Titanium - O Que Resta Da Monarquia
34 Hampton Court
Notas iniciais
Música do capítulo: http://www.youtube.com/watch?v=dTGGN6S6Vl4
Deitada na cama, nua sob os cobertores que pesavam sobre seu corpo e ainda de olhos fechados, ela despertava lentamente. Espreguiçando-se e ao mesmo tempo buscando Sherlock na cama, mas mais uma vez não encontrou-o deitado ao seu lado. Ele dormira pouco, apesar de Emma tê-lo acordado algumas vezes durante a madrugada buscando desesperadamente por ele. Abriu os olhos lentamente, piscando algumas vezes para acostumá-los a claridade vinda da janela lateral, apertou ligeiramente os olhos e viu-o de costas e teve certeza de que ele estivera andando de um lado para outro no quarto, usando o robe azul jogado sobre os ombros, sem estar atado.
Sussurrava com a voz grave algumas palavras que ela não conseguia entender enquanto mexia os braços e coçava a cabeça. Emma não sabia dizer se aquilo se tratava de um diálogo interno ou se alguma outra coisa acontecia, ainda não conseguira chegar ao nível de conhecimento para compreendê-lo por completo.
Virou-se para continuar sua maratona pelo chão do quarto, agora de frente para ela, Emma conseguiu ver que aquele robe era a única coisa que ele usava. Desapertou os olhos imediatamente para poder contemplar o que via com clareza, ele vinha com o robe aberto, mostrando o corpo despido sob o tecido, andando até a cama. Ela passeava os olhos por toda a extensão daquele corpo, devorando-o com o olhar, registrando na memória cada detalhe, começava a sentir suas entranhas vibrarem a cada passo que ele dava. Ao chegar próximo a cabeceira da cama girou nos calcanhares e estava pronto para continuar a andar quando Emma esticou a mão e tocou-lhe a coxa.
— Good morning.
— Hu... good morning.
— O que está fazendo?
— Divagando. – Falou continuando a andar.
Emma esperou que ele girasse novamente nos calcanhares para levantar da cama e abrir a porta do banheiro, não sem antes lançar-lhe um olhar que no mínimo era um convite. Encarou-o por tempo suficiente para vê-lo esquadrinhando-a e entrou no cômodo.
Sherlock pareceu hesitar por um instante mas tão logo a viu, andou em direção ao banheiro, entrou e bateu a porta atrás de si.
Agora era ele que parecia devorá-la com o olhar, o semblante era o de um eterno conflito. Parecia travar uma batalha interna entre o que deveria fazer e o que queria fazer. Durante anos manteve-se distante de tais distrações para que seu raciocínio não fosse prejudicado, e agora quando deveria usar seu intelecto para resolver o enigma ligado a ela, seu organismo, sua mente, seu corpo, se recusavam a obedecê-lo, desejavam-a incessantemente. Constantemente e desesperadamente.
Fez o robe deslizar por seus ombros e restar caído ao chão sem preocupar-se em recolhe-lo ou pendurá-lo atrás da porta. Caminhou até o pequeno Box observando a água correr sobre os cabelos ruivos de Emma, tornando-os uma cachoeira vermelha colada as costas dela. As marcas arroxeadas no corpo dela ainda podiam ser vistas, precisava tomar cuidado ao demonstrar sua força durante o ato. A porta de vidro abriu rangendo ligeiramente, fazendo ela girar o corpo para encará-lo por entre a água que caia. Sherlock entrou fechando a porta atrás de si e puxando-a para perto pela nuca, viu-a ficar nas pontas dos pés para aumentar alguns centímetros em sua pouca altura e encará-lo com os olhos limpos de um azul vivo. Colou seu corpo ao dela sem desviar o olhar e aproximou-se o suficiente para que seus lábios roçassem ligeiramente.
— Você é linda. E não me deixa pensar. – Falava com a boca praticamente colada a dela.
— Tem momentos em que você pensa demais. – Disse com um leve sorriso no canto da boca.
E lá estava o que ela esperava ver, o que vira em todas as vezes que eles estiveram juntos, chamas no fundo dos olhos de Sherlock. Então ela mordeu o lábio inferior dele para em seguida sugá-lo e soltá-lo com estalo. Sentiu Sherlock envolver sua cintura com um dos braços, encosta-la no azulejo frio que revestia a parede e introduzir sua língua quente na boca entreaberta de Emma. Seus corpos reagiam a cada movimento que suas línguas faziam, Holmes a cada momento a apertava mais contra a parede gelada e ela agora estava de pé sobre os pés dele.
Começara a morder o queixo dela e passeava com a boca até a base do seu pescoço, Emma já gemia ligeiramente. Empurrou-o pelos ombros e ele afastou-se sem entender a causa do repúdio. Ela desceu de seus pés e pôs-se a beijar o peito dele, o abdome reto, os poucos pelos que ele tinha abaixo do umbigo e finalmente ajoelhando-se no cubículo que era aquele box para pegar seu membro e coloca-lo lentamente na boca. Sherlock reagiu soltando um pequeno “Oh” que por pouco não foi encoberto pelo barulho da água caindo.
Ela colocou-o na boca e retirou-o completamente por diversas vezes, beijando a ponta primeiro ternamente e depois como faria se estivesse beijando-o na boca. Sherlock segurou-a pelo cabelo molhado e tentava a todo custo fazer com que a cabeça dela ficasse mais perto, que colocasse-o novamente para dentro. Então o fez, colocando-o na boca enquanto passava a língua na parte inferior do pênis dele, a medida que ele percorria o caminho até sua garganta. Emma segurava-o pelos quadris, podia sentir seu corpo estremecer e via-o gemer de olhos fechados, deixou que a ponta do pênis dele tocasse o início de sua garganta e fez o movimento de engolir, fazendo-o descer por ela.
Sherlock espalmou a mão livre na parede para apoiar-se enquanto grunhia segurando-a pelos cabelos. Tremia sob as mãos de Emma, chamava o nome dela dizendo que não precisaria de mais nada, estava prestes a ter um orgasmo e o fato de ela não tirar os olhos dele não estava ajudando. Então, ofegando tirou-o lentamente da garganta e pôs-se a lamber toda a ponta enquanto usava as mãos para masturbá-lo. Puxou seus cabelos com mais força e ela sabia que estava próximo, continuou até ouvir os gemidos aumentarem do mesmo modo que aumentava todas as vezes que ele tinha um orgasmo e parou o que fazia, tampando com o polegar a saída do pênis dele. Sherlock ofegava e olhava para ela sem entender, puxando os cabelos dela como nunca havia feito até aquele momento.
— What are you doing? – Falava pausadamente. – Emma...
— Nope. – Falou ainda com o polegar impedindo que seu esperma saísse e lambendo ao redor.
— Fuck. Damn. Emma. Let me... let me...
— No. – Respondeu com a boca próxima ao membro dele.
— Please.
— I said no. – Falou depois de ouvi-lo gemer baixo o pedido.
— Please. Your Highness.
Emma parou o que fazia para olha-lo minuciosamente enquanto ficava de pé.
— What you said? – Não conseguia acreditar. Ela nunca disse à ninguém, apenas Navarro sabia o poder que aquelas palavras tinham sobre ela nesses momentos e ainda assim Sherlock havia dito.
— Please... Your highness. – Disse encostando a testa na dela.
Emma tirou o polegar que impedia-o de atingir o clímax e continuou a masturba-lo enquanto ele apertava sua cintura com força, apertando os olhos, fazendo bico ao sentir o que estava chegando. Ela nunca havia ouvido-o grunhir tão alto e com tanta força até então, ficou com o membro pulsante em suas mãos, ligeiramente menor depois de um orgasmo tão intenso e um Sherlock ainda gemendo com a boca a poucos centímetros da sua. Ele beijou-a fazendo com que ela largasse seu pênis e agarrasse seus braços. Envolveu a cintura dela com um deles e ergueu-a para que abraçasse-o com as pernas e voltou a encosta-la na parede, agora ela veria e sentiria ele se vingar.
******
— Aonde você vai? – Perguntou deitado na cama, com o cobertor cobrindo apenas seu baixo ventre.
— Trabalhar. – Falou fechando a camisa preta dentro da calça floral e calçando as botas de cano curto. – E você deveria fazer o mesmo, eu posso ligar para alguém e denunciar que você não está cumprindo com o acordo. – Soltou os cabelos e passou um balm nos lábios para protege-los do frio. – Levanta Sherlock! – Puxou o cobertor e soprou um beijo para ele enquanto saia rumo a porta da rua.
Trabalhou normalmente na ONG, até com mais afinco do que o normal mas a hora do almoço aproximava-se e o café da manhã mal tomado dentro do carro a caminho de lá não a sustentaria por muito tempo. Sabia que Sherlock estava lá dando aulas, o porteiro avisara-a e ainda transmitira o recado que ele mandara.
“Diga à ela que já cheguei”.
Ele sabia que ela ficaria “de olho” na freqüência dele no trabalho.
Emma pegou o telefone e pediu que chamassem-o para atender o telefone no andar de baixo. Após alguns minutos, ouviu a voz dele do outro lado da linha.
— Alô?
— Sherlock, Grace está trazendo comida. Quer almoçar comigo?
— Não estou com fome.
— Você tomou café da manhã?
— Tomei uma caneca de chá.
— Então depois da aula você sobe. Preciso falar com você.
— Mas... Ok. – Falou revirando os olhos.
Depois de acabar a aula Sherlock pegou o elevador e foi até a sala de Emma, não deixou que fosse anunciado e entrou de supetão, sendo seguido pela secretária que desculpou-se por não ter conseguido conte-lo. Emma que estava ao telefone, disse que estava tudo bem e que não havia problema, para em seguida voltar a falar com quem estivesse do outro lado da linha.
A pequena mesa estava posta para dois com todo o requinte que ela suportava. Sentou-se e serviu-se de um pouco de suco enquanto esperava que ela viesse para a mesa também. Emma desligou o telefone e foi até ele, sentando-se em uma de suas pernas e dando-lhe um pequeno beijo.
— Como foi a aula?
— Normal. Uma aluna está apaixonada por mim.
— Mais uma?
— É. Não sei o que se passa na cabeça dessas garotas, basta um professor aparecer na frente delas e pronto. – Sherlock disse fazendo Emma rir.
— Você realmente não foi um adolescente, uma criança comum. É uma coisa normal, elas te admiram, tem você como exemplo, é isso.
— Isso não é racional.
— Certas coisas não tem que ser racionais, Sherlock.
— O que você quer conversar comigo?
— Ah... – Emma disse e levantou-se, indo sentar na outra cadeira disponível, servindo-se e cortando o peixe morno em seu prato. – Vai acontecer um evento, eu não deveria ir. Não deveria ser eu a ir. Enfim, graças a uma tempestade de neve em Praga, agora devo. Você quer ir comigo?
— Onde é o evento?
— Hampton Court.
— Hum... não. – Fingiu pensar.
— Sherlock. Quando você pediu para namorar comigo você deveria saber que estava levando o pacote completo.
— Eu não vou usar aquelas roupas. Eu não vou usar chapéu.
— Você acha que eu gosto de usar aquelas roupas? Você tem ideia do quanto é apertado? Mas eu tenho que ir.
— Eu não.
— Sherlock, por favor. Eu vou te recompensar. – Falou mas percebeu que ele permanecia irredutível. – Você ainda trabalha para mim.
Ele encarou-a como se fosse pular no pescoço dela por usar disso para fazê-lo acompanha-la. Ela mantinha a expressão calma enquanto levava o garfo a boca e mastigava o peixe sem desviar o olhar do dele.
— Eu não tenho o que usar.
— Já resolvi isso. Agora come. – Falou empurrando a travessa de peixe com batatas para ele.
******
Passados dois dias, lá estava Sherlock indo encontrar Emma em Hampton Court, bem antes do horário do evento. Precisava trocar-se, precisava vestir aquelas roupas que ele odiava mas seria um bom momento para observar de perto como era essa rotina de Emma e o que poderia acontecer em um desses eventos que recebiam tanta gente.
Hampton Court está literalmente ligada a Henry VIII e Anne Boleyn, ele vivera lá e fora lá que toda o caso entre eles acontecera, não saia da cabeça de Sherlock que algo poderia acontecer durante o evento mas ele preferiu não dizer nada à Emma, ficaria por perto. Indicaram-no um dos cômodos dizendo-o que sua roupa estava lá pronta para ser usada.
Entrou, pegou o iPhone e ligou para Emma, após alguns toques ela atendeu prendendo a respiração e gemendo.
— Alô.
— Já estou em Hampton Court. Quem escolheu essa roupa?
— E... AI! Eu.
— Está tudo bem?
— Está. – Falou sem fôlego. – Nos encontramos no salão daqui vinte minutos.
— Falta muito?
— Mais ou menos.
— Ok. Vou vestir essa coisa, seja lá como se faça isso.
— Vou pedir que alguém vá te ajudar. – Falou como se estivesse sendo sacudida.
— Não precisa, eu consigo. – E desligou.
Começou então a tirar o que vestia e foi pegando as camadas de roupa para vestir, ficara óbvio que demoraria mais tempo do que imaginava para ficar pronto. Por fim quando acabou de vestir-se e de calçar as botas pegou o iPhone e saiu do cômodo. Chegando no salão sentiu que todos os olhos viraram-se para ele e para o que estava usando. Shorts bufante, botas altas e uma espécie de jaqueta comprida azul com desenhos de folhas, fechada por cima de uma camisa também bufante. Recusara-se a usar o chapéu que havia junto a roupa, destacando-se dos outros homens presentes. Pouco depois ouviu um burburinho e viu as pessoas ao redor inclinarem-se em reverência, Emma havia entrado no salão.
Usava um vestido roxo numa sobreposição de tecidos do mesmo tom, um com uma estampa barroca e outro liso na frente da saia, formando um triangulo. Um espartilho bordado com pedras, um broche preso a ele, mangas de pele, um capelo francês com véu que cobria seu cabelo ruivo e um colar de pérolas e ametistas.
Andou até ele fazendo seu salto ecoar no chão.
— Não diga nada.
— Você está...
— Esmagada nesse espartilho. Mal consigo respirar, só temos que ficar aqui por quarenta minutos e então vou me livrar disso de uma vez.
— Eu estava dizendo que você está bonita. – E realmente estava. Conseguia entender agora o porque daquele homem vê-la como Anne Boleyn. Se só se levasse em conta os traços e a personalidade, Emma era idêntica a ela.
— Você também. – Falou esquadrinhando-o por várias vezes mas concentrando-se por mais tempo nas botas de cano alto que ele usava, como se fosse possível, os pés dele pareciam ainda maiores. — Poderia ter colocado o chapéu mas assim ficou bom.
— Alteza, está na hora. – Um homem interrompeu-os e encaminhou-os até o lado de fora.
Eles deveriam seguir a pé até os portões da Ala Tudor e lá embarcar em carruagens para um pequeno passeio para que alguns visitantes importantes vissem-os, que deveria durar cinco minutos e depois voltar. Esse trabalho deveria ser de seu tio e a mulher dele, não seu. “Maldita tempestade”, pensou.
Sherlock não poderia ir com ela por não ter sangue real, então ela seria acompanhada de algum nobre que ela ainda desconhecia a identidade.
Caminhou com alguma dificuldade devido a provação que mostrara-se usar aquela roupa. Foi ajudada a embarcar na carruagem sob o olhar de Sherlock a distância, em outro coche. Sentou-se e aguardou que o homem chegasse para que aquilo acabasse logo e pudesse ir para casa. Um gordo passageiro sentou-se de frente para Sherlock tapando completamente sua visão, não havia o que fazer, só conseguiria vê-la quando os carros estivessem em movimento.
Emma sentiu a carruagem mover-se abaixo dela, mostrando que o seu acompanhante embarcara e sentara-se ao seu lado, virou o rosto para cumprimenta-lo e tão logo pôs os olhos nele, reconheceu-o.
— Mademoiselle Boullan. – Disse pegando a mão dela para beija-la. – Fico feliz que tenhas vindo até a Corte ao meu chamado. Não me repudie. – Não ficará bem para você aos olhos dos que estão aqui e do que posso fazer com a senhorita.
— Não atendi a nenhum chamado seu.
— A tempestade não é das piores. – Falou com um sorriso safado e ao mesmo tempo psicopata. – Eu sou seu rei, se chamar, virás correndo. – Disse o falso Henry VIII.
— Pare. – Falou suspirando pesado. – Desça e vá embora.
A carruagem começou a mover-se e mais do que nunca Emma esperava que esse passeio acabasse logo. Esticou o pescoço tentando encontrar o olhar de Sherlock mas a muralha de gordura impedia.
— Está apertado, minha Anne? – Falou sentando-se mais perto, olhando diretamente para o decote do espartilho, graças a ele, seus seios pareciam maiores e mais altos, apertados daquela maneira. – Não consigo conter meus pensamentos, mal posso esperar para desata-lo e poder vislumbrar todo o teu corpo em meus braços. – Falou puxando a saia do vestido para erguê-lo.
Emma pôs sua mão sobre a dele para conte-lo, tentando puxar a mão do homem ruivo e abaixar a saia.
— Já alertei-te, a cada minuto que te recusas a mim somente aumenta minha vontade de tê-la. Mas não faças-me esperar muito tempo, reis não tem paciência. – Falou apertando a coxa dela com suas mãos como garras, fazendo-a engolir um grito. – Estás marcada para mim.
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