Notas iniciais
Olha só quem já está aqui de novo!!! *-* Sim, estou viciada hahahaha Vocês me inspiram e me fazem ser boazinha e postar logo, viu só que lindeza? Adoro esse feedback lindo de vocês. Brigadão mesmo pelo carinho, meus amores. Capítulo narrado por ambas, intercalando. Música do capítulo: Arms - Christina Perri. Boa leitura!

(REGINA)

Dias se passaram desde os meus beijos com Emma na sexta-feira e ela não me procurou, sequer mandou nenhuma mensagem, o que me deixou chateada e cheia de incertezas. Será que ela não havia gostado do beijo? Será que havia se arrependido por termos misturado as coisas? O que se passava em sua cabeça, afinal?

Logo as minhas neuroses foram diminuindo, porque notei que Emma havia sumido das redes sociais, então o problema não deveria ser comigo. Esperei cruzar com ela na faculdade segunda-feira, mas não aconteceu. Na terça a mesma coisa e na quarta decidi ir procurá-la, pois eu sabia sua turma e me disseram que Emma havia faltado a semana toda, o que me deixou bem preocupada.

— O que está pegando, maninha? — Zelena tirou-me de meus devaneios, estava sentada no balanço do quintal de nossa casa lendo um livro. — Você anda tensa esses dias. Desde sábado, aliás, quando tivemos que ir passear com a louca da Cora.

Zelena tinha mania de chamar nossa mãe pelo nome, quase nunca chamando-a de mãe e fazia questão de enfatizar que isso se devia ao fato de nossa mãe não parecer uma mãe, por adorar nos criticar e etc.

— Eu? Tensa? — sorri sem graça, tentando disfarçar.

Zelena sentou ao meu lado e seu olhar para mim era de desconfiança.

— Vamos lá, você não me engana, Regina. Conte-me o que está acontecendo...

Fiquei em silêncio, tentando pensar em algo para mudar o assunto, para me esquivar dos questionamentos de minha irmã, mas eu não era uma boa mentirosa, pelo menos não com Zelena.

— Por um acaso esse seu comportamento tem alguma coisa a ver com a loira que estava se esgueirando pelo nosso jardim sexta à noite?

Arregalei os olhos e abri a boca, encarando Zelena incrédula e ela riu da minha reação ridícula, que certamente havia me entregado.

— Como... Como você sabe? Como a viu? — quase engasguei com minha própria saliva.

— Da janela do meu quarto eu consigo ver muito bem o jardim, irmãzinha. E eu vi quando sua loira pirada pulou sua janela... Vem cá, que saidinha você, ein? Se mamãe pegasse... Nossa! Nem quero pensar. Desde quando você e a tal da Emma estão saindo?

— Desde que nos conhecemos na festa aquele sábado — admiti, derrotada.

— E tá rolando? Maninha, você está saindo melhor que a encomenda, ein — debochou-me, aos risos e ao ver meu constragimento, parou. — Mas vem cá, me conte melhor isso. Eu vi vocês conversando na festa, mas nem imaginei... Então é com ela que tem saído todas as vezes? Bem que eu estava estranhando você saindo tanto de casa nos últimos tempos.

— Ah, não é nada demais. Nós... Viramos amigas, saímos algumas vezes, corremos juntas, conversamos bastante. Sabe que eu gosto de arte, então temos assunto e somos estranhamente parecidas em alguns aspectos. Eu gosto de conversar com Emma, ela é inteligente, intensa, cheia de opiniões e conhecimento, adora aprender, nós compartilhamos muitas coisas e é só isso.

— Se são só boas amigas, por que ela precisou pular a janela do seu quarto? — franziu o cenho.

— Porque... Porque... Bom, eu estava estudando e ela queria sair, eu disse que não poderia por causa da minha prova de segunda-feira, então Emma decidiu vir até em casa e me ajudar a estudar, só que ela não me avisou, porque se tivesse eu teria dito para não aparecer, pois conheço bem mamãe e sua falta de delicadeza com as pessoas. Ela me pegou desprevenida, simplesmente apareceu aqui...

— Emma veio até nossa casa, que até onde eu sei fica bem longe de onde ela mora, numa sexta-feira à noite, escalou até sua e invadiu seu quarto só para te ajudar a estudar? — Zelena se controlava para não rir na minha cara e até mesmo eu achei absurdo aquela afirmação.

— Exatamente isso. E ela me ajudou muito! Tenho certeza que tirei 10 na prova — tentei mudar o assunto e ela sorriu largamente, um sorriso de pura diversão.

— Que bela amizade essa de vocês... — ironizou — Espero encontrar uma dessas em breve. Mas então se estão nessa amizade tão boa, qual é o grilo? Por que está aí toda tensa?

Suspirei. Já que havia contado tudo aquilo, por que não contar tudo de uma vez? Zelena não era boba e nem nada e mesmo que eu não dissesse, ela sabia que havia alguma coisa a mais acontecendo.

— Na sexta-feira... — comecei, hesitante — Nós... Ela... Nós, é, nós duas nos beijamos — quase sussurrei essa parte, com medo que mamãe pudesse ouvir.

— Se beijaram? — quase berrou, o que me fez tampar sua boca.

— Fale baixo, pelo amor de Deus, Zelena! Se mamãe ouve... Eu nem quero pensar no problemão que iria arranjar.

— Tá, a pintora esquisita te beijou... E depois?

— Ela não é esquisita! — falei brava e Zelena se surpreendeu.

— Não está mais aqui quem falou.

— Nos beijamos e depois disso ela desapareceu. Nem uma mensagem ou telefonema, sumiu das redes sociais e nem na aula Emma apareceu.

— E depois não sabe por que eu a acho esquisita...

Dei um tapa forte em seu braço.

— Zelena!

— Au! Isso dói...

— Eu estou preocupada. No começo achei que fosse por causa do beijo, que não quisesse falar comigo, mas agora estou realmente preocupada. Emma ama a faculdade, não entendo por que faltou esses três dias. Será que ela está doente? — falei toda aflita.

— Isso eu não sei, e ficar pensando em mil e uma hipóteses para justificar sua ausência não vai resolver em nada, Regina. Se quiser saber o que aconteceu, vá atrás dela!

— Acha que eu devo? — perguntei com receio e ela revirou os olhos.

— É claro! Se a garota está doente ou sei lá o quê e desapareceu, o mínimo que você pode fazer é procurá-la, já que são tão "amigas" — deu-me um sorrisinho de deboche.

— É, acho que você tem razão. Vou até sua casa.

— Eu sempre tenho razão... Vá e depois me conte o que ela tem.

[...]

Um pouco constrangida fui até a casa de Emma e encontrei sua mãe, Mary Margareth. O senhor Swan estava na delegacia trabalhando.

— Desculpe-me vir assim sem avisar, senhora Swan, mas é que eu estou preocupada com Emma, ela faltou esses dias na faculdade. Algo aconteceu? — perguntei assim que entrei em sua casa.

— Não precisa se desculpar, pode vir a hora que quiser. Se você não tivesse aparecido, querida, eu teria dado um jeito de descobrir seu endereço e ir atrás de você! Eu não tenho seu telefone, por isso não telefonei... — a cada palavra sua, eu ficava ainda mais preocupada — Emma está trancafiada no quarto desde o domingo, quando teve uma discussão feia com o pai por causa de arte. David não consegue entender que o dom da Emma é pintar e que isso a faz feliz, ele acha que arte é perda de tempo e insiste que ela deve arranjar um emprego rentável.

— Nossa! A discussão deve ter abalado mesmo Emma, para estar trancada até agora...

— Emma é uma menina muito sensível — disse, olhando-me com preocupação e eu assenti, pois sabia disso. — E se tem uma coisa que a aterroriza, é a ideia de viver sem a arte. Suba e converse com ela, por favor. Eu já tentei de tudo, mas nada funcionou.

— Eu vou tentar falar com ela, senhora Swan. Pode deixar.

Subi as escadas devagar e fui caminhando de forma incerta pelo caminho de seu quarto, o qual eu já conhecia bem. Meu coração quase saia pela boca e eu me sentia tão nervosa com a ideia de revê-la depois do que havia acontecido conosco.

— Emma? — empurrei a porta de seu quarto que estava encostada.

— Regina? — Emma praticamente pulou de sua cama ao me ver.

Entrei em seu quarto, encostando a porta novamente e notei que ela estava abatida, provavelmente sem comer e os olhos avermelhados e inchados, pois devia ter chorado bastante. Os cabelos estavam bagunçados e ela vestia um moletom cinza.

— O que está fazendo aqui?

— Você sumiu... Eu fiquei preocupada.

Ela abriu um sorriso mais lindo e correu em minha direção, tomando-me em seus braços sem me dar tempo de pensar. Lhe abracei de volta com a mesma intensidade, deixando meu rosto entre seu ombro e pescoço, aspirando seu perfume amadeirado.

— Que saudades de você — ela disse, apertando-me tanto que nossos corpos estavam colados e essa sua intensidade me atordoava — Não pensei que fosse aparecer aqui em casa, senão teria colocado uma roupa mais decente... Obrigada por ter vindo, mas não precisava se preocupar comigo.

Quando me soltou, nos olhamos de perto e seus olhos verdes, sem os óculos, ficavam ainda mais arrebatadores.

— É claro que precisava — falei baixinho — Você faltou na faculdade, coisa que nunca faz, não mandou nenhuma mensagem... Desapareceu... Achei que... — dei-me conta do que estava prestes a dizer e desisti, me envergonhando.

— Eu tive um problema com meu pai, não tem nada a ver com você, linda — pegou a pele da minha bochecha levemente entre seu indicador e polegar, como se beliscasse e isso fez meu rosto esquentar.

— Sua mãe me contou... Discutiram por causa da sua arte?

Emma se afastou de mim e caminhou até sua cama, sentando-se enquanto suspirava.

— Meu pai é um boçal, ele não entende a importância da arte para o mundo e nem para mim. Acha que eu devia arranjar um emprego estável que me desse retorno financeiro imediato e desistisse da arte, mas eu não posso fazer isso, Regina — olhou para mim — A arte é tudo o que eu tenho... Ela é como oxigênio... Está ao meu redor, dentro de mim... Em todo lugar...

Dei um sorriso ao ouvir aquilo e me aproximei, sentando-me ao seu lado.

— Eu entendo isso, posso ver claramente o seu amor pela arte e a influência que ela tem sobre você e acho isso fantástico, Emma. Me sinto igual em relação à Psicologia, por isso te digo que não pode mesmo desistir apesar das críticas do seu pai.

Emma virou-se para mim e pegou uma de minhas mãos entre as suas, dando-me um dos seus sorrisos mais doces, um sorriso de menina.

— Você consegue me entender como ninguém.

Ficamos nos encarando por alguns instantes, nossos olhares estavam fincados e eu mal podia respirar com nossa proximidade.

— Senti sua falta — deixei escapar. — Não suma mais, por favor. Quando algo acontecer, me chame. Nós somos... Amigas, não somos?

Ela olhou bem dentro dos meus olhos, respirou fundo e abriu a boca, pronta para me dizer alguma coisa.

— Claro que somos — respondeu e eu vi pela sua expressão que não era aquilo que pretendia me dizer. — Eu não vou mais sumir, prometo — esticou sua mão para mim, dando-me seu dedinho como promessa.

Dei meu dedinho, enlaçando-o no seu e sorri.

(EMMA)

Regina ter ido em minha casa me procurar significava muito para mim. Eu havia sentido sua falta também, mas não tinha coragem de chamá-la ou de aborrecê-la com problemas meus, mas depois de sua atitude entendi que era de sua vontade estar ao meu lado e que ela queria que eu compartilhasse tudo com ela.

Mamãe preparou para nós um lanche delicioso e nós ficamos as três conversando. Minha mãe adorava Regina e se entrosava conosco, entrando em nossos assuntos sobre arte. Não entendia tanto quanto eu e Regina, mas ela simpatizava bastante e se esforçava para nos acompanhar.

Regina acabou ficando em minha casa até anoitecer e eu decidi acompanhá-la de volta a sua casa, lhe dando uma carona com meu fusca amarelo.

"I never thought that you

Eu nunca pensei que você

Would be the one to hold my heart

Seria aquele a segurar o meu coração

But you came around

Mas você apareceu

And you knocked me off the ground from the start

E me tirou do chão desde o começo."

— Não precisava ter me trazido até em casa — ela disse, olhando-me com um sorriso discreto.

— Assim como você não precisava ter ido atrás de mim depois de eu ter desaparecido como uma cadela, mas você o fez — afirmei, desligando o carro e virando-me para Regina. — Obrigada mesmo pelo que fez... Significou muito. Além da minha mãe, que é super protetora, eu não estou muito acostumada a ter ninguém que se importe comigo, que ao menos note esses meus conflitos.

— Vai ter que se acostumar, porque eu me importo com você, Emma e não pretendo sair da sua vida — olhava-me com um brilho nos olhos castanhos que me deixaram boba. Às vezes Regina conseguia ser ainda mais intensa que eu.

— Mesmo? Porque vivemos em tempos líquidos, aonde as relações são...

Inesperadamente Regina segurou meu rosto, se aproximou impulsivamente e beijou meus lábios de forma serena, me calando da melhor forma possível.

Inicialmente eu a olhei surpresa, erguendo minhas sobrancelhas, mas ao ver o sorriso em seus lindos lábios carnudos, não resisti, pondo a mão em sua nuca e beijando-a de forma profunda desta vez.

— Quanta ousadia, Doutora — falei em tom brincalhão quando nosso beijo se desfez, encostando nossas testas enquanto esperava nossas respirações normalizarem. — Gostaria de saber se ficaria assim tão corajosa se sua mãe nos flagrasse aqui...

— Vira essa boca para lá — rimos e permanecemos de testas encostadas, nos entreolhando de perto. Meus dedos deslizaram pelo seu rosto. — Acredite em mim, até você ficaria intimidada com Doutora Cora Mills.

— Quero conhecê-la — comentei enquanto nos afastávamos e Regina olhou-me quase chocada — Um dia, quando for a hora... Eu gostaria de conhecê-la, mesmo imaginando que provavelmente ela me assassinaria com os olhos por ser uma "má influência" a você, mas eu gostaria. Tenho curiosiade pelos progenitores de uma obra prima como você, Regina.

— Vamos marcar um jantar — falou de repente, surpreendendo-me. — Nós mal nos conhecíamos e você me levou para sua casa, me apresentou aos seus pais... Minha mãe é uma pessoa difícil que adora me constranger, mas acho mais do que direito que você possa visitar minha casa quando quiser, e para isso precisa vir primeiro conhecer os meus pais.

Eu olhava para Regina tentando decifrar aquela sua atitude, porque na maioria das vezes, apesar de para mim ser nítido a força e a coragem de Regina para batalhar por aquilo que acreditava, eu sabia que ela tinha extrema dificuldade em ter pequenos atos de coragem como aquele de encarar sua mãe, levando-me para sua casa.

Sorri para ela, realmente contente por sua decisão, que não foi tomada por influência ou imposição minha, mas por sua espontânea vontade.

— Se você realmente quer fazer isso, se quiser que eu conheça sua família agora, tudo bem. É só marcar um dia e eu virei, com toda certeza. Mas caso você não tenha certeza que quer fazer isso...

— Eu tenho certeza — interrompeu-me, pondo sua mão sobre a minha que estava em minha coxa — Eu tenho certeza que eu quero que você faça parte da minha vida, e para isso você tem que conhecer minha família. Zelena praticamente te conhece, porque além de te ver na faculdade, eu falei sobre você, mas de qualquer forma quero apresentá-las formalmente, vão se dar bem.

— Eu espero que sim — sorria feito uma boba, sentindo-me especial por Regina querer me apresentar a sua família.

— Agora eu preciso ir... Se cuida e me mande mensagem.

— Pode deixar.

Ela desceu do carro, bateu a porta, olhou-me com um lindo sorriso antes de se afastar e entrar em sua casa.

[...]

— Como eu estou, mãe? — perguntei ao descer as escadas, havia acabado de me arrumar para ir ao jantar na casa de Regina que foi marcado no sábado à noite da semana seguinte.

Minha mãe que estava sentada no sofá se levantou para olhar-me.

Eu estava usando uma calça jeans nova, botas de cano baixo com cadarço que pareciam uma espécie de coturno, usava uma blusa branca com o desenho de uma caveira mexicana e meu casaco de couro vermelho por cima. Os cabelos estavam presos num grande rabo de cavalo e eu usava óculos.

— Você está linda, meu amor. Dentro do seu próprio estilo, mas linda. Eu aposto que a Regina vai adorar! — falou com um sorrisinho todo malicioso.

— Mãe! Por que essa sua mania de achar que existe algo a mais entre eu e Regina? Nós somos amigas — afirmei sem muita convicção do que estava falando.

— Nem você acredita nisso — ela me contrariou, soltando uma risada. — Mas tudo bem, vou continuar dizendo que vocês são só amigas, se isso te deixa mais aliviada. Só que eu nunca vi você desenhar o rosto e os olhos de uma amiga tantas vezes assim...

Revirei os olhos e soltei um bufo de indignação, porque eu conseguia ser bem tímida em dadas circunstâncias e não gostava muito de expor certas intimidades, e para mim não havia nada mais íntimo no momento do que os meus confusos e intensos sentimentos por Regina Mills.

— Deixa eu ir antes que me atrase...

— Cadê meu beijo?

Balancei a cabeça negativamente, beijando minha mãe na testa antes de sair.

Peguei meu fusca e no caminho vi uma floricultura, decidi parar e comprar algumas flores. Acabei comprando um buquê de orquídeas para dar a sua mãe de sempre. Já que ela era uma fera, o mínimo que eu podia fazer era tentar agradá-la um pouquinho.

Toquei a campainha e senti um nervosismo inédito tomar conta de mim, deixando minhas pernas bambas. Poucos segundos depois uma Regina linda, de saia preta e uma blusa de linha branca surgiu, recepcionando-me.

— Emma! — sorriu para mim largamente e seus olhos brilharam ao se encontrarem com os meus. — Você está... — seus olhos caíram pelo meu corpo e depois encontraram os meus novamente. — Linda — completou por fim, soltando um suspiro e só então viu o buquê em minhas mãos.

— Eu trouxe para sua mãe — quase sussurrei — Estou querendo causar uma boa impressão — admiti, roubando-lhe um risinho. — Você também está linda.

— Entre, venha!

Regina puxou-me delicadamente para dentro e eu não consegui disfarçar minha cara de boba ao entrar em sua enorme casa. Senti-me meio perdida no começo, olhando ao redor e reparando na decoração luxuosa e impecável. Não havia sinal da sua família, apenas algumas vozes vindo mais de dentro, então ela me conduziu até a copa aonde um verdadeiro banquete me aguardava em uma mesa cheia de lugares, daquelas de filmes.

— Mamãe, papai, Zelena... Essa é a Emma.

(REGINA)

Eu estava feliz, mas também temerosa por aquele jantar. Eu conhecia minha mãe o suficiente para prever seu comportamento.

Apresentei Emma e meu pai foi o primeiro a cumprimentá-la, sem frescuras, lhe dando um abraço carinhoso de agradecimento por Emma ser aquela pessoa que estava tirando-me mais de casa e me fazendo bem.

Notei que Emma ficou envergonhada, mas isso não foi um privilégio só seu. Meu pai nesse aspecto se parecia com a senhora Swan, era ótimo em constranger-me sendo um pai coruja e entregando meus segredos.

Zelena também abraçou Emma e lhe tratou de uma forma melhor do que eu esperava, recepcionando-a com todo seu bom humor e habilidade social, deixando-a a vontade, o que para mim era o mais importante.

Mamãe foi extremamente polida com Emma, sustentando seu típico sorrisinho fingido nos lábios o tempo inteiro. A cumprimentou, agradeceu pelas flores e pediu que o jantar fosse servido.

Nossos empregados serviram a mesa e eu notei o quanto Emma estava nervosa, olhando-me praticamente como se me pedisse socorro, pois não estava acostumada a comer com tantos talheres. Na sua casa as coisas eram simples.

O pior de tudo foi quando nossos pratos foram servidos. Eu falei para Cora pedir que preparassem um jantar gostoso, mas utilizando-se de um prato típico, que fosse conhecido e consumido pela maioria das pessoas, para não haver "problemas", mas é claro que minha mãe não me ouviu.

Nos serviram branzino e Emma ficou ainda mais nervosa. Todos começaram a comer e com esperteza ela conseguiu acertar nos talheres, mas tinha extrema dificuldade para se servir com o peixe.

— Primeira vez comendo Branzino, filha? — papai perguntou gentilmente e Emma sorriu nervosa. — Não se preocupe, é difícil no começo. Zelena, ajude-a.

Zelena estava sentada ao lado de Emma e lhe ajudou, cortando a cabeça e o rabo do peixe e eu me aliviei, pois como estava sentada de frente para ela, não poderia ajudá-la.

Discretamente mamãe observava a cena e eu via em seus olhos o desprezo por Emma. Claro que ela a desprezaria. Não por que era uma mulher, mas porque era pobre.

— Então você é uma artista, senhorita Swan? — a voz fria e implacável de minha mãe nos despertou subitamente.

— Mais ou menos isso, senhora. Eu estudo Artes Visuais, estou querendo aperfeiçoar minha técnica em pintura.

— E já tem um retorno financeiro adequado? — ao ouvir aquela pergunta, eu, papai e Zelena olhamos de uma única vez para ela, como se quisessemos matá-la.

— Sinceramente não, senhora. Ainda não comecei a estagiar, apesar de ter tido oportunidade. O meu sonho é me lançar como artista mesmo, expor e vender minhas obras, mas acho que talvez ainda seja muito cedo para isso — Emma falou com toda sua sinceridade, sendo honesta e isso deixou-me orgulhosa.

— Regina me disse que você tem muito talento — Zelena interveio — Gostaria de qualquer hora ver suas obras.

Emma sorriu para Zelena, agradecida pela gentileza e pela tentativa de harmonizar o clima.

— Lhe mostrarei com todo o prazer.

— Eu também vou querer ver, sou apaixonado por arte — papai disse sorridente — Regina puxou isso de mim.

— Claro que sim — mamãe disse com uma ironia quase cortante. — Minhas filhas puxaram muito mais o pai do que a mim.

Minha vontade era de jogar o peixe na cabeça de mamãe, porque sua capacidade de ser inconveniente e desagradável era tamanha que eu nem sabia como meu pai ainda estava casado com ela.

— O que certamente é uma sorte para elas — meu adorável pai retrucou, roubando um sorriso discreto meu e de Emma, que trocávamos olhares o tempo inteiro. — E seus pais, Emma? Conte-me sobre eles.

O jantar seguiu sem grandes constrangimentos ou problemas. Emma falou sobre seus pais e respondeu de forma doce todas as perguntas de meu pai e Zelena, que eu podia ver claramente que estavam adorando-na, como eu sabia que adorariam, porque Emma era encantadora.

Mamãe ficou em silêncio a maior parte do tempo e o seu olhar de desdém deixava-me muito irritada, mas Emma agia como uma verdadeira dama, sem deixar-se abalar, mantendo sua educação e sua doçura intactas.

Depois do jantar mamãe pediu desculpas e se retirou com a desculpa que estava com dor de cabeça, o que eu agradeci mentalmente. Nós prosseguimos conversando e nos deliciamos com uma sobremesa de pudim de chocolate. No final da noite, levei Emma até a porta.

— Obrigada por ter vindo e por ter aguentado a grosseiria da minha mãe — falei, preocupada que Emma estivesse chateada.

— Não se preocupe — sorria para mim — Estou acostumada com cara feia e gente que não gosta de mim, isso é mais comum do que você possa imaginar.

— É difícil acreditar que ajam pessoas que não gostem de alguém como você — deixei escapar aquelas palavras num tom excessivamente... Meloso? O que estava acontecendo comigo, afinal?

— Está tentando me seduzir? — perguntou com bom humor, arrancando-me um frouxo de riso. Emma era intensa, romântica, engraçada e leve ao mesmo tempo, e isso era incrível. — Pois saiba que eu não sou seduzível...

— Não? Poxa, assim você fere meus sentimentos — brinquei também. — Se minha mãe não fosse tão intragável, eu te pediria para ficar.

Emma olhou-me de um jeitinho sedutor por de trás daquelas lentes.

— Se não posso ficar... Venha comigo — convidou-me com um tom de voz ao qual eu não poderia resistir.

Mordi meu lábio inferior, sentindo uma intensidade crescente dentro de mim, um frio na barriga súbito.

— Aonde iremos?

— Você vai descobrir se vir comigo.

— Não sei se posso... — eu estava nervosa demais, tendo um conflito entre ir com Emma, que era o que eu queria, ou ficar em casa, não correndo o risco de aguentar minha mãe falando no meu ouvido depois.

— Sua mãe já se recolheu, não vai te ver sair... E você é maior de idade, pode fazer o que bem entende. Peça para o seu pai, Regina. Vamos lá, eu prometo que será uma noite inesquecível.

— Tudo bem, eu irei. Só vou falar com meu pai. Espere-me aqui.

Notas finais
Emma jantando na casa de Regina... Que acharam do capítulo?