Titan Souls
10 O Limbo
Lugar: desconhecido
desconhecida
Alex abriu os olhos depois de passar pela luz brilhante – no momento em que passou, sentiu como se uma névoa gelada atravessasse seu corpo. Então notou que não sabia exatamente onde estava. Parecia outro universo, estranho e surreal.
O piso e o teto eram escuros, com manchas roxas e esverdeadas e alguns pontos brilhantes chamavam a atenção – como estrelas. Móveis — criados mudos, abajures, mesas de madeira, cadeiras com estofamento vermelho, alguns talheres e vários outros. – e livros de vários renomes flutuavam até onde a vista alcançava e talvez até mais além.
Ele estava fascinado e chocado, girando pelo próprio eixo admirando toda a novidade. Mas não levou muito tempo para que o rapaz se assustasse em um pulo novamente: à sua esquerda uma luminosidade se fez presente, iluminando todo o espaço e quando esta desapareceu, um salão enorme tomou forma, substituindo a visão do espaço vazio que antes estivera ali – e os móveis agora estavam todos comportados. Uma garota de cabelos arroxeados passou patinando por uma porta parecida com a sua e parecia tão chocada quanto ele, enquanto observava o lugar com os olhos castanhos.
Espera, existiam outros?Ele se questionava. A estranha não pareceu o notar por alguns segundos, até que outro clarão, agora à direita deles, tomou todo o local por mais uma vez. Outra garota, agora de cabelos escuros, atravessou pela porta e parou num ímpeto, passando os olhos violetas arregalados por toda a parte. Alex imaginou que ela estava correndo do outro lado, pois respirava pesadamente, o tórax levantando e abaixando.
E assim se seguiu por alguns minutos. Novas pessoas, sempre aparecendo – algumas correndo e outras andando normalmente; porém, teve a especial: uma garota ruiva que ao passar, desabou no chão junto com água de sabe-se lá onde. Mas todas elas com as mesmas reações até que outra luminosidade tomasse forma. Alex então aproveitou para prestar atenção na decoração do hall.
O piso agora era um mosaico perfeito, ora branco e ora negro. As janelas eram grandes vitrais de cores abundantes que arquitetavam imagens de igrejas da época – algumas estavam quebradas e outras completas e uma luz desconhecida do lado de fora fazia refletir cores ao chão. À frente, escadarias cobertas de limo e alguns degraus quebrados, estendiam-se ao infinito, levando a lugar nenhum. As paredes se descascavam, assim como partes do chão. O teto não existia; o que se via no lugar era o infinito.
No final, oito estranhos se encontravam em pé, lado a lado, em um círculo. Observaram-se por algum tempo — alguns sorriram amigavelmente para os outros presentes, enquanto outra minoria cruzava os braços sobre o peito e mantinham a expressão séria. Então um rapaz alto, — com mais ou menos 18 anos poderia se dizer; o cabelo ruivo e os olhos verdes enérgicos, as calças sujas de terra-, deu alguns passos a frente, parando em meio ao círculo e disse algo:
—Wat is er aan de hand?
A princípio, não se compreendeu nada. Os presentes se entreolharam. Phillip notando a estranheza dos demais em suas palavras holandesas repetiu-as.
—O que está acontecendo?
Estranhamente, nesta segunda vez, tudo se tornou claro. Os oito começaram a argumentar entre si, em seus diferentes dialetos — romano, russo, inglês, escocês, entre outros. Conforme repetiam, depois da estranha primeira vez, todos compreendiam mesmo em seus variados idiomas.
—Que lugar é esse?
—Quem nos trouxe aqui?
—Aí, eu preciso voltar.
—Todos nós precisamos cara.
Neste momento, uma nona voz surgiu. Uma rouca e aparentemente antiga. Ao olharem para trás, a visão era de uma idosa, baixa e rechonchuda, a pele morena, de íris castanhas caridosas, os cabelos grisalhos presos em um coque extremamente liso. Vestida em uma toga verde escura com algumas costuras douradas, apoiava-se em um cajado de carvalho retorcido. Ao seu lado, um rapaz alto e ruivo – o cabelo um tanto enrolado por cima, porém raspado pelos lados -, de olhos azuis claros, mantinha os braços para trás, como se fosse um segurança.
—Sejam bem vindos. – a idosa sorriu. – Estão todos aqui?
Um segundo após a pergunta, outra luminosidade surgiu – porém agora vinda logo acima de Phillip. Todos lançaram olhares curiosos para cima, enquanto uma nova entrada aparecia e mais uma garota – agora contabilizando cinco delas –, de cabelos ondulados loiro acastanhados, caia a toda velocidade. Ela desabou em cima de Phillip e eles foram de encontro ao chão.
—Que lugar é esse?!- essa fora sua segunda vez gritando.
—Será que pode sair de cima de mim?!- Phillip resmungava de dor. – Por acaso é bom usar as pessoas de almofada?
—Sim, é ótimo.
Ambos levantaram, batendo as mãos na roupa, tirando a poeira, e cruzaram os braços, dando as costas um para o outro. Uma risada baixa deu-se por ouvida pelo outro rapaz ruivo desconhecido e pela idosa, que completou:
—Bem, você chegou a tempo! Temos muito que conversar. – ela revirou os olhos quando múltiplas perguntas encheram o ar – Por favor, silêncio!
As vozes cessaram aos sons de quatro batidas do bastão ao piso.
—Ótimo. – ela prosseguiu. – Todos vocês estão aqui por uma razão. Uma missão.
-Espera aí! – Alex deu um passo à frente. -Primeiro quem é você?
—E que raio de lugar é esse? –Caroline começava a ter seus sintomas de impaciência.
—Podem me chamar por Anciã. – a idosa respondeu com a voz calma. – Vocês estão no Limbo.
— Limbo?- Elizabeth estranhou.
—Um lugar perdido no tempo, por assim dizer. – o rapaz desconhecido falou pela primeira vez. – Esqueçam a noção de tempo aqui. É tudo bastante surreal. Paassado, presente, futuro, é tudo uma bagunça.
—E quem é você? – Rebecka apontou o dedo na direção dele, tanto o achando atraente como curiosa.
—Edward. Costumam me chamar de Eddie. – ele piscou o olho azul direito para ela.
Mais uma vez, todos se entreolharam aturdidos. De repente, a Anciã deu meia volta e subiu as escadas, acompanhada pelo garoto. Será que seria seguro segui-la? Entretanto eles não tinham muitas opções no momento e relutantemente seguiram-na degraus acima. As escadas acabavam no meio do nada, em uma porta de pedra negra, que se encontrava aberta, flutuante. Ao atravessarem, outro salão tomou forma, completamente diferente ao anterior.
As paredes eram feitas de tijolos bege; pilares unidos à parede, entre cada janela, estendiam-se ao teto formando uma bela decoração junto a um enorme lustre de cristal, que fornecia brilho a todo salão. Uma mesa redonda de rocha marrom, semelhante ao piso de madeira escura encontrava-se no centro do hall; com exatamente onze cadeiras ao seu redor.
—Sentem-se. – ela tomou um dos assentos.
—O que era aquela porta dourada? E por que ela trouxe a gente para esse lugar? – Apollo perguntou assustado, sentando-se ao lado de Catherine.
—Chame-a de Gênesis. –a idosa respondeu calmamente. – Ela pode ser denominada A Porta do Início e ela traz os escolhidos para que completem o seu destino.
—Destino? – Rebecka se manifestou. – Que destino?
—Uma primeira missão. Que permitirá que vocês retornem a seu mundo. Terão de matar os bruxos que têm a chave para que isso seja possível.
—Matar bruxos? Mas bruxos nem existem. A senhora tem algum problema? – Aurora levantou uma sobrancelha.
—Você atravessou uma porta, caiu em outro mundo chamado Limbo e ainda é descrente de que bruxos e monstros existem?
Aurora mudou de expressão e cruzou os braços, enfurecida com a velha à frente dela.
—Aí coroa, eu não tenho tempo para suas brincadeiras idiotas. – Niklaus levantou-se do assento em que estava ao lado de Caroline e ia se dirigir à porta, vendo que nada ali lhe interessava. Porém, não havia porta por onde voltar – Excelente! Manda o mágico trazer a porta de volta, agradeço.
—É como eu disse criança. Vocês não poderão voltar sem completar seu destino. – a idosa os advertiu novamente. – E então, qual a resposta?
—A gente não pode matar pessoas. – Catherine disse, pondo as mãos na mesa – Olha pra gente, a gente vai ser preso.
—Esse é o único jeito de vocês voltarem para casa. – o rapaz que acompanhava a senhora disse – E eu também.
Houve um burburinho entre eles e vários “Não vai funcionar” foram ouvidos.
—Niklaus, você tem uma mãe doente, não tem? – a voz da velha senhora perguntou e todos pararam. – Aurora, você tem família. Phillip, uma amada. E...
—Como sabe? – Niklaus levantou-se bruscamente, mas Caroline posou a mão em seu ombro e o forçou a se sentar, o que não lhe foi de agrado – Não fale da minha vida assim, tão abertamente.
—Se querem voltar à felicidade que antes tinham, para aqueles que amam, então só existe um meio de sair do Limbo: o Gênesis é a porta de entrada. Porém, se há uma entrada, existe uma saída. Ela chama-se Apocalipse. Conseguir seu acesso dependerá de seu sucesso nas missões. E das chaves que vocês devem ter.
—Como podemos matar esses bruxos? – Elizabeth levantou as mãos, apontando para cada um na mesa. – Olha! Somos pessoas simples.
—Não se enganem, todos aqui possuem um dom especial. Almas de Titãs – a Anciã mostrou seu sorriso amarelo novamente e se levantou. – Me acompanhem.
Ela se dirige ao fundo do salão, onde uma porta de ferro fazia contraste com o estilo do lugar, uma porta semelhante à usada em submarinos com uma grande roda em forma de volante bem no seu centro.
—Eddie, abra a porta. – ela chamou pelo rapaz ruivo, que se aproximou e girou essa roda no meio da porta. Os demais se aproximaram lentamente.
—Alma de Titãs? – Niklaus cruzou os braços e arqueou as sobrancelhas. – Está louca? O que isso quer... Woah!
A porta se abriu e seu conteúdo foi exposto. Armas medievais de todos os tipos estavam espalhadas por todo o local – jogadas em cima de mesas, penduradas nas paredes, bagunçadas dentro de caixas. O ar era pesado e quente, a visão das lâminas e pontas afiadas era impressionante e aturdiu os jovens.
—Fiquem à vontade.
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