Tintas e Sombras
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Depois que a crise de Emma acabou, delicadamente decidi tocar no assunto de sua crise, afim de saber o que havia lhe desencadeado. Porque Emma tinha uma doença, mas os surtos psicóticos aconteciam quando ela vivenciava algum momento de grande tensão, de bastante carga emocional negativa. Ela relutou a princípio, mas acabou me contando que aquilo havia sido obra de Cora Mills, o que me deixou furiosa.
Depois de levar Emma sã e salva para sua casa, decidi que colocaria um ponto final naquela situação insustentável. Cheguei em casa praticamente cuspindo fogo pelas ventas. Aproveitei que nem meu pai e nem irmã estavam presentes, e surtei com minha mãe.
— Você não tinha esse direito! — berrei assim que a vi. Ela olhou-me com sua falsa surpresa e eu sabia que ela viria com seu teatrinho, tentando fingir. — Nem vem! Me poupe das suas mentiras esfarrapadas, do seu teatro medíocre! Eu sei o que você fez e isso é inadmissível! — estávamos em seu escritório.
— O que eu fiz foi pelo seu bem — retrucou ela, admitindo o que havia feito. — Fiz o que qualquer mãe faria no meu lugar. Fui me livrar de um "problema" pra você antes que ele se tornasse ainda maior! — elevou o tom de voz.
— Problema? — gritei, perdendo totalmente as estribeiras nesse momento. — O único problema que eu tenho é você! — a minha raiva havia chegado no limite. Eu encarava aquela mulher que havia me colocado no mundo, mas não a reconhecia. — Você é o meu problema e eu vou resolvê-lo agora!
Dei às costas a minha mãe e subi para o meu quarto decidida. Peguei uma grande mala e a joguei sobre a cama aberta. Comecei a retirar todas as minhas roupas do armário e Cora adentrou meu quarto, chocada com minha atitude.
— O que você está fazendo? — perguntou incrédula.
— Me livrando do meu problema! — respondi sem encará-la, jogando minhas roupas todas dentro da mala.
— Regina, você ficou louca? Para onde você vai? Você não trabalha, todo o dinheiro que você tem sou eu que te dou. Isso é... Patético! — debochou, duvidando de que eu realmente iria embora.
— Não se preocupe comigo, eu me viro.
Juntei as roupas, livros e objetos que consegui naquele momento, que não foram muitos, pois eu estava nervosa, e fui embora de casa, deixando uma Cora histérica para trás. Liguei para meu pai e ele veio ao meu encontro, dando-me dinheiro e me levando para ficar numa pensão de uma senhora muito simpática. Era melhor morar num quarto de pensão do que ter que aguentar minha mãe.
Meu pai me deu todo e total apoio e disse que eu não precisaria me preocupar com dinheiro enquanto ele vivesse, pois mesmo que não tivesse muito, ele me daria suporte financeiro e achava que era muito bom para mim sair de casa mesmo, o que me deixou aliviada e feliz.
Emma ficou chocada com minha atitude, mas se encheu de orgulho. Foi como se esse meu ato de rebeldia significasse um crescimento pessoal gigantesco, uma quebra do cordão umbilical. Decidi também que arrumaria um estágio remunerado o mais rápido possível, para ter meu próprio dinheiro, ainda que fosse pouco. E foi o que eu fiz. Conversei com Dr. Archie e ele me concedeu um estágio em seu hospital.
[...]
Eu amava tanto Emma Swan que chegava a ficar sem ar. Amá-la exigia tanto de mim, exigia tanta doação, tanta entrega. Exigia que eu utilizasse simplesmente cada pedaço do meu corpo, cada neurônio, cada veia. Eu dava tudo de mim a ela. Eu usava tudo de mim para amá-la, e por isso, às vezes, eu ficava sem ar. E então eu olhava para seus olhos verdes e recuperava o fôlego.
Gostaria de entender como um sentimento podia ser tão bipolar. Como amá-la poderia ser algo tão incrível, tão bom, tão grandioso e ao mesmo tempo tão doloroso? Porque sim, doía também. Claro que doía. Amar alguém doente... Doía. Doía porque doía em Emma. Primeiro doía nela. E saber que ela sentia dor, saber que ela sofria, que era atormentada por pesadelos reais dos quais eu jamais poderia fazer ideia doía. Mas o meu amor por ela era maior do que qualquer dor.
Meu tempo se divia entre minha faculdade e meu relacionamento com Emma. E ambos exigiam muito de mim. Eu estudava horas por dia, e amava Emma o dobro de horas. Estávamos praticamente sempre juntas, mesmo quando eu tinha que estudar. Ela me ajudava com a maior boa vontade do mundo, até mesmo quando eu estava estudando psicopatologias, o que era um assunto delicado... Principalmente quando chegávamos na esquizofrenia. Mas Emma se mostrava forte e encarava tudo com seu bom humor de sempre.
Com o passar dos meses, notei que ela ia voltando cada vez mais. Sua personalidade não estava tão esquisita quanto no começo da doença. Mas eu não podia negar que em muitos momentos Emma parecia "sumir", às vezes eu falava com ela e Emma sequer me ouvia, como se estivesse em outro planeta. Eu sabia respeitar isso. Até suas crises, que foram ficando menos recentes, até mesmo elas eu sabia respeitar. Não é porque ela tinha uma doença mental que isso desmereceria seus sentimentos e emoções. As coisas que ela ouvia eram reais para ela, então eu a respeitava e ajudava a passar pelo buraco escuro até retornar à luz.
Aos poucos Emma ia se reincerindo cada vez mais no mundo real. Mesmo contra vontade da minha mãe, meu pai fez questão que Emma nos visitasse em várias ocasiões, onde ele e minha irmã a recepcionaram da maneira mais calorosa possível, demonstrando que mais do que aceita, ela era amada por eles. Papai chegou a abraçá-la e dizer que lhe considerava uma filha, o que me fez chorar de emoção.
Quando não estávamos estudando no meu quarto da pensão, ou em seu quarto, estávamos passeando. Voltamos a correr e íamos e voltávamos da faculdade juntas. Emma voltou a pintar com assiduidade e eu notava que suas obras estavam cada vez melhores. Outra coisa que voltamos a fazer, que eu achei que faria muito bem a Emma foi o trabalho comunitário no hospital do câncer. A alegria das crianças de nos rever era sempre emocionante.
Sexo. Sexo era uma coisa que estava evoluindo entre nós gradativamente. Desde à nossa primeira vez, eu e Emma tínhamos uma intensidade e conexão única, mas é claro que com o passar do tempo e a repetição da prática nós fomos nos aperfeçoiando, nos conhecendo melhor, percebendo o que mais gostávamos.
O aniversário de Emma estava próximo e combinei com sua família em fazer uma grande surpresa. Fomos todos para o hospital e de combinação com o Dr. Archie e seus funcionários que conheciam e adoravam Emma, preparamos uma linda festa surpresa nos jardins. Todos os amigos que Emma havia feito no hospital e que ainda estavam internados haviam pintado quadros em homenagem à ela, e estes estavam espalhados pela festa. Haviam cartazes e bexigas.
Emma acordou e logo foi ao meu encontro. Os pais fingiram esquecer seu aniversário e eu também, mas ela não disse nada. Ficou triste, mas não me disse nada em momento algum.
Levei Emma para dar uma volta ao parque, dando tempo que eles terminassem de ajeitar as coisas, os doces e o bolo, e então quando voltamos para o carro, pedi que Emma me deixasse cobrir seus olhos com uma venda.
— Por que uma venda? — olhou-me desconfiada, de sobrancelhas erguidas.
— Porque eu quero te levar em um lugar especial, e você não pode ver — contei, com um sorrisinho e ela continuou encarando-me com desconfiança.
— O que você está aprontando?
— Só vai saber se me deixar vendá-la.
— Nunca fui fã de surpresas...
— Você vai gostar dessa, eu prometo — garanti com o meu tom mais conquistador.
— Ok, ok. Mas olha lá, ein...
Ri baixinho e Emma se virou, deixando-me vendar seus olhos. Dirigi até o hospital e no caminho todo ela ficou me questionando onde estávamos indo. Lhe ajudei a descer do carro e segurei seus braços por de trás, guiando-a pelo caminho, já que haviam alguns degrais. Emma era esperta, tinha excelente olfato e memória.
— Esse cheiro... Estamos no hospital? Quero dizer, no "meu" hospital? — perguntou confusa, andando devagar e quase tropeçando, como se tivesse medo de caminhar no escuro.
— Seja menos curiosa e ande mais rápido! — pedi, quase empurrando-a, mas sem deixar de guiá-la.
Logo avistei sua festa, lá estava Dr. Archie, os psicólogos e enfermeiros do hospital, assim como os outros pacientes, incluindo seu amigo Jefferson. Graham e outros colegas da faculdade também compareceram. Seus pais estavam perto da mesa de bolo, junto com seus dois irmãos. Sim, havíamos conseguido fazer com que Neal retornasse à Storybrooke para a festa da irmã. Meu pai e Zelena também compareceram, o que me deixou imensamente feliz. Todos estavam em silêncio enquanto eu guiava Emma para mais perto, até que a fiz parar e puxei a venda de seus olhos.
Todos gritaram em coro: — Surpresa!
Emma olhou assustada para todo mundo, com a boca aberta e olhos esbugalhados. Ela olhava e olhava, reparando em tudo, notando a presença das pessoas, notando a decoração, os doces, e todos olhavam sorrindo para ela. Então Emma se virou para mim com os olhos cheios de lágrimas.
— Foi você quem teve a ideia de preparar tudo isso? — perguntou baixinho e nesse momento fiquei sem graça com seu olhar tão intenso sobre mim.
— Bom, digamos que eu tive a ideia, mas se não fosse por todo o esforço e trabalho duro do pessoal, a festa não sairia.
Emma me deu o seu maior e mais lindo sorriso até então e me abraçou com força, erguendo-me do chão, me girando no ar como naqueles filmes românticos bem clichês e todos nos aplaudiram.
— Eu te amo — disse antes de me beijar.
Depois, Emma foi aproveitar sua festa. Abraçou cada um dos convidados e a sua felicidade era contagiante. Ela curtiu os irmãos, curtiu a presença do meu pai e de Zelena, brincou com os amigos "loucos", se emocionou com os quadros deles, deu vários abraços no Dr. Archie, que parecia um segundo pai para ela. Tirei várias fotos da festa, registrando os momentos mais marcantes.
Emma se entupiu de bolo de chocolate e brigadeiro. Dançou comigo várias vezes e logo fez com que todo mundo dançasse quadrilha junto. Claro que eu havia providenciado músicas irlandesas quando dei a ideia da festa para Dr. Archie. Emma amava festas irlandesas, então eu quis que a sua fosse o mais próxima possível disso.
Tiramos uma linda foto no final em que reunia respectivamente: Seus pais, seus irmãos, meu pai, Zelena, Emma e eu, Dr. Archie ao lado, Jefferson, Graham e todos os malucos beleza (apelido carinhoso que havíamos dado aos amigos internados de Emma). A foto ficaria para a posteridade.
Estava anoitecendo quando encerramos. Emma se despediu de todos com mais abraços e beijos e eu ficava impressionada com o quão querida ela era por onde passava, até mesmo no hospital. E o lugar parecia ter melhorado muito desde a sua internação. Dr. Archie e os outros médicos investiram em mais tarefas e eventos sociais para humanizar o lugar.
Emma se despediu de sua família também, porque eu disse à ela que iríamos embora juntas. A festa podia ter acabado, mas nossa noite não.
— Aonde estamos indo agora? — perguntou minha pequena princesa curiosa.
— Tem alguma coisa maior que a sua curiosidade? — questionei aos risos enquanto dirigia.
— Tem: minha fome.
Cai na gargalhada nesse momento e Emma me acompanhou.
— Você é mesmo uma criança.
— Eu estou brincando. A maior coisa que tem em mim é o amor que sinto por você... — falou em tom romântico, virada de lado para me olhar e eu não podia lhe dar a devida atenção por estar dirigindo.
— Logo menos eu vou beijar a sua boca e arrancar a sua roupa — prometi e Emma me olhou surpresa.
— Agora fiquei ainda mais curiosa para saber onde vamos... E com mais pressa também.
Levei Emma para um motel. Era a primeira vez que nós duas íamos a um motel. A levei para o melhor motel da cidade. E ao contrário do que eu imaginava, Emma não ficou constrangida, na verdade, como uma verdadeira criança, ela achou engraçado estarmos em um motel e ficou toda admirada reparando na decoração da enorme suíte que peguei para nós duas.
— Uau! Isso que é uma suíte... Olha só... Que televisão enorme, e tem todos os canais possíveis...
— Não estou preocupada com a televisão, não tem nada aqui que eu queira ver além de você — falei, depois de largar minha bolsa no chão.
Puxei Emma com força pela cintura, lhe abraçando por trás e comecei a roçar meu nariz em sua nuca, afastei seus cabelos loiros e passei a beijá-la ali, lhe arrepiando toda.
— Esse é com certeza meu melhor aniversário — disse entre suspiros, apertando meus braços.
Lhe virei de frente para mim e abracei sua cintura com força, encarando seus lindos olhos verdes que estavam mais brilhantes aquela noite, cheios de felicidade.
— Isso quer dizer que gostou da festa?
— Preciso mesmo dizer o quanto eu amei tudo? Foi a surpresa mais linda de toda minha vida. Hoje foi o dia mais feliz da minha vida. Todas as pessoas que eu amo estavam reunidas na festa, que você organizou. Nunca pensei que um dia alguém faria por mim metade do que você faz...
— Não estou fazendo nem metade do que pretendo! — confessei, roubando-lhe vários beijinhos enquanto minhas mãos apertavam sua cintura.
Emma me beijou de forma profunda e envolveu meu pescoço. Começamos a caminhar pelo quarto até que caímos desajeitadamente no sofá, rindo. Emma sentou em meu colo e eu a abracei com mais força, sugando sua língua com vontade.
Me livrei do seu casaco, que excepcionalmente hoje era azul e não vermelho. Arranquei sua blusa e logo estava abrindo seu sutiã, deslizando meus dedos por sua pele macia, tocando suas costas, sua barriga. Mordisquei seu lábio inferior e Emma gemeu baixinho, segurando em meus cabelos curtos.
— Quero tanto você — sussurrei em seu ouvido antes de morder sua orelha e ela riu baixinho.
— Eu sou sua — sussurrou, encarando meus olhos com um sorriso encantador nos lábios.
— Eu te amo.
Beijei sua boca novamente com vontade e então levantei do sofá, carregando Emma em meus braços, segurando suas coxas que envolviam-me. Cai na cama em cima do seu corpo macio e ela rapidamente se livrou da minha blusa e do meu sutiã, deixando que nossas peles se tocassem e aquele contato sempre me arrepiava, roubando-me suspiros apaixonados.
Fui beijando minha trilha favorita, que ia da sua garganta até o meio dos seios. Minhas mãos cobriram eles e seus mamilos ficavam facilmente rígidos para mim. Deixei que minha coxa direita roçasse entre suas pernas e Emma ficava toda inquieta com isso, movendo seu quadril, se impulsionando contra mim.
Comecei a sugar um de seus mamilos enquanto abria sua calça jeans. Emma puxava meus cabelos com uma mão e a outra deslizava pelas minhas costas, arranhando-me levemente, na medida certa para me deixar toda excitada.
Desci beijando todo seu corpo e sempre me impressionava e encantada as reações de Emma. Sua barriga se contraía sem parar com meus beijos úmidos, sua pele ficava ainda mais quente e toda arrepiada com os meus toques. Ajoelhei-me para puxar sua calça jeans e Emma ergueu as pernas, facilitando meu trabalho. Quando ela ficou apenas de calcinha, olhei para seu rosto e lá estavam suas bochechas coradas tão amáveis.
Não resisti em beijar sua boca mais uma vez e Emma me abraçou com força, utilizando de braços e pernas, prendendo-me no seu corpo quente e macio, tão convidativo e irresistível. Ela mordeu meus lábios, meu queixo, meu pescoço, depois a orelha.
— Gostosa — sussurrou em meu ouvido — Me faz sua — pediu em tom manhoso, deixando-me louca.
— Imediatamente... — respondi.
Desci beijando rapidamente seu corpo e num puxão pouco sutil, arranquei sua calcinha preta. Abri suas pernas e minha boca se encaixou perfeitamente em seu sexo encharcado. Comecei a lambê-la com vontade, ao mesmo tempo que enfiava dois dedos em seu interior apertado.
Emma começou a gemer baixinho como sempre fazia, e seu corpo começou a ficar vermelho. As bochechas, o peito, a barriga. Manchas rosadas se formavam e ela transpirava levemente e ofegava, inclinando a cabeça para trás.
Meus dedos faziam vai e vem em seu interior num ritmo cadenciado e eu não parava de sugá-la, até que ergui meu rosto para admirar suas reações e notei que Emma estava de olhos fechados, apertados e havia algo errado em sua expressão. Ela não era de prazer, mas de sofrimento. Aquilo me confundiu e me preocupou, o que fez com que eu encerrasse o que fazia.
— Emma? Emma? — mesmo depois de sair de dentro dela, Emma permaneceu com aquela expressão e começou a se debater, gritando. — Emma?
— Não, não, não! — abriu os olhos assustada e sentou na cama, se encolhendo toda, puxando o lençol para se cobrir. — Não! Me deixem em paz!
Ela estava tendo uma crise... Depois de tanto tempo... Justo no dia do seu aniversário, quando tudo estava indo bem... Uma nova crise. Puta merda.
Olhei para ela sem saber bem como proceder. Cada crise era sempre diferente, o seu comportamento se transformava.
Emma ficou enrolada no lençol, bem encolhida na cama como se estivesse sendo ameaçada. Ela não olhava para mim, olhava ao redor do quarto com os olhos verdes esbugalhados e ela começou a transpirar muito, eu podia ver o suor escorrendo pelas laterais do seu rosto.
— Me deixem em paz, por favor! — implorava, chorando e aquilo doía profundamente em meu coração. — Não, eu não quero. Não vou fazer isso. Não, não, não. NÃO!
Emma pulou da cama de repente e mesmo sem querer, eu estava chorando. Um choro silencioso, cheio de lágrimas. Emma correu em direção ao banheiro e eu lhe segui, preocupada, mas não tive tempo de segurá-la. Ela deu um soco no espelho e os cacos caíram no chão junto com o sangue da sua mão.
— Emma, não!!!
(EMMA)
"Covarde! Você é uma covarde!" Uma voz grossa e masculina dizia. "Idiota, imbecil. Você é uma vergonha, Emma. Você é uma vergonha." Outra voz diferente falava ao mesmo tempo e eu não conseguia pensar, pois as vozes eram altas demais. "Saia daí, otária. Você vai morrer, vai morrer, morrer, morrer..." Outra voz sussurrava. Eram várias vozes em minha cabeça, todos eles falavam ao mesmo tempo, entre sussurros, gritos de ordem e ofensas, o meu corpo todo entrava em um estado de ansiedade gigantesco. Estava em pânico.
— Emma, me ouça, Emma, pelo amor de Deus! — ouvia a voz de Regina ao fundo, ela havia me puxado de volta ao quarto e me sentado na cama.
Ela correu até o banheiro e pegou duas toalhas brancas, enrolando-as sobre minha mão, que sangrava demasiadamente, ao ponto de sujar todo o chão do caminho que fizemos, e até mesmo o lençol da cama.
Eu balançava para frente e para trás, com a outra mão enfiada sobre meu ouvido, na tentativa de silenciar as vozes, que prosseguiam.
— Emma, Emma — Regina segurou meu rosto e eu a encarei. — Por favor, fale comigo! — pediu desesperada, apertando as tolhas em minha mão e eu vi que as toalhas já estavam totalmente ensanguentadas. — Eu preciso te levar no médico, você vai ter que dar pontos...
"Ela quer te internar no hospício, sua retardada!" Uma mulher gritou, e ao mesmo tempo a voz grossa sussurrou: "Você é uma inútil, ficará trancada no hospital, amarrada em uma camisa de força.", "Louca, louca, louca!" Berrou, aos risos.
— EU NÃO VOU NO HOSPITAL! — berrei, levantando e empurrando Regina com tanta força que ela caiu no chão, assustada. — Não vão me prender, não vão. Eu não quero ficar presa, não quero, não, não, não, não...
Corri pelo quarto e peguei minhas roupas do chão, enfiando-as de forma desajeitada, sem conseguir coordenar bem meus movimentos. Acabei sujando-me toda de sangue, mas segurei as toalhas em minha mão. Sentei na extremidade do quarto, perto de um sofá que não chegava todo ao chão, havia um vão em baixo e aproveitei para me enfiar em baixo desse vão, deitada.
— Emma... — Regina se aproximou devagar, ajoelhando-se ali. — A sua mão... Por favor, me deixe te ajudar... — pediu baixinho, mas eu mal conseguia entendê-la, porque as vozes dentro da minha cabeça, as malditas vozes não me deixavam!
E então, depois de alguns minutos, tudo ficou preto.
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