Titanic

3 Capítulo 3 - CANAL DA MANCHA


Notas iniciais
Gente! Encontrei um errinho. Margareth Brown, que aparece no segundo capítulo embarcando e conversando com Afrodite, não era para ter aparecido ainda. A verdadeira Margareth Brown só embarcou em Cherbourg, local onde o navio chega somente neste capítulo.

Por isso, nessa história, a "Inafundável" Molly Brown embarcou sim em Southampton, ao contrário do que aconteceu na realidade.

Desculpe pelo meu erro... :(

Agora uma boa notícia: Estou pensando em transformar essa fic em uma série. Lógico que não toda sobre o Titanic, mas sim, qual foi a participação dos Deuses em diversos momentos da História da Humanidade. A próxima temporada seria sobre a I Guerra e a mudança dos deuses para os EUA. E aí, o que acham da ideia? ;)

Agora sem mais delongas, o capítulo:

10/04/1912 – Canal da Mancha, entre a França e a Inglaterra

15:30

\"\"

POV Athena

Depois do pequeno incidente, tudo ocorreu bem. Os passageiros, todos felizes, confraternizavam e Afrodite era o destaque. Todas as senhoras da sociedade estavam ao seu redor, como mariposas em uma lâmpada. Ela ria, contava histórias, bebia champagne e dava dicas de beleza para todas, enquanto almoçavam.

Margareth Brown não estava mais no grupo, na verdade ela se aproximou de mim novamente, logo após o almoço, na base da Grande Escadaria. Ela fez uma leve reverência com a cabeça antes de se aproximar.

–Eu sabia que já tinha visto a senhora em algum lugar. Na verdade só me lembrei quando percebi que minha mãe estava a bordo. – disse inclinando a cabeça em direção a Afrodite. – Ela não consegue disfarçar, não é?

–Você é filha da Afrodite? – perguntei, surpresa.

–Sim, mas sou completamente diferente das minhas irmãs. Já encontrei umas duas aqui na Primeira Classe, e sinto nojo delas. Vocês todos estão à bordo? Já vi o senhor Zeus e sua esposa, você e minha mãe. E provavelmente Ares está por aí também, já que não desgruda da barra da saia de minha mãe.

–Todos os doze estão aqui, acompanhados de suas esposas. E além dos doze, Hades veio também com Perséfone. Estamos de férias e resolvemos fazer essa viagem à Nova York. – falei, escondendo o real objetivo da viagem, que não era assunto para mortais, muito menos para semideuses.

–Aproveitem então. Tem outros meios-sangues neste navio, já vi até alguns filhos da senhora.

–Eu já falei com Thomas.

–O engenheiro bonitão? Sabia que era seu filho, os olhos não enganam. Quando vejo olhos cinzentos já fico logo com um pé atrás e tento descobrir se a pessoa é ou não seu filho. Mas não falava dele, falava dela. – disse mais uma vez inclinando a cabeça em direção a uma jovem loura de olhos cor de tempestade, que andava em clima de romance com um rapaz e começava a descer a Escada Principal.

–Elisabeth! – exclamei baixinho.

–Eu tinha quase certeza que o nome era este. Mas você sabe com quem ela está andando, não sabe? Sem querer fazer fofoca... É o nadador americano, Tobias Jackson. Aquele que ganhou duas medalhas de Ouro nas Olimpíadas dos mortais que aconteceu em 1908. Ele deve ter vindo visitar as instalações na Suécia, para as Olimpíadas deste ano.

–Tobias Jackson? Ele não é... Espere um pouco... – uma informação se ligou a outra e uma raiva enorme cresceu dentro de mim. – EU NÃO ACREDITO! ELISABETH!

A moça parou em frente ao relógio, que ficava na Grande Escadaria. Ela ficou mais pálida que uma estátua de mármore, e rapidamente retirou de braço que estava apoiado no braço do nadador.

–Tobias, é a minha mãe. Corre! – murmurou baixinho, mas eu ouvi. Ele começou a se virar para subir novamente a escada, mas com um estalo de dedos “colei” os pés dele no chão.

–Olá Elisabeth. – falei calmamente, mas com um olhar assassino – Não vai me apresentar ao filhote de peixe?


POV Afrodite


Que navio maravilhoso! Que ideia perfeita! Estava satisfeitíssima com as férias em família e aquela tinha começado muito bem, ao contrário das outras. Eu estava conhecendo diversas histórias muito interessantes que estavam me deixando animadíssimas. Havia conhecido uma jovem, muito interessante chamada Rose Bukater, ela não poderia ter história melhor, forçada a se casar com um homem desprezível para manter o status da família. Eu tinha trazido meu filho Eros, clandestinamente à bordo e já tinha pedido para fazer o trabalho sujo, fazer ela se apaixonar por alguém do navio. O que eu não contava era com o erro de pontaria que acabou acertando um zé ninguém da terceira classe, mas agora o estrago já estava feito.

Outra história que estava me fazendo dar pulinhos de alegria, e que deixaria Athena de cabelo em pé, é o clima de romance entre o filho de Poseidon, Tobias Jackson e sua filha Elisabeth. E claro que eu não perderia a chance de tentar, pela milionésima vez, juntar o meu casal favorito! Athena e Poseidon... Esses dois desafiam meus poderes ao extremo.

Andei pelo deque observando o Canal da Mancha, a Grã-Bretanha quase sumia no horizonte e o Titanic avançava, não em sua velocidade máxima, pelo que ouvi dos oficiais. O filho mais bonito de Athena passou ao meu lado. Thomas Andrews era tudo o que eu chamava de “provável candidato a pai de meu próximo filho”. Bonito, elegante e escondia uma excelente forma física por debaixo do colete em que usava. Uma fina corrente de ouro estava presa ao terceiro botão do colete, provavelmente um relógio de bolso. Carregava uma prancheta nas mãos e fazia diversas anotações. Se debruçava na amurada e depois novamente a caneta corria com uma habilidade incrível no papel.

–Boa tarde, senhor Andrews. Algum problema? – perguntei, fingindo preocupação.

–Não. Nenhum, só estou fazendo testes. Algumas modificações serão necessárias.

–Mas por quê? Este navio é a coisa mais perfeita do mundo! Até meu pai falou isso...

–O senhor Zeus? – disse, com um brilho de orgulho nos olhos – Ele falou mesmo isso?

–Sim, disse que é perfeito.

–Algumas deusas não acham isso...

–Você fale de sua mãe? – perguntei e ele confirmou com a cabeça. – Não ouça o que aquela deusa fala. Ela consegue encontrar defeitos até em mim! Eu que sou a deusa mais perfeita de todos os éons.

Ele me olhou surpreso.

Nossa conversa nos levou para a parte interna do deque, no mezanino que formava a parte superior da grande escadaria. Os degraus eram de madeira nobre clara e arabescos folheados à ouro brilhavam divinamente com a luz natural que entrava pelo grande domo logo acima da escada. Um pequeno relógio marcava quase quatro horas.

Logo que começamos descer a escada, vozes alteradas chegaram até nós, ou melhor, uma voz alterada:

–EU NÃO ACREDITO! ELISABETH! – Athena avançava furiosamente, com o seu melhor olhar assassino para um jovem casal que estava descendo a escada, eles pararam em frente ao relógio. Era Elisabeth e Tobias.

–O que minha mãe vai fazer? – perguntou Thomas, preocupado.

–Não sei, mas devemos intervir. – descemos rapidamente a escadaria, parando ao lado do casal.

–Não vai me apresentar o filhote de peixe? – disse Athena. Nós chegamos e eu logo segurei o braço da deusa.

–Vamos Athena, não faça escândalo. Vai acabar nos expondo assim.

–Não se meta Afrodite!

–Shiu! Não fale meu nome alto. Para as senhoras eu sou madame Violette.

–Eu vou transformar esse rapaz em sardinha enlatada! – disse, se debatendo e me obrigando a segurá-la com mais força.

–Mãe! Eu amo Tobias! – gritou Elisabeth. Alguns passageiros já começavam a observar a cena que acontecia na escada. A Sala de Fumantes, logo atrás da gente estava lotada a essa hora, logo depois do almoço.

–E tem mais, lady. – disse o rapaz – Quando chegarmos à Nova York, pedirei ao pai de Elisabeth, a mão dela em casamento.

–Não se atreva! Vocês não se casarão sem o meu consentimento. – ameaçou Athena, levantando o dedo. Com meu outro braço forcei Athena a subir a Grande Escadaria.

–Sr. Andrews. – falei – Acalme os dois. – Elisabeth chorava no ombro de Tobias, que também tremia. Afinal tinham sido ameaçados por uma deusa.

Vi Thomas os conduzindo para o lounge, enquanto eu conduzia Athena para o deque.

–Eu não acredito que Elisabeth vai se casar com aquele filho de peixe! Tem dedo seu nessa história, não tem Afrodite?

–Meu? Não. Mas pode ter certeza que eu estou adorando! Eu filho de Athena e Poseidon juntos? É um sonho.

–Di immortales! Nem brinque com uma coisa dessas. Eles não vão se casar. Eu não vou permitir, senão eu não me chamo Athena!

Eu estremeci. Nunca tinha visto Athena amaldiçoar alguém, e jurar pelo próprio nome só não era mais sério do que jurar pelo Estige. Algo me dizia que ela não mediria esforços para separar aqueles dois.


POV Athena


Eu não estava acreditando. Elisabeth, uma das mais brilhantes de minhas filhas, envolvida com aquele filhote de peixe. Não permitirei esse casamento. Eu só não jurei pelo Estige pois estava furiosa demais no momento e me esqueci.

Também estava com medo. Havia um profecia... Uma profecia secreta. Só eu, Poseidon e Apolo sabíamos da existência dela, e Apolo só a conhecia pois era o deus das profecias. Ela previa que coisas terríveis aconteceriam quando um filho de Poseidon se aliasse a uma filha de Athena. Coisas tão terríveis que comecei a suar frio quando lembrei delas. Será que a grande guerra que eu e Ares havíamos previsto estava relacionada a essa profecia e a esse romance entre Elisabeth e o nadador? Lembrei-me da noite que a profecia foi dita:


FLASHBACK

Brasil, Rio de Janeiro, Ilha Fiscal

9 de Novembro de 1889


Olhava preocupada para o monarca. Dom Pedro II havia se desequilibrado e caído, dois jornalistas estavam acudindo Sua Alteza Real e Imperial, que se levantou e disse:

–O monarca escorregou, mas a monarquia não caiu!

Poseidon estava ao meu lado, e junto de nós senhor Zeus e senhora Hera. Todos os quatro vestidos à altura do grande baile que havia sido organizado para cinco mil pessoas na Ilha Fiscal, no Centro do Rio de Janeiro. Baile que viria a ser conhecido como “O último baile do Império”, que cairia seis dias depois, sendo substituído pela República.

Assim que entraram no castelo, que ocupava toda a ilha, foram nos cumprimentar. Princesa Isabel estava radiante com uma roupa de moiré preta listrada, tendo na frente um corpinho alto bordado a ouro. Na cabeça um diadema de brilhantes que rivalizava com o a própria Hera usava em dias de Baile Olimpiano.

–A presença dos senhores neste baile é uma honra. – disse.

–Agradecemos pelo convite com um aviso. Não confie nas palavras que acabou de dizer quando caiu. – falei, alertando-o. E Sua Alteza sai, junto com meu pai e Hera, deixando eu e Poseidon sozinhos.

Dom Pedro foi amante de Afrodite, com quem teve um semideus, que nessa altura já estava no Acampamento na Inglaterra há alguns anos. Nós deuses acabamos ficando encantados com o Brasil e sempre que tínhamos a oportunidade atravessávamos o Oceano Atlântico para participar dos bailes Reais.

Mesmo sendo terras de outros deuses, meu pai tinha uma grande influência nas terras tropicais. No Rio de Janeiro até existia uma Pitonisa (um tipo de oráculo). Por falar nela, Fernanda de Lima e Castro se aproximava de nós. A Grande Pitonisa dos Trópicos, como era conhecida, usava um vestido de tecido fino e escarlate, bem encorpado e justo na cintura.

–Grande noite. – falou melancólica – Pena que é a última. Vou sentir falta desses bailes. Lógico que como membro da aristocracia terei de fugir na próxima semana e me esconder, já tenho passagens de trem marcadas para o sul. De lá irei para meu exílio.

Ela passou um pequeno pedaço de papel para minhas mãos.

–Cuidado com esse papel. É o hotel onde ficarei hospedada no meu destino. Caso os senhores precisem me achar.

Olhei o papel. Nele estava escrito um pequeno endereço e o nome de um hotel, logo embaixo dizia: Buenos Aires, Argentina.

–Tomarei cuidado, senhorita de Lima e Castro. – falei. Quando olhei para ela novamente, ela estava estática, parada me olhando fixamente.

–Poseidon, rápido. Pegue ela e entre nesta porta.

Com cuidado pegamos a Pitonisa, que ainda estava parada como uma estátua e entramos em um pequeno aposento que parecia um depósito de cadeiras. Uma longa e grossa Píton começou a sair de dentro dela e sibilou uma profecia:


Filha da sabedoria com filho do mar,

Ótima dupla, mas em coisa boa não resultará

Causarão a volta de velhos inimigos

Acordarão o Grande Terror


E na hora em que a lamina maldita ceifar

O mundo dormirá profundamente

E em tempestade ou fogo acabará.


Fernanda de Lima e Castro, então, desabou no chão. Eu e Poseidon nos olhávamos pálidos. Estávamos finalmente unidos, unidos por uma profecia, unidos pelo destino.

–Athena...

–Sim Poseidon, manteremos isso entre nós. Só nós saberemos da existência da profecia. Deixe Fernanda aí, ela acordará sem lembrar de nada. Vamos, temos que sair daqui.


FIM DO FLASHBACK


Estremeci, não sei se por causa das velhas lembranças ou do frio vento que começou a bater em meu rosto enquanto nos aproximávamos cada vez mais da costa francesa, que já era visível no horizonte. A previsão de chegada era na metade da quinta hora da tarde. Uma leve neblina cobria o Canal da Mancha e o céu estava um pouco nublado. Os oficiais já estavam com uma movimentação mais intensa fazendo os preparativos para a chegada em Cherbourg. Homens com caps e uniformes azuis de botões dourados andavam rapidamente pelos deques. Da onde eu estava era possível enxergar a ponte, onde o Capitão e o Primeiro-Oficial Murdoch cuidavam de todos os detalhes da atracagem. Não fiquei surpresa quando percebi que Poseidon estava lá também, provavelmente enchendo o Capitão de perguntas sobre o navio.

Pensei mais uma vez sobre a profecia. Ela também previa uma aproximação entre mim e Poseidon. Uma aproximação que eu achava improvável.

Às 17:30, eu estava no lounge, quando as âncoras foram baixadas. Atracamos ao largo (fora do cais), pois o Titanic era grande demais para o pequeno e raso porto de Cherbourg. Thomas sentou-se à mesa, se juntando a mim e Ártemis que me acompanhava.

–Está mais calma, mãe? – perguntou.

–Sim, estou. Vamos ficar quando tempo ancorados?

–Teremos que ter paciência. O navio é grande demais para se aproximar do porto, os oficiais terão que desembarcar os passageiros que ficarão aqui e embarcar os que seguirão viagem. O Primeiro Oficial disse que não ficaremos mais do que duas horas parados.

Notas finais
E aí, gostaram?

ENQUETE

Vocês querem que Tobias seja um antepassado de Percy ou que os sobrenomes dos dois sejam apenas uma coincidência?

espero respostas de vocês!!! ;)

bjus e até o próximo capítulo!