Tinta À Óleo
8 Intimidade
Notas iniciais
Tinta À Óleo
Polly Weasley
Ikki entrava no hospital com passos firmes, mas o coração hesitante. Tinha medo do que poderia ver, e isso o deixava aflito e nervoso. foi indicado onde ficava o quarto por uma enfermeira e entrou, falando com Shun e Hyoga, que estavam ali desde que o russo trocara de lugar com o irmão, logo cedo.
O moreno encarou a mulher deitada. ela ainda estava entubada e desacordada, com o rosto pálido mostrando alguns sinais de emagrecimento.
- Oi, tia... — Ele começou, sentando-se na beirada da cama e alisando o rosto da mulher, com o olhar pesado. Por fora, o leonino estava firme, sem transparecer qualquer emoção negativa, mas por dentro seu coração estava apertado, comprimido de tristeza ao vê-la naquela situação. O moreno ia se levantando quando notou o braço dela. Na junção acima do colovelo havia uma mancha roxa levemente esverdeada, com a carne ao redor com um inchaço bem aparente.
- O que foi isso? — Ikki perguntou, olhando para o cunhado. Hyoga olhou para o lado, meio receoso, e depois voltou os olhos para o mais velho, respirando fundo.
- As enfermeiras não são as mais delicadas, se é que posso dizer assim... — O loiro disse, vendo o rosto do leonino mudar de uma expressão séria para uma de completa raiva.
- Enfermeiras!? Isso é trabalho de um açougueiro! Olhe para o braço dela! — O moreno explodiu, gesticulando com as mãos. — Está claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo!
- Calma, niisan... — Shun se aproximou do outro, tocando-o no ombro. — Já tivemos nossa dose de revolta. Não há nada que posamos fazer...
- Então não foi só dessa vez!? — Ikki quase gritou, o rosto lívido. — Onde é que está o médico dela? Quero conversar sobre isso agora!
- Ele deve estar atendendo os outros leitos, Ikki...! São vários aqui, e-
- Então não há um médico só pra ela!? Pra quê pagamos essa espelunca, afinal? — Ele estava fora de si. Saiu do quarto pisando pesado, com Shun atrás dele, tentando controlar os animos. O moreno foi até a recepção, olhando tão feio que a secretária arregalou os olhos, assustada. — Onde está o diretor desse lugar?! Quero falar com ele agora!
- Ikki, calma...
- Cala a boca, Shun! — O mais velho interrompeu o irmão asperamente, fazendo o rapaz olhar para o namorado, desistindo de controlar aquele rinoceronte revoltado. — Cadê o cara1? — Ele voltou a perguntar para a secretária.
- O senhor Vaskália está numa reunião importante nesse momen-
- Não me importa! — Ikki a interrompeu, as mãos apertando o balcão com força. — Chame o cara!
- Você pode falar comigo, se quiser. — Uma voz calma falou, fazendo Ikki voltar os olhos para seu dono. Olhou o crachá, onde se lia o nome "Dr. Vaskália". — Kanon Vaskália, cirurgião chefe. — O homem estendeu a mão, mas Ikki a ignorou completamente.
- Que merda de gente vocês estão contratando pra trabalhar nesse hospital?! — O moreno começou, com uma vontade gigante de esmurrar o primeiro que passasse. — Parece que querem matar os pacientes!
- Nossos médicos e enfermeiros são os melhores. alguns pacientes são mais frágeis que outros, não é nossa culpa. — Kanon falou em enfado, como se tivesse falado aquilo várias vezes.
- Só faltaram arrancar o braço dela! — Ikki explodiu, o rosto vermelho. — Vocês devem fazer algo a respeito!
- Não há nada que possamos fazer. — O médico falou, o rosto calmo e inalterado. — Agora acalme-se, senhor. Está assustando os outros pacientes e responsáveis. — Completou, antes de falar qualquer coisa com a secretária e ir embora.
Não houve mais nada que Ikki pudesse fazer, então ele teve que engolir a raiva e voltar para o quarto, movendo de ódio daquele lugar, e principalmente daquele médico nojento. Quem ele pensava que era? Deus?
- Eu disse que não adiantava... — Shun suspirou, alisando as costas do irmão, que estava sentado ao seu lado.
- Ah, mas vai adiantar... — O leonino olhava para frente com as sobrancelhas franzidas em raiva. — Se acontecer algo com ela, eles vão ver só. Vão pagar até o último fiozinho de cabelo do cu deles...
Hyoga teria rido da frase se não fosse o olhar assassino do cunhado. Ele ainda ficou até o final da manhã, saindo de lá um pouco antes do horário de almoço, pensativo e remoendo aquela situação. estava calmo, mas o ódio corroendo o seu peito como ácido.
Foi para casa e tomou um banho demorado, tentando controlar aquele sentimento angustiante dentro de si. Procurou algo para preparar para o almoço, terminando por estar com várias coisas em tigelas diferentes, mas nenhuma ideia.
Decidiu ligar para Shaka, com a desculpa de perguntar o que fazer pra comer, mas na verdade, era mais pra escutar sua voz.
- Oi, raposa. — Ikki sorriu ao ouvir o apelido que o outro tinha dado para si, e teve o desejo de falar milhares de coisas fofinhas como "sua voz é linda", ou "estou com saudades mesmo tendo te visto só há algumas horas", mas se conteve, parando no sorriso. — O que o "senhor" quer?
- Estou sem ideias do que fazer para o almoço. Alguma sugestão? — Perguntou, sentando-se numa bancada da cozinha e balançando os pés descalços.
- Hmmmm... Eu poderia sugerir algo mais divertido... Pena que não estou ai... — O loiro falou num tom pervertido, o que fez Ikki rir.
- É sério, loirinho... — O mais novo replicou, ainda com um risinho no rosto.
- A gente pode sair para comer. — O indiano disse, sua voz agora sem o tom que usara antes.
- É uma boa... — Ikki concordou, pensativo. — Onde?
- Conheço um restaurante italiano ótimo... Posso passar na tua casa e a gente vai junto. Topa?
- Claro. Vem pra cá e a gente combina melhor. — Ikki finalizou, recebendo um "já já chego ai", antes de desligar. arrumou o que tinha bagunçado na cozinha e depois foi para o quarto procurar algo para vestir.
Na casa de Shaka, o loiro tomava um banho caprichado, tirando a tinta de suas mãos. finalmente tinha terminado o quadro que fez logo quando conheceu o outro, e estava bastante feliz com o resultado.
Saiu do banho nu mesmo, enxugando os cabelos com uma toalha. Por morar sozinho, acabou adquirindo esse costume, que pensava em mudar. Provavelmente, ia começar a receber visitas mais frequentes de seu namorado e seu cunhado...
Sorriu com aquele pensamento. Tinha um namorado agora! Um namorado alto, forte, inteligente e compreensivo... Ao menos, com ele.
Vestiu uma roupa simples, mas arrumada. uma calça reta marrom clara e uma túnica bege, com um grande desenho dourado de Ganesh enfeitando-a na frente. Colocou sandálias nos pés e penteou os cabelos, deixando-os secar naturalmente. Pegou o celular e a carteira, colocando-os nos bolsos e seguindo para o carro, indo para a casa do mais novo namorado. Ele vibrava todas as vezes que pensava esse nome.
Namorado...
Namorado!
Depois de uns 15 minutos, parou na frente da casa do outro. Desceu do carro, indo até o portão, ligando para o mais novo.
- Abre aqui o portão pra mim? — Pediu, recebendo um "já tô indo" e desligando o celular. Menos de um minuto depois, Ikki abriu o portão com um sorriso para o outro, fazendo covinhas se formarem nas bochechas. "Tão lindo...", Shaka pensou quando foi cumprimentado com um abraço caloroso, puxando-o para si e dando-lhe um beijinho no pescoço, deixando-o todo arrepiado. Ikki se separou dele, beijando sua bochecha e depois puxando-o para dentro da casa. O moreno vestia uma calça jeans preta, e uma regata colada branca, deixando à mostra seus braços musculosos e bonitos.
- Vamos de carro, né? — O mais novo perguntou, com um sorriso maroto, fazendo Shaka rir.
- Sim, criança. Vamos de carro. — O indiano respondeu, sentando-se no sofá. Ikki colocou um tênis qualquer e pegou a carteira e o celular, colocando-os nos bolsos e indo até o outro.
Com um risinho no rosto, o historiador se sentou no sofá, ao lado do namorado, e bateu nas pernas, com um olhar sugestivo, que Shaka entendeu imediatamente. Com um movimento rápido, ele virou o corpo no sofá, sentando em cima das pernas de Ikki com um sorriso, antes de abraçá-lo pelo pescoço e descer o rosto, beijando-o com um carinho ansioso.
Não demorou muito para que o beijo se tornasse mais urgente, com o loiro movimentando levemente os quadris por cima do sexo do outro, enquanto as mãos de Ikki entravam pela túnica dele, arranhando de leve a pele com as unhas, apertando-o com suas mãos grandes e firmes.
Desceu os beijos para o pescoço do mais velho, aspirando o perfume de sândalo que adorava, lambendo e sugando a pele alva, deixando marcas no pescoço do outro. seus dedos afoitos subiram para o tórax dele, massageando os mamilos rosados, deixando-os durinhos e arrepiando o corpo do pintor completamente.
- Ikki... Temos que sair... — Shaka tentou chamar, mas o moreno apenas riu contra o pescoço do outro, descendo uma mão para o ventre dele, depois tocando seu membro por cima da calça, notando a excitação que já despertava entre as pernas do loiro.
- É rapidinho... — Ikki falou, beijando os lábios do namorado enquanto abria a calça dele, expondo o membro intumescido e começando a masturbá-lo, sorrindo entre os beijos do outro. o rosto de Shaka estava vermelho, e ele puxava os cabelos do historiados com lascívia, gemendo em sua boca, completamente esquecido do almoço.
Com delicadeza, mas ainda assim urgente, Ikki o virou no sofá, deitando-o com o corpo escorado entre o braço do sofá e as costas do mesmo, com as pernas para fora. Livrou-o das sandálias, da calça e da cueca, dobrando tudo rapidamente e colocando de um lado do sofá, gesto que não passou despercebido pelo loiro. O mais novo observou o corpo de Shaka parcialmente coberto pela túnica, o sexo rijo apontando em sua direção e mordeu os lábios com um sorriso, se ajoelhando entre as pernas de Shaka e, sem pedido ou aviso, começou a chupá-lo sem a vergonha inicial que sentira da primeira vez. Ele já não hesitava, e tentava ao máximo dar prazer ao loiro, que gemia alto no sofá, agarrando-se ao estofando e movendo o quadril para cima e para baixo, tentando ter o máximo de contato. Com um gemido mais alto, o indiano puxou os cabelos do outro, forçando-o a parar com a felação e abrindo mais as pernas, levantando uma delas e colocando-a em cima do espaldar, deixando sua entrada rosada bem visível.
- Lambe... — Shaka pediu, quase sem voz, vendo o rosto do outro ficar levemente corado. Entretanto, Ikki não desobedeceu, aproximando a língua e lambendo sem medo, deixando-o molhado e quente. O pintor só conseguia se contorcer, gemendo o nome do namorado, puxando seus cabelos negros em deleite e prazer. Era incrível como aquele homem fazia as coisas com naturalidade e firmeza. Sequer parecia com a primeira vez que tinham feito. Ikki agia como outra pessoa, segurando as pernas do loiro pelas coxas, puxando-o mais pra perto com força, apertando a carne macia e lambendo-o sem o mínimo de pudor. O leonino levantou o rosto, lambendo os lábios enquanto abria o botão e o zíper da calça, abaixava a cueca e tirava o próprio membro para fora, sem tirar totalmente a peça de roupa.
Ele ajeitou-se entre as pernas de Shaka, guiando-se para dentro dele devagar. O loiro fechava os olhos, a cabeça pendendo para trás, um gemido rouco e baixo saindo de sua garganta, até que o amado estivesse completamente dentro dele.
Lentamente, o mais novo começou a sair e entrar no corpo do outro, apoiando as mãos no braço e no espaldar do sofá, com um joelho apoiado no assento e o outro pé tocando o chão, usando-os para se impulsionar contra o indiano. Os gemidos preenchiam toda a sala, assim como as pancadas do sofá na parede. Shaka apertava os braços do namorado, arranhando os músculos definidos com as unhas, marcando a pele de vermelho.
- Tão... Apertado... — Ikki murmurou, sentindo as pernas do loiro envolvendo sua cintura estreita e depois escorregarem para baixo, enquanto as mãos do mais velho desciam até suas nádegas e cravavam as unhas ali, puxando-o para mais perto com força, o que Ikki respondeu com movimentos mais vigorosos, apoiando-se melhor e segurando o amado pelos quadris, com uma fome voraz.
- Aaah... Aaaan! — Shaka gemia, sentindo-o tocar fundo dentro de si, massageando seu interior como se tivesse nascido pr'aquilo. A sensação de ser preenchido por ele era indescritível, e o prazer que o indiano sentia parecia vir de algum ponto dentro de sua alma, irradiando para todo o seu corpo, fazendo seus dedos do pé ficarem dormentes.
Ikki saiu de dentro do amado e sentou-se no sofá, fazendo um pedido com os olhos que o outro atendeu sem pestanejar. O pintor sentou-se em cima dele, deixando que o sexo quente do namorado o preenchesse novamente, sentindo cada centímetro adentrando sua carne, dando-lhe um prazer que, sabia ele, seria muito maior depois. Começou a subir e descer, ajudando com os joelhos, enquanto Ikki segurava suas nádegas com força, abrindo-as e deixando a entrada mais fácil, enquanto olhava fixamente para o membro do outro parcialmente coberto pela túnica, apontando em sua direção completamente rígido.
O moreno puxou a túnica de Shaka para cima, revelando o pênis rosado, levando a mão até ele e começando a masturbá-lo com vontade, observando o rosto do indiano se contrair de prazer. Ele gemia alto, sem receios, deixando a cabeça pender para trás e os cabelos compridos balançarem em suas costas, roçando nas pernas do outro. O virginiano apertava os ombros de Ikki, os olhos fechados, os lábios entreabertos...
- Ahn... Ahhh... Hmm...! I-Ikki-iii! — Shaka contraiu os músculos, apertando o sexo do namorado em seu interior enquanto estremecia o corpo inteiro. O meio-japones, rapidamente, cobriu o membro dele com uma das mãos, sentindo o liquido quente sujar sua palma, enquanto o loiro se controcia num orgasmo intenso.
O pintor parou de tremer, mas ficou olhando para Ikki com um sorriso pervertido, ao passo em que o mais novo limpava o semen de sua mão com a língua, antes de segurá-lo pelos quadris e o impulsionar para cima e puxar com força, aumentando o ritmo, até ele deixar a cabeça encostar no espaldar do sofá e soltar um gemido alto e longo, se derramando dentro do corpo estreito do outro.
Ficou por um tempo abraçado com ele, esperando sua respiração voltar ao normal. Ikki deu beijinhos na bochecha do outro, murmurando em seu ouvido com a voz rouca:
- Ainda temos que ir almoçar... – E Shaka deu uma risadinha, saindo de cima dele.
Se ajeitaram, rindo e provocando um ao outro, saindo de casa apenas quando estavam devidamente limpos e compostos. A sensação de estar completo era maravilhosa. Mesmo com todas as diferenças, ambos sentiam que seriam felizes apenas por estarem um com o outro, na presença do amado. Ikki pensava que, depois de tanto tempo com medo de gostar de alguém, sacrificando sua vida e relacionamento por seus irmãos, ele teria a oportunidade de amar completamente outra pessoa, sem receio ou remorso. E com Shaka não era muito diferente. O loiro tinha passado algum tempo sem acreditar em relacionamentos desde que o ultimo tinha acabado de maneira tensa, e ele evitou se relacionar com mais alguém... Mas apenas aquele sorriso do moreno o deixava com as pernas bambas, o coração palpitando e uma vontade louca de murmurar que o amava até o fim de seus dias.
O restaurante para onde foram era bonito e organizado, sem muita gente andando e, melhor ainda: discreto. Era um lugar confortável, com um ar de cabana e móveis de madeira antiga. O cheiro do lugar lembrava muito aquelas casinhas do interior, e as grandes janelas deixavam a luz da tarde entrar de maneira uniforme, fazendo o recinto ficar com uma beleza quase mística. Apesar de eles não ficarem demonstrando afeto, se tocando ou olhando com paixão um para o outro, gostavam de não chamar atenção. Qualquer um que os visse pensaria que eram apenas um par de amigos se divertindo, e aquele lugar os ajudava bastante a não atrair olhares de julgamento.
Uma meia hora depois, quando já saboreavam um delicioso prato típico da Sicília, Ikki viu quando aquele médico que falara com ele entrou no restaurante, ao lado de um rapaz jovem, de traços finos e incríveis olhos lilases. Eles pediram uma mesa e se sentaram um pouco distante de onde Ikki e Shaka estavam, mas ainda ao alcance dos olhos do professor, que mudou de expressão imediatamente. Ainda estava com muita raiva pelo que tinha acontecido pela manhã, e isso ficou claro no olhar que ele dirigiu ao recém-chegado.
- Ikki...? — O loiro chamou sua atenção, tentando olhar para onde Ikki mirava com tanta fúria, virando-se um pouco na cadeira. — O que houve?
O leonino suspirou, antes de contar a história com detalhes — mania de professor — e sentando-se por cima da perna sem perceber. Aparentemente, Shaka ficara tão chocado quanto ele, mas não sentiu nem um terço da raiva que inflamava os olhos do namorado.
- Deve ter algum motivo, Ikki. — O loiro tocou a mão do mais novo, tentando passar conforto para ele.
- É claro que tem um motivo, Shaka. O cara é um babaca com mania de deus. Eu só não o esganei porque poderia acontecer algo com a Natássia...
Shaka deu uma risadinha, batendo duas vezes na mão dele de leve,
- Vamos terminar de comer, criança. Não vamos deixar isso estragar nosso dia perfeito, certo? — O tom de voz dele era ameno, os olhos azuis plácidos como piscinas calmas tinham um efeito intenso sobre o leonino, e Ikki se viu assentindo, retribuindo com um sorriso de boa fechada.
Terminaram o almoço e decidiram dar uma volta por ai, visitando os templos e observando os turistas, que tiravam fotos de tudo, compravam bugigangas para levar para seus países de origem e sofriam com o calor grego por não estarem acostumados — exceto os brasileiros, que aparentemente estavam preparados para o clima.
Quando chegaram em casa, Shun estava lá, sentado à mesa com um livro de grego aberto, escrevendo milhares de frases num caderno à parte. Ikki o cumprimentou com um beliscão na cintura, fazendo o mais novo pular e praguejar baixinho, antes de notar Shaka ali, lhe dirigindo um risinho. Se aproximou do mais novo cunhado, o parabenizando por tirar o leonino do casulo e o abraçando apertado, meio sem jeito por ser uns 10 centímetros mais baixo que ele, mas foi retribuído com carinho.
O dia terminou bem, e meio que se tornou algo comum. Um dia, Ikki dormia na casa de Shaka, no outro dia era o loiro quem dormia na casa dos Amamiya. Era sempre algo divertido e, quando o historiador acordava de bom humor, até romântico. Só havia algumas coisinhas que os faziam brigar de vez em quando. Shaka era budista, e religioso como era, achava que o fato de Ikki ser ateu era algo que precisava de reparos, o que enfurecia o mais novo — que já não era lá muito calmo. Também havia a necessidade de controle do meio-japonês, que sempre queria ditar o que Shaka podia ou não podia fazer, além de ser ciumento e cabeça quente. Eles descobriram várias coisas que os chateavam um no outro, mas de qualquer maneira, qualquer casal tem suas diferenças e coisas que mudam entre si... Entretanto, nada no mundo incomodava tanto o indiano quanto as manias do namorado. O que ele havia notado de primeira não era grande coisa — sentar em cima da perna, apertar os dedos com as unhas, SEMPRE dobrar as roupas — Mas depois que começaram a dormir juntos, tudo ficou pior.
Ikki fazia tudo duas vezes, como acender as lâmpadas ou lavar as mãos. Ele sempre levantava para verificar as portas e as janelas, para saber se estavam realmente trancadas. Verificava as pias e os armários, desligava o gás. Não sabia como não notara isso antes, mas deixava passar. Com o tempo, poderia ir melhorando aquilo aos poucos, mesmo que as ações do mais novo o irritassem de forma constante.
Duas semanas se passaram e, finalmente, eles receberam os convites da festa de Mu, que aconteceria em três semanas. Era um convite bonito, nas cores preto e prateado, com o nome do local e do escultor em letras sofisticadas. Estava determinado o traje formal e o horário a partir das 21:00, com senhas restritas.
Toda aquela pompa fez o moreno arregalar os olhos assim que os pôs no convite. Já tinha ido a algumas festas mais "chiques" por conta de Ângelo, mas nunca nada daquele porte. O evento aparentava ser algo incrível, mesmo com um convite simplesmente com letras e números.
- Afrodite sempre parece saber de tudo. — Shaka falou, com um risinho. Os dois estavam sentados no sofá da casa de Shaka, Ikki — como sempre — sentado por cima da perna, analisando o convite enquanto alisava uma das coxas do namorado, que estava vestido apenas com uma túnica que chegava quase aos seus joelhos, mas que agora escorregava até seu ventre pela posição em que estava, sentado de lado com as pernas em cima das do leonino. — Todos os eventos que ele fez sempre foram incríveis.
- Imagino que esse seu amigo Mu vai realmente se dar bem depois dessa festa. Quero dizer, acho que milhares de pessoas importantes foram convidadas, não? — O mais novo divagou, fazendo o loiro rir de leve e pegar o convite das mãos do outro, levantando-se e guardando-o no armário, tocando o chão frio com os pés descalços. A ponta dos dedos estavam rosados, assim como seus calcanhares, fazendo com que os olhos de Ikki parassem neles. Com um sorriso, o historiador se aproximou dele, dando-lhe um beijo na bochecha enquanto tirava algo do bolso.
Se abaixou, deixando o outro curioso e, finalmente mostrou o que era: uma tornozeleira prateada com fios trançados e algumas moedinhas pequenas caidas, que faziam um barulhinho gostoso ao baterem umas nas outras, com um pequeno pássaro vermelho pendurado, contrastando com o resto da joia. Prendeu-a no tornozelo do outro, analisando o resultado e depois se levantando, sorrindo com a cara surpresa que o namorado o dirigiu e dando-lhe um selinho nos lábios.
- Eu sei que você não comemora — e nem eu — mas... Eu quis te dar um presente de Natal. — Falou, com um sorriso nos lábios carnudos, os olhos puxadinhos quase se fechando.
Com um sorriso feliz, Shaka abraçou o outro pelo pescoço, sua túnica subindo com o movimento e mostrando completamente as pernas compridas, bem delineadas e quase sem pelos.
- Obrigado, minha raposa... Eu te amo. — O mais velho sussurrou. Estava tudo tão perfeito, tão maravilhoso... Ikki era o cara de sua vida, não havia dúvidas e não havia nada que o fizesse amar menos o leonino, nem mesmo suas manias irritantes.
- Não foi nada, ok...? Eu só vi e achei que ficaria legal... Você tem pés bonitos. — O mais novo falou, fazendo o outro rir um pouco, até que o celular de Shaka começou a tocar uma música calma e ritmada. Soltou o moreno, andando até o celular e o atendendo meio surpreso.
- Oi, Mu. — Falou, escutando o outro falar do outro lado da linha. Depois de um tempo, virou-se para Ikki. — Você tem três amigos que possam ir à festa dia 28? — Perguntou, ao que Ikki respondeu automaticamente que sim. — Temos sim. — Voltou a falar ao celular. — Eu pego amanhã no estúdio... Ok. Tá, tchau.
Ikki ficou esperando o namorado terminar de falar ao telefone para soltar qualquer som da boca.
- O que foi? — Perguntou, levemente enciumado. Sabia da amizade dos dois, mas só se tornou mais ciumento depois de uma saída em grupo com Milo, Camus, Máscara, Afrodite e Shaka, quando o único grego entre eles falou, como quem queria nada, que achava que Shaka namorava Mu. Aquilo foi o suficiente para deixar o leonino desconfiado e ciumento.
- Aldebaran cancelou. Parece que o filhinho dele está doente e foi internado, então eles não vão poder ir à festa por que vão passar o mês inteiro no hospital... Tem três senhas sobrando, vou pegar com o Mu amanhã. Quem você pensou em levar?
Ikki não tinha realmente pensado em quem iria chamar, então disse as primeiras pessoas que vieram à sua cabeça.
- Hmm... O Shun, o Hyoga e... O Aiolia. — a voz soou meio indecisa, mas Shaka apenas assentiu com a cabeça, se aproximando para abraçar o outro pelo pescoço. Deu-lhe um beijinho dengoso, sentindo os braços do outro lhe envolvendo a cintura. Com um risinho, Ikki arrastou-o para o quarto, adorando ouvir aquele barulhinho da tornozeleira enquanto olhava, prometendo uma noite maravilhosa.
Continua...
Notas finais
Obrigada a todos que comentaram e a Mitzi que me recomendou! Muito obrigada mesmo!
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