Titanium - O Que Resta Da Monarquia
15 O olho que tudo vê
Notas iniciais
Um pouco de calmaria é bom né?
Não vou falar muita coisa não, leiam e me falem!
Boa leitura amores :3
John continuava sentado no sofá, observando a família Holmes reunida, como Mycroft parecia retraído e Sherlock desconfortável enquanto Mrs. Holmes olhava atentamente cada machucado, arranhão, corte do corpo dele.
— Você não tem se alimentado direito não é? Está muito magrinho. – Disse colocando a mão na barriga dele que pegou a mão dela, beijando-a. – Seus pulsos estão roxos, Sherly. Meu Deus, o que fizeram com o meu menino? – Perguntou preocupada.
— Nada sério. Apenas percalços da profissão.
— Sherlock Holmes! Eu lhe coloquei no mundo, se continuar a querer morrer antes de mim, eu mesma mato você!
Mycroft ameaçou um sorriso e foi imediatamente censurado pelo olhar que Mrs. Holmes lançou-lhe. Era no mínimo interessante observar essa família reunida, o respeito e a adoração que eles sentiam por Mrs. Holmes era evidente, mais em Mycroft, que assim que vira-a entrar, John teve a impressão de que ele se ajoelharia diante dela e lhe beijaria os pés.
— Não pense que só porquê está acamado vai se safar de me ouvir. John, o pobre John! Se você visse o estado em que ele estava no cemitério.
— Mãe, o John está ali. – Sherlock falou apontando para onde John estava.
— Oh! – Mrs. Holmes pulou da beira da cama e virou para vê-lo. – Meu Deus, John, me desculpe, não vi você aí. Como está querido?
— Bem, Mrs. Holmes e a senhora como tem passado?
— Cansada mas estou bem. – Respondeu sorrindo para John e olhando séria para os filhos. – Por favor, me chame de Violet.
— Violet, então.
— Certo, qual dos dois vai me explicar a tal loucura que eu ouvi ser mencionada, quando eu cheguei? – Perguntou virando-se e tomando o lugar de Mycroft na cabeceira da cama de Sherlock. — NA NA NA – Os dois começaram a falar ao mesmo tempo e ela levantou a mão para que se silenciassem. – Um de cada vez.
Mycroft iria contar para a mãe que Sherlock não era mais virgem e ele não falaria nem que sim, nem que não. Era demais para John, ele não queria ver a reação dela, não precisava ouvir mais nada, era íntimo demais e Mycroft contaria a mãe como se fosse uma travessura do irmão caçula, como se ele tivesse quebrado o vaso preferido dela.
— Eu preciso ir, tenho plantão e ainda preciso passar no mercado antes. Foi bom revê-la. – Sorriu, endireitando o corpo e indo até a porta. – Até logo.
— Estamos precisando de leite. – Sherlock disse.
— Você está precisando ir ao mercado, eu moro com Mrs. Hudson agora. Bom dia. – E saiu deixando Sherlock olhando para a porta.
— É isso que se ganha fazendo as coisas que você fez. – Mrs. Holmes disse cruzando as pernas. – Vamos, comece você a falar, Mycroft.
Emma fora levada para um dos quartos do hospital após passar algumas horas na sala de recuperação, em sua ficha constava o nome de Mary Smith, todas as medidas para garantir a privacidade dela e o anonimato foram tomadas. A segurança dela era feita diretamente por Gibbs, Starks e alguns agentes do Serviço Secreto.
Assim que recebeu a ligação, Henry correu para o hospital, Emma herdara o tipo sanguíneo raro da família dele e precisava de transfusão, ficara andando de um lado para outro até que a cirurgia terminou e contaram-lhe que ela estava bem e recuperando-se. Assim que foi transferida para o quarto, ele ficou lá com ela, sentou-se no sofá e tentou não dormir, não dormia a mais de vinte e quatro horas. Por fim foi vencido pelo sono e viu-se deitando no sofá do quarto, ao lado da cama dela.
Eram dez horas da manhã quando Emma acordou, a garganta seca, dificuldade para respirar, o corpo todo dolorido, os pés, tornozelos e pulsos latejando. Abriu os olhos devagar, piscou algumas vezes esperando sua visão normalizar, tentou engolir o pouco de saliva que havia em sua boca e olhou para baixo em busca do que prendia seu braço direito.
Estava enfaixado, preso ao corpo, seu ombro doía. Olhou em volta, estava em um hospital, não lembrava de ter chegado ali, a última coisa que lembrava era dos olhos de Sherlock na ambulância, olhou para o lado e viu seu pai encolhido no sofá. Abriu a boca para chama-lo mas sua voz não saiu, coçou a garganta e tentou de novo.
— Pai. – Sua voz saiu fraca, coçou a garganta de novo. – Pai. – Sua voz saiu um pouco mais forte e foi o suficiente para acorda-lo.
— Emma. – Disse levantando rapidamente. – Como está se sentindo querida?
— Dolorida e com sede. Onde está a mamãe?
— Estava aqui até pouco tempo, viu você vir para o quarto e foi em casa se trocar e pegar algumas coisas que você vai precisar. – Sentou na cama. – Dr. Watson assistiu sua cirurgia.
— Mesmo?
— A pedido de Holmes.
— Mycroft. – Olhou para seu pulso esquerdo, marcado com uma linha grossa roxa resultado do tempo em que passou com eles atados, não podia ver, graças ao cobertor, mas podia jurar que seus tornozelos estavam do mesmo jeito.
— Não, o Holmes mais novo. Parece que ele exigiu que Watson estivesse presente.
— Ah.
— Perdi algo nisso?
— Não. – Respondeu.
— Apenas preocupação, suponho.
— De fato. – Respondeu.
Ele realmente esperava que ela contasse? Eram amigos mas tudo tem limite, antes de tudo Henry era seu pai.
— Beba um pouco de água. – Disse entregando-a um copo d’água. – Beba devagar.
— Alguma previsão de quando vou poder ir pra casa? – Falou entre goles.
— Não disseram nada ainda. – Pegou o copo da mão dela e o colocou no lugar. – O que aconteceu lá, Emma?
— Ele salvou minha vida duas vezes.
— Os médicos falaram que além do tiro, você sofreu um afogamento.
— Eu cai no lago enquanto fugia, ele me achou e me tirou de lá.
— Temos mesmo muito o que agradecer ao Holmes. – Pegou a mão dela e virou olhando o pulso. – Não sei o que faria se algo acontecesse a você, sua mãe enlouqueceria.
— Mas não aconteceu nada, estou aqui. Não pense nisso, pai. – Apertou a mão dele e sorriu. Ouviu o toque de seu celular para um novo sms. – Meu celular...
— Aqui. – Pegou o aparelho em cima da mesinha e entregou para ela.
— Como foi o leilão?
— Foi bem mas não sei muita coisa.
Emma balançou a cabeça e olhou para o celular, várias chamadas perdidas e sms. Não retornou nenhuma ligação mas respondeu alguns sms que achou importantes, estava enviando o último quando a porta abriu e ela virou para olhar quem era e em seguida voltou os olhos para o celular. Era Mycroft, e não estava sozinho, Sherlock entrou depois dele.
— Alteza. – Disse apertando a mão de Henry e virando para Emma. – Alteza, como se sente?
— Bem, só quero ir pra casa.
— Emma. – Sherlock falou olhando-a nos olhos.
— Sherlock. – Disse encarando-o de volta, sentiu o coração disparar e assustou-se com isso, lutou para não deixar transparecer, ele continuava olhando-a com aqueles olhos que pareciam lhe despir. Permaneceram em silêncio, um sustentando o olhar do outro até que Henry interrompeu a ligação.
— Holmes. – Henry falou fazendo Sherlock piscar algumas vezes e Mycroft respirar fundo. – Muito obrigado pelo que você fez pela minha filha. Ainda não fomos devidamente apresentados, Henry. – Falou estendendo a mão para Sherlock, que a apertou.
— Sherlock Holmes, meu irmão mais novo. – Mycroft interrompeu a tentativa de Sherlock falar, colocando a mão no ombro dele.
— Eu gostaria de falar com a minha cliente a sós, se não for um incômodo. – Sherlock disse mais para Henry do que para Mycroft.
— Claro, sem problemas, vamos tomar um café, Mycroft. – Henry disse. – Eu já volto querida. – E beijou a testa dela antes de sair.
Mycroft se demorou tempo suficiente para dizer por entre dentes “Não continue essa loucura!” para Sherlock, virar para Emma fazendo uma pequena reverência e sair.
Sherlock acompanhou-o sair com os olhos apertados e deu alguns passos em direção da cama de Emma.
— Como você está? – Perguntou.
— Inteira ou quase isso. E você?
— Nunca estive melhor.
Emma olhou para baixo sorrindo ao ouvi-lo falar.
— Aconteceu algo de anormal? – Sherlock perguntou.
— Como assim?
— Você viu alguma coisa que achou ser de sua imaginação?
— Não. – Respondeu sem entender o que ele queria dizer com aquilo.
— Você tem certeza, Emma? É importante.
— Tenho.
— Um sonho, nada?
— Sonho? O que tem isso?
— Você sonhou não é? Me conte.
— Sherlock o que tem meu sonho?
— Emma não temos tempo.
— Sonhei com um homem, um médico.
— Lembra como ele era? O que ele disse?
— Não, estava usando máscara cirúrgica. – Emma parecia confusa, fechava os olhos para tentar lembrar do sonho. – Estávamos em uma sala grande, ouvia bipes.
— O que ele disse, Emma?
— Que esteve de olho em mim a noite inteira.
— O que você lembra dele? A voz, os olhos, você reconheceu? – Perguntou apertando o pulso dela.
— Ouch! – Puxou o pulso, ele apertara justamente onde estava o hematoma. – Não reconheci a voz nem os olhos, mas acho que eram verdes. Como você sabia do meu sonho?
— Não foi um sonho. Ele está aqui, ele nos viu.
— O quê? – Emma sentou rápido sem lembrar da dor e foi pega em cheio por ela. Seu peito doía, respirar era difícil. Sherlock ajudou-a a deitar novamente.
— Você precisa sair daqui. – Sherlock foi até a porta e chamou Gibbs, contou-o o que havia acontecido e ele saiu rapidamente. Sherlock deu a volta na cama, pegando o celular de Emma e procurando um número em sua agenda.
— O que está fazendo?
— Você não pode ir para sua casa, para a dos seus pais ou para qualquer uma da sua família, não é seguro. Pelo menos não até eu dizer que é.
— E para onde vou?
— Vivian. – Falou ao celular com ela, combinou algo que Emma não conseguiu ouvir e desligou. – Apenas eu, seu pai, Gibbs e Vivian, obviamente, vamos saber onde você está. E Von Preussen, ele vai acabar lhe vendo quando for até lá.
— Agora?
— É.
— Ok. – Emma tentou sentar na sozinha mas precisava de ajuda, o peito doía, Sherlock ajudou-a com seu braço livre.
— Me desculpe se lhe machuquei, não tive intenção.
Emma balançou a cabeça, não tinha fôlego para falar. Sherlock aproximou-se dela, estava prestes a beija-la quando ouviu a voz de Henry e Mycroft do lado de fora do quarto, então apenas encostou sua testa a dela e apertou sua mão antes de virar e sair do quarto. E ela ficou lá, puxando o ar com dificuldade e sentindo a mão queimar.
Notas finais
Me contem o q acharam desse capítulo pfvr!!!
Obrigada pelos reviews q recebi e pelos novos leitores
weeeeee o/
Tô mto feliz c o retorno de vcs.
Fiquem bem ok?
Beeeijos até sexta (?)
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