Titanium - O Que Resta Da Monarquia
33 Adolescência
Notas iniciais
Música do capítulo: http://www.youtube.com/watch?v=HQEZ-RiW7X0
Emma olhava de Sherlock para Irene, que olhava-o nos olhos, analisando suas feições, a mulher permanecia relaxadamente sentada na cama dele, de pernas cruzadas, o tronco levemente inclinado para frente em demonstração de interesse ao que ela encarava.
As mãos pousadas sobre os joelhos separaram-se, restando uma no lugar e outra apoiando a palma no colchão, inclinando agora o tronco dela para trás, de maneira a exibir seu corpo para Sherlock, que tinha a sobrancelha arqueada, e mantinha os olhos na altura do rosto dela, parecendo de fato não importar-se com o que acontecia do pescoço para baixo.
— O que você quer?
— Você sabe o quê. – Falou tirando os olhos dele e passando-os pela cama. – Continua macia como eu lembrava. – Disse voltando a encara-lo, esfregando a palma da mão no lençol.
Emma que estava de pé ainda observando a situação, jogou o peso do corpo de uma perna para a outra mas não cruzou os braços, como qualquer outra pessoa faria em uma situação constrangedora como aquela, para se resguardar. Tudo o que usava era uma toalha enrolada a seu corpo porém mantinha os braços relaxados, apesar de por dentro estar queimando por completo. Se havia uma coisa que ela não achava agradável era outra mulher sentada na cama do seu namorado. Ainda era estranho pensar nele dessa forma, mas era o que de fato Sherlock era, seu namorado, não importava se o fosse apenas a algumas horas.
— Se quer meus serviços profissionais, ligue amanhã no horário comercial e marque um horário. Não atendo ninguém depois das nove da noite. Agora me acompanhe, por favor. – Falou apontando para a porta e a mulher não moveu-se.
— Não é bem desses serviços que preciso.
— Irene... – Chamou-a e finalmente ela levantou-se, ao passar por Emma apenas esquadrinhou-a com um olhar dos pés à cabeça, que foi respondido com um impenetrável olhar de quem mira o nada passar e não se importa com ele. – Eu já volto. – Sherlock deu o primeiro passo para fora do quarto e voltou de costas girando o corpo para ficar de frente para ela e beijou-a rapidamente. Piscou algumas vezes meio desconsertado e voltou a sair do quarto, seguindo pelo corredor até a porta da sala.
— Sherlock...
— O que faz aqui? Porque voltou? – Perguntou abrindo a porta para ela.
— Em poucos meses ela já está tentando te matar. – Falou erguendo a mão para tocar seu rosto, Sherlock agarrou seu pulso antes que tivesse a chance de toca-lo. – Você tem que fazer reverência e pedir autorização para chegar perto dela toda vez que vai toca-la?
— O que você quer?
— É tão difícil deduzir? O mundo está se despedaçando e ruindo ao nosso redor e só o que quero é jantar com você. – Ela jogava com todas as armas que possuía para atingi-lo em cheio. – Janta comigo?
— Não. – Respondeu depois de fingir pensar no pedido e empurrou-a porta a fora, fechando-a em seguida sem despedidas.
Voltou para o quarto e encontrou Emma de pé em frente a sua mala aberta sobre a poltrona, vestida apenas com uma lingerie delicada de renda preta, que contrastava com sua pele alva, viu-a entrar em um vestido de estampa geométrica em preto e roxo e o tecido deslizar por seu corpo aos poucos cobrindo a roupa de baixo e escondendo a curva da sua cintura que acabava em um quadril largo bem desenhado. Pôde ver no corpo dela as marcas que suas mãos deixaram na noite anterior e não conseguiu deixar de sentir que queria-as novamente acariciando a pele macia, deslizando livremente até fazê-la tremer e prender a respiração colada a ele.
Caminhou silenciosamente sentando-se na cama para assisti-la, viu-a levantar as alças do vestido e fechar o zíper entre os seios. Pegou um cardigã cinza e vestiu-o, depois puxando o cabelo de dentro do tecido, jogando-o para trás, serpenteando no ar por meio segundo para em seguida cair em uma cascata às suas costas. Somente após o ronronar de Sherlock, Emma percebeu que não estava sozinha.
— Ela já foi? – Perguntou sentando-se ao lado dele na cama, que confirmou com a cabeça e piscou algumas vezes olhando para o nada e deitou-se ainda com os pés no chão, Emma fez o mesmo, agora ela olhando para o teto. Um silêncio perpétuo tomou conta do quarto de modo que os ouvidos dela começaram a zunir enquanto sua mente trabalhava. – É ela?
— Ela o quê? – Sherlock perguntou virando o rosto para olha-la.
— Quando eu perguntei, você disse que eu não fui a primeira.
— Ah... não foi ela. Foi muito antes de eu conhecê-la, muitos anos antes.
— Você era adolescente?
— Era.
— Vocês namoraram?
— Não, não foi assim. – Viu-se erguendo o olhar para o lado esquerdo, recordando o que acontecera entre ele e Jane Dormer.
*******
Sherlock fora passar o natal em casa depois de meses sem sair dos domínios do colégio, evitava ao máximo estar no convívio de seu pai e Mycroft, que tentava a todo custo ser uma cópia do velho Siger Holmes. Conseguia manter-se distante durante praticamente todo o ano mas no período das festas não tinha escapatória, sua mãe fazia questão de sua presença e conhecia-o melhor do que ninguém, nenhum estratagema era capaz de fazer com que Violet Holmes ficasse longe dele.
Como de costume sua mãe fora sozinha busca-lo com o motorista, apesar da pouca idade, ele já exibia traços definitivos de sua personalidade, a eterna feição blasè e o nada escrito nos olhos.
A viagem manteve-se silenciosa até que sua mãe já cansada do silêncio palpável, quebrou-o.
— Sherly, eu sei que você preferia ficar estudando mas eu sinto sua falta. Eu sou sua mãe, será que eu não tenho o direito de ter você por perto ao menos nessa época?
— Mãe...
— Eu sei o que você vai dizer. Sherlock, ele é seu pai. Ele ama você. – Viu-o abrir a boca e interrompeu-o. – Tanto quanto ama seu irmão. Por favor, só esteja lá por mim. Fique esses dias comigo e depois volte, por mais que me doa, vai passar rápido. – Disse passando a mão pelo cabelo encaracolado dele.
Chegando a propriedade georgiana dos Holmes, foram recebidos pela empregada que abriu a porta e cumprimentou Sherlock, dando-o boas vindas.
Viu seu pai subir as escadas parando no topo para olhar quem chegara, apenas virou o rosto, olhou-o e voltou a andar.
— Siger... – Violet disse. – Ele deve estar apressado, algum problema com a colheita. Vamos colocar suas coisas no seu quarto.
Apesar da pouca idade, Sherlock já exibia o intelecto apurado mas nunca conseguira entender o que fazia sua mãe continuar ligada aquele homem. Subiram as escadas e abriram a ultima porta no final do corredor, nada mudara desde a última vez que estivera ali no ano passado. Os livros de ciências ainda estavam na prateleira, o quadro com a tabela periódica pendurado na parede. Puxou a cortina para olhar aquela vista que conhecia tão bem, viu Mycroft de pé conversando com uma mulher loira, que parecia ser apenas alguns anos mais nova do que ele.
— Quem é aquela com Mycroft?
— Jane Dormer, nossa vizinha nova. Ela parece ter um interesse diferente por Mycroft.
E foi assim que Sherlock viu Jane pela primeira vez.
As refeições dos Holmes eram regadas a um silêncio interminável, mudando apenas quando Jane fazia-as com eles, Mycroft parecia mais feliz e falava mais com ela por perto, Violet conversava mais, Siger e Sherlock apenas observavam.
Ele percebeu a maneira que Jane olhava-o, apesar de mais velha que ele, por vezes tentara conversar mas sem sucesso, Sherlock apenas terminava sua refeição e voltava para o quarto.
Na noite de natal os Holmes fizeram uma festa para reunir alguns amigos de trabalho de Siger e alguns poucos chegados, entre eles Jane e sua família. Sherlock mais cedo naquele dia havia tido uma briga com Mycroft, o que deixou sua mãe aborrecida. Como regra da família, por ele ter apenas quinze anos, bebidas alcoólicas só eram permitidas em ocasiões especiais, então estava ele terminando sua quarta taça de vinho quando viu Mycroft ao lado de seu pai. Diferente de Sherlock, tinha as feições semelhantes a de Siger, os cabelos avermelhados no mesmo tom, o rosto com as mesmas linhas, os olhos feitos do mesmo azul.
Encheu mais uma vez sua taça e subiu as escadas sem despedir-se de ninguém, sua mãe estava ocupada entretendo os convidados.
Abriu a janela de seu quarto no escuro e deixou que a brisa fria entrasse, sentou-se no parapeito, virou o líquido quase que de uma vez garganta abaixo enquanto olhava o céu nublado. Sentia o calor que o álcool proporcionava a seu corpo, a cabeça começando a pesar quando ouviu a porta do quarto sendo aberta.
— Eu quero ficar sozinho, mummy.
— Não sou sua mãe.
— Quem é? – Perguntou franzindo a testa, virando o rosto em direção a porta e apertando os olhos contra a luminosidade que entrava pela porta aberta.
Por segundos a pessoa não respondeu, apenas fechou a porta atrás de si e aproximou-se dele. Pousou as mãos em suas coxas e colou os lábios nos dele.
— Jenny? – Perguntou vendo agora de quem se tratava.
— Jane, Sherlock. Venho aqui quase todos os dias e você ainda não sabe meu nome.
— Nomes são entediantes. O que você quer? – Perguntou apenas por perguntar, sabia exatamente o que ela pretendia entrando ali.
— O que eu quero? – Perguntou puxando-o para ficar de pé e levando-o para sentar-se na cama. – Tenho vindo aqui todos os dias ver você e ainda não entendeu o que eu quero. Você é inocente, Sherlock. Eu gosto disso. Você está sempre tão triste. – Falou levantando o vestido e sentando-se de frente para ele em seu colo. – I want to make you happy.
O álcool retardou sua reação e quando percebeu Jane já tinha seu pênis nas mãos enquanto lambia o pescoço dele e balbuciava como seu membro era grande. Beijou-o enquanto levava-o até bem próximo dela e fazia-o penetra-la. Sherlock gemeu sofridamente dentro da boca dela e Jane sorriu fazendo-o preenche-la.
Desceu as alças largas de seu vestido revelando seus seios e viu-o encara-los, pegou-o pela nuca devagar, entrelaçando os dedos nos cachos dele e levou sua cabeça até estar próxima o suficiente para que Sherlock tocasse-os com os lábios. Fez com que as mãos dele subissem por suas coxas até agarrarem seus quadris e moveu-se devagar, empurrando o quadril para trás e para frente.
Começou então a mover-se mais rápido e sentiu ele morder seu seio e subir uma das mãos para agarrar seus cabelos, puxando sua cabeça para o lado, pousando-a em seu ombro. Apertou-a contra si com um dos braços, começando a gemer enquanto encarava o quadro da tabela periódica pendurado na parede do outro lado do quarto.
*******
— Vocês já tiveram algo?
— O quê? – Perguntou Sherlock tirando os olhos do quadro da tabela periódica pendurado na parede ao lado da porta.
— Você e Irene?
— Não. Mas ela parece achar que sim.
— Quem foi?
— Uma vizinha. – Respondeu entendendo a quem ela se referia.
— Quem diria. – Falou sorrindo.
— E você?
— Um primo.
— Harry? – Sherlock perguntou de supetão.
— Ele foi o meu primeiro beijo, eu tinha 10 anos. – Emma respondeu rindo, virando de lado e acarinhando o topo da cabeça dele. – Eu tenho muitos primos, Sherlock. – Falou jogando a perna sobre ele e sentando-se sobre o quadril dele.
— Sabe, eu fui proibido de dormir por algumas horas.
— Dear, eu acho que conheço um jeito ou dois que vão te deixar acordado. – Falou tirando o cardigã enquanto se esfregava sentada no quadril dele e Sherlock abria o zíper entre os seios dela para em seguida puxa-la para um beijo. Abraçou a cintura dela com um dos braços e agarrou uma das coxas dela com força, virando-a rapidamente na cama, ficando entre as pernas dela. Desceu as alças do vestido pelos ombros dela, abriu o restante do zíper e foi com a boca procurando seus seios.
— Você não precisa disso. – Falou puxando com força o sutiã dela para baixo, agarrando um deles e lambendo-o.
*******
Quando finalmente pararam, Sherlock abraçou-a sonolento pela cintura e adormeceu com o rosto entre os seios de Emma. Ela colocou os braços ao redor dele, aninhando-o no seu abraço e deixou que suas pálpebras pesadas fizessem o seu trabalho, fechando seus olhos e levando-a a um sono tranquilo, sem sonhos. Era o que Emma imaginava que teria.
Estava com a cabeça no colo de Navarro mais uma vez, Sherlock ao seu lado com o rosto enterrado na curva do pescoço dela, passeando as mãos grandes pelos seus seios enquanto Emma gemia baixo sentindo as mãos deles pelo seu corpo. Sentiu algo pesar aos seus pés e abriu os olhos, estava em um quarto diferente, iluminado apenas por velas e pouco conseguia ver do que havia ao seu redor, deitada em uma cama de dorsel feita de uma madeira escura, talhada com flores e folhas.
Um homem com a aparência idêntica ao Henry VIII que surpreendera-a no restaurante vinha completamente nu engatinhando em sua direção e ao contrário do que Emma queria, ergueu a mão em direção a ele e chamou-o com ela. Queria gritar, sair correndo, mas tudo o que fez foi chama-lo. Olhou para Navarro e Sherlock na esperança de que fizessem alguma coisa, que afastassem aquele homem dela mas nada fizeram, continuaram o que estavam fazendo como se nada de incomum estivesse acontecendo.
O homem ruivo olhava-a com os olhos de um azul feroz, deitando-se sobre ela e tocando-a com as mãos grossas. Abriu suas pernas e esfregou a ponta do pênis no clitóris dela fazendo-a estremecer para depois penetra-la com força enquanto apertava o rosto dela com uma das mãos, fazendo-a abrir a boca e sentiu-o morder seu lábio inferior enquanto se movia pausadamente dentro dela.
— Você é minha. – Disse olhando-a nos olhos e aumentou a velocidade com que a penetrava, fazendo Emma gemer e agarrar seus ombros.
Três pares de mãos passeavam por ela enquanto era penetrada com força e sem pena. Sentia sua vagina já apertando o membro de Henry quando os homens começaram a falar em sintonia.
— Te quiero, chica.
— I love you, Emma.
— I love you, Anne.
Emma acordou com a testa suada, o coração disparado, tremendo de medo e olhando ao redor. Sherlock reclamou com o rosto entre os seios dela, apertando-a ainda adormecido.
Ela suspirou profundamente tentando manter a calma e beijando a testa dele ainda coberta pela atadura. Fechou os olhos novamente repetindo milhões de vezes “Sherlock está comigo, está tudo bem. Calma Emma.”
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