Titanium - O Que Resta Da Monarquia
35 Ameaças mútuas
Notas iniciais
— Tire suas mãos de mim. – Grunhiu a ordem puxando a mão dele que já encontrava-se entre suas coxas, o coche sacudindo ligeiramente enquanto atravessavam os portões.
— Tens a pele quente, macia... e o gosto... – Falou lambendo o pescoço dela e puxando-a para si. – Tens gosto de rosas, minha Anne. – Disse bem perto do ouvido de Emma enquanto ela tentava sem sucesso empurra-lo com as mãos fechadas em punho no peito dele. – Shhh. Não queres que vejam-te repudiando-me, não é mesmo? Sorria e cumpre teu papel. – Ele falou arrumando o corpo no assento e afastando-se um pouco dela.
Emma nada disse, apenas limpou o pescoço com as costas da mão, preenchida de um profundo e puro asco. Seu coração batendo forte, bombeando sangue descontroladamente, precisava de toda a concentração que pudesse reunir para não esmurrar o rosto daquele homem que ousava toca-la sem sua permissão. Seu peito subia e descia dentro do espartilho apertado de tal maneira que parecia a ponto de partir suas costelas em mil pedaços, respirava rápido, sem preencher os pulmões completamente, inteiramente alerta a qualquer movimento do homem ruivo ao seu lado.
Agora mais do que nunca, queria que aquele passeio acabasse logo e pegassem-no, acabando de vez com toda essa encenação, Emma nunca tivera paciência para tais coisas. Girou um pouco a cabeça para tentar ver Sherlock na terceira carruagem atrás da dela mas era impossível. Tinha certeza de que ele não vira quem estava com ela graças ao homem extremamente obeso sentado a sua frente no coche. Eles seguiam em linha reta mas em um determinado momento fariam a volta pouco antes de alcançarem os portões para voltar à Ala Tudor e Emma tinha a esperança de poder ver Sherlock e também de que ele visse quem era sua companhia.
Emma seguiu acenando para as pessoas que estavam ali para ver como a família real comportava-se e vestia-se no século XVI, britânicos tem a reputação de serem apegados a tradição, ao seu legado. Ao chegar no ponto em que a carruagem preparava-se para fazer a volta, ouviu ao longe, do outro lado dos portões, algumas pessoas gritando seu nome e acenou para eles.
Passou bem ao lado do carro em que Sherlock estava e ele pôde ver quem estava ao lado dela, fez menção de levantar-se, Emma imaginou-o pulando do carro em movimento e subindo no dela para encarar Henry; balançou a cabeça negativamente de forma discreta, olhando-o nos olhos. Apesar de ser quem fosse, precisava fazer com que este assunto fosse interno, qualquer movimentação em frente ao público exporia a situação.
Sherlock tirou o iphone do bolso e pôs-se a mexer nele, provavelmente fazendo algumas ligações. Emma encostou-se melhor, tentando respirar com calma, ainda acenando e sorrindo. Ao olhar de relance para o lado viu-o fazendo a mesma coisa, como sendo algo extremamente normal e comum para ele.
— Não tenhas esperanças de que ele afaste-te de mim. Ou que consiga capturar-me. – Disse sorrindo maliciosamente e algo naquele sorriso lembrou-lhe alguém que Emma não sabia dizer ao certo quem.
— O que você quer comigo exatamente? Diga de uma vez por todas.
— Tudo. Eu quero tudo, eu vou ter tudo. Te farei minha rainha e vais me dar o filho homem de que preciso. – Falou apertando a mão dela com força.
— Eu não sou a próxima na linha de sucessão, você não sabe contar? – Emma perguntou sem paciência.
— Este pequeno problema de numeração pode ser corrigido rapidamente.
— Se você fizer algo contra minha família... eu não conheço você, não sei quem você é mas eu não sou quem você pensa que sou. Você não me conhece, ameace minha família e você vai se arrepender.
— Sabes, é isto que tanto me puxou para ti. Esta tua impetuosidade, tua coragem de enfrentar-me quando sabes que jamais vai ganhar qualquer peleja comigo. Preciso de uma rainha forte mas será melhor para ti se fores completamente submissa, eu sou teu rei, me deves obediência.
— Te devo a ida para um hospital psiquiátrico, isso sim. – Emma disse fazendo Henry gargalhar alto. – Você está machucando minha mão. – Falou tentando puxa-la, sem sucesso.
— Na próxima vez que meus súditos te virem é melhor estares usando meu presente, dar-te-ei um belo motivo para baixares a cabeça e obedecer-me. – Falou e ergueu a mão dela já vermelha e dolorida até seus lábios e beijou-a demoradamente algumas vezes. – Veremo-nos em breve, minha tão minha Anne.
Levantou-se e pulou do carro em movimento, andando rapidamente para longe do cortejo, marchando em direção a lateral do palácio. Emma olhou para trás em busca de Sherlock mas já viu-o correndo na direção que Henry tomara.
— Sherlock...
— Vá pra casa Emma. Desça e vá direto pra casa, me espere. – Ele gritou as instruções enquanto corria.
A carruagem seguiu sendo puxada por dois cavalos brancos bem cuidados e vestidos. Quando finalmente parou, Emma desceu o mais rápido que conseguiu, em busca de Gibbs que dava ordens fazendo vários guardas correrem de um lado para outro, seguindo Henry e Sherlock e afastando de Emma os ocupantes das outras carruagens.
— Venha, senhora. – Gibbs falou tomando-a pelo braço e levando-a em direção ao carro. Emma agarrou a saia com as duas mãos e pôs-se a correr.
— Sherlock... quem está com ele?
— Os melhores, mandei todos. – Gibbs falou abrindo a porta para que ela entrasse com dificuldade devido a largura do vestido em relação a porta. – A Inteligência nos dará cobertura até seu apartamento e a Yard irá intervir.
Emma manteve-se em silêncio durante todo o caminho, rezava para que conseguissem pega-lo e acabar tudo aquilo antes que ficasse sério demais. Não movera-se, continuava na mesma posição desajeitada, olhando diretamente para as costas do encosto do banco do motorista, ao entrarem no estacionamento Gibbs estacionou bem diante do elevador e ajudou-a a sair do carro.
Quando encontrou-se em sua sala, Emma relaxou um pouco, tirou as mangas de pele, o capelo francês de sua cabeça e soltou os cabelos presos com grampos, sentou-se no sofá e esperou.
Passaram-se algumas horas e nenhuma notícia de Sherlock, serviu-se de algumas doses de whisky sem gelo e andava de um lado para outro, se continuasse daquela maneira abriria um buraco no chão que a jogaria direto sobre a sala do seu vizinho no andar de baixo.
Já apertava os olhos e sacudia a cabeça devido a quantidade excessiva de doses quando ouviu o barulho de chaves e correu até o hall com o copo vazio na mão. Sherlock entrou usando a mesma roupa de antes, a face rosada, parecia estar com frio.
— Finalmente. Porque não ligou? Pegaram ele?
— Não. Ele conseguiu fugir. – Respondeu.
— O... – Emma passava a mão pelo rosto tentando segurar a reação que teria a seguir. – Filho da puta. PORRA! – Gritou atirando o copo de whisky na parede, fazendo-o transformar-se em milhares de cacos de vidro e saiu andando na direção do seu quarto, sendo seguida por Sherlock.
Abriu a porta e entrou chutando os sapatos para longe, fazendo o vestido arrastar no chão e dificultar sua caminhada. Pegou uma das garrafas de bebida sobre a mesa lateral, abriu-a e pôs-se a beber a vodka direto do gargalo.
— Como ele conseguiu fugir? Como? – Emma perguntava mais à garrafa do que à Sherlock.
— Ele não está sozinho, ele tem ajuda, evidentemente.
Emma a essa altura já havia bebido metade do conteúdo da garrafa, como se fosse água, ela ingeria a vodka russa até Sherlock intervir, roubando a garrafa de sua mão e pousando-a na mesa para segurar a mulher que atirara-se contra ele para recuperar a bebida.
— Chega Emma. Você já bebeu demais. – Falou colocando-a de pé distante da mesa.
— Você tem um estoque de remédios pra ressaca no banheiro e vem me dizer quando eu devo parar de beber? – Perguntou andando até ele mais uma vez, pisando na barra do vestido e tendo o corpo jogado para frente. Se Sherlock não segurasse-a certamente machucaria-se com a queda. – AAAH!! – Gritou de raiva nos braços dele. – Tira essa porra de mim, Sherlock!
— Você precisa de um banho e de algumas horas de sono. – Falou virando-a para começar a desatar o espartilho. Em seguida abriu os botões do vestido, soltou a saia deixando-a cair no chão junto com o resto do vestido, a anágua, a túnica e por fim puxou a chemise por cima da cabeça dela, revelando que usava apenas uma calcinha.
— Vai ficar, não vai? – Emma perguntou chegando perto para ajuda-lo a tirar a própria roupa agora.
— Eu preciso das minhas roupas.
— Só? – Perguntou colocando a mão no bolso dele e retirando o iphone, buscou um número na agenda e fez a ligação. – Oi Mrs. Hudson, a senhora poderia fazer um favor à Sherlock? – Falou tentando ao máximo não parecer uma bêbada falando e enfiou a mão dentro das calças dele. – Uma pequena mala, com algumas roupas, algumas coisas para ele, mando alguém buscar. Ah... ok. Ok. Obrigada, Sherlock manda beijos. Você manda né? – Perguntou retirando a mão de suas calças e apertando o rosto dele, que não respondeu. – Ele manda sim. Oh... You’re hot. Damn hot. You hottie. – Falou sem desligar o telefone, jogando-o em qualquer lugar e jogando-se nele que segurou-a novamente para não cair.
— Banho.
— Banho depois ou banho contigo, que ‘cê quer?
— Eu vou te levar.
— Sacana.
— Anda, Emma. – Falou puxando-a e ela puxou-o para si. Sherlock ergueu-a e jogou-a sobre o ombro indo até o banheiro.
— You sexy bastard. – Emma falou gargalhando.
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