Titanium - O Que Resta Da Monarquia
36 A amante do rei
Notas iniciais
Música do capítulo: http://www.youtube.com/watch?v=ib-xgVpL4iY
Sherlock girou a válvula fazendo a água cair e empurrou Emma para baixo dela, mesmo sob seus protestos. Ela soprava a água fria que caia sobre seu rosto, tentando sair debaixo dela mas ele insistia em mantê-la lá.
— Emma, quanto você bebeu antes de eu chegar?
— Que importância tem? – Emma perguntou puxando-o pelos cordões que prendiam a calça no corpo dele. – Vem aqui. – Gemeu o pedido.
— Em... para. – Falou já completamente molhado e com a mulher pendurada em seu pescoço, a boca passeando por ele. – Não. Eu não posso.
— Sherlock.
— Você bebeu demais. Depois desse banho você precisa dormir. – Falou saindo do box para tirar as calças encharcadas e vestir um dos roupões de banho pendurados ao lado das toalhas, deu um nó na faixa ao redor de sua cintura, fechando-o e voltando para desligar a água e levar Emma de volta ao quarto.
Ela tremia por completo, abraçando o próprio corpo, inclinando-o para frente e para trás, a maquiagem borrada e os olhos semicerrados. Pegou uma das toalhas e envolveu-a com ela, abraçou-a por um instante tentando fazê-la parar de tremer e depois pôs-se a seca-la. Tarefa difícil já que Emma se não tremia, tentava puxa-lo.
Levou-a de volta ao quarto, sentando-a na cama alta para buscar em seu closet uma de suas camisolas, escolheu a primeira que viu ao abrir a gaveta e não poderia ter escolhido pior, estava tentando manter-se longe dela e pegara a pior combinação que poderia: transparência, renda e decote, além do fato de ser curta. Dentre as coisas que mais gostava no corpo dela, as pernas com certeza estavam no top 3.
— Vem aqui, vem. Para de ser ruim pra mim. Hum... cabelo molhado, eu gosto do seu cabelo molhado... você molhado... – Falou erguendo os braços para alcança-lo e Sherlock aproveitou-se disso para faze-la vestir a camisola. – Você deveria tirar minha roupa, não me vestir. – Falou com o olhar confuso.
— Você deveria vestir isso também. – Ergueu uma calcinha de cor diferente da camisola. – Fica quieta.
— Nããão. Calcinha é ruim. Não dá ace...ace...acessi... – Gaguejou.
— Acessibilidade. – Completou.
— É, põe não. Dá outra coisa pra mim. Dá... – Falou e puxou-o pela gola do roupão, beijando-o até ele debruçar-se sobre ela.
Emma abraçou-o com as pernas enquanto beijava e mordia sua boca, passeando as mãos dos cabelos molhados dele até arranhar suas costas por cima do roupão, depois descendo as mãos até estarem sobre as nádegas dele e puxar o tecido para cima, deixando-as a mostra e a ereção dele colada ao meio de suas pernas. Ao sentir o calor do contato com a pele dela, Sherlock tentou afastar-se mas ela puxava-o novamente para outro beijo a cada tentativa de fuga.
— Eu não posso. – Falou afastando seus lábios dos dela. – Não agora. Emma, eu não posso. – Disse com os olhos apertados e expressão de dor. – Você precisa de mim.
— Eu preciso. Agora.
— Eu não consigo pensar direito, você precisa de mim pensando, pela sua segurança. Com sexo eu não consigo pensar com clareza.
Emma choramingou, aparentemente convencida de que não adiantaria lutar.
— É melhor você dormir, eu tenho trabalho a fazer. – Falou com uma das mãos tocando-lhe o rosto. – Você precisa dormir. Faça isso.
Emma segurou-lhe pelo pulso para beijar-lhe a palma da mão algumas vezes. A sensação dos lábios dela tocando qualquer parte de seu corpo causava-lhe arrepios mas nada comparado ao que sentia quando a língua dela entrava em contato com a sua pele. Emma lambia a palma de sua mão e subia até seus dedos, colocando os dois maiores deles dentro da boca, empurrando a ponta deles para tocar suas bochechas algumas vezes, sem desviar seus olhos dos olhos de Sherlock, que apertava a lateral de sua cintura.
Tirou-os da boca e guiou-os por seu corpo até encosta-los ao seu clitóris, segurando a mão dele no lugar e esfregando-se um pouco neles.
— Pra fazer dormir bem. Não consigo dormir sem nada. – Falou e beijou-o novamente, desta vez com calma, com carinho, completamente entregue. Ansiava por aquilo como tinha necessidade de ar, quando sentiu os dedos dele começarem a mover-se foi como se uma onda de alívio percorresse seu corpo até o último milímetro e lava começasse a circular por suas veias. Agarrou o tecido do roupão e lutou contra a vontade de afastar seus lábios dos dele e gritar coisas impublicáveis.
Sherlock apoiou-se no braço livre para acarinhar-lhe os cabelos molhados enquanto esfregava os dedos nela. Parou de beija-la abrindo os olhos para olha-la tentando voltar ao beijo.
— Quantos você quer?
— Surpresa. – Foi o que conseguiu dizer.
— Você consegue ficar quieta? Não fazer barulho nenhum? Eu não posso perder a cabeça.
— Sim. – Nesse momento a lava já havia encontrado o álcool em suas veias e o que já queimava, triplicou.
Seguindo o número três, Sherlock introduziu um de cada vez fazendo-a morder os lábios para manter-se em silêncio. Mas seu corpo falava tudo por ela, o modo como arqueava-o, como puxava o roupão dele, como erguia o quadril para que não houvesse distancia entre a mão dele e ela.
Movia os dedos dentro dela sem pressa até vê-la esfregar a nuca no lençol e senti-la começar a tremer, aumentou a velocidade e viu-a abrir a boca.
— Por favor. Eu não posso. – Falou olhando fundo nos olhos dela, fazendo-a engolir em seco e passar a mão pelos cabelos dele. – Please, Your highness.
Ao ouvir isso, foi como se um tsunami atingisse Emma em cheio, com uma força fora do comum, sentiu seu orgasmo chegar e apertar os dedos dele a cada pequena pulsação, continuando quando houve um intervalo maior entre cada delas. No fim do orgasmo já podia sentir seu corpo sucumbir ao álcool em seu organismo e ao relaxamento instantâneo devido ao que Sherlock fizera.
Puxou-o para um pequeno beijo já com as pálpebras pesadas, deixando a perna escorregar no colchão até estar completamente esticada enquanto ele retirava os dedos de dentro dela e adormeceu com os lábios nos dele.
— Eu gosto de você, teimosa. – Falou para a Emma adormecida e beijou-lhe a boca novamente.
******
Era o dia de folga de John e após toda uma logística, Vivian conseguiu esvaziar toda a sua agenda, cancelando todos os compromissos e remarcando-os para as poucas horas que sobraram durante a semana. Não teria de comparecer a nenhuma audiência ou a alguma reunião importante. Só poderia ser um sinal de Deus para ela de que aquele dia seria perfeito e inesquecível. A ignorância dos seres humanos perante os possíveis acontecimentos ao longo de um dia, é de dar pena.
Mas de fato, aquele seria um dia inesquecível.
Marcaram de passar o dia juntos, começando pelo café da manhã no 221A, todo preparado por John. Mrs. Hudson passaria o dia mostrando a cidade para uma amiga vinda dos Estados Unidos e depois iriam ao teatro, deixando o flat somente para John. E Vivian. Mais um sinal de Deus, ponto para ele. Tudo conspirando a favor de um dia maravilhoso ao lado da mulher que ele apaixonara-se.
O cronograma seria o seguinte: café da manhã, passeio no Regent’s park, almoço em algum restaurante aconchegante e passar a tarde inteira trancados de volta no 221A. Aquele dia seria realmente atípico já que graças aos seus empregos não restava-lhes muito tempo, principalmente para Vivian que trabalhava de segunda à sábado, no horário comercial. A noite, muitas vezes John saia tarde do hospital e tão exausto que não fazia ideia de como conseguia chegar ao flat. Suas pernas teriam decorado o caminho e faziam-no mecanicamente todo fim de plantão, era a única explicação que ele tinha.
Acordara cedo e preparara o café da manhã completo para ela, incluindo o típico english breakfast, além de outras coisas. Arrumara a mesa com todo cuidado, pratos, talheres, xícaras, copos, guardanapos organizados quase milimetricamente. Pegara um dos vasos de Mrs. Hudson e colocara algumas flores dentro para deixar a mesa mais bonita. Vivian vinha de uma família abastada, estava acostumada a grandes eventos, grandes jantares, grande, tudo grande. E caro.
Mesmo que estivessem trabalhando isso juntos, John ainda enxergava um pequeno abismo entre os dois. Ela, uma proeminente advogada de um dos escritórios de advocacia mais respeitados de todo o Reino Unido, no qual seu pai era o dono, e ele, um capitão do Exército aposentado por invalidez (mesmo não estando mais inválido), médico da emergência de um hospital de médio porte de Londres. Vinha de uma família sem muitas posses, nada comparado ao império que a família Campbell detinha. Mas preferia não tocar nesse assunto, Vivian parecia ressentir-se todas as vezes que ele falava sobre a diferença social entre eles e sobre a diferença de idade entre os dois. Não conseguia enxergar o que vira nele, mas estava agradecido por tê-lo visto. Ela a cada momento mostrava-se estar acima de todas as expectativas dele, qualquer dia deveria ir à igreja (mesmo não sendo religioso) agradecer por não estar mais sozinho, por não estar mais deprimido e por Sherlock estar vivo. Mas essa última coisa, o detetive não precisava saber.
Vivian chegou bem na hora em que ele terminara de vestir-se e após uma rápida olhada no espelho para conferir se estava tudo bem com sua roupa, foi abrir a porta para ela.
— Oi. – Falou recebendo-a com um enorme sorriso. – Bom dia, está tão linda. Entra, por favor. Fique a vontade.
— Bom dia, John. – Disse retribuindo o sorriso e deixando-se ser beijada demoradamente na soleira da porta.
— Vem, fiz um pouco de tudo pra você. – Falou andando de mãos dadas com ela até a cozinha, depois dela deixar sua bolsa no sofá, e puxando uma das cadeiras para que ela sentasse.
— Wow. Você fez tudo isso? – Perguntou.
— Eu tenho alguns encantos. – Falou sorrindo e ganhou um pequeno beijo.
— Mais do que você pensa. – Vivian disse, depois fechando os olhos atrás das lentes dos óculos e ficando corada por ter falado sem pensar.
— Não mais do que você, amor. – Falou e ao ver o quanto ela ruborizara decidiu mudar o assunto. – Vamos comer? Quer que te sirva?
Após o café da manhã foram até o parque, conversaram, namoraram, sorriram e ajudaram um garotinho de quase três anos a encontrar seus pais, tendo afastado-se deles por causa de um balão. O garotinho chorava tanto que por pouco não conseguiram entender o nome dele e o que tinha acontecido, por sorte, ele usava uma pulseira de metal com o nome dele, dos pais e os telefones para contato. Vivian fez a ligação para seus pais enquanto ele tremia no colo de John, que tentava nina-lo mudando o peso do corpo de uma perna para outra e tentando conversar com ele. Só conseguiu fazê-lo parar de chorar quando pegou a carteira e mostrou a credencial de capitão.
— Está tudo bem, vê? Aqui diz que sou do exército. Vou devolver você pra mamãe e pro papai, não precisa chorar. – Falou entregando para ele enquanto andavam, os pais do menino estavam procurando-o do outro lado do Regent’s park.
— Tio é soldadinho? – Perguntou com o rostinho lavado de lágrimas.
— Um pouquinho mais que soldadinho.
— Eu tenho dois soldadinho. – Falou mostrando dois dedinhos e depois batendo palminhas. – Tio é soldadinho! – Falou fazendo John e Vivian rirem.
Fizeram o caminho ouvindo o menino falar e rindo com ele, Vivian observava atentamente o modo como John cuidava daquela criança que nunca havia visto na vida até então. Era genuinamente carinhoso com ele, paciente, tentando acalma-lo a todo custo, sempre lembrando que estavam indo encontrar os pais dele. Era lindo ver a maneira como ele sorria, como olhava para o chão tomando cuidado para não tropeçar e derrubar o garotinho.
— Qué mamãe.
— Estamos pertinho, Brian. Vamos fazer um acordo?
— Tá. – Falou tirando da boca o pirulito que Vivian encontrara na bolsa e depois colocando-o de novo.
— Promete não sair de perto da mamãe e do papai de novo?
— Pomete.
— Sabe como promete? Assim, olha. – Fez uma continência e o garotinho imitou com a mãozinha gorda. – Legal, Brian!
Ao encontrarem os pais do garoto entregaram-no e ouviram os agradecimentos misturados com choro no abraço apertado que receberam, tanto do pai, quanto da mãe de Brian. Antes de ir embora John apertou a mãozinha dele e Vivian beijou sua testinha, ele foi no braço do pai e eles acenaram para ele, que acenou de volta e depois fez uma continência olhando para o “tio soldadinho”. John retribuiu e sorriu para ele, Vivian abraçou-o e deu-lhe um beijo. Mais uma coisa dando certo naquele dia.
Almoçaram e estavam caminhando para pegar o carro e voltar para o 221A quando uma van passou voando por cima de uma poça de água molhando-os e manchando o vestido que Vivian usava.
— Filho da mãe! – John gritou.
— Está tudo bem. Eu tenho outra roupa no carro, não esquente a cabeça com isso, ok? Vamos.
— O cara quase nos leva junto com ele! E nos deu um banho de lama.
— Deixa pra lá. Eu iria na loja trocar a roupa mas acho que vou ter que ficar com ela. – Falou entrando no carro.
Chegando a Baker Street Vivian pegou a sacola no banco traseiro do carro e entrou junto com John no flat, ele levou-a até o banheiro de seu quarto para que ela trocasse de roupa e avisou que faria o mesmo e depois iria fazer chá para que tomassem enquanto assistiam TV. Ela entrou no banheiro e tirou a roupa suja, dobrou-a e guardou na sacola em que antes estava o vestido que pretendia trocar. Limpou-se, arrumou os cabelos escuros em um coque e colocou o vestido de alças, tentou sem sucesso fechar o zíper em suas costas sozinha, então abriu a porta do banheiro timidamente, procurando John no quarto, ele já havia ido para a cozinha. Saiu do banheiro e chamou por ele enquanto passava os olhos pelo quarto dele com mais atenção.
Meticulosamente bem arrumado, nada fora do lugar, poucas coisas pessoais que dessem realmente a entender que alguém dormia todos os dias naquele quarto. Exceto por três porta-retratos, um com uma foto antiga de John com um casal de senhores que pela semelhança nos traços, deveria ser os pais dele; outro com uma foto de uma mulher loira, de cabelos ondulados e olhos azuis e por fim um com uma foto dele junto com Sherlock e Mrs. Hudson. Sorriu ao ver a expressão de indiferença dele, enquanto a senhora e John sorriam para a câmera.
— Oi, precisa de alguma coisa? – Perguntou entrando no quarto com uma bandeja contendo duas canecas de chá e alguns biscoitos, colocou a bandeja no criado mudo antes de olha-la.
— Eu preciso de ajuda com o vestido. – Falou com as maçãs do rosto avermelhadas.
— Oh... ok. – Falou andando até ela, que virou-se mostrando o zíper que precisava ser fechado.
— Porque você tem poucas coisas suas expostas? Desculpe a pergunta.
— Não tem problema. Acho que algumas coisas da época do exército eu não consigo me libertar, não podíamos levar muita coisa ou expor muito, mudávamos sempre. – Falou fechando o zíper do vestido e abraçando-a por trás.
— Quem são? – Apontou para as fotos.
— Meus pais, minha irmã Harriet e você já conhece Mrs. Hudson.
— O Sherlock também está ali.
— Não está mais. – Falou virando o porta-retratos de costas, fazendo Vivian rir. – Porque queria trocar esse vestido? Eu gostei dele. – Falou e beijou o ombro dela.
— Mesmo?
— Sim. – John percebeu a timidez na voz dela. – Vamos ver TV?
Assistiram algumas coisas, conversaram, beberam chá sentados na cama e quando nada mais chamava a atenção deles na tela, fixaram seus olhos uns nos olhos do outro e se falaram pelo olhar, deitados de lado, John tocava com a ponta dos dedos o braço dela até não conseguir mais ficar longe e beija-la com desejo. Vivian retribuiu de maneira tímida e pôs a mão na nuca dele.
A medida que as coisas iam acontecendo, ela ia ficando mais ofegante e passeava os dedos entre os cabelos dele, enquanto John beijava-lhe o pescoço e fazia as alças do vestido dela deslizarem pelos ombros. Estava entre as pernas dela e fazia suas mãos subirem por elas até estarem em suas coxas e levantarem seu vestido um pouco, encostou seu quadril no dela e ao sentir a ereção dele, Vivian tentou afasta-lo.
— John, para.
— O que foi? – Perguntou beijando-a na boca.
— Para. Eu sou virgem.
Ao ouvi-la dizer isto John afastou-se dela sentando-se na cama. Vivian voltou a baixar o vestido e erguer as alças caídas em seus braços.
— Você está falando sério? – Perguntou.
— Claro que sim! – Respondeu com o rosto todo vermelho e levantou-se da cama, pegando seus sapatos, o cardigan e abrindo a porta do quarto.
— Vivian, onde você vai? Está tudo bem. Me desculpa. – Falou indo atrás dela.
— Por favor não me segue. Me deixa sozinha. – Disse batendo a porta do 221A.
Entrou no carro e jogou as coisas no banco do carona, precisava ir para casa, esconder-se em seu quarto e ficar lá por dias. Nunca sentira tanta vergonha em toda sua vida. Qual o problema dos homens? Será que nunca haveria um que acreditasse no que ela dizia? Que não desdenhasse disso?
Já era noite e chovia, fez o caminho para casa o mais rápido que pôde, até que em uma rua deserta um guarda de trânsito mandou que parasse e baixasse o vidro.
— Algum problema? – Perguntou.
— Documentos, por favor. – Pediu e ela entregou-lhes. – Desça do carro.
— O quê? Só pode ser algum engano, está tudo certo com a documentação. – Falou abrindo a porta, aquela noite não poderia ficar pior.
— Tinha de ter certeza se era você. – Disse tampando a boca dela com um pano úmido e arrastando para o carro da polícia. Vivian tentou se defender, debatendo-se mas seus olhos pesavam, estaria desacordada em poucos segundos. O homem jogou-a no banco de trás e deu partida no carro, deixando para trás o Jaguar dela com a porta do motorista aberta.
******
Emma estava tomando seu chá de camomila para acalmar os nervos, a recusa de Sherlock em chegar perto dela estava deixando-a de mal humor. Passara o dia inteiro em silêncio, sentado na poltrona da sala de dela, a única coisa que ouvira ele resmungar era o fato dela não ser tão confortável como a sua.
Sentou-se no sofá para beber o conteúdo fumegante do bule e tentou não dirigir seus olhos para ele. Grace veio até ela com a expressão preocupada e um papel amarelado em suas mãos, reconheceu-o pelo lacre de cera e arrancou-o das mãos dela, quase derrubando a xícara no chão. Abriu e reconheceu a caligrafia fina e rebuscada.
“Mademoiselle Boullan,
Vossa irmã servirá bem à mim enquanto decides vosso destino. Farei dela minha amante enquanto estiveres longe da Corte.
Quando decidires-te use a jóia que presenteei-te e saberei que obedeces-me, que virás para junto de mim e Mary não será mais necessária.
Espero que a reputação dela à corte de França sejam apenas calúnias e que permaneça pura e recatada, como deve ser.
Deixo à ti o meu coração, devotado e fiel, faças-o teu e sejas minha.
HR.”
Terminou de ler e levantou-se para falar com Sherlock.
— Leia isso. LEIA ISSO! – Gritou batendo no rosto dele para que prestasse atenção nela e pegou o papel das mãos dela. Emma pegou o iPhone e ligou para Vivian imediatamente mas após alguns toques ouviu a voz da melhor amiga, sua irmã, anunciando que a ligação entrara para a caixa postal.
— Vivian. – Sherlock falou após terminar de ler.
— Ela não atende. O que esse homem vai fazer com ela... Sherlock, ela é virgem. – Falou para ele e virou-se para Grace. – Ligue para minha mãe e diga pra ela arranjar um evento o quanto antes.
— Emma, você não vai fazer isso. – Ele disse erguendo-se.
— Não interessa o que ele pode fazer comigo, ele não pode tocar nela.
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Vivian acordou encolhida no chão frio, ouvindo vozes aproximando-se dela e manteve os olhos fechados. Seu coração batia a mil por hora, lutava contra o tremor que teimava em apoderar-se de seu corpo enquanto ouvia passos firmes chegando próximo dela.
— Ela vai servir. Não é tão bela quanto minha Anne, mas servirá. – Um homem falou perto dela, parecia estar abaixado ao seu lado e retirou uma mecha de seus cabelos do rosto. – Vistam-na e deixem-na preparada para receber-me quando me for oportuno.
— Yes, Your majesty.
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