Titan Souls
5 Phillip Van Halley
Phillip Van Halley
Século XIX-21 de Julho de 1816
Amsterdã,Holanda
Os jardins eram sua vida. A grama, as flores de diversas cores, as árvores em seus abundantes tamanhos e espécies, até mesmo os animais dali, compunham seu dia. Porém, a garota loira, de olhos azuis, vestido rosado que descia até os joelhos e o sorriso brilhante e delicado, o fazia mais feliz. Iluminava seu trabalho e seu dia como os raios do sol.
O rapaz ruivo, de olhos verdes brilhantes, a pele branca que ardia embaixo do sol, as bochechas avermelhadas; não poderia estar mais apaixonado. Mas era meio difícil pedir a mão de uma garota quando não se têm uma renda muito boa, quando seu trabalho é jardinagem e, principalmente: quando seu chefe era pai dela.
Entretanto, isso não seria um problema. Quem disse que precisaria confrontar o chefe para ver sua querida Hortênsia? Todos os dias em seus intervalos do trabalho, ele e sua amada se encontravam em uma cabana – onde guardavam as ferramentas como tesouras de poda, machados, luvas e outras coisas -, longe da casa da garota. Assim nem o pai, nem sua gêmea, Hera, muito menos os capangas do chefe, poderiam vê-los.
No dia, a garota estava diferente, o cabelo amarrado em um coque e o vestido branco, e parecia não estar tão animada como os dias anteriores. Escorava-se na parede de madeira e tinha o olhar perdido nas árvores à frente.
–Olá, meu bem. – Ela estranhamente se afastou quando Phillip tentou abraçá-la. – Como vai?
Ela não respondeu. Ficou o encarando, com os grandes olhos azuis, o que o deixou incomodado, sem nenhuma reação. Depois de alguns minutos se encarando, ela deu um passo à frente e pousou as mãos nos ombros do rapaz, aproximando os lábios de sua orelha.
–Desculpe. — A jovem possuía um tom de deboche na voz.
Ela se afastou rapidamente, empurrando Phillip para trás e este, tão confuso, foi pego em um aperto forte no pescoço por outro alguém, que o pressionou contra a parede. Ele levou as mãos ao braço de um homem alto e negro que usava uma espécie de terno. Ele estava acompanhado por outro cara loiro, com a mesma roupa.
–Então, é você quem vem fazendo a cabeça de minha filha. — O chefe de Phillip, um homem baixinho e redondo com um bigode negro e a careca brilhando, saiu de onde estava se escondendo, entre as árvores. Aproximou-se do jovem e cruzou os braços a sua frente.
–Por quê? – O ruivo olhava inconformado para a garota sorrindo maldosamente. – Por que Hortência?!
–Eu sou Hera. – ela revirou os olhos.
Phillip não podia acreditar que fora enganado. Maldito fosse seu patrão! Hortência com certeza não fora parte disso, deveria estar trancada na casa. Hera devia ter visto a irmã sair um dia e contara tudo. Ela sempre fora assim: adorava estragar com tudo que a gêmea possuía.
–Ora, vamos rapaz. – O patrão notou a tristeza que se passou pelos seus olhos verdes. – Um dia iríamos descobrir, não acha? E eu nunca permitiria que ficasse com uma de minhas filhas. – Ele lançou um olhar para seu capanga e balançou a cabeça.
O homem soltou Phillip, que caiu sentado no chão, às costas ainda encostadas na parede da cabana. Ele levou a mão para o pescoço que doía e olhou para seu chefe com incrível raiva.
–Eu quero você longe de minhas propriedades, entendeu rapaz? – Ele ameaçou o jovem. – Não se atreva a mostrar o rosto novamente, se não estará morto.
E se virou para voltar a sua mansão, acompanhado da filha e dos guardas. “Droga!” Phillip pensou ao mesmo momento em socava o chão, machucando de leve a lateral da mão. O que faria agora? Não tinha um lugar para ir, ou outro emprego. Estava na lama com certeza.
Direcionou seus passos para um pequeno quarto em que dormia dentro de outra casinha pequena na propriedade. Pegou suas roupas e nem se preocupou em dobrá-las, jogando-as de qualquer maneira na mochila. Abriu a porta com força e assim a bateu também, saindo pelo caminho de terra que levava até a estufa na frente do lote. Prometeu a si mesmo sair pelo mundo para provar seu valor e voltar um dia para pedir a mão da garota.
Uma gota gelada atingiu sua bochecha, ele levantou os olhos para o céu e observou as nuvens cinzentas que se formavam. Era uma chuva leve, nada que fosse incomodar, mas veio somente para piorar seu dia. Depois de um tempo andando, as botas já completamente sujas pela lama, já podia ver a estufa, uma casinha de vidro, com plantas de todos os tipos.
Todavia, havia algo diferente. Ao lado dela uma porta dourada brilhava em meio à grama, no meio da chuva. Phillip, curioso como nunca, resolveu atrapalhar sua jornada até a estufa para andar pela grama e parar na frente da porta. Oh, incrível. Estava fechada, mas não parecia trancada. Seria seguro entrar...?
“Bem, por que não?” O ruivo pensou consigo mesmo, dando de ombros e estendendo o braço esquerdo, abrindo a porta bem devagar. Respirou fundo uma última vez, não sabendo o que o esperava, e levou o pé direito à frente, passando pela luminosidade branca que saia da porta aberta.
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