Notas iniciais
Não vou me estender, o capítulo é enorme, nem vou falar nada. Me encontrem lá no final ok?

Música do capítulo: http://www.youtube.com/watch?v=PGc9n6BiWXA DEIXEM CARREGANDO E DEEM PLAY DEPOIS DA EMMA FALAR COM O FRANZ E SAIR.

Após descer do carro e correr para dentro do palácio silencioso, tudo o que podia ouvir era seu salto batendo no chão de pedra e ecoando pela ala em que a Rainha residia. Era a área restrita a visitantes do Palácio de Buckingham e como sua avó gostava, nada de pessoas pelos corredores e o mínimo de barulho possível. A segurança estava lá mas fazia seu trabalho de maneira tão eficiente que quase não eram vistos Ao menos dentro daquelas paredes, a sensação era de que estavam sozinhos.
Andava apressada, atravessando um grande salão de paredes altas e de um tom de azul claro com detalhes dourados, enormes lustres de cristais a encaravam do teto, flores claras espalhadas por ele e móveis no estilo vitoriano, que servia para receber convidados. Assim como ela, a Rainha também preferia esse estilo. O barulho do sapato dela não era mais ouvido, o tapete decorado que cobria todo o piso abafava o som.

Abriu a porta espelhada e correu para subir as escadas até onde era esperada. Nunca, nem quando criança, correra tanto para subir aquelas escadas como agora, estava atrasada, ato imperdoável para uma família tão cheia de protocolos. Pedia aos céus por um desconto, era seu aniversário.
Parou no alto da escada arrumando os cabelos, respirando fundo, arrumando a postura e a roupa sob o casaco, depois fechando-o novamente. Seguiu pelo corredor até a porta dupla que dava para o salão onde os jantares aconteciam, lá como de costume, encontrou um dos empregados do palácio de pé do lado de fora.

— Lady Emma. – O homem disse fazendo uma reverência. Era baixo, gorducho, calvo e tinha as bochechas rosadas, olhos bondosos e vestia fraque. Emma conhecia-o desde sempre, lembrou-se das vezes que ele livrou-lhe de inúmeras saias justas em sua infância.
— Mozzie. Estão todos aí? — Achava penoso fazer um senhor de mais de sessenta anos permanecer horas a fio de pé, sugerira a sua avó algumas vezes que ao menos dessem-lhe uma cadeira mas o protocolo dizia que assim deveria ser. Britânicos, eternamente fadados a ter um apego patológico com protocolos. – Quão encrencada eu estou?
— Um pouco. – Ele sorriu fazendo os olhos apertarem e as bochechas parecerem maiores. – Vou anuncia-la.
— Por favor. – Disse e tirou o casaco.

Mozzie abriu as portas e entrou dando dois de seus passos de gordinho, coçando a garganta.

— Sua alteza real Emma Elizabeth Victoria Sophie Mountbatten-Windsor, princesa de Wessex. – Mozzie disse e saiu para dar passagem a Emma e pegando o casaco dela. – Feliz aniversário. – Disse baixo e deu um pequeno sorriso para ela.
— Obrigada Mozzie. – Ela sorriu em agradecimento e entrou.
— Finalmente! – Harry disse levantando de uma das poltronas da antessala. Seguido de todos os homens presentes. Emma desculpou-se com o olhar e passou os olhos pela sala. Estavam presentes seus pais, Harry, seu pai e a esposa Katherine, além de seu primo Alec, quarto na linha de sucessão, filho de seu tio Edward; seu avô Phillip e a Rainha. Emma dirigiu-se para o sofá em que ela estava sentada, apoiando as mãos em sua bengala, fez uma reverência demorada e manteve os olhos baixos até que ela dissesse algo.
— Cinco minutos de atraso. – Fez uma longa pausa. – Mas hoje é seu aniversário, vou deixar passar. – Apoiou-se na bengala e ergueu-se, sendo seguida de todas as mulheres presentes.
— Granny. – Emma disse sorrindo.
— Mas que não se repita, já temos um demolidor de protocolos bem ali. – Apontou para Harry com a bengala e ele desviou o olhar para o teto, seu avô sorriu.
— E Deus sabe que um dia ele pode acabar sendo rei. – Charlie disse. A cara de Harry mostrava o quanto ele estava animado com o pensamento, ser rei era tudo o que ele não queria ser.
— Não acontecerá de novo. – Abraçou a avó, em seguida seu avô e os demais ali.
— Podemos ir então.

Todos seguiram Elizabeth até o salão ao lado e sentaram-se à mesa depois dela. O piso e as paredes eram vermelhas, coberto por inúmeros quadros de monarcas já falecidos, como se os observassem jantar. Encabeçando a mesa de lados opostos estavam seus avós, seu pai seguido de sua mãe ao lado esquerdo de sua avó, seus tios Charlie, pai de Harry e a esposa e Edward, seu outro tio, Harry sentado ao lado dele. Emma estava entre sua mãe e seu primo Alec. Foram servidos e puseram-se a comer.

— Então, muitos presentes, muitas ligações? – Seu avô perguntou.
— Alguns, meu apartamento parece uma floricultura.
— Também tenho algo para você.
— Grandpa, não precisa.
— Precisa sim, sou seu avô, minha função é mimar. – Inclinou-se um pouco para frente e baixou o tom de voz. – Puxar orelhas é com ela. – Falou apontando disfarçadamente para a Rainha e voltou a encostar-se.
— Do que está falando, Phillip? – Ela perguntou.
— Nada. Nadinha. – Ele respondeu tomando um gole d’água.
— Sei.
— Granny, uma senhora conhecida minha, Mrs. Hudson, enviou lembranças.
— Que amável da parte dela.
— Ela é senhoria do namorado de Vivian, um doce.
— O médico do exército? – Perguntou, além dela, somente seus pais e Harry sabiam de tudo o que acontecera com ela.
— Sim.
— Deveria trazê-la aqui um dia, Emma. – Phillip disse.
— Claro. E você vai servir o chá dela? – Elizabeth perguntou. Era engraçado ver como mesmo depois de tantos anos de casados ela ainda sentia ciúmes dele.
— Sabe, Emma. Os anos só me deixaram cada vez mais galante e atraente. – Falou passando a mão pela careca, todos riram, inclusive Elizabeth.

Continuaram a conversar e a comer, os pratos foram sendo retirados e substituídos por outros e as taças preenchidas a medida que esvaziavam.

— Não vai ter comemoração, Emma? – Alec perguntou ao seu lado.
— Melhor não, estou tão cansada que não tenho forças para organizar nada. – Falou olhando para o primo. Diferente dos outros membros da família, todos ruivos, ele tinha os cabelos e os olhos castanhos.
— Que pulseira linda! – Sua mãe falou tomando sua mão direita e olhando a pulseira mais de perto.
— Foi um presente.
— E um presente dos caros. – Katherine disse esticando o pescoço por cima da mesa para olhar a pulseira, sempre inconveniente. Emma olhou para Harry em busca de socorro.
— Eu quero propor um brinde. – Falou erguendo a taça rapidamente. – À minha irmãzinha Emma, que ela seja muito feliz e consiga tudo o que desejar. Obrigada por não desistir de mim e por ter tanta paciência com esse primo e esse estranho aí do lado. – Falava de Alec e Emma ria alto. – Pare de rir, é verdade. Feliz aniversário, Emma.

Todos ergueram as taças e beberam em seguida. Emma moveu os lábios de maneira que Harry pudesse lê-los agradecendo-o por evitar que ela tivesse que explicar de quem fora o presente, ele piscou para ela e voltou sua atenção para seu prato.
Ao fim da refeição todos voltaram para a antessala menos Elizabeth e Emma que tomara o lugar de seu pai à mesa.


— Acredito que você tenha visto a repercussão da sua entrevista.
— Granny, era o que eu tinha que fazer. Não podia me esconder.
— Eu sei. Não concordo com seus métodos, podíamos ter feito algo para evitar que você se expusesse mas entendo o porquê você fez isso. Se algo mais acontecer, deixe que lidemos com isso.
— Está certo.
— Ele parou de lhe procurar?
— Não. Mandou umas oitenta rosas vermelhas hoje.
— Vou dar um jeito nisso.
— Não, Granny. Está tudo bem, ele vai se cansar.
— Quanto aquele problema, algum avanço?
— Nada ainda, as escutas e a câmera não deram em nada.
— O tal Holmes não tem nenhuma ideia de quem está por trás disso?
— Se tem, ele não me disse. – Inconscientemente Emma pousou seus olhos sobre a pulseira.
— Foi presente dele, não é? Não pense que não vi o que aconteceu nesta mesa.
— Sim, foi dele.
— Emma, não entre nisso, não vá por esse caminho. Ele não é para você.
— E quem seria perfeito pra mim? Um barão louco? – Perguntou referindo-se a Matthew. — Não estou entrando em nada. Nós não temos nada. – Emma respondeu rapidamente. – Ah, John mencionou que eles já trabalharam para alguém da família. Para quem?
— Acho que ouço o fotógrafo falando, vamos lá? – Ela falou para mudar de assunto e levantou-se indo até a antessala. De fato o fotógrafo oficial estava mesmo lá e como de praxe posaram para algumas fotos, fotos de família, elas não seriam divulgadas.

Reuniram-se mais uma vez e tiraram fotos, conversaram durante um bom tempo, beberam chá. Emma recebeu os presentes deles, livros antigos de Alec e seu tio Edward, um relógio do pai de Harry e da esposa, joias de sua mãe e de sua avó, de seu pai ganhara uma peça do Romero Britto, Harry insistia em entregar seu presente somente no final do dia e ela não fazia ideia do porquê. Mas o presente que mais gostara foi o de seu avô, um porta joias feito em prata com detalhes de art nouveau.

— WOW.
— Sabia que iria impressionar. Eu disse não foi, Bess?
— Ótimo, agora ele vai ficar convencido. – Elizabeth disse.
— Eu sei como agradar. – Falou refestelando-se no sofá. – Era de um colecionador amigo meu, do final do século 19, espero que você goste.
— Eu amei. – Emma falou fechando o porta joias, ocultando o interior de veludo vermelho. – Thanks Grandpa. – Ele sorriu para ela e beijou-lhe a mão.

Ao fim do dia estava em um dos apartamentos do palácio descansando um pouco e falando com Vivian ao telefone. Havia feito sua toalete e permanecia de roupão deitada em um divã, enquanto comia frutas frescas. Ouviu batidas na porta.

— Vivian, se você gosta dele, vá atrás. Eu te ajudo, pensarei em um jeito sutil de vocês se encontrarem.
— Eu não consigo entender a razão dele dizer que não é homem pra mim.
— Talvez seja o financeiro. Ele não está na ativa no exército, você sabe que homens se importam muito com essas coisas. – Bateram novamente na porta.
— Mas John...
— Olha, estão batendo aqui. Te ligo mais tarde ok? Não chora. – Ouviu ela fungar do outro lado da linha. – Deixa comigo que vou resolver isso.
— Ok. Até mais tarde. – Vivian disse e desligou.

Emma levantou-se e foi atender a porta, Harry estava de pé usando um terno mais informal do que o que usara durante o almoço, a roupa toda em tons de cinza e carregava uma caixa nas mãos, não esperou convite e entrou.

— O que é isso? – Emma perguntou fechando a porta.
— Seu presente.
— E o que você comprou?
— Pedi pra Franz me ajudar nisso, queria que ele fizesse algo com a sua cara, algo que te identificasse. – Falou entregando a caixa. – Por telefone, claro. Você sabe que tenho medo dele.
— Foi Franz quem fez? – Emma falou sentando novamente no divã e abrindo a caixa. – Oh...
— Gostou?
— É lindo! – Emma tirou de dentro da caixa um vestido preto de mangas longas e bordado. – Você sabe que não precisava de nada disso, não é?


— Você é minha única prima, não seria de bom tom. – Falou imitando o modo como a esposa de seu pai falava.
— Eu não sou a única.
— É a única que interessa, aquelas duas não valem nada. Vá vestir o meu presente e me deixe ver.

Emma concordou e saiu para provar o vestido, deixando Harry sozinho. Tirou o roupão, abriu o zíper do vestido e colocou-o no corpo. Franz conhecia bem suas medidas, não tinha dúvidas de que serviria perfeitamente. Calçou o peep toe preto que levara na mala, não seria justo estar descalça usando aquele vestido. Voltou para onde Harry estava e encontrou-o com Alec conversando de pé. Os dois soltaram um assobio baixo ao mesmo tempo.

— Preciso de ajuda com o zíper. – Falou dando as costas para Harry, que subiu o zíper rapidamente. – E aí, ficou bom?
— Realmente ele fez um ótimo trabalho, esta é você. O que acha Alec?
— Perfeito, só ficou curto demais.
— Cara, pela primeira vez na minha vida eu tenho que concordar com você. Vou devolver e mandar ele pôr mais tecido.
— Vocês podem parar com isso? – Emma ria alto, era como se tivesse dois irmãos mais velhos e ciumentos.
— Ok. Que bom que já está usando sapatos, vem com a gente.
— Pra onde, Harry?
— Nós vamos comemorar o seu aniversário. – Alec disse.
— Não. Nada de comemorações.
— Nós vamos sair e ponto. Se você resistir eu te carrego. – Harry disse puxando-a pela mão para ir até o corredor.

Seguiram por ele até chegarem às escadas, desceram e continuaram seguindo em frente, rumo ao outro lado do palácio.

— Porque não podemos sair por aqui? Porque temos que ir até o outro lado?
— Porque ninguém pode saber que vamos sair. – Alec respondeu.
— Será como nos velhos tempos, quando nós fugíamos durante a noite, disfarçados.
— Mas não estamos disfarçados, Harry.
— Mero detalhe.

Por Buckingham ser enorme demoraram para cruza-lo, deveriam descer outro lance de escadas até a saída e finalmente estariam prontos para sair.

— Tem alguém vindo.
— Eu não ouço nada. – Emma falou.
— Entra aqui. – Harry disse abrindo uma das portas espelhadas e puxando-a pela cintura, os três entraram e fecharam a porta atrás de si. Ela estava tão distraída que não reparara onde eles haviam entrado. Estava tudo escuro e silencioso.
— Harry, tenho certeza que ninguém... – Começou a dizer e as luzes acenderam, ouviu gritarem “surpresa”, olhou em volta e viu aproximadamente cem rostos sorrindo para ela, Franz e Vivian na frente deles. – Vocês estão de brincadeira comigo. – A música começou e eles vieram abraça-la. – Já assinaram seus testamentos? Porque essa vai ser a ultima noite de vida de vocês.
— Então vamos curtir o pouco de vida que nos resta! – Harry gritou pegando um drink com um dos garçons e começou a beber.

Já que não havia como escapar, Emma foi falar com os convidados de sua festa que até então ela nem sabia que existia. Após alguns drinks a raiva passou e ela começara a gostar, dançava e conversava até que a música parou e todos olharam em volta para saber a razão disso.

Navarro vinha andando até ela, usava um blaser preto com camisa social e jeans, a maneira como ele andava fazia com que a cada passo ele parecesse ainda mais com um colosso.


— Acho que está na hora de dar o meu presente. Não é nada material, nada palpável, é a coisa que Emma mais gosta de fazer e acho que fazemos bem. – Navarro disse e tudo o que ela conseguia pensar que ele poderia dar-lhe ali parecia incrivelmente errado, diante de tantas pessoas. – Dançar. – Ele fez sinal para o DJ e a música começou. Emma mal podia acreditar, era um tango.
— Alexander, é melhor não. – Disse baixo.
— Porque não? É só uma dança, é o meu presente. – Ele disse tirando o blaser e entregando para alguém.

Ele pegou-a pela mão e começou a gira-la no lugar, depois puxando-a para si e começando a dançar, a medida que iam entrelaçando as pernas e roçando umas nas outras, moviam-se no centro do círculo que se formara. Mantinham contato visual a todo tempo e Emma foi começando a sentir que aquilo não era somente uma dança, o modo como as mãos de Navarro tocavam seu corpo era completamente sexual.

Ele girou-a ficando atrás dela guiando-a com a mão em sua barriga, devido ao sapato que usava a diferença de altura entre eles diminuíra. Girou-a mais uma vez, deixando-a de frente para ele e fazendo o corpo dela curvar-se para trás enquanto segurava-a pelas costas e esfregava o nariz de sua barriga até os seios dela, quem assistia os dois dançarem não podia enxergar com clareza devido a luz baixa. Emma sabia o que ele estava fazendo e tentou se afastar, dançando sozinha para fugir dele e acabar com isso.

Ele percebeu e puxou-a pela mão, fazendo-a girar rapidamente para em seguida puxa-la de costas para ele encostando-se completamente no corpo dele. Fechou os olhos em reflexo ao que sentia e Navarro encostou o nariz em seu pescoço, abriu os olhos novamente e viu Sherlock de pé diante dela assistindo.
Navarro girou-a mais uma vez e voltaram a deslizar as pernas um no outro enquanto dançavam, Emma precisava ter certeza de que vira realmente Sherlock ali, virou-se no lugar, fazendo Alexander ficar de costas para ele e ela confirmar o que havia visto.

Estava parado com uma das mãos em punho, a expressão era de quem se contorcia por dentro, John e Franz estavam ao seu lado.

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— Holmes. – Ele não respondeu. – Ah... assistindo o tango?
— Quem é ele?
— Alexander Navarro, amigo de longa data. Jogador de futebol, parece que está em negociação com o Manchester City e talvez volte a se estabelecer aqui. – Falou olhando para ele, Sherlock não tirava os olhos dos dois. Vivian foi até Franz e puxou-o para afastar-se um pouco dele mas não o suficiente para que Sherlock não ouvisse o que falavam. – O quê?
— Esse é o... – Começou a falar.
— É. Melhor-sexo-da-vida Navarro.

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Se tivesse sido combinado não teria dado mais certo. Emma podia ver que estar ali com Navarro mexia exatamente com o ego de Sherlock, exatamente como sua mãe, Violet Holmes dissera no cartão.
Então ela se empenhou a dançar como nunca havia dançado, sentia seu coração batendo forte, bombeando a cada segundo mais e mais sangue. Ao fim da música deixou seu corpo o mais próximo possível do de Alexander e ergueu a perna roçando-a pela coxa dele e foram aplaudidos.

— Eu tinha certeza que ainda conseguíamos dançar juntos.
— Obrigada pela dança. – Ela falou afastando-se dele, arrumando os cabelos e sorrindo para os convidados. – Preciso tomar alguma coisa, estou com sede.

Andou por entre eles a caminho do bar mas encontrou Alec no meio do caminho, ele lhe entregou uma taça de champagne e ela praticamente bebeu-a num só gole.

— Nunca te vi dançando assim.
— Nunca dancei tango na frente de ninguém. – Ela falou procurando Sherlock com o olhar.
— Procurando Sherlock?
— Como... Harry. É, estou procurando ele.
— Estava perto de Franz.

Emma olhou para Franz e só avistou ele e John a uma curta distancia. Procurou Vivian e achou-a dançando sozinha no canto perto do bar, tinha certeza que a taça que ela segurava já tinha o líquido quente, ela não costumava beber muito.

— Porque não vai conversar um pouco com Vivian? Ela parece sozinha, pode fazer isso por mim?
— Claro. – Falou e foi até ela, começaram a conversar muito próximos um do outro e John parecia ter notado.

Ela continuou andando até Franz e pegou-o pelo pulso.

— Onde está Sherlock?
— Acabou de sair por ali. – Franz apontou para a porta lateral, Emma sabia onde ela dava e não havia como ele sair dali.
— Você falou algo pra ele?
— Só dei um empurrãozinho.
— OK. Resolva isso por mim enquanto falo com ele. – Apontou para Vivian e Alec, depois para John que assistia os dois. Emma passou por ele e tocou-lhe o braço chamando seu nome. – Hey, John. – Ele pareceu não tê-la ouvido.
— John! Você está aí. Que bom revê-lo. – John apertou-lhe a mão e depois voltou os olhos para Vivian. – Aquele é Alec Windsor, primo da Emma. Se você gosta dela é melhor ser audacioso ou vai perdê-la.

Emma girou a maçaneta da porta dupla espelhada e entrou no outro ambiente após dar ordens expressas de que ninguém deveria entrar. Um salão exatamente igual ao que estava antes, as paredes brancas com detalhes dourados, colunas gregas, enormes lustres e diversos espelhos espalhados pelo cômodo.
Sherlock estava sentado em uma das cadeiras vermelhas de frente para um dos espelhos, mantinha os olhos fechados. Andou até ele e parou em sua frente, Holmes abriu os olhos e viu-a parada diante dele.


— Boa noite Mrs. Holmes. – Apesar da boa acústica do palácio ainda era possível ouvir nitidamente a música que tocava no outro salão.
— Lady Emma. – A voz dele saíra indiferente mas ela sabia que não era o caso. – Veio descansar depois de dançar tanto?
— Na realidade não. Estou surpresa de você estar aqui.
— Fui convidado e John me convenceu a vir.
— Está arrependido de ter vindo, por isso está escondido aqui?
— Eu não estou escondido, só prefiro não estar em festas. Muita gente e muito barulho.
— Que pena. – Emma falou dando um passo na direção dele. – Mais cedo você me deu um presente. – Emma ergueu a manga do vestido para mostrar a pulseira ainda consigo. – Agora eu devo retribuir. – Falou e começou a dançar, não sozinha, não com ele, para ele. Sherlock franziu o cenho enquanto ela continuava a dançar em sua frente de maneira sensual, agachando-se em frente a ele em seguida erguendo-se novamente fazendo ele perceber que estivera encarando o decote dela. Tentou levantar-se mas ela empurrou-o de volta para a cadeira. – Sit back and watch.

Deu a volta na cadeira em que ele ocupava exibindo o corpo para ele, beijando-lhe o pescoço, quando estava mais uma vez em sua frente sentou-se em seu colo, deixando o tronco o mais próximo possível dele. Sherlock agora encarava o decote dela sem se incomodar com isso, inclinando o corpo para frente beijando seus seios pelo decote e foi quando Emma começou a rebolar no ritmo da música, sentada nele. Rebolou uma, duas vezes, na terceira vez ele agarrou as coxas dela, próximo ao quadril e beijou-a. Emma passou os braços pelos ombros de Sherlock e cruzou-os atrás da nuca dele, pousando as mãos no alto de sua cabeça enquanto continuava a rebolar.

Passou os dedos por dentro dos cabelos dele e puxou-o fazendo a cabeça dele inclinar-se um pouco para trás.

— Esse é o meu presente pra você. – Falou beijando-o, levantou e simplesmente saiu. – Payback, Sherlock.

Sherlock permaneceu com os olhos fechados, sentado na cadeira com a cabeça ainda inclinada para trás, a respiração pesada, a boca seca e o membro latejando dentro das calças.

Emma atravessou o salão até onde Franz estava e pegou uma taça de champagne com um dos garçons, quando ele estava indo embora pegou mais uma e deu um longo gole em uma delas, ela sabia o quanto custaria-lhe mais tarde quando fosse dormir sozinha, ter deixado Sherlock no salão ao lado.

— Resolveu? – Perguntou.
— Resolvi. E você?
— Também. Aconteça o que acontecer não me deixe sozinha com Navarro, entendeu? — Terminou a primeira taça e começou a beber a segunda.
— Pode deixar. – Falou batendo continência.

Nesse momento um dos empregados chamou-a com uma caixa pequena nas mãos e um envelope, ela ouviu Sherlock chama-la mas só deu atenção ao rapaz com a caixa.

— Senhora, um homem entregou esta caixa e disse que lhe entregasse em mãos assim que voltasse.
— Que homem? – Sherlock perguntou.
— Não consegui ver o rosto dele, estava contra a luz. Ele já foi.

Emma suspirou e pegou a caixa que ele entregava, assim como o envelope, abriu-o e começou a ler.


“Mademoiselle Boullan,
Feliz aniversário. Aceite este presente como prova de que entende o que é e o que virá a se tornar, espero que use como maneira de provar isto.
Aguardo-te na corte para ter comigo.

De seu fiel senhor.
HR”

Emma abriu a caixa e uma pulseira com três voltas de pérolas adornadas com diamantes e uma rosa também da mesma pedra, com um rubi no centro encarava-a de volta. Uma rosa Tudor.
A voz sumiu-lhe da garganta, ele estava ali todo aquele tempo e ela não sabia. Ouviu Sherlock chamar por ela e Emma apenas passou a caixa e o cartão para ele enquanto fechava os olhos tentando manter os pensamentos calmos e a respiração no compasso certo.


Notas finais
E então amores, o que acharam? Ficou enorme o capítulo não é? Por isso dividi tanto mas agora não tinha como dividir mais, ou era enorme ou era enorme kkkkkkk
Me contem tudo pfvr!

Obrigada aos novos leitores, sejam muito bem vindos! Um beijo pros favoritos q estão aumentando YAY kkkk tô muito feliz gente! *-*
Mais uma vez atualizando de madrugada, é um karma kkkk

Até logo menos amores, fiquem bem.

Qualquer coisa já sabem, só seguir no twitter e falar comigo. Pfvr se identifiquem como leitores p eu seguir vocês de volta ok?

Twitter: @priscasablancas

Beijos amores! :*