Timeless

9 Cap 9 - Yes, my lord


Notas iniciais
Ufa, acho que agora eu consegui responder os reviews de todo mundo... Faltou alguém? Esse capítulo demorou um pouquinho pra sair porque tem uma cena que eu ia por aqui, mas achei melhor deixar pra um outro capítulo, porque a coisa é tensa. Espero que gostem, porque eu gostei muito de escrevê-lo! Boa leitura o/

– Um contrato? — Sebastian franziu o cenho, verdadeiramente surpreso com aquilo. — Qual a necessidade de fazer um contrato se agora sabe que sua alma já me pertence?

– A alma de Ciel Phantomhive pertence a você, e você foi idiota o bastante para não ter devorado quando deveria.

– Então o que eu ganho com isso? Sabe que não vou devorar sua alma.

Ciel abriu a boca para responder, mas não conseguiu terminar a frase, sendo interrompido quando Peter entrou pela porta fazendo o máximo de barulho possível.

– Boas notícias Ciel, acho que amanhã você receberá alta. — Peter berrou, parecendo esquecer que estava dentro de um hospital. — Mas por questões de segurança, você não poderá voltar para sua casa...

O homem passou as mãos pelos cabelos sem jeito, meio hesitante em contar para o garoto que seu pai havia morrido. Na realidade ele estava esperando que Ciel perguntasse por Vincent, para que pudesse responder com um abraço e um afago de alento. Ele não queria ter que entrar no assunto por conta própria.

– Se não se importar, Peter, eu prefiro ir com o Sebastian. — Ciel cortou seus pensamentos, o que o deixou confuso de início.

– Sebastian?! Não sei se seria prudente. — Peter gaguejou. Mesmo que não se sentisse muito a vontade na presença do menino, não queria deixar o herdeiro dos Ghostkeeper com um desconhecido. — Acho que seu pai concordaria que eu sou a pessoa mais indicada para...

– Meu pai faria o que eu pedisse.

Peter se calou, olhando torto para o garoto e pensando em nomes menos educados de responder. No fim, sabia que Ciel tinha razão. Vincent fazia tudo pelo filho, e pelo que sabia, o garoto nunca lhe pediu nada. Passou então a encarar o homem que se postava elegantemente ao se lado. "O que esse cara tem?" pensou ele, "Como pode ser tão íntimo de Ciel se eu nunca o vi antes?"

– Como se chama mesmo?

– Sebastian Michaelis.

– Suponho que tenha uma casa, certo? Onde ela fica?

– Mansão Phantomhive.

– Hã? Ela não está abandonada? — Sebastian apenas concordou com um aceno. Peter estava, obviamente, cético e desconfiado. Um cara que aparece do nada, se diz amigo de Ciel e ainda mora em uma enorme mansão que tem fama de ser assombrada com certeza não era uma história muito convincente. — Certo. — Tirou o celular do bolso para fazer uma anotação rápida. Iria checar aquilo mais tarde. — Teria algum problema em cuidar do Ciel um pouco?

Sebastian sorriu. Em parte, por perceber que aquela forma altiva que Ciel fazia qualquer pessoa obedecê-lo ainda estava lá, mascarada na arrogância adolescente.

– Seria um prazer.

– Certo, desculpe o incômodo, mas esse garoto passou por tanta coisa...

– Senhores, o horário de visitas acabou. — Uma enfermeira disse abrindo a porta minimamente apenas para apontar o relógio na parede. Quando pousou os olhos em Sebastian, uma longa encarada da cabeça aos pés do homem não passou despercebida por nenhum deles.

Peter sentiu seu orgulho masculino ser ferido com aquilo e foi até a porta para xavecar a moça — que era muito bonita — contando vantagem sobre algo relacionado ao seu emprego e ao carro. Simplesmente ignorando os dois, Peter arrastou a enfermeira para fora do quarto, como se tentasse despistar sua atenção.

– Ainda mora na mansão? — Ciel perguntou assim que a porta se fechou, deixando-os sozinhos.

– Ainda a preservo. Mas não moro lá. — Sebastian voltou a se aproximar da cama, ignorando o pedido da enfermeira de sair do quarto. Observou o menino continuar cutucando a faixa com a ponta dos dedos, tentando encontrar por onde ela estava presa. — Está te incomodando?

– Eu queria checar uma coisa.

O demônio levou a mão até os grampos que prendiam a faixa ao redor dos olhos de Ciel, desprendendo-os e desenrolando até que as mesmas deslizassem pelo seu rosto. O garoto abriu os olhos devagar, como se a pouca luz do quarto já fosse o bastante para lhe arder os olhos. Ele ficou um bom tempo apenas piscando os olhos e lacrimejando, tentando entender as formas que começavam a ficar mais nítidas a sua frente.

– Meu pai conseguiu então? Estou enxergando.

– Não. — Sebastian esperou que o garoto olhasse para ele, com uma expressão estranha de quem sabia o significado daquilo, mas que mesmo assim, esperasse uma confirmação. — Seu corpo morreu naquele dia, mas parece que sua alma foi para esse corpo novo.

Ciel olhou para as próprias mãos, movimentando os dedos e depois passando a tocar seu próprio rosto, verificando qual a forma que ele tinha.

– Sua aparência não mudou, se é que está mesmo preocupado com isso. — Sebastian disse lhe entregando a faixa. — Mas parece que você amadureceu. Os mais atentos irão notar.

Ciel continuou encarando suas mãos como se aquilo fosse a coisa mais interessante do mundo. Embora ele estivesse mesmo maravilhado, uma parte de si alegre por estar finalmente enxergado, e a outra confusa por estar vivo novamente.

– O que pretende fazer agora? — Sebastian perguntou, ainda em tom neutro, como se estivesse dentro de um sonho irreal e se recusasse a aceitar.

– Preciso de um tempo. Acho que um ano longe de todos será o bastante para me acostumar com tudo, talvez menos. — Ciel voltou a fechar os olhos, como se aquilo lhe desse mais tranquilidade. — As coisas ainda estão um pouco confusas.

Sebastian se levantou para sair do quarto. Não queria perguntas desagradáveis quando alguma enfermeira o encontrasse ali, fora do horário de visitas.

– Hey, nossa conversa ainda não acabou. Para onde está indo? — Ciel segurou a barra da camisa do maior, a vista ainda embaçada não conseguindo ler a expressão que ele fazia.

– Amanhã, quando eu vier te buscar, nós conversamos. E então você me diz os termos do contrato.

– Consiga minha tutela, Sebastian. Antes que o Peter te investigue. — O menino disse antes de soltá-lo e voltou a fechar os olhos, se recostando mais à cama.

Sebastian saiu do quarto, passando os dedos para massagear suas têmporas enquanto saia daquele hospital. Aquela sequencia de acontecimentos estava começando a lhe dar dores de cabeça, fazendo com que se preocupasse mais do que pretendia. Enfiou a mão no bolso da calça, remexendo o frasco vazio ainda relutante em entender o que havia acontecido. Ele deveria estar ao menos feliz por ter Ciel de volta, mas aquele sentimento não conseguia passar pela barreira de sua mente. Havia algo que deixava Sebastian desconfiado, algo que lhe impedia de acreditar totalmente que aquele garoto era de fato qualquer um dos dois Ciel’s.

Antes de conseguir passar pela porta para sair do hospital, alguém lhe segurou o braço. Viu um homem usando um jaleco por cima do terno preto, pouco conseguindo convencer que era mesmo um médico.

– Francamente... Parece que estamos fadados a nos encontrar sempre. — William disse soltando o demônio logo que ele parou, limpando a mão com o que parecia um álcool em gel. — Este garoto que veio ver... É aquele Ciel Phantomhive, não é?

– Tenho me perguntado isso. — Sebastian passou a mão pelos cabelos com irritação. Não estava com cabeça para aturar o shinigami naquele momento. — O que está fazendo aqui?

– Descobri algumas coisas que podem ser do seu interesse.

– E você vai me contar porque gosta muito de mim? — O demônio ironizou, recebendo como resposta apenas um olhar congelante. — Qual interesse de Miller nisso tudo?

– O supervisor-chefe acha que você pode preencher as lacunas. — William se virou e começou a andar, em um pedido mudo de que o outro o acompanhasse. Caminhou até uma cafeteria ao lado do hospital, se sentando na cadeira mais afastada e sendo seguido pelo demônio, que se sentou à sua frente. — Então não tem certeza de que a alma que está no corpo daquele garoto é mesmo a de Ciel Phantomhive?

– Só posso garantir que ambas as almas são idênticas. Mas há algo diferente. — Sebastian respondeu consultando o cardápio. Ele não costumava se alimentar de comida humana, mas naquele momento, ele sentia que precisava de uma xícara de chá. — Como Shinigami, você quem deveria sanar minha dúvida.

– Shinigamis só tem acesso aos dados, não temos um “sexto-sentido” ou algo parecido. — William respondeu de modo um pouco grosseiro, apesar de cortês. Ele dispensou a garçonete que se aproximou com um aceno, sem se importar se ela ouvia ou não a conversa. — Acontece que uma alma não pode simplesmente sair por ai trocando de corpo quando o anterior estraga. Almas humanas não tem essa capacidade, não por conta própria.

– Então quer dizer que o garoto é falso?

– Não. Quero dizer que a alma sozinha de Ciel Phantomhive não conseguiria fazer isso. Há mais de uma alma naquele corpo, e uma delas, mesmo que incompleta, não é humana. — Sebastian não conseguiu esconder a surpresa. Voltou a massagear suas têmporas, sentindo aquela dor de cabeça novamente. William apenas se aproximou mais, baixando um pouco o tom de voz antes de continuar. — Apenas seres espirituais podem se apossar de um novo corpo. Desconfiamos que esta alma seja meio-shinigami. Mas como nunca houve nada parecido, não podemos ter certeza. E é ai que você entra.

– Se vocês não conseguem descobrir, o que acha que eu posso fazer?

– Você é um demônio. Tenha acesso à alma dele e nos confirme o que é esta “segunda parte”.

Sebastian deu um gole em seu chá, já morno por ser esquecido sobre a mesa. A propriedade calmante do líquido não pareceu fazer efeito, e ele apenas pagou pelo consumo, se levantando e deixando o local sem se preocupar em dar satisfação ao outro, que apenas o acompanhava com o olhar de longe. “Demônios eram mesmo uma raça desprezível”

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Duas horas da tarde, e o céu estava tão escuro quanto um começo de noite. Sebastian acompanhava o garoto que andava cambaleante, embora recusasse a ajuda do homem ao seu lado. Estava vestido precariamente com roupas um pouco justas demais para seu corpo atual.

O demônio o levou até um grande carro estacionado na área de desembarque do hospital. Era um Porshe preto, que brilhava como novo.

– Parece que não foi estupidez te deixar como único herdeiro da minha fortuna. — Ciel murmurou, esperando que o outro abrisse a porta para poder entrar no carro. — Antes que comece a dirigir para a mansão, Sebastian, quero ir a um lugar primeiro. — Sebastian apenas olhou para o garoto pelo espelho retrovisor, esperando que ele continuasse. — Quero visitar o túmulo do meu pai.

Sebastian não disse nada, aliás, ele não havia dito uma palavra desde que chegara ao hospital para levar Ciel. Ele decidira simplesmente não tomar nenhum partido. Permaneceria ao lado do garoto por sua própria curiosidade e desejo, descobrindo a verdade a partir de seus próprios meios. Até lá, queria se manter neutro, tanto para os Shinigamis, quanto para o próprio Ciel.

O garoto havia dormido por quase dois meses, e nesse tempo muita coisa havia acontecido. Peter preparou todo o funeral de Vincent e cuidou de manter os indesejáveis repórteres longe. Alguns poucos manifestantes haviam sido presos, sendo que a maioria dos envolvidos haviam sido mortos naquele mesmo dia. O incidente foi conhecido como uma grande falha na segurança da Re:birth, causando uma espécie de explosão toxica que acabou matando todos que entraram no prédio. Uma desculpa cheia de lacunas e falhas, que não convenceu os mais céticos, mas que acalmou a grande maioria das pessoas que esperavam respostas.

Chegando ao cemitério, guiou Ciel até onde Vincent havia sido enterrado. Uma simples lápide com o nome, data e uma foto. Não havia dizeres carinhosos ou uma frase tirada de um livro, era só um pedaço de mármore que marcava o local que um corpo foi enterrado.

– Engraçado que a única vez que vejo o rosto dele, seja em uma foto em sua lápide. — Ciel murmurou com falso desdém, olhando para baixo enquanto apertava os punhos com força.

Sebastian notou aquilo, se lembrando de como fora quando o Phantomhive perdeu seus pais. Aquele choro desesperado, lágrimas que ele derramou apenas uma vez. E depois, a forma fria com que se lembrava da família, quase como se a desprezasse.

– Você fala como se não ligasse. Mas sei que se importa. — O maior disse com um tom de voz mais calmo e amigável do que o normal, o que fez o outro ficar calado, como se sentisse que sua máscara não funcionava com o demônio. Sua fisionomia mudou rapidamente para uma mais pensativa e vaga.

O céu cada vez mais escuro começou a desabar, deixando que pesadas gotas de água caíssem das nuvens, espantando as poucas pessoas que ainda estavam ali. Sebastian ergueu um guarda-chuva sobre o menor, que carregara consigo por causa da evidente chuva. O garoto nem se mexeu, parecendo não reparar.

– Ele era apenas um homem tolo. Se estivesse menos preocupado em cumprir sua promessa, estaria vivo agora. — Ciel sussurrou mais para si mesmo, a voz falhando no final da frase. A máscara estava se dissolvendo. — Somos tão fracos.

– Vamos, saia dessa chuva. — Sebastian pousou a mão sobre o ombro do garoto, complacente. Deu um suspiro quando percebeu que o menor não se moveria dali tão cedo. Curvou-se o bastante para chegar a centímetros do seu ouvido e conseguir sussurrar, como se contasse um segredo. — Deixar de cumprir uma promessa não é força. E sentimentalismo não é fraqueza.

Como se aquelas palavras do demônio fossem toda permissão que precisasse, Ciel fechou os olhos com força, sentindo que algo queria pular de dentro do seu peito. A primeira lágrima caiu tímida, quase sendo reprimida de volta por vergonha, mas as seguintes já não tinham mais pudor, escorrendo de seus olhos sem permição. Elas doíam para sair, como se fossem pedras caindo de seus olhos. Sentindo seu corpo fraquejar, se jogou nos braços de Sebastian, que surpreso, deixou o guarda-chuva cair para que pudesse segurá-lo. O garoto não se preocupou em ficar cada vez mais molhado, desabando em lágrimas que se misturavam à água da chuva. Chorava como nunca fizera na presença de alguém. Silencioso, sem murmúrios ou lamentações.

Sebastian retribuiu o abraço, sentindo algo de si se remexer quando uma enorme vontade de fazê-lo parar de chorar o invadiu. Não era certo, não podia ser. Mas ele não conseguiu se afastar, ao contrário, apenas apertou ainda mais os braços ao redor do corpo pequeno, sentindo o calor que ele emanava, contrastando com a gelada água da chuva.

– Sebastian. — A voz de Ciel, contrariando a cena, soou sem nenhum resquício de que ele estava chorando.

O demônio não se afastou, apenas prestou atenção à respiração ofegante do outro, esperando que ele dissesse o que queria. Mas a fraze que se seguiu certamente era inesperada.

– Volte a ser meu demônio, meu servente, minha família.

Tão estranha quanto aquela situação, Sebastian sentiu seus instintos se agitarem, como uma injeção de adrenalina direto no peito. Nada disse, apenas esperou que o menor se afastasse minimamente, lhe encarando daquela forma altiva e arrogante que sempre queimava a mente do demônio. Olhos azuis que pareciam emitir luz própria, pele branca e imaculada como de um recém-nascido e cabelos cinza, como se o negro quisesse fugir de si. E em conjunto a esta aparência exótica e pura, a tentação.

– Esteja ao meu lado para sempre, Sebastian. Isso é uma ordem.

Doce tentação.

O demônio não conseguiu não sorrir. Era inevitável, doloroso, sufocante. Não precisava confirmar ou ter certezas. Aquele a sua frente era o Ciel Phantomhive, o Ciel Ghostkeeper, um humano, um clone, ou qualquer outra coisa que pudessem descrevê-lo, mas ainda assim, era o SEU jovem mestre. E acima de qualquer lógica, seu ser sentia isso.

Ajoelhou-se a frente do garoto, em uma reverência antiquada, mas mesmo assim elegante. E abriu a boca para proferir as únicas palavras que ansiou repetir por todos aqueles séculos:

– Yes, my lord.

~FIM DA PRIMEIRA PARTE~

~*~*~*~*~*~*~*~*~*~Capítulo extra~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~

Depois de chegar à mansão encharcado, o demônio logo o empurrou para tomar um banho quente para que não se resfriasse. Mas embora Ciel se lembrasse bem que se banhava sozinho quando era cego, seu corpo não parecia concordar com aquilo, e antes que conseguisse dar o primeiro passo para dentro do boxe do chuveiro, escorregou e bateu fortemente a as costas no chão frio.

– Achei que era estranho sua recuperação correr tão rápido. — Sebastian apareceu na porta com a camisa aberta e um olhar que beirava a deboche e pena. Havia sido interrompido enquanto se trocava ao ouvir o outro caindo, e foi até ele para ajudá-lo a se levantar.

– Parece que ainda não me adaptei a esse corpo. — Ciel gemeu, apoiando nos cotovelos para conseguir alcançar a mão estendida de Sebastian.

Corou terrivelmente quando viu o estado em que o moreno se encontrava. O tecido da camisa branca molhada era transparente e a calça colava em suas coxas, delineando até demais os contornos de seu corpo. Olhou para baixo para evitar, mas tudo somente piorou quando encarou o próprio corpo desnudo. Ele não se lembrava de se sentir constrangido daquela forma quando Sebastian lhe dava banho no passado, embora certo dia — não se lembrava do motivo — aquele costume havia acabado.

Sebastian não o carregou no colo pois seu corpo se encontrava rígido demais para se moldar ao corpo do outro, então apenas o apoiou de lado, levando o garoto até a banheira ao lado do chuveiro, deixando-o debaixo da água quente que jorrava da torneira.

– Pode me deixar sozinho agora. — Ciel empurrou o maior, sentindo seu rosto ficar mais quente a cada momento.

– Não acho que esteja em condições de se lavar sozinho. — Sebastian afastou a mão de seu peito, forçando o garoto para mergulhar o corpo na água pelos ombros.

Ciel olhou para a janela, envergonhado demais para contrariar. Fechou os olhos em uma tentativa falha de que sentiria seu coração bater menos rápido, mas ao sentir uma esponja deslizar ao longo de suas costas, um arrepio lhe subiu a espinha, fazendo-o se sobressaltar.

– Eu... Eu quero que saia, Sebastian. Consigo me virar sozinho. — Ciel se encolheu na tentativa de esconder seu corpo, ato que não passou despercebido pelo maior.

Sebastian sorriu com a cena e se levantou, sacudindo as mãos ensaboadas para secá-las ao menos um pouco. O garoto sempre fora teimoso e a tempos atrás, ele não o deixaria sozinho daquela forma, mesmo com sua birra infantil. Mas a mudança sempre vinha, e aquela em especial fazia com que o maior se mantivesse alerta a aquele tipo de contato. Saiu do banheiro lentamente, suspirando cansado.

Ciel era, ao menos no que diz respeito ao sexo, inocente. Os pais de Phantomhive haviam morrido quando o garoto ainda tinha somente 10 anos, uma idade curta demais para que os responsáveis lhe explicassem qualquer coisa do gênero, e certamente outros conhecidos não lhe contariam detalhes de como as coisas aconteciam. Já Ghostkeeper, por ser cego e antissocial, só tinha conhecimento em teoria, ouvida em contos históricos que descreviam os atos libidinosos com poesia e metáforas, e claro, cientificamente na escola. E isso certamente não lhe dava base o suficiente para entender o que estava sentindo.

Tocou seu abdome com a ponta dos dedos, se sentindo estremecer com aquilo. Ele queria ser tocado, era quase uma necessidade. Mas por alguma razão, ser tocado por ele mesmo lhe parecia extremamente vergonhoso, e ter outra pessoa tocando em si era impensável. O calor em seu rosto foi diminuindo aos poucos, embora ele sentisse seu corpo continuar a ferver. Fechou os olhos e respirou fundo, mudando a temperatura da água da torneira para fria. Sentiu seu corpo voltar ao normal aos poucos e aquilo o fez relaxar.

“Era normal, foi apenas um simples nervosismo” — repetiu para si mesmo, mergulhando a cabeça completamente na água já morna.

Com a água nos ouvidos, Ciel não conseguiu ouvir do lado de fora do banheiro, o demônio pousando a cabeça na porta de olhos fechados, suspirando igualmente sôfrego.

– É melhor assim.



Continua~

Notas finais
Hehe, agora as treta vão começar! o/ O que acharam? Sei que deixou um gostinho de quero mais yaoi, as pegação marotas vão começar no segundo ciclo! Alguém percebeu que minha narração muda a cada capítulo? Eu tenho o péssimo costume de basear minha escrita nos livros que eu leio atualmente, e como eu leio mais ou menos um livro a cada duas semanas, então estou achando que a coisa toda está ficando uma lambança. Se tiverem curiosidade, posso postar a relação de livros que eu leio em cada capítulo. Acabarão encontrando muitas referências. ^^ Agora vamos falar do concurso XD Eu já respondi para as ganhadoras e logo eu entrego a premiação. Para quem participou, também vou mandar a imagem em alta qualidade da cena que a ganhadora escolheu. Para quem não participou, a imagem é a que virou capa! Da pra saber qual foi a parte escolhida da fic que eu desenhei? Então, o que estão achando?! o/