Timeless
6 Cap 6 - Sonhos
Notas iniciais
Ciel estava em um lugar muito mais escuro do que a penumbra de seu quarto. O cheiro e o objeto que ele conseguia tatear com as mãos eram familiares, porém, ele não sabia onde estava. Um raio de luz lhe atingiu o rosto, fazendo com que ele precisasse fechar os olhos com força para suportar. Quando a luz finalmente se amenizou e o garoto conseguiu abrir os olhos devagar, ele viu que estava em um lugar realmente amplo.
Estou sonhando, pensou, Estou enxergando.
Para alguém que nasceu cego, sonhar com formas deveria ser teoricamente impossível. Mas Ciel já teve sonhos com imagens algumas vezes, embora não fossem frequentes. Eram sonhos estranhos e muitas vezes sem nexo, com pessoas que ele não conhecia e lugares que nunca estivera. Mas daquela vez, havia um conhecido ao seu lado.
Ciel não o identificara por causa da aparência, da voz, ou pelo seu comportamento. Ele simplesmente sabia que quem estava ao seu lado era Sebastian. O demônio, vestido elegantemente em seu fraque preto, se encontra de pé enquanto que Ciel permanecia sentado à frente de uma mesa, com um prato de torta já pela metade sobre ela.
– Vamos, Bocchan. Deixe-me ver. — Sebastian disse, forçando o rosto do menino com a ponta dos dedos para sua direção.
– Saia. — Ciel respondeu nervoso, segurando a mão sob seu queixo.
O mais estranho destes sonhos, era que embora fosse o próprio Ciel quem estivesse vendo e sentindo as cenas, ele também era um mero espectador. O garoto não conseguia interagir como gostaria e seu corpo parecia agir por conta própria.
Sebastian forçou o polegar sobre os lábios do menor, tentando adentrá-los. Mas os dentes dificultavam o processo. Ciel sentiu as luvas do demônio passar em sua gengiva, mas continuou a manter a boca fechada e os dentes cerrados.
– Se acabar perdendo os dentes, o que acha que vai acontecer? — Sebastian adquiriu um tom repreendedor que o menor nunca ouvira, continuando a forçar o dedo. — Já está grandinho demais para essa birra.
Ciel deu um suspiro irritado e acabou cedendo. Abriu a boca e ergueu o rosto para que o mordomo visse seus dentes. Com a proximidade, o garoto conseguia sentir a respiração de Sebastian batendo em sua língua, enviando sensações que não seria agradável que o maior percebesse. Mas o demônio sempre percebia.
– Parece que ainda tem um dente de leite. — Sebastian disse, tirando a mão do queixo de Ciel e dando uma risada curta. Quase podia ouvir o maior sussurrar “Criança” em meio aquele riso, e aquilo o irritava.
– Arranque-o. — Ciel ordenou, embora ele soubesse que aquilo iria doer muito. Mas o garoto não controlava seu próprio corpo ou o que ele falava, era um mero espectador naquele sonho.
– Não acha melhor esperar o dente cair sozinho?
– Não. Prefiro acabar logo com isso. — Murmurou, vendo o mordomo retirar o prato da sua frente e colocá-lo no carrinho. — E tire a luva. Não quero sentir gosto de tecido.
– Prefere sentir o meu gosto ao invés disso? — Sebastian sorriu abertamente, com aquela pontinha de ironia que sempre estava presente.
Ciel apenas fechou a cara e fuzilou o outro com o olhar. E nesse momento, o menino cego que nunca vira um sorriso estremeceu. Será que era aquela cara que Sebastian lhe fazia sempre que soltava um comentário ácido? Ciel pensou pela primeira vez que gostaria de enxergar para ver aquela cena mais vezes. Mas seu corpo não o obedecia, e ele fechou os olhos assim que o mordomo retirou as luvas para levantar seu queixo novamente.
Com a boca aberta, sentiu Sebastian segurar seu dente amolecido com a ponta dos dedos. A dor fisgou de uma vez quando o dente foi puxado, fazendo Ciel agarrar a gola do mordomo com força para suportar. Gemeu baixinho quando sentiu o gosto de sangue.
– Pronto. — Sebastian disse com o dente retirado em mãos. Sádico, ele parecia se divertir ao ver o menor sentir dor.
Sua gengiva latejava. E quando Ciel abriu os olhos novamente, sentiu as costas da mão de Sebastian lhe limpar uma lágrima que escapou.
– Doeu?
– Claro que doeu, idiota. — O garoto só então percebeu que ainda segurava a gola do maior, e por algum motivo ele não quis soltar. Ao contrário, ele o puxou para mais perto e sussurrou rouco. — Ainda dói.
Estava vidrado com a imagem do maior, que sorria daquela forma única que Ciel tentou guardar na memória junto com seus olhos castanhos avermelhados. Gosto dessa cor, pensou, mesmo sem saber que cor era aquela.
– Quer que a dor passe? — Sebastian respondeu no mesmo tom de voz baixo e levemente rouco, sorrindo debilmente daquela forma irônica de quem sabia exatamente o que todos pensavam.
O garoto ficou esperando o que seu corpo faria, com receio e expectativa pelo que parecia óbvio. Novamente sem vontade, seus olhos se fecharam e dedos fortes seguraram seu queixo novamente. Sua boca foi aberta, e algo úmido tocou seus lábios com uma lentidão sufocante, parecendo limpar delicadamente um pouco do sangue que escorria. Quando sentiu que sua boca fora invadida, Ciel levou um susto por ter percebido que o que sentira era a língua de Sebastian. Queria abrir os olhos ou se afastar dele, mas seu corpo não o obedecia e quando sua mão subiu para o pescoço do moreno, entrou em pânico.
– Fuçar a memória dos outros não vai ajudar. — Uma voz sussurrou muito perto de seu ouvido, mas não era a voz do mordomo. Era uma voz mais fina e jovem, que parecia irritava e debochada ao mesmo tempo.
Duas mãos pequenas e geladas cobriram seus olhos, puxando sua cabeça para trás com força até que perdesse o equilíbrio totalmente. A queda era inevitável.
~*~
Ciel acordou repentinamente, sentindo o ar lhe faltar. Percebeu que estava em sua cama, embora sua última lembrança fosse de estar fazendo suas tarefas na escrivaninha com o demônio ao seu lado.
Piscou algumas vezes, apenas para ter certeza de que não enxergava nada. Estava acordado desta vez, mas o gosto de sangue ainda estava em sua boca.
Não sentiu a presença de Sebastian, mas percebeu que tinha mais alguém no quarto.
– Te acordei? — Vincent disse em tom de desculpas, vendo Ciel negar com um aceno. Olhou a vitrola ainda ligada do filho enquanto se sentava ao seu lado na cama. — Estão falando muito de mim ultimamente na rádio, não é? — Mais um aceno de afirmação. — Está desapontado?
– Por que eu estaria?
– Não consegui salvar sua mãe, Ciel. — O homem respondeu em um fio de voz, evitando encarar os olhos azuis acinzentados, mesmo que ele não pudesse ver a expressão preocupada do pai. — Eu não fico muito em casa e não fiz nada do que disse que faria.
– Nunca me prometeu nada que não cumpriu. Não tenho motivos para me decepcionar. — Ciel disse com calma, estranhando aquela conversa sem sentido com o pai.
Eles nunca foram de conversar muito. Mesmo que Vincent fosse superprotetor, ele não fazia o tipo de pai carinhoso. Demonstrava que amava Ciel de forma mais sutil, em pequenos gestos ocasionais como comprar seu doce favorito e mandar Peter entregar, lhe cobrir com mais cobertas nos dias frios ou segurar forte sua mão quando uma tempestade caía. Mas Vincent sempre foi muito frio, e o garoto só se lembrava de senti-lo abatido quando a mãe morrera.
– Acho que teremos que nos mudar daqui. — A voz do pai despertou Ciel de seus pensamentos, fazendo-o unir as sobrancelhas com estranheza. — Não estamos seguros.
– Nos mudamos a pouco por este motivo. — Ciel replicou um pouco nervoso. Não gostava muito de mudanças.
– Eu preciso te mostrar uma coisa.
Ciel sentiu o peso sair de sobre o colchão e percebeu que deveria se levantar para seguir o pai. Fez isso com lentidão, sendo que acabara de acordar de um sonho — no mínimo — perturbador. Segurou no braço de Vincent para seguir em frente, sendo levado até o lado de fora da casa e imediatamente sentindo um calafrio conhecido. Era a sensação da morte. Quando seu pai guiou sua mão para um amontoado de pelos, a verdade lhe atingiu como um soco no estômago.
Head estava morto.
– Quando eu cheguei, ele já havia morrido. Parece que deram veneno pro Head comer. — A voz de Vincent continuava fria, mas podia-se notar um tom de hesitação. Ele nunca tratou Ciel como criança, talvez agisse como se ele não fosse responsável, mas sempre foi muito claro sobre tudo com o garoto. E Head não era muito mais que uma experiência que deu certo para o homem. — Sinto muito.
Ciel acariciou uma última vez a cabeça do cão, sentindo a carne gelada por baixo dos pelos. Recolheu a mão e se levantou em silêncio, pronto para entrar na casa novamente. O menor gostava de Head, era sua companhia quando estava em casa sozinho e foi uma grande desculpa para poder sair de casa de vez em quando (que seu pai só deixava porque o cão estava junto).
Vincent olhava o filho parecer perdido enquanto tateava a parede para entrar em casa. Tentou ir ao seu auxílio, mas Ciel se desvencilhou puxando o braço com agressividade. Head morreu enquanto ele estava dormindo, morreu por que ele o deixara trancado do lado de fora. Sentiu raiva de si mesmo por ter deixado que aquilo acontecesse, sentiu raiva dos extremistas por serem tão desumanos, e sentiu raiva de seu pai pelas experiências que estava fazendo.
– Ciel, agora eu tenho a capacidade de lhe fazer olhos novos. — Vincent murmurou baixo, e o garoto parou de andar para ouvir, sem se virar. — Sei que não é o momento adequado pra lhe dizer isso, mas queria que soubesse.
O filho não respondeu nada e voltou para seu quarto em silêncio. Não era aquilo que queria ouvir naquele momento, porque parecia um consolo, uma forma de desviar a morte de Head para o próprio egoísmo. Voltou para a cama como um zumbi, repentinamente sentindo muita vontade de dormir novamente.
Desta vez sonhou com uma tempestade de trovões, com fogo no lugar da água. Ele continuava cego naquele sonho, e Head estava com ele, o consolando para fazer o medo passar. Teimosa, uma lágrima escorreu enquanto dormia. Foi a única lágrima que derramou pelo cão, que provavelmente não deixaria sair se estivesse acordado.
______________
Ciel não acordou para ir ao colégio mesmo com os chamados do pai. Vincent desistiu de acordá-lo depois da terceira tentativa, acreditando que a morte do cão o havia afetado mais do que aparentava. Ademais, ele sempre preferiu que o filho se mantivesse na proteção do lar, mesmo que considerasse o estudo importante.
Mas a verdade é que o garoto se sentia cansado de verdade, mesmo sem ter feito nada para estar exausto como estava. Quando acordou, o sol já estava alto e entrava incômodo pela janela, trazendo o calor e a luz forte que fez Ciel despertar. Ele cobriu os olhos ainda meio grogue, percebendo que havia perdido a hora. Não se importou muito com isso, já que sempre estava adiantado na matéria e a escola nunca fora um lugar interessante.
Fez sua higiene diária e decidiu tomar um banho de banheira, já que tinha tempo de sobra. Jogou uma essência floral na água antes de começar a se limpar. Os outros três sentidos que lhe restaram eram especialmente importantes para Ciel, e ele fazia questão de sempre explorá-los ao máximo.
Quando seu corpo mergulhou na água quente, sentiu um leve choque por toda a pele causado pela mudança de temperatura. Relaxou aos poucos, e quando o fez, as palavras do pai lhe vieram a mente, junto com a sensação de morte que sentira em Head.
– Por que não foi à escola hoje? — A voz grossa de Sebastian ecoou pelo cômodo, acordando o garoto de seus pensamentos.
Ciel não se assustou com a presença do demônio, embora ele não tivesse percebido, tão compenetrado que estava em seus pensamentos.
– Só perdi a hora, nada de mais. — Respondeu com tranquilidade e encolheu um pouco o corpo debaixo da água. — Meu pai disse que pode me dar olhos novos. — Ele soltou como um comentário qualquer, querendo desabafar. Diminuiu o tom de voz em um murmúrio. — E Head morreu.
Sebastian franziu o cenho com curiosidade, inclinando os lábios em um meio sorriso.
– O modo que me dá as informações é realmente desconcertante. Parece que está comentando o tempo.
– Estou contando os fatos. Não preciso antecipar com suspense somente para dizer o que aconteceu. — Ciel disse com desinteresse, erguendo o tronco para fora d’água e abrindo os olhos.
– Decidiu ver o mundo agora? — O tom de voz do moreno era levemente incrédulo e um pouco debochado, embora parecesse mais retórica. Porque ele não esperava que Ciel fosse mesmo responder.
O garoto ficou um tempo refletindo sobre a pergunta. Nunca se sentira mal por ser cego, pois havia algumas vantagens, como seus sentidos mais aguçados que o normal e — por mais que não quisesse admitir — conhecera Sebastian por este motivo. Mas era verdade que sempre sentiu curiosidade de como era a forma do mundo, como eram as cores, o que era bonito e o que era feio. Essas perguntas lhe vieram junto com o primeiro sonho com imagens, mas aquilo era um segredo que ele nunca revelaria para nenhuma pessoa.
Mas Sebastian não podia ser considerado uma pessoa. E aquela necessidade de conhecimento mútuo gritava, mesmo que a recíproca fosse injusta.
– Eu vejo o mundo ás vezes, nos meus sonhos. — Ciel respondeu depois de algum tempo de reflexão, mais como um pensamento jogado ao vento.
– Como sabe se o mundo que sonha é este em que vive? Se não é um conjunto de informações em que seu cérebro se baseou para formar imagens?
– Não sei. As pessoas que vejo e os lugares que estou não são familiares. Mas eu... — Refletiu novamente, decidindo se contava sobre o sonho que tivera na noite passada. Cruzou os braços na frente do corpo como se a água começasse a esfriar. Embora a realidade fosse que Ciel sentia que o demônio analisava seu corpo. — Eu já te vi uma vez, também.
– Viu? — Sebastian franziu o cenho com curiosidade, não ligando para o constrangimento do garoto e se sentando na beirada da banheira.
– Não... Não é como se eu sonhasse com você ou coisa parecida. — Ciel atropelou as palavras enquanto eram ditas, tropeçando nos próprios pensamentos confusos. Não se lembrava mais do porque de estar revelando aquilo para o demônio. — Eu enxergo nos sonhos de vez em quando. Só isso.
De fria, a água pareceu esquentar repentinamente, fazendo seu rosto arder e um estranho formigamento se espalhar pelo corpo. Decidiu sair da banheira e se vestir antes que a temperatura lhe desse tontura. Ciel ainda não sabia que aquele efeito não tinha relação nenhuma com o calor da água. Pegou a toalha pendurada na maçaneta da porta e se cobriu com ela antes de caminhar até o quarto.
– Posso saber como era este sonho? — Sebastian, que apenas seguia o menor com o olhar, se apoiou no batente da porta aguardando a resposta.
Ciel já estava praticamente todo vestido quando decidiu dizer alguma coisa, com o demônio esperando pacientemente enquanto ele vestia cada peça com uma lentidão exagerada.
– Você estava... Arrancando meu dente. — O garoto disse de cabeça baixa, ainda sem sair da frente do guarda-roupa. — Foi estranho. — Emendou, em uma tentativa falha de parecer desinteressado.
Era só um sonho, afinal. Não havia nada de errado naquela declaração, mas o que acontecera depois naquele sonho o incomodava. Tinha tentado evitar aquela lembrança até o momento, e sua mente criava teorias para explicar aquilo, sem sucesso. Demorou a ter certeza de que fora realmente um beijo. Nunca havia feito isso antes e nem ao menos observou um para saber como era.
Mas um toque em sonhos não poderia ser considerado como seu primeiro beijo, mesmo que aquele gosto de sangue quando acordou lhe desse a sensação de realidade. Estava certo que não teve significado.
Fez-se um breve silêncio no quarto, fazendo Ciel finalmente se virar para pedir alguma reação.
– Sebastian? — Chamou se aproximando, parando de frente para o moreno e erguendo a mão para tocá-lo.
Mas Sebastian segurou sua mão antes que chegasse até ele.
– O que aconteceu depois? — A voz do maior saiu mais séria que o normal. — O que eu fiz depois de retirar seu dente?
– Nada. — Mentiu. Desvencilhou-se do maior e deu um passo para trás, temeroso. — Eu acordei logo depois.
Ciel estava curioso com a importancia que aquilo parecia ter para o demônio, mas nada perguntou. Não achava justo questionar motivos quando ele mesmo não havia revelado a verdade. Afinal, era somente um sonho, e não deveria ter nenhum significado.
O silêncio se instalou novamente entre eles, mas muito mais incômodo. Uma falta de palavras e explicações que só foi quebrado quando Sebastian pediu licença para se retirar, deixando o garoto sozinho com seus pensamentos.
Ciel se encontrava mais perdido do que nunca, e apesar de sentir um leve estremecer pela chuva eminente, pela primeira vez sentiu medo da escuridão. Alguma coisa nova estava lhe acontecendo, e mesmo sem saber por que, tinha certeza de que começou com aquele sonho.
______________
Sebastian tentava não pensar no que o atormentava. Estava se deixando levar– pensava — a mente pregando peças maldosas que davam falsa esperança. Tirou o frasquinho azul de dentro da camisa e o apertou com força.
Havia algo errado.
Chegou a poucos minutos no seu destino, abrindo a porta sem paciência ou vontade de ser educado. Encarou um ruivo assustado com a chegada brusca, acocorado em uma mesa cheia de produtos — que se olhados com atenção, se mostrariam maquiagens humanas. Sebastian se pôs na frente do outro, expondo o frasco tão perto que por milímetros não encostava em seu rosto.
– O que vocês usam para revelar as cinematic record de uma alma? — O demônio perguntou em uma voz mais calma do que sua aparência mostrava.
– Só podemos vê-las no momento da morte. — Grell respondeu em um suspiro, se recompondo do susto inicial.
– Sei que vocês têm outros métodos. — Sebastian revelou a foice decorada com uma caveira que antes pertencera a Undertaker, aproximando do seu pescoço enquanto a corrente de prata balançava o vidrinho como um pêndulo. — E é melhor se apressar, antes que minha mão escorregue.
Grell engoliu em seco. Não via o demônio naquele estado desde aquela noite em 1940. E naquele dia, descobriu que ele poderia ser mais perigoso do que perder o emprego.
– Há uma maneira... Mas eu nunca tentei. — Grell murmurou com a voz fraca, ainda meio hesitante.
– Então me mostre. — Sebastian ordenou, pouco se importando se ele parecia desesperado.
Está se excedendo– uma voz sussurrava no fundo de sua consciência — Está se exaltando ao desconfiar dessa forma.
“Você estava arrancando meu dente” — Aquelas palavras reverberavam em sua cabeça.
Era só aquilo. Uma inutilidade que não deveria ter nenhum significado.Mas não era sem motivos que aquela dúvida se instalava, criando raízes conforme tudo se tornava mais confuso e complicado.
Ciel Ghostkeeper poderia ter tido qualquer sonho com o moreno que ele não ligaria, mas aquele em especial era diferente. Justamente aquela lembrança, que apesar dos anos ele não conseguia tirar da mente.
Sebastian se sentira aliviado pelo garoto ter acordado antes que acontecesse, mas se ambos os Ciel’s continham as mesmas lembranças, sua teoria não poderia ser assim tão impossível. Teria de tirar a prova antes que cometesse um grande erro. Antes que se arrependesse.
Era o momento de entender o que estava acontecendo.
Continua...
Fale com o autor