Titan Souls
3 Caroline Constantine
Caroline Constantine
Século XIX-29 de Março de 1816
Roma,Itália
Seus dias se passavam assim: sempre na cozinha, cozinhando delícias para o rei,todos os outros servos fazendo bagunça ao seu redor.Uma cozinheira de cabelos negros como a noite, amarrados em um coque bagunçado, os olhos violetas chamativos que não esboçavam nenhuma emoção,a face carregada de seriedade todo o tempo.Era nova, a vida não era das melhores mas ela não reclamava.Cozinhava todos os dias, na mesma rigorosidade,não deixando nada passar em branco.
Hoje,cozinhara uma lasanha:somente queijo,massa,carne e molho, da maneira que o rei apreciava.Todas as vezes que terminava o prato, era obrigada a deixá-lo no salão e observar enquanto um dos servos colocava enormes pedaços na boca,somente para ver se estava envenenado ou não.Há muito tempo não usavam esse método, e a garota não sabia o por quê de terem voltado a essa mania.Ela não tinha motivo algum para envenená-lo.
Porém,a rainha tinha- ela possuía uma amante em um reino próximo e faria de tudo para matar o rei, para então tomar o trono com seu amado,nesse jogo doentio de Poder.Enganara a cozinheira,dizendo que haviam descoberto uma nova iguaria,ordenando que colocasse o veneno no prato.
Todo o salão caiu em silêncio quando saliva escorreu da boca do servo e este gritava de dor,um pouco antes de cair morto no chão.Todos estavam em choque, até mesmo a rainha.Mas não poderia se dizer se ela estava encenando isto.
–A cozinheira!-a rainha gritou apontando para Caroline.-Ela tinha a intenção de envenenar a Vossa Alteza!
A garota mal teve de tempo de se defender.Todos os guardas do salão já marchavam até ela,agarrando seus braços e escoltando-a corredores abaixo pelo castelo.Logo, seus gritos já cobriam todo o local.
Levaram-na escadas abaixo, até as masmorras.Seus gritos cessaram no momento em que passaram pela porta de madeira no corredor sem saída do castelo.Nunca havia descido ali,era tão escuro e assustador.Era como um labirinto,quem entrasse estava destinado a morrer.
Precariedade.Era outra característica.Aquele lugar era feito para deixar até mesmo o mais corajoso chorando e gritando feito uma criancinha:um lugar feito de rochas,correntes pendendo das paredes,sons de nenhum lugar aparente ecoando, ossos pelos cantos,o ar pesado e quente pelas poucas vezes em que abriam a porta;várias entradas e nenhuma saída.Era possível ouvir o rugido de leões dali.
Amarram as mãos de Caroline em algemas velhas,com as correntes presas nas paredes.Sua única fonte de luz ali era uma tocha que os guardas levavam consigo mas deixaram com ela por puro deboche.Disseram que no dia seguinte com certeza a jogariam para os leões.E saíram escuridão adentro,enquanto lágrimas brotavam nos olhos da cozinheira que as segurava.Ela não choraria por algo que não fez.
Levantou-se e pegou as algemas com as mãos trêmulas,aproximou-as do fogo- estavam tão velhas que derreteriam nem que fosse um pouco.Passaram-se horas até que cedessem ao calor e arrebentassem.Caroline pegou a missão de andar até uma saída.E então resmungou por ter deixado a tocha cair em uma poça.
Pousou as mãos nas paredes frias e tateou-as pelo escuro.O lugar era simplesmente enorme e sons de goteira ecoavam.Porém depois de um tempo,ela ouviu algo a mais.Vários rosnados e passos se aproximando.Ela virou-se para trás,assustada,fechando os punhos.Vultos rápidos corriam perto dela.Não conseguia enxergar o quê.Entretanto,olhos faiscavam de ódio na escuridão e o cheiro metálico de sangue enchia o ar.
Ela soltou o ar que havia prendido sem perceber e se pôs a correr,os pés batendo fortemente na rocha.A vida dela dependia disso, mas pelo visto não por muito tempo.Será que parar e esperar a própria morte não seria mais fácil?Não achara uma saída antes, e agora então?
Um brilho a fez parar de correr e esconder os olhos com as mãos.Ela tremia somente de ouvir os rugidos cada vez mais próximos daquilo que seria seu terrível destino.Atreveu-se a dar uma olhada por entre os dedos.Uma...porta dourada?Um pequeno sorriso apareceu nos lábios rosados.Ela correu para o brilho a sua frente,atravessando a porta alguns segundos antes de sofrer uma morte horrível.
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