Titan Souls

8 Niklaus Slavinski


Niklaus Slavinski

Século XIX-09 de Novembro de 1816

Moscou, Rússia

Niklaus estava sentado em uma das cadeiras de madeira em volta da mesa ,as pernas cruzadas e a expressão de preocupação inundando o rosto.Era um rapaz de cabelos loiros esbranquiçados,a pele alva em contraste com olhos azuis esverdeados. A seriedade e graça estavam em guerra em sua mente. Mas sua classe social não era das melhores.A casa de madeira bagunçada e com poucos móveis,suja e empoeirada,alguns buracos nas paredes e agora os armários de comida vazios,preocupava-o todos os dias.

E a mãe, agora doente, sofrendo, deitada na cama bagunçada e choramingando por comida. Era pior cena que um filho poderia ver: o sofrimento daquela que cuidou de você, mesmo em condições tão precárias. Ótimo, ele tentava segurar as lágrimas nos olhos.

Ele precisaria roubar de novo, somente para ver a mãe bem. Saiu pela porta, se direcionando pelas ruas movimentadas de Moscou. As pessoas, poucas delas, olhavam para ele como se vissem uma aberração, algo que não devia existir. Ao chegar próximo de alguns mercadinhos de frutas, colocou o capuz preto sobre a cabeça e as mãos nos bolsos.

O seu alvo foi uma barraquinha vermelha, com um homem baixinho e rechonchudo, de barba mal feita e cabelos brancos, os olhos castanhos de tamanho anormal por trás dos óculos redondos, que gritava “As melhores verduras e frutas é só aqui!” como se as pessoas ali tivessem problema de audição.

E assim, olhando todas aquelas delícias sobre a tábua de madeira, encheu uma pequena sacola com as melhores maçãs e laranjas e se afastou o mais cauteloso que pôde. Mal se encontrava uns dez passos longe quando ouviu:

–Foi ele!-o mercador gritava aos guardas- de alta estatura e de expressão fechada- apontando e pulando para ver por cima da multidão. -Minhas lindas maçãs, as minhas laranjas!

“Fala sério.” Niklaus pensou e começou a correr com os guardas em seu encalço. Viravam à direita e à esquerda nas ruas, empurrando pessoas em seu caminho, tentando ao máximo despistar os guardas. Não estava sendo nada fácil.Até que avistou no final da rua uma bicicleta vermelha.Deveria ser de algum entregador ou algo do tipo,estava encostada na parede de um estabelecimento laranja, que vendia roupas, mas agora serviria para a sua fuga.

–Ei!-ouviu uma voz jovem gritar assim que subiu na bicicleta, supostamente o entregador. Ignorou-o e se pôs a pedalar rapidamente, enquanto a noite caía.

**

Largou a bicicleta jogada a qualquer canto assim que notou que não estava sendo mais seguido. Estava frio e era inverno,então colocou uma das mãos nos bolsos enquanto segurava a sacola com a outra.Sua respiração estava pesada e ele estava muito cansado,as pernas doíam pelo esforço.Mas valera a pena.

As ruas agora continham um número menor de pessoas, a lua já estava brilhando no céu. A neve caia, brilhando quando os flocos hexagonais passavam pela luz dos postes.Era uma linda cena.Poderia ficar e ver para sempre.

Niklaus já se aproximava de casa quando passou na frente de um beco. Não tinha saída,disso ele sabia,entretanto um brilho emanava ali.Decidiu passar direto,porém aquilo poderia ser algo de valor...ouro.Não que fosse possível,mas se realmente fosse,seus problemas estavam resolvidos!Voltou alguns passos, dando uma olhada curiosa no beco. Era uma porta.

–Uma porta?-Niklaus andava devagar até a abertura brilhante. -Será que... Tem algo de valor aí dentro?-ele parou na metade do beco, encarando-a.

–Parado aí!-um dos guardas gritou. Niklaus não imaginava que estavam procurando por ele ainda. -Não se mova ou será pior!

Ele não tinha opção. Estava cercado. Tudo o que poderia fazer -e estava curioso- era atravessar a porta dourada a sua frente. E foi exatamente o que fez,correndo até ela e atravessando-a,o brilho tragando-o por completo.

Notas finais
"O mais lindo dos sorrisos, já chorou as mais dolorosas lágrimas." Só digo que: a apresentação dos personagens está chegando ao fim! Com somente um para ser escrito; após ele as tretas começam. Obrigada por lerem! See ya.