Titanium - O Que Resta Da Monarquia
10 O colar Tudor
Notas iniciais
Emma continuava frustrada, vez por outra soltava o ar com tanta força que seu pulmão poderia soltar-se e sair pela boca a qualquer momento mas era hora de focar no leilão. Franz deveria acompanhá-la até a casa de um conhecido de seu pai, um colecionador de arte que estava disposto a fazer uma doação desde que Emma fosse pessoalmente buscar a peça, que ela desconhecia qual era. Ele não dissera do quê tratava-se, só esperava que valesse a pena a “viagem”.
Foram no carro de Franz, Emma manteve-se calada por mais de meia hora, completamente absorta, olhando pela janela a paisagem mudar, porém sem prestar atenção, não registrou muito do caminho e nem o que seu amigo falava.
— Emma! – Franz praticamente gritou fazendo-a pular no banco do carro. – Você ainda está aí?
— Claro.
— Pensando nele? – Fazia uma curva na estrada enquanto falava. – Não me odeie, eu não sabia que ele estaria lá.
— Eu não te odeio, mas seu timing já foi bem melhor.
— Você não respondeu, estava pensando nele?
— Sim.
— E ter ele por perto não ajuda, certo?
— Correto. Toda vez que o vejo só consigo pensar em arrancar as calças dele.
— O quê?! – Franz arregalou os olhos sem tira-los da estrada.
— Consigo me controlar, já meus pensamentos, não sei quem comanda.
— Eu sei quem! – Ele falou e sorriu.
— Cala a boca, hipócrita! – Emma gargalhava.
— Como queira, Milady.
— Bitch!
— Chegamos... e acho que o GPS não errou. – Falou olhando a grande propriedade. Seus portões tinham as iniciais SM no topo. Franz pressionou o botão da campainha, pouco depois uma mulher apareceu no visor.
— Sim.
— Olá, bom dia. Pode avisar Mr. Murray que Franz Von Preussen e Lady Emma estão aqui para vê-lo?
— Oh sim, claro, ele os espera. – Sua imagem sumiu e o portão abriu-se.
Franz entrou na propriedade e estacionou bem em frente a grande casa. Desceram do carro, Emma deu a volta enquanto ele vestia seu casaco de tweed escuro, fazia bastante frio naquela manhã. Subiram alguns degraus e bateram na porta. Prontamente foram atendidos e conduzidos para o escritório pela mesma mulher que falara pelo visor.
Enquanto trilhava o caminho até onde era conduzida, ela viu quadros, esculturas, espadas, armaduras, diversos itens de arte e objetos de vários períodos. Mr. Murray pareceu-lhe um excelente colecionador, com certeza aquilo era apenas um aperitivo de suas posses mas ainda assim, era de impressionar.
A mulher bateu na porta e em seguida abriu-a, entrou apresentando-os e o anfitrião foi recebê-los.
— Von Preussen. – Falou apertando a mão de Franz. – Não o vejo desde que era um rapazinho, está um homem feito e bastante parecido com seu irmão Heiko.
— Oh, por favor, sou muito mais charmoso do que Heiko.
— E mais bem humorado. — Ele disse.
— Heiko herdou o temperamento de papai. Bem, esta é Lady Emma, Mr. Murray.
— Milady. – Murray disse beijando a mão de Emma e fazendo uma pequena reverência. – Sou Samuel Murray, fico feliz de finalmente nos conhecermos.
— Muito prazer, Mr. Murray.
— Venham, sentem. – Falou indicando o sofá. – Aceitam chá?
Murray era um homem mediano, um tanto corcunda, bochechudo, de cabelos grisalhos, olhos negros e aparentava ter mais de cinquenta anos.
Ele serviu-os e conversaram por alguns minutos sobre como andava a família de Franz e depois sobre a ONG, de onde surgiu a ideia, porque essa problemática em específico, como funcionavam as coisas e sobre o leilão.
— Espero que possa ir. Seria uma grande honra recebê-lo. – Emma disse.
— Infelizmente não poderei, motivos de força maior. Mas... vamos ao que interessa? – O homem pegou uma caixa pequena que estava na mesa ao lado e abriu-a. – Reconhece o estilo? – Retirou um colar dourado envelhecido com pingente em forma de losango e entregou à Emma.
— Um colar Tudor? Uau. – Pousou a xícara de chá na mesinha a sua frente e pegou-o da mão de Mr. Murray, teve a singela sensação de que ele tivera intenção de agarrar sua mão e depois desistiu.
— Corrente e pingente de ouro, ônix e pérolas, lindo não é?
— Lindo. – Franz disse tocando-o.
— Muito lindo, tem certeza que quer desfazer-se dele? – Emma girava-o na palma da mão e passava os dedos pelas 3 pérolas em forma de gotas que equilibravam-se no pingente. – Está muito bem conservado.
— A causa é nobre.
— Então o agradeço imensamente, Mr. Murray. – Disse colocando o colar dentro da caixa. – Perdoe-nos mas realmente temos de ir, são muitos preparativos...
— Sem problemas, eu os acompanho. Espero poder revê-la em breve.
— Espero que possa ir fazer-me uma visita, qualquer dia.
— Seria um prazer.
Murray levou-os até a porta e após despedirem-se, entraram no carro e saíram da propriedade. Estavam quase na metade do caminho de volta, Samuel morava afastado de tudo, sua casa era única que ela lembrava de ter visto depois de meia hora de puro nada. Emma procurou seu iPhone em sua bolsa mas não encontrara-o, pensou tê-lo deixado cair no piso do carro e abaixou-se para procura-lo, encontrando-o lá. Estava levantando o corpo quando Franz freou o carro bruscamente, lançando-a para frente, fazendo-a bater com a cabeça no porta-luvas mesmo usando cinto de segurança.
— Franz! – Gritou levantando-se. Ao ver o porquê da freada, olhou para ele, que estava em choque. Um carro havia trancado-os e dois homens estavam descendo dele armados. Emma olhou para trás rapidamente. – Dá ré! Franz! Vai! – Ele obedeceu e fez a volta voando, tiros atingiram a lataria do carro e uma das janelas, foram banhados com pedaços de vidro. Emma rediscou o número de Gibbs, que acompanhara-os até um trecho do caminho e depois fora dispensado. – Atende!
Von Preussen tremia por completo, sua perna pulava enquanto pisava no acelerador e os homens continuavam seguindo-os.
— Vem pra cá, troca comigo! – Emma disse passando por cima do câmbio. – Não tire o pé do acelerador. – Franz passou por baixo dela e trocaram de lugar, agora era ela quem dirigia. – Continua tentando falar com Gibbs! — Emma acelerava, estavam a bem mais do que 150 km/h, os pneus cantavam a cada curva.
— Gibbs! Estão tentando nos matar! Atiraram no carro. Estamos bem, Emma está dirigindo. – Franz tentava não gaguejar enquanto explicava que caminho tomaram. – Isso, ok. Ok. Emma sabe para onde está indo? – Emma entrou em uma estradinha ladeada por um bosque, as árvores deixavam o caminho escuro. Parecia tê-los despistado.
— Estou pegando um atalho, confie em mim.
— Atalho para onde? – Franz gritava com o iPhone colado ao ouvido.
— Vamos visitar minha mãe.
Ela continuou sem diminuir a velocidade até chegar aos portões de Bagshot Park e quase colocou-os abaixo pela demora em abri-los. Os guardas reconheceram-na mas não com a rapidez Emma esperava.
Parou o carro em frente a mansão, respirando fundo e olhando para Franz que estava calado ainda com o iPhone na mão.
— Você está bem? – Perguntou pegando o celular da mão dele, que apenas sinalizou que sim com a cabeça. – Gibbs, estamos em Bagshot Park. Estamos bem.
— Estou chegando em cinco minutos. – Respondeu e Emma pôde ouvir o som de pneus cantando e o motor acelerando. Desceu do carro e abriu a porta para que Von Preussen em choque, saísse.
— Vem. – Disse pegando sua mão e tirando-o do carro. – Está tudo bem agora, estamos bem, não vê? – Falava abraçada a ele que nada dizia.
— Emma! – Sua mãe vinha correndo com um livro em uma mão e os óculos na outra. – O que houve? Meu Deus vocês estão machucados? – Ela havia visto a janela traseira quebrada.
— Não mãe, estamos bem. Está tudo bem agora mas Franz precisa de um chá.
— Deus, venham, entrem logo. – Falou abraçando o melhor amigo da filha pela cintura e levando-o para dentro. – Vamos cuidar de você, querido.
Estavam na sala quando Gibbs chegou, Franz havia acalmado-se e parecia estar saindo do estado de choque com que chegara.
— Gibbs como isso pode ter acontecido? Como deixou isso acontecer? – A mãe de Emma gritava.
— Milady... – Ele começara a dizer mas foi interrompido por Emma.
— Mãe, fui eu que disse que ficaria tudo bem e que não precisava dele, ele só seguiu minhas ordens.
— Emma, pelo amor de Deus! Com tudo que vem acontecendo, que imprudência! – A cada palavra sua pele branca ficava mais vermelha. Ela parecia muito com Emma, exceto pelos cabelos loiros.
— Pode não ter sido por isso, pode ter sido pela joia.
— Que joia?
— Um colar Tudor, mãe.
Contou sobre a doação que Murray fizera para o leilão e como tudo acontecera. Tentou lembrar de algum detalhe dos homens mas não conseguia lembrar, olhara-os muito rapidamente, Franz encarara-os mas não conseguira ver nada além de armas.
— Preciso voltar, ainda há coisas a resolver.
— Que certamente você pode resolver aqui e delegar outras coisas. Busque o que ela precisa. — Deu a ordem ao segurança.
— Mãe, não pos...
— Está decidido, você fica aqui. Amanhã vamos juntos para o leilão e sem discussões.
Conhecia muito bem sua mãe, não adiantaria argumentar, seria perda de tempo e de forças, ficaria lá como ela dissera. Gibbs levou Franz de volta a Londres mas antes de ir Emma garantira que arcaria com toda a despesa do concerto do carro. Agora só restava-lhe esperar e resolver o que conseguisse dali, ligou para a ONG e delegou algumas coisas que foram possíveis.
Sherlock ouviu a conversa que Emma mantinha com uma das funcionárias e tomou o telefone de sua mão, querendo saber o que havia acontecido. Ela resumiu, contando por alto sobre a perseguição, ele só ouviu, por fim disse apenas uma frase:
— Estou indo aí.
E desligou, Emma não dissera onde estava mas tinha certeza de que ele chegaria até lá.
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