Titan Souls
9 Catherine Nicgrant
Catherine Nicgrant
Século XIX- 09 de Dezembro de 1816
Edimburgo, Escócia
—Estão dispensadas, por favor, se dirijam a seus dormitórios.
A professora anunciou no final da aula de balé e se dirigiu a mesa para arrumar suas coisas e partir para sala dos professores. Catherine estava exausta assim como suas outras amigas pareciam: as pernas doloridas, o rosto um pouco suado e se ela colocasse os olhos em uma cama, era capaz que desabava.
Usou uma das toalhas que sempre estavam penduradas por ali para limpar o rosto e a deixou em seus ombros e trocou as sapatilhas por sandálias confortáveis – seus pés estavam a matando. Suas colegas saíram da sala espelhada com ela, acompanharam-na pelo corredor do internato até seu quarto e continuaram a andar.
—Nossa hoje foi tenso. – Anne, sua colega de quarto, disse.
—Verdade. – os olhos cor de mel de Catherine encontraram as cartas que estavam em cima de sua cama. Deveriam ser de sua mãe, que a deixou no internato até que se casasse e pudesse governar no lugar dos pais. Pegou as cartas e as jogou na gaveta da mesa, pensando em lê-las bem depois.
Tomou um bom banho demorado e optou por dormir com os cabelos loiros molhados. Despediu-se de sua colega, desligou as luzes e deitou-se na cama macia, encarando a parede. Não levou pouco tempo até que suas pálpebras pesassem e o cansaço aumentasse.
Catherine P.O. V (Point Of View)
Onde eu estou? Parece um corredor, mas eu sinto que não é. Estou parada em um piso de mármore preto, ao meu redor e acima de mim paredes e teto não existem. É tudo uma imensidão negra, marcada por pontos brilhantes como estrelas. Porém não é só isso.
Armas. Armas medievais flutuam lentamente pelo vácuo escuro. Maças com pontas afiadas, machados, espadas brilhantes, escudos; todo tipo de armas. Não parecem ter direção exata, sendo que voam para qualquer lado. Eu não tive coragem de me mover, até que vi uma senhora a mais ou menos uns 15 metros longe de mim.
—Senhora? – minha voz parece distante – O que está acontecendo, senhora?
A idosa se virou e começou a correr para longe de mim. Sem hesitar, eu corri atrás dela, desviando das armas que quase acertavam minha cabeça. Descemos o corredor por muito tempo e não parecia acabar e ela não parava mesmo que eu gritasse várias vezes por ela.
Chegamos a uma porta. A porta da sala de dança, da qual sai mais cedo. Se entrar aqui também verei armas? E por que elas me assombram?E essa senhora? Eu não a conheço, por que está em meu sonho? A moça encara a porta antes de abri-la; eu olho para todos os lados que posso, só para me decepcionar, porque não há mais nada além da porta e das armas. Essa é minha única escolha aqui, então continua seguindo-a.
E sim, a sala está normal, como a verdadeira. Entretanto, a porta atrás de mim desapareceu e não tenho saída. E com mais um porém: a senhora não se encontra aqui. Ela entrou aqui, eu sei disso! Ah, como esses espelhos espalhados pelas paredes incomodam. Corro meus olhos por eles,rodando no meio da sala, vendo meu reflexo em suas superfícies, até encarar uma porta.
Mas não havia portas Eu estava isolada em uma sala somente de espelhos até então. Que estranho... Aproximo-me da porta redonda que parece ser de madeira bem antiga,desgastada e escura,com vários arranhões por toda parte, a maçaneta é como uma argola de cor negra e símbolos muito estranhos e prateados a adornam nas laterais. Ela parece bem real, mas posso ver que ela na verdade está atrás do espelho. Deve ser reflexo; hesitante, olho para trás somente para encarar minha própria imagem no espelho do outro lado da sala.
Como pode?
Voltando-me para a porta, levanto minha mão e tento tocá-la, esperando sentir a superfície gelada do vidro, porém ao em vez disso, minha mão atravessa por algo que se assemelha à água e consigo ouvir gritos estridentes ecoarem. A porta se abre, emanando um brilho e o que vejo sair dali vai me assombrar para sempre.
~Fim do P.O.V
Catherine foi acordada de súbito pelo som alto de um raio que preencheu o quarto. “Um sonho?” ela pensou. Sentou-se na cama, cobriu o rosto com as mãos e tentou controlar as batidas desesperadas do coração assustado. Olhou ao redor e vendo que sua amiga ainda dormia, ela levantou-se e molhou o rosto no banheiro.
Ao voltar ao quarto, encarou curiosamente a porta. Olhou novamente para o corpo da colega na cama e decidiu olhar o corredor. Abriu a porta com todo o cuidado e passou para o corredor, esperando ver as armas e um vazio enorme cobrindo tudo.
Nada além de outras portas de dormitórios e avisos nas paredes. Ela suspirou, sentindo-se boba o bastante,e estava para voltar a dormir, quando ouviu um barulho no fim do corredor. Fitou o local de onde o som teria vindo e sua curiosidade a fez dirigir-se até lá.
“Ótimo, parece que estou em um livro de terror.” Os sons agora se assemelhavam a música, calma e serena e vinham da sala de dança. A razão de Catherine dizia para não entrar, mas quem diria que ela ouviria a razão? Abriu a porta e a música parou instantaneamente, e os espelhos a encaravam novamente.
E uma porta. Uma dourada brilhava no espelho. Todavia, esta não parecia estar dentro dele. Catherine aproxima-se devagar daquela imagem estranha cheia de runas e engrenagens e estende a mão para tocá-la, mas resolve que era melhor não.
Vira-se e dá um passo à frente, porém para e pensa por um instante, achando no chão um interesse estranho. Fecha as mãos com força, respira fundo, tentando diminuir a curiosidade que sentia, mas não resistiu.
A garota encara a porta e pensa por vários minutos “Devo ou não?”. Andou de um lado para o outro, a mente borbulhando, quando resolveu abrir e dar uma olhada, uma bem rápida e voltar logo depois. Porém, quando seus olhos focaram em algo totalmente estranho, ela reuniu toda a coragem para desvendar o que havia do outro lado. E entrou.
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