Tinta À Óleo
7 Timeline
Notas iniciais
Tinta À Óleo
Polly Weasley
– Sério que o horário de visitar é só à tarde? – Ikki estava sentado na cama de Shaka, com o celular no ouvido e uma voz indignada. – E quem trabalha não pode visitar os doentes, é isso?
O moreno suspirou, controlando a voz. Já não tinha ido visitar a mãe do cunhado pela manhã, e à tarde acabara “desmaiando” na cama de Shaka e extrapolara o horário de visitas. Isso o deixava frustrado e com raiva, mas o dia tinha sido ótimo e ele não queria estragar tudo por conta das suas preocupações.
– Dá pra ir amanhã? – O leonino voltou a perguntar, ficando um pouco mais calmo depois da resposta que recebera. – Tá certo, Hyoga. ‘Té amanhã, então.
Desligou o telefone, respirando fundo, e virou-se para o homem que estava dormindo quando atendeu ao telefone. Agora ele estava acordado, olhando para o mais novo com um rosto sonolento, mas com os olhos bem abertos.
– Problemas? – O loiro perguntou, alisando o braço do outro, notando que ele ficava arrepiado com o toque.
– Nada demais... Quero dizer, não pra você. – Ikki sorriu, adorando aquela carícia. – A mãe do Hyoga teve uma parada respiratória ontem, e está na UTI. Aparentemente, está melhorando e vão tirá-la dos tubos logo. – O mais novo ficou um pouco sério, mas não demonstrava tristeza.
– Isso quer dizer que ela já está melhor, não é? – Shaka perguntou, tentando acalmá-lo. Gostava de Hyoga e estavam virando amigos, mas não conseguia sentir uma grande comoção, e meio que se culpava por isso.
O moreno deu-lhe um risinho, o rosto amenizado e o coração um pouco mais calmo. O indiano tinha esse poder sobre ele, de acalmá-lo e deixá-lo mais feliz.
– Eu te conheço a menos de cinco meses e já parece que você é perfeito... – Ikki murmurou, abaixando-se para depositar um beijo nos lábios do mais velho, que sorria entre a carícia. — ... E foi o suficiente para saber que te amo...
Shaka sorriu mais, abraçando-se ao outro. Realmente, fazia pouco tempo, mas o que sentia pelo outro era muito intenso para ser confundido com paixão ou mera atração. Estava feliz como nunca estivera antes e não poderia pensar em estar em qualquer outro lugar que não fosse nos braços dele.
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Eram quase 8 da noite quando Mu decidiu ir à casa de seu melhor amigo. Estava feliz por Milo e Afrodite quererem lhe dar uma festa, mas aquilo ainda parecia “sem noção”. Precisava falar com alguém mais sensato, e Aldebaran era esse alguém.
A porta foi aberta, revelando uma adolescente que, apesar de Mu saber só ter 15 anos, tinha o corpo de uma mulher feita.
– Oi, Ju. Seu pai está? – O tibetano perguntou, e a menina abriu mais a porta para que ele passasse. Ela não era muito alta. Tinha a pele escura, levemente avermelhada, com longos e lisos cabelos negros que desciam lânguidos até os quadris avantajados. Apesar do corpo e aparência claramente mestiça indígena, a moça tinha olhos grandes e verdes, contrastando totalmente com todo o conjunto de si.
– Tá comendo. – Ela falou, desinteressada. Usava apenas um short curto e uma camisa justa, o que fez o homem observá-la com um olhar meio indignado. – PAI, O TIO PORQUINHO TÁ AQUI! – Ju gritou, fechando a porta, fazendo Mu rir. Desde que ela descobriu o significado de seu nome aos 10 anos, passou a chamá-lo de “tio porquinho” e nada no mundo conseguiu impedi-la.
– NA COZINHA! – Uma voz grave gritou de volta. – ENTRA, MU!
O tibetano foi entrando, acostumado com as pessoas daquela casa. A moça vinha logo atrás dele, com um rebolado e uma expressão enfadada.
– Quantas vezes já não disse para vocês pararem de gritar nessa casa? – Uma voz irritada perguntou, assim que Mu entrou na cozinha.
Era uma mulher bonita, muito parecida com a adolescente, com os mesmos olhos verdes. Os cabelos negros estavam presos num rabo-de-cavalo, e ela segurava um bebê nos braços.
– Ah, mãe, me poupe. – A mais nova resmungou, indo para a pia e recomeçando a lavar os pratos. Ela parecia extremamente irritada, e o ariano apenas riu.
– Olá, Patricia. – Ele cumprimentou a mulher, alisando os cabelos do pequeno.
– Oi, Mu. – Ela deu um beijinho na bochecha dele, olhando para o marido em seguida, que comia um sanduíche na mesa. – Olha! É desse jeito que recebem uma visita?
– Não é uma visita! É o Mu! – Aldebaran falou, apontando para o amigo. – Deixa de ser visita depois de cinco anos de amizade, e o conheço há...
– ... A vida inteira. – Mu deu de ombros, sentando-se na mesa, rindo. Conhecera o amigo com 12 anos, logo quando chegou à Grécia. Ambos estudaram na mesma escola e viveram a vida juntos desde então. Aldebaran era do tipo de amigo que sempre tentou retribuir. O taurino estava com Mu – e continuou – quando ele “se deu conta” de sua opção sexual, e ele estava ao lado do brasileiro quando o mais alto engravidou a mulher aos 17 anos e entrou em desespero. Era o seu amigo mais prezado, e era a ele a quem sempre recorria quando tinha dúvidas.
Contou para eles sobre a festam, e sobre a ideia de trazer meio mundo para ela que Afrodite tivera, e o moreno riu, quase zombando.
– Você está com medo de uma festa? –Aldebaran perguntou, levantando uma sobrancelha.
– Imagino que deva ser assustador ter várias pessoas comemorando seu sucesso... – Patricia completou, rindo, enquanto o bebê em seus braços quase dormia.
– Sem falar que arranjar alguém pra “tirar o atraso” deve ser super desconfortável... – A menina falou, da pia, fazendo a mãe olhá-la com olhos arregalados.
– Juçara! – A mais velha exclamou, fazendo a adolescente virar-se para ela, com uma soberba contida.
– Por favor, mãe, todo mundo pensou isso! – Juçara apontou para os três sentados à mesa. – Acho que até o Pedrinho pensou isso! – Apontou pro bebê, que já dormia, com o dedo na boca. Virou-se para Mu, colocando as mãos nos quadris. – Tio Porquinho, desculpa, mas você precisa de um namorado.
Mu riu, tendo que concordar. Seu ultimo relacionamento de verdade tinha sido há muito tempo. Depois disso, nunca mais conseguiu passar mais que alguns meses com uma pessoa só. Achava que estava tendo um bloqueio amoroso, e por isso não havia conseguido ficar com alguém que prestasse.
– Desculpe pelos modos dessa selvagem, Mu... – A mulher falou, levantando-se. – Ela não puxou isso do meu lado da família. Com licença, preciso colocá-lo no berço. – Ela sorriu, saindo em direção aos quatros, dirigindo um olhar aterrador para o taurino, como se dissesse “culpa sua!”.
– Essa mulher não aguenta a verdade... – Juçara falou, terminando de ajeitar a louça, fazendo o pai rir.
Os três conversaram sobre a exposição, rindo dos comentários audaciosos de Juçara. Quando Patricia voltou para a cozinha, eles estavam numa discussão tórrida sobre porque UFC era melhor que as lutas tradicionais e a mãe não pode fazer nada além de olhar, horrorizada, Mu receber uma chave de braço do homem mais alto, enquanto a filha ria e assistia como se a dor alheia fosse divertida.
Quando foi embora, quase às 10 horas da noite, Mu se sentia bem mais tranquilo. Era uma ótima oportunidade das coisas acontecerem, e ele estava feliz por seus amigos se preocuparem com ele a esse ponto. Naquela noite, dormiu feliz, sem preocupações ou transtornos.
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Saga Vaskália fazia uma lista das novas contratações que precisava para reorganizar os atendimentos do hospital. Sendo o diretor de um dos maiores hospitais de Athenas, tinha responsabilidades que o faziam virar a noite atulhado em papéis. Por sorte, tinha seu irmão gêmeo Kanon, que era o cirurgião chefe, para lhe ajudar a tomar as melhores decisões o gêmeo mais novo vivia entre os pacientes e sabia de suas necessidades, ao contrário de Saga, que acabara limitado ao escritório.
Estava analisando mais um currículo quando Kanon entrou no escritório, que estava com a porta aberta, e apoiou-se na escrivaninha, observando o que o irmão fazia.
– Vai contratar toda essa gente? – O mais novo perguntou, olhando a lista que saga fazia.
– Vou. – O diretor deu de ombros. – Segundo o número de pacientes que vemos tendo esse ano, o ano que vem vai precisar desse número de pessoas pra se equilibrar.
Kanon girou os olhos, como se o que Saga falasse fosse extremamente infantil.
– Só tem pacientes com casos simples. Poucas pessoas tem algo grave, e os médicos que temos dão conta. Corte essas pessoas pela metade. Contrate – ele apontou para quatro médicos na lista – esses caras e o resto de estagiários. Vai ser menos congestionado e pagamos menos.
Saga suspirou, olhando para o irmão.
– Você tem certeza? – Perguntou, sentindo uma sensação ruim. Não achava certo, mas confiava no mais novo.
– Claro que tenho. – Kanon falou, voltando à posição normal. Os gêmeos eram realmente idênticos, os mesmos cabelos longos e loiros, os mesmo olhos azuis, a postura austera, o rosto boniot, exceto que Kanon parecia muito mais ativo e jovem, ao passo que Saga tinha olhar mais sensato e mais calmo. – Vamos lá, Saga! Imagine que todos ganham mais dessa forma. Mais gente aprendendo e menos conta pra pagar.
O gêmeo mais velho apertou os dentes, pensativo.
– Você fala como se os pacientes fossem bolsas de dinheiro... – falou baixo, o que fez Kanon rir.
– Se ganhamos dinheiro com eles, isso não é muito diferente da realidade, não é? – O mais novo falou, com ar de riso, saindo do escritório e deixando Saga sozinho.
O diretor voltou a olhar para a lista e, com certo pesar, começou a riscar os nomes de quem não seria contratado.
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– Vamos, Shaka... Eu preciso ir pra casa... – Ikki falou, tendo o pescoço beijado pelo loiro, que estava deitado em cima dele, ambos no sofá.
Tinham jantado e assistido filmes a noite inteira. O leonino tentava conversar Shaka de que Identidade Bourne era melhor do que Matrix, mas o loiro estava irredutível. Resolveram o impasse com beijos e amassos. Conversaram sobre livros, o que os levou ao Kama Sutra – Ikki zoou Shaka por ser indiano e não saber as posições do livro — , conversaram sobre a paixão de Ikki pelo History Chanel e sua neurose com os políticos.
Agora estavam deitados no sofá, com o loiro atacando o pescoço do mais novo, enquanto Ikki tentava manter a sanidade.
– Dorme comigo, raposa... – Shaka pediu, manhoso, enquanto lambia-lhe a pele morena.
– Vou... Sair amanhã de manhã... – Ikki tentou argumentar, com a voz lenta.
– Você pode ir daqui... – O virginiano começou a beijar sua boca. Estava viciado nela desde que a provara pela primeira vez, e agora não conseguia deixá-lo ir. Num sentimento egoísta, queria-o só pra si.
O moreno não resistiu àquele pedido tão convincente, e o abraçou pela cintura, aprofundando o beijo. Levou uma das mãos até a sua nunca, acariciando a pele e puxando a base dos cabelos devagar, cingindo os quadris do loiro com as pernas, fazendo-o gemer de leve. Era ótimo estar ali com ele, mesmo com todos os problemas, e por algum tempo, ele esquecia suas preocupações.
Eles fizeram amor novamente, descobrindo um ao outro, reconhecendo cada toque, cada suspiro, cada olhar do outro. Nem ao menos era preciso falar; os dois se compreendiam apenas por um olhar.
Tarde da noite foram dormir, Ikki com umas roupas emprestadas e abraçado à Shaka, que parecia o homem mais feliz do mundo.
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– Quando é que você vai dormir? – Afrodite ouviu aquela voz rouca ao seu pé do ouvido, acompanhada por um beijo em seu pescoço, que o deixou completamente arrepiado.
– Daqui a pouco, amore mio... – Respondeu. Ele estava deitado na cama de barriga para baixo, apoiado nos cotovelos, com um laptop aberto em sua frente, enquanto ele fazia a lista dos convidados da festa de Mu, com o celular do lado e o facebook aberto, catando nomes e endereço, assim como disponibilidade, anotando tudo detalhadamente.
– Não sei pra quê você se mete nessas coisas... Só pra ter dor de cabeça depois... – Sentiu o italiano passar os dedos sobre suas costas nuas, dando-lhe mais arrepios, e depois subir e alisar sua nuca com o polegar e o indicador.
– É a exposição de um dos meus melhores amigos, Ângelo... Eu meio que tenho a obrigação de fazer isso... – Afrodite falou, com voz manhosa, enquanto escrevia o nome de Shaka na lista VIP.
– Você vai colocar o Ikki também? – O moreno perguntou, olhando o que o outro fazia.
– O peguetinho do Shaka? – O sueco provocou, fazendo o namorado rir.
– Você não sabe o quanto o Ikki fala nesse loiro... Eles vão acabar se pegando, to dizendo... – O canceriano disse, fazendo o outro rir.
– Acho que eles já se pegam. – Dite deu de ombros, fazendo um biquinho. – Não tenho ele no face... Qual o nome dele todo?
– Ikki Amamiya. – O outro falou, esperando o namorado escrever para puxá-lo pela cintura, fazendo-o soltar um gritinho e rir, enquanto tinha o tórax abraçado e o pescoço beijado pelo outro.
– Hmmm... Eu preciso terminar a lista... – O pisciano tentou dizer, mas o corpo já amolecido pelo contato com o outro.
– Termina depois... – O italiano murmurou, mordiscando o pescoço pálido dele.
– Mask, não... – Com esforço, Afrodite se virou, colando seu corpo no do outro e olhando-o nos olhos. – Preciso terminar a lsita hoje, pra poder mandar os convites a tempo... Nem adicionei os Vaskália ainda...
– Você vai convidar aqueles dois sanguessugas? – O moreno perguntou, com uma leve irritação na voz.
– Eles são pessoas influentes, amore, têm que ser chamados. – O sueco falou, alisando o ombro do amado. – Caso não os chame, o Mu pode perder uma oportunidade e tanto de expor em lugares maiores e-
Não conseguiu continuar, pois foi interrompido por um beijo do outro. Sorriu, retribuindo, sabendo que Mask já não se importava com aquela discussão. Pensaria naquilo mais tarde, depois que terminasse o que fazia naquele momento.
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Continua...
Notas finais
O capitulo ficou bem pequeno, eu sei, mas é basicamente uma ligação para o que vai acontecer depois. É a partir daqui que a trama realmente acontece!
Agradecendo à Vanessa, Sion Neblina, Cahanibal, Mitchan, ddkcarolina, Victoriana e Daftookami!
Em especial à Sion Neblina por, além de sempre me apoiar em todos os sentidos, ter usado referencia da minha fic para a fic dela, a "Loves to Blame"! http://fanfiction.com.br/historia/127247/Loves_To_Blame/
Por fim, obrigada por tudo e beijos da Polly! Prometo não demorar tanto! =D
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