua casa, mudara-se a pouco tempo de Bagshot Park, a residência real secular em que ela morara com seus pais desde seu nascimento, para uma moderna cobertura em Westminster. Ainda não decorara o caminho, olhava as ruas, os pontos de referência e principalmente as pessoas por trás da película do vidro. Pessoas normais, com vidas normais, com famílias normais. Muitas vezes Emma sonhou com isso para ela, mas amava sua família, se para tê-los teria de cumprir uma agenda, fazer visitas, seguir protocolos, era isso que faria. Já havia sido uma grande coisa sair de casa e morar sozinha. Diminuíra a quantidade de pessoas ao seu redor, aumentando a pouca privacidade que tinha, levando consigo alguns poucos amigos, não os considerava seus empregados, gostava deles e conhecia-os a muitos anos.
Chegando ao prédio, entraram na garagem, os carros parando em frente ao elevador privativo que dava diretamente para dentro da cobertura, Gibbs disse ser mais seguro que fosse usado somente por ela e que visitas desacompanhadas usassem o elevador social. Emma apertou o botão para que a porta do elevador abrisse ao reconhecer sua digital e após embarcarem, ele apertou o botão para o 58º andar. As portas fecharam-se e pouco tempo depois abriram-se novamente, mostrando agora a sala ampla que Emma acabara de decorar no dia anterior.

— Gibbs, por favor chame Grace pra mim. Estarei no meu quarto. – Disse saindo do elevador e indo até o cômodo. Sentia-se quente por dentro, conhecia essa sensação, precisava fazer exercícios, relaxar e amenizar o fervilhar interno. Entrou, tirou os sapatos, o casaco e jogando a bolsa em cima da cama, foi até o closet, tirou o vestido e pôs-se a procurar suas roupas de academia, pegou a primeira camiseta e a calça que viu, vestiu-se e enquanto calçava seus tênis, ouviu a porta do quarto abrir.

— Grace?
— Sou eu, pediu que me chamasse? – Grace Turner foi uma das governantas de sua mãe, trabalhava para sua família a muitos anos e quando decidiu morar sozinha, foi a primeira pessoa que quis que fosse com ela.
— Sim, pedi, estou indo fazer exercícios e Franz está vindo. Assim que ele chegar avise-o que já comecei, ok? – Falou saindo do closet.
— Claro, vou preparar algumas coisas e levo para lá.
— Obrigada Grace. – Beijou a senhora no rosto e saiu do quarto, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo e pegando o corredor que dava para a mini academia dentro de um dos cômodos do apartamento.

Fez um rápido alongamento, programou a esteira e começou a caminhar, depois aumentando o ritmo até estar correndo. Correr fazia-lhe bem, limpava sua mente. Correu durante trinta minutos e sentou-se no chão bebendo a água que Grace levara para ela, além de outras coisas. Abriu uma barrinha de cereal e praticamente engoliu-a inteira, tomando mais alguns goles d'água. Estava com a cabeça entre as pernas, tentando respirar com calma quando Franz chegou.

— Oh Lord, foi sério, muito sério. – Disse pendurando sua bolsa no cabide perto da porta, já com sua roupa de academia. Emma levantou a cabeça ao ouvir sua voz e ele pôs a mão no peito ao ver sua fisionomia. – Por Deus, o que houve?
— Fui ver Sherlock Holmes.
— Sei, você me disse. É por isso que está assim? Ele não aceitou o caso? – Falou começando a alongar-se.
— Aceitou mas também se meteu entre minhas pernas.
Franz estava com o tronco curvado para frente, tocando os pés, ao ouvi-la pareceu travar no meio do caminho de levar o tronco de volta para cima.
— O quê?! – Ele arregalou os olhos. – Agora entendi tudo. Ele te tentou.
— Segundo ele foi uma tentativa de me fazer dizer o porque de o procurar. – Emma disse levantando-se.
— Bela maneira de fazer uma pergunta, heim?
— Ele ficou a centímetros do meu corpo e depois se afastou, disse milhões de coisas sobre mim e minha falta de sono. – Olhou de relance para Franz e ele pareceu entender do que tratava-se. – Além de aceitar me ajudar, a única coisa que fez foi chegar perto demais. – Sentou-se em uma das bicicletas e começou a pedalar, Franz tomando a bicicleta ao lado.
— E o que você queria que ele fizesse? Te agarrasse?
— Não, claro que não.
— Então porque ficou assim tão mexida?
— Eu não sei Franz, não sei, hoje o vi pela primeira vez e ele parecia saber tudo sobre mim.
— Acha que ele sabe que você foi ao suposto enterro dele?
— Espero que não. – Saltou da bicicleta e deitou-se no chão para descansar. – Ele me irrita Franz, me irrita tanto que um dia ainda vou mata-lo.
— Só não se sabe de quê. – Gargalhou sentando-se no chão ao lado dela. – Mas tem o Matt.
— O Matt...
— Está com os dias contados, não é?
— Contados nos dedos.

Notas finais
O capítulo originalmente era bem maior, resolvi dividir pra não ficar cansativo, espero que vocês tenham gostado. Ainda esta semana, sem falta posto a continuação. Não vou marcar dia porque algum imprevisto pode acontecer. Estou amando os reviews! Obrigada meeeeesmo! É bom saber o que vocês estão achando, pfvr continuem! kkk O número de leitores está crescendo eeeee o/ kkk Tô muito feliz com a fic :D Bem, é isso, fiquem bem, leiam e me mandem reviews kkk Tenho que dormir ou perco a hora da aula. Beijo! :*