Titanium - O Que Resta Da Monarquia
12 Hipotermia
Notas iniciais
Música do capítulo: http://youtu.be/0wTxqHbJOzg
John tentava não sorrir como um idiota enquanto falava com Vivian, ela era fácil de conversar, tinha uma risada contagiante, poderia passar a noite inteira, o dia seguinte e os próximos conversando com ela. Estava encantado com o que havia por baixo da armadura de advogada séria, ainda que não haviam tido a oportunidade de conversar sozinhos e com tanta gente ao redor, era a primeira vez que conversavam sem que alguém estivesse prestando atenção no que diziam.
Vivian tentava não transparecer o quão feliz estava só por estar ali conversando com ele, sentia o início de um pequeno calor no peito e algumas borboletas no estômago. Ele tinha um senso de humor tão compatível com o seu, não era só um militar sério como a postura dele dizia. Sairia com ele caso houvesse o pedido, ela nunca chamaria-o, apesar da enorme vontade de fazê-lo.
— Vivian. – John falou pousando o copo de whisky na mesa.
— Sim. – Vivian falou após beber um gole de vinho.
— Posso perguntar algo um pouco íntimo?
— Pode. – E sorviu mais um pouco de vinho, não sabia o que esperar.
— Você tem... algum alguém com namorado compromisso? — Perguntou atrapalhado. — Digo, algum compromisso com alguém, namorado? – John parecia desconcertado com o modo que falara, demonstrara nervosismo.
— Não. – Sorriu ao responder – E você?
— Também não. – John abaixou a cabeça sorrindo. – Sabe, você gostaria de um dia desses, sair para beber algo? – Agora ele olhando-a novamente.
— Eu adoraria. – E sorriu.
— Me perdoem por interromper, ultimamente parece que a única coisa do qual sou capaz é de atrapalhar, mas vocês viram Emma? Ninguém consegue encontra-la em lugar algum. – Franz disse ao interrompe-los.
— Não. – Vivian respondeu. – Aconteceu alguma coisa, Emma não deixaria o leilão de jeito nenhum. – Falou olhando preocupada para John.
Emma sentia solavancos, seu corpo deitado de lado, indo para trás e para frente, sua cabeça batendo em algo acolchoado, um barulho distante de pancadas insistentes, cheiro de couro e não conseguia sentir seus membros. Abriu os olhos, mesmo deitada tudo girava e sacudia, não conseguia enxergar na escuridão em que estava, tentou levantar a cabeça, que caiu como uma rocha no acolchoado, não conseguia pensar direito e tudo movia-se. E as pancadas não paravam.
Algo batia no metal insistentemente, sua cabeça doía e as pancadas não ajudavam. Ouviu alguém bufar e uma mão deslizando de sua cintura à onde não sentiu mais, até que sentiu-a apertando sua coxa com força e ouviu uma risada.
— Ela acordou. – Um dos homens falou pegando-a pelo braço e puxando-a para ver seu rosto. Emma estava agora deitada sobre os braços, não conseguia ver quem era, tamanha a escuridão. Finalmente percebeu estava em um carro quando ele parou, assim como as sacudidas. E as pancadas também.
— Cuide dele enquanto eu cuido dela, depois você também pode se divertir, ele não vai reclamar se nos divertirmos um pouco antes de entrega-la.
Emma mesmo atordoada começou a questionar-se a respeito de quem aquela voz falava, seria possível que tivessem levado também Sherlock ou seria outra pessoa? Era de fato mais provável que fosse ele, o que implicaria na constatação de que Holmes era quem fazia aquele barulho metálico e que somente poderia vir do porta-malas.
Eles desceram do carro, um seguiu em direção a traseira, enquanto o outro parou diante da porta de trás e abriu-a, Emma olhou para cima, pouco conseguiu ver do rosto dele no escuro, somente a silhueta. O homem passou as mãos em seus seios e apalpou-os enquanto ela se debatia, subindo até chegar aos cabelos e puxou-os com força, arrancando-a de dentro do carro.
Emma caiu e foi arrastada pelos cabelos para a frente do carro enquanto gritava. Conseguiu ver um vulto que parecia ser Sherlock, sendo tirado do porta-malas e ainda de pé, receber um soco no estômago.
Estavam em um bosque ou floresta, as folhas, pedras, galhos prendiam-se em seu vestido e rasgavam-o enquanto ela tentava girar o corpo para fazer o homem soltá-la e de fato o fez, mas somente ao chegar embaixo de uma das árvores. Jogou-a de qualquer jeito no chão ainda com os pulsos atados, todo o peso do corpo sobre os braços dormentes. Com o farol ligado podia ver que o homem usava uma máscara que cobria todo seu rosto e pescoço.
Sherlock continuava apanhando do outro homem, agora deitado no chão, ganhando pontapés.
O mascarado colocou a mão no bolso retirando um canivete e abrindo-o e enquanto sorria ameaçadoramente, abaixou-se passando-o pelo rosto, pescoço e seios de Emma sem cortá-la, descendo para o decote do vestido e rasgando-o o suficiente para quase deixar seu umbigo a mostra. Ela gritou para que ele parasse mas ele não parou. Tirou o canivete do tecido, agora apenas deslizando-o até chegar ao meio das pernas de Emma, na altura das coxas, onde começou a rasga-lo de novo até a barra. Passava a mão por suas pernas enquanto cortava o lacre que usara para prender seus tornozelos. Emma tentou chuta-lo mas seus membros não respondiam, ele segurou suas panturrilhas e puxou-a para ele.
Começara a chover.
— Sherlock! – Emma gritou.
— Seja uma boa menina, você vai gostar. – Ele disse debruçando-se sobre ela.
— SHERLOCK! – Gritou o mais alto que conseguiu, tentando afastar-se do homem, que mantinha as mãos grossas em suas pernas.
O sequestrador foi arrancado de cima dela e jogado contra uma das árvores, batendo a cabeça e gemendo de dor ao levar a mão à testa. A chuva caía agora com força, Sherlock levantou-a do chão, pondo-a de pé com dificuldade, a circulação de suas pernas ainda não havia voltado ao normal. O outro homem, que havia brigado com Holmes agora vinha em direção à eles, enquanto o que estava caído levantava devagar, sacudindo a cabeça para os lados.
— Corra! – Sherlock disse e ela foi tropeçando em suas próprias pernas, enquanto ele virava-se para encara-los.
Emma cambaleava e mal conseguia enxergar um palmo a sua frente, era uma noite sem lua e a chuva forte não ajudava. A terra transformou-se em lama misturada a folhas e gravetos, e corria o mais rápido que suas pernas permitiam, sua cabeça latejava, seu vestido já rasgado prendia-se nos galhos dos arbustos e rasgava-se um pouco mais.
Ouviu gritos distantes mas não soube identificar de quem eram, continuou a correr sem rumo, precisava de alguma forma encontrar ajuda. Dois tiros foram ouvidos e Emma parou de súbito, caindo e quase batendo a cabeça no chão. Poderia ser contra Sherlock mas não quis acreditar nisso, não ainda, ele teria escapado, Sherlock Holmes não morreria assim. Apegou-se a esse pensamento e tentou levantar-se apoiando o ombro na terra molhada e dobrando os joelhos, seus pés estavam machucados, sentia-os ardendo e a chuva caia forte sobre ela enquanto tentava equilibrar-se, não sentia seus braços de tão apertados que seus punhos estavam pelo lacre.
Ouviu um barulho e pôs-se a correr sem destino novamente, escorregando na lama até que caiu, desta vez o chão parecia distante demais. Gritando, sentiu seu corpo cair de uma altura considerável e pensou que era seu fim.. Sentiu-se bater com força em algo que parecia água com, fazendo com que todo o ar que havia em seus pulmões serem expelidos.
Emma bateu as pernas tentando submergir mas o vestido pesava e as partes rasgadas agarravam-se nela como cordas, impedindo-a de subir. Parecia que sua cabeça explodiria a qualquer momento, a necessidade de oxigênio foi maior do que a razão, abriu a boca e sentiu a água entrar por ela enchendo seus pulmões.
Sempre pensou que milésimos de segundos antes de morrer veria sua vida inteira passando diante de seus olhos como um filme, que os momentos mais felizes seriam revividos e que a última coisa que veria seriam as pessoas que ela amava, seguido de uma sensação de paz interminável, mas não foi o que aconteceu.
Não houve imagem nenhuma, somente a escuridão e um silêncio estarrecedor, só o que sentia era uma dor escruciante em seus pulmões e a sensação de que seu crânio iria se desintegrar.
Sentia uma pressão de tempos em tempos em seu peito e ouvia alguém chamando seu nome ao longe. A cada pressão a voz ficava mais alta e sentia mais dor. Era como se recebesse marteladas no peito, sentia a água fazendo o caminho inverso, subindo por sua garganta e fazendo-a tossir. Abriu os olhos, respirando com força, não sabia quem era, mas sentia suas mãos em seu rosto, tremia de frio e então perdeu os sentidos mais uma vez.
Emma sentia um calor diferente, parecia agora estar com os braços livres e começava a senti-los, onde estava? Abriu os olhos e viu que alguém abraçava-a e parecia estar deitada sobre ele. Empurrou-o com toda a pouca força que tinha e sentou-se, deixando o cobertor que estava enrolada cair e estava sem roupas por baixo dele.
— Calma, sou eu. – Sherlock disse sentando-se.
— Onde está meu vestido? – Falou puxando o cobertor o mais rápido que conseguiu. Passava os dedos na testa enquanto apertava os olhos.
— Ali mas não acho que será de muita serventia.
— Oh – Emma olhara para onde ele indicara, o vestido estava pendurado em uma cadeira, perto de onde eles estavam, quase de frente pra lareira recém acesa. – Que lugar é esse?
— Uma cabana de pesca. Meio abandonada, acredito que o dono não vem aqui a mais de um ano. Como está se sentindo?
— Com dor de cabeça e sede.
— Aqui. – Passou para ela um copo de vidro. – É água da chuva, estamos sem opções aqui.
— Tudo bem.
Emma passou os olhos pela cabana enquanto bebia a água devagar como ele havia instruído-a e não era assim tão ruim, viu algumas varas de pescar penduradas, iscas coloridas, uma pequena mesa, uma cama de solteiro e as roupas de Sherlock abertas e expostas sobre uma das cadeiras da mesa. Estava com o cobertor e de frente para a lareira mas mesmo assim tremia dos pés à cabeça, seus tornozelos e pulsos latejavam, devolveu o copo para ele e puxou o cobertor mais para perto tentando aquecer-se.
— Era isso que eu estava tentando fazer antes de você acordar. – Sherlock falou deitando perto da lareira, abrindo o cobertor em que estava enrolado, deixando a mostra apenas o seu tronco, chamando-a com a mão branca de dedos longos. – Você não quer ter uma hipotermia, quer?
Emma olhou para ele, com a pele alva a mostra e lembrou do escritório, os dois em cima da sua mesa, havia tanta roupa sendo tirada e ali só haviam dois cobertores. Respirou fundo e deitou-se perto dele, que abraçou-a dividindo seu cobertor com ela. Emma tinha a cabeça encostada a seu peito, ouvindo sua respiração e seus batimentos cardíacos.
— Obrigada por me...
— Por defender sua honra? – Sorriu e sentiu Emma rir em seu peito.
— Isso e por me tirar da água. Obrigada.
— Não consigo resistir a uma donzela em perigo.
— Você vai fazer com que me arrependa de ter agradecido? – Emma perguntou afastando a cabeça do peito dele para olha-lo, tinha os cabelos ainda úmidos, o canto da boca roxo e o supercílio rasgado.
— Não. – Sorriu. – De nada.
Emma aproximou-se e beijou sua bochecha, levou sua mão até o rosto dele, contornando o corte no supercílio, seu olho estava um pouco inchado e arroxeado. Estar colada a ele não era fácil, sentia o calor que vinha dele, seu cheiro, seus braços em volta do seu corpo.
— Dói?
— Não. Vou precisar de alguns pontos, mas não dói.
— Nem aqui? – Perguntou enquanto passava o polegar pelo lábio inferior, indo até o canto da boca que estava roxo.
— Também não.
— Tem certeza?
— Absoluta. E você?
— Só a cabeça.
— Posso cuidar disso se quiser.
— Tenho certeza que pode.
Sherlock pôs uma das mãos ao lado do rosto de Emma, que fechou os olhos por alguns instantes e abriu-os de novo, ele pode ver as pupilas dilatadas naqueles olhos azuis. Emma olhava-o nos olhos, que a luz do fogo pareciam-lhe acinzentados, aproximou seu rosto do dele e beijou-o. Por meio segundo sentiu ele travar e em seguida relaxar, dando pequenos beijos nela. Encararam-se por alguns instantes e beijaram-se de novo, desta vez um beijo longo e repleto de calor.
Sherlock tinha as mãos em suas costas por cima do cobertor e Emma em seus cabelos ainda úmidos, os dedos prendendo um pouco nos cachos.
Separaram-se e Emma pôs-se a beijar todas as pintinhas que haviam em seu pescoço, desceu até seu peito, seguindo até o abdômen enquanto ele prendia um som no fundo da garganta. Marcas avermelhadas começavam a aparecer na pele branca e ela beijou cada uma. Olhando para cima, viu seu rosto, parecia uma pessoa diferente da que vira na ONG, parecia indefeso e nervoso. Voltou a deitar-se ao lado dele, ainda com o cobertor ao redor de si, contornando com o dedo desde as maçãs do rosto dele até o queixo.
— I wanna make it with you. You want it? – Perguntou.
Um som saiu da garganta dele e em seguida ele estava beijando-a de novo, com as mãos em sua cintura, puxando-a para mais perto. Emma interpretou aquilo como um sim e juntou seu corpo ao dele.
A cada toque o calor e o desejo aumentavam e Emma podia sentir seu membro ereto encostado a ela, oculto pelos cobertores. Virou-o deitando-se sobre ele, abrindo o cobertor e colando seu tronco ao dele, ao sentir sua pele tocando-a sentiu um arrepio percorrer todo seu corpo.
Ele deslizava suas mãos pelas costas de Emma e ela puxava o cobertor dele enquanto ele deslocava suas pernas pela parte posterior da coxa, para que encostasse os joelhos no chão. Podia senti-lo pedindo passagem bem na entrada, ambos seguravam o rosto um do outro enquanto beijavam-se, então Emma fez um movimento com o quadril, sentiu-o penetrando-a um pouco e estremeceu, sendo aquecida por dentro a cada milímetro. Permitiu-se ficar imóvel por alguns instantes, somente ouvindo a respiração dele.
Jogou os quadris para frente e para trás lentamente sem deixar de beija-lo, as mãos dele estavam mais uma vez em sua cintura, apertando-a. Abriu os olhos, parando de beija-lo e acariciando seu rosto.
Sherlock olhava-a com a boca entreaberta, começando a respirar pesadamente e parecia tão frágil. Emma beijou-o de novo e ergueu o corpo, agora estava de fato sentada sobre ele e podia senti-lo por completo, ele fechou os olhos e tornou a abri-los. Começou a movimentar-se lentamente montada nele, aumentando um pouco a velocidade a medida em que ele passava uma mão pelos cabelos, enquanto a outra apertava sua coxa, umedecia os lábios e mordia-os.
Emma movia-se devagar enquanto empurrava o quadril, com as mãos pousadas sobre o abdômen dele, tomando cuidado para não fazer muita pressão sobre uma das marcas vermelhas. Ele fechara os olhos, entreabrindo a boca e agarrando-a pelo quadril, tentando ditar o ritmo à ela. Ela ignorou-o sorrindo, fazendo o contrário do que ele queria, rebolando devagar, sentindo cada centímetro. Sherlock apertava seu quadril enquanto mantinha-se de olhos fechados, até que ela aumentou a velocidade e ele soltou o primeiro gemido audível, abrindo os olhos e encarando-a desesperado. Era bom tê-lo à sua mercê e ela tiraria proveito disso.
Diminuiu a velocidade, voltando a fazer como antes mas com um pouco mais de força. Ele apertou os olhos, mordendo o lábio e afundando os dedos nos quadris dela.
Mudou e voltou a rebolar sentada nele, que gemeu sofridamente quase furando a carne dela com os dedos. Sherlock abriu os olhos e Emma pôde ver suas pupilas dilatadas de tal maneira a somente um filete azul água-marinha restar.
— Emma... – Um gemido baixo. – Emma, por favor. – Outro gemido, falava com dificuldade, já suando, a respiração fora de compasso.
Ela jogou a cabeça para trás, sentindo que sua hora chegara, apertou as mãos dele sobre seus quadris e voltou para o primeiro movimento e a cada um deles ficava mais e mais próxima. Até que sentiu, havia chegado e como era bom com ele, segurou um grito, apenas permitindo-se gemer baixo.
Pôs suas mãos de novo sobre o abdômen dele e voltou a fazer como ele queria, fazendo seu cabelo ruivo cair em cascata sobre o peito dele e a cada movimento via-o deslizar sobre sua pele. Não demorou muito para vê-lo respirando rápido, perder uma de suas mãos entre os cabelos dela e ouvi-lo gemer enquanto encarava-a, que por sua vez não parava, fazendo-o soltar o mais alto dos gemidos que havia dado aquela noite. Estava desfeito em mil pedaços deitado no chão. Deixou suas mãos caírem, soltando os cabelos rubros dela e fechou os olhos.
— Vem cá. – Disse ainda de olhos fechados.
Ela levantou o quadril, tirando-o de dentro dela e Sherlock arregalou os olhos ao sentir-se deslizando para fora dela, que deitou ao seu lado, com a cabeça em seu braço, olhando-o fixamente. Ele beijou-a ternamente, puxou-a para mais perto e jogou um cobertor sobre ela.
Emma colocou a mão sobre o peito dele e fechou os olhos, enquanto ele alisava as pontas dos seus cabelos e quase de imediato adormeceu.
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