Timeless

16 Cap. 16 - Curiosidade leva a dor


Notas iniciais
Sério pessoas, essa fic ainda vai me dar um colapso nervoso! Não sei o que acontece para ela me travar tanto assim. Mas aqui está mais um lindo capítulo! Atendendo alguns (muitos) pedidos de leitores, então preparem os lencinhos para sangramentos nasais! o/

Ciel encarava o demônio com nojo enquanto ele jogava todo o conteúdo do frasco em um copo. O sangue do pai de Eliza era bem mais escuro do que se via em filmes, e o cheiro não era nada agradável.

Sebastian tomou tudo em um único gole, apreciando o sabor audivelmente. Seus olhos adquiriram aquela cor avermelhada brilhante de quando ele provava alguma alma, o que fez Ciel tremer de leve. As unhas do demônio cresceram como garras de gato, enfincando na madeira da mesa com força. Ciel deu um passo para trás.

– Tudo bem? — O garoto perguntou hesitante, ainda se afastando devagar.

Sebastian respondeu com um ofego baixo, terminando de arranhar a mesa antes de erguer os olhos para o menor. Limpou a boca e respirou fundo algumas vezes, esperando se acalmar antes de responder.

– Experimentar uma alma sem poder possuí-la é um pouco desgastante, mas este gosto insosso ajuda bastante na contenção.

Ciel se permitiu relaxar um pouco. Parou de recuar, mas decidiu não voltar a se aproximar por um tempo.

– Então?

– Nada. E pela informação contida nesta, duvido muito de que alguém ligado diretamente a ele tenha qualquer coisa em comum com a sua alma. — Sebastian suspirou, sentando na borda da mesa de braços cruzados.

– Descartamos os outros?

– Ao menos seus parentes diretos.

Ciel também suspirou, recostando-se a parede na outra extremidade da sala. De certa forma sentia-se aliviado por não partilhar nada com Eliza, mas aquilo os deixava sem mais suspeitos. Voltou a erguer os olhos, encontrando o outro lhe olhando intensamente. Suas íris começavam a voltar a cor normal.

– Como sabe dessas informações da alma? — Resolveu perguntar, também para disfarçar o rubor que se espalhava por ser encarado.

– É como um apreciador de vinhos, que consegue descobrir o tipo da uva, o lugar onde foi colhido, e até o ano da produção. — Sebastian esperou que Ciel dissesse alguma coisa, mas ele permaneceu calado, com o olhar morto. — Cada alma tem um sabor diferente, mas o gosto depende de cada demônio. Nem todos achariam sua alma suculenta, por exemplo.

– Meu gosto… — Ciel sussurrou para si mesmo. — Não acho que eu vou entender isso algum dia.

– Não é como se precisasse.

Ciel pensou por um momento, concordando com um aceno, mas ainda se sentindo frustrado. Ele não sabia praticamente nada sobre Sebastian. Não sabia nada nem mesmo sobre demônios ou sobre almas. Era injusto de certa forma. Mas a curiosidade dentro de si ainda instigava como uma chama em busca de combustível.

– Como é isso? — Perguntou, indo se sentar ao lado de Sebastian na mesa.

– Isso o que?

– Meu gosto… O gosto de uma alma. — Ciel pegou o copo sujo de sangue e lambeu uma gota que caia da borda, fazendo careta. — Vocês gostam mesmo disso?

Sebastian sorriu com a cena. Era incrível como Ciel conseguia ser sexy sem querer.

– Não acho que tenha palavras humanas que possam traduzir o sabor de uma alma. — Tirou o copo das mãos do menor e balançou a sua frente. — E esta, tem um gosto horrível.

– E mesmo assim seus olhos ficaram vermelhos. E olhe só o estado da mesa.

– Eu ainda sou um demônio, o que esperava?

– Hunf… — Desviou o olhar para outro canto, passando os dedos nas marcas de unha na madeira. Eram as mesmas unhas que já haviam lhe marcado a carne na outra vida. Esse pensamento o fez estremecer.

– Quer que eu a descreva para você? — Sebastian parou a mão de Ciel com a sua, se posicionando de forma a circundá-lo com seu próprio corpo. — Depois que sua alma se uniu a do Ghostkeeper, adquiriu um gosto… Peculiar. Se eu senti-lo novamente, saberei. — Passou a língua no pescoço de Ciel, logo abaixo de sua orelha. Ciel se retraiu, ainda encarando a mesa. Seu corpo começou a esquentar repentinamente e o coração já estava tão acelerado que poderia saltar para fora. Afastou-se o máximo que pôde, apesar da posição de cobra que Sebastian fazia para prendê-lo. Ainda não encarava os olhos do demônio, sem saber se de medo ou de vergonha.

– Você provou faz pouco tempo, não… — gaguejou quando um roçar de lábios em sua orelha o fez estremecer. Suspirou fundo antes de reencontrar sua voz. — Não deveria saber?

– Eu sei. Mas não tenho uma boa memória. Por que não me ajuda? — Sebastian sussurrou a última parte, entrelaçando os dedos na mão fina de Ciel e beijando sua palma. — A forma como olha estas marcas me dá a impressão de que as quer em você.

Ciel o empurrou com o cotovelo, mas como ainda se encontrava preso entre mãos e pernas, caiu de costas na mesa. Sebastian riu, o que fez com que a vergonha se transformasse em raiva rapidamente.

– O que está querendo dizer?! — O garoto gritou, finalmente encarando o outro.

– Dizer? O que estou querendo fazer seria a pergunta mais apropriada. — Sebastian continuou de pé, somente segurando-o pelos pulsos. Prensou o corpo menor com um pouco mais de força, vendo-o se contorcer. — Você aceitou os termos ao dormir com um demônio. Agora não quer as consequências?

Ciel tentou fazer uma cara emburrada, mas não conseguiu. Ele era orgulhoso demais para dar o braço a torcer, mesmo em uma situação como aquela. No fim suspirou fundo, resignado.

– Ta, ta. Faça como quiser. — Disse como se não se importasse, relaxando o corpo de vez.

Sebastian riu.

– Palavras perigosas essas. — Sussurrou ao se inclinar e retirar a camisa que o outro vestia. Mordeu a curva do pescoço, fazendo Ciel soltar um ganido e tentar soltar seus pulsos novamente.

– Idiota! Isso dói!

– Estou só fazendo o que o mestre pediu. — Sebastian não disfarçou o sorriso sínico que tanto irritava o menor, voltando para o local mordido para desta vez, passar a língua em uma carícia de falso remorso.

Circundou as marcas avermelhadas e fundas, para depois sugar de forma fraca e audível que fazia Ciel se arrepiar. Quando pareceu começar a gostar do novo estímulo, Sebastian voltou a mordê-lo perto do ombro, mais forte desta vez. Ciel deixou a voz sair, retorcendo o corpo para tentar fugir da mordida, mas aquilo só fazia doer mais. Uma dor que começava a ficar estranhamente agradável com o tempo, disparando um choque elétrico desde os dedos do pé que fazia sua respiração ficar mais pesada. Aproveitando que o menor abrira a boca para suspirar, Sebastian o calou com um beijo sedento, que o forçava a seguir um ritmo exigente e profundo desde o começo.

Sugou a língua com vontade para depois arranhar de leve com os caninos. Ainda de olhos abertos, apenas para ter certeza de que Ciel estava gostando, puxou seus cabelos para que erguesse mais o rosto. Arquejou com a nova posição, sentindo Sebastian afundar os dentes em seu queixo.

– Pare de me morder! — Ciel gritou assim que se afastaram um pouco, puxando a gola do outro assim que teve um braço liberto.

– Oh, mas me parece que alguém aqui fica mais animado. — Desceu a mão pelo seu baixo ventre, contornando com os dedos a ereção já bem visível. — Quer mesmo que eu pare?

Ciel não respondeu. Mordeu o lábio inferior quando teve a parte inferior da coxa arranhada por cima da calça. Inconscientemente, sua perna subiu como um apelo por mais, acabando por roçar o joelho entre as pernas de Sebastian.

Não era comum que Ciel não tivesse uma resposta, mas aquela intensidade com que estavam avançando nas carícias e nos flagelos trazia um entorpecimento para sua mente que lhe sugava as palavras da boca. O seu corpo reagia por conta própria. E a libido já estava nas alturas.

Recebendo aquilo como um incentivo, Sebastian terminou de desnudar o corpo menor, aproveitando para passar as unhas de leve por toda a extensão do tronco até os pés, deixando marcas rosadas pelo caminho. Ciel soltou as mãos da gola, sentindo o corpo ficar meio mole. Já estava naquele estado mesmo, então por que não aproveitar? Começou a tatear em busca do zíper da calça de Sebastian, mas teve sua mão presa acima da cabeça com algo que não era nenhuma das mãos do demônio, mas que fazia com que seu corpo todo se esticasse sobre a mesa.

Sebastian ergueu seus joelhos para cima, dando uma boa olhada antes chegar a milímetros de distancia da pele sensível, sem tocar. Respirava pesado propositalmente conforme passeava por toda a extensão do tronco. Sentia Ciel estremecer e se retrair a cada inspiração mais profunda, até parar em sua virilha.

– Se você me morder aí… — Ciel começou o protesto, mas teve que fechar a boca para impedir um gemido escapar ao ter a coxa perfurada pelos caninos afiados, extremamente perto do falo, para logo depois sentir a língua quente amenizar a dor.

– Você vai o que? — Sebastian riu da expressão entregue que Ciel fazia. Mesmo com todos aqueles protestos, ele sabia que ambos apreciavam aquela tortura moderada da mesma forma.

E ver Ciel se contorcer tanto de dor quanto de prazer certamente valia qualquer punição que viria a receber depois.

Voltou as mãos para o tronco branquinho, pressionando enquanto contornava o corpo, até apertar as nádegas com vontade. Mantinha ainda a atenção no baixo ventre do garoto, dando ocasionais mordiscadas que provocavam um vigoroso estremecimento, seguido de um curto gemido excitado. Quando Ciel abriu a boca para murmurar algo, Sebastian lhe enfiou os dedos, obrigando-o a se calar e lambê-los.

Subiu até o ouvido do menor, aproveitando para estimulá-lo com a mão livre.

– Vou fazer exatamente o quiser. — Sussurrou, grave e arrastado. — Mas só o que seu corpo me pedir.

Retirou os dedos, substituindo-os pelos próprios lábios em um beijo voraz antes que Ciel tivesse tempo de respirar. Disputava espaço como para decidir quem conseguia ser mais intenso, sugando a língua com força e adentrando a sua própria em uma exploração detalhada. A mão de Sebastian seguia o mesmo ritmo do beijo, devagar mas firme e intenso.

Ciel abriu mais as pernas, sentindo que já estava chegando ao ápice somente com o trabalho das mãos. Gemeu no meio do beijo, fazendo o movimento parar de forma repentina e muito incômoda. Era a necessidade do contato, que Ciel se negava existir até o demônio avançar nas carícias, fazendo seu corpo praticamente gritar por mais. Sentiu os dedos úmidos começarem a brincar com sua entrada, e sem aguentar, teve que afastar o rosto para libertar a boca.

– Não fique brincando e me solte. — Ciel pediu, com a voz muito mais suplicante do que gostaria.

Sebastian aceitou o pedido com um sorriso, libertando as mãos finas que foram imediatamente aos seus botões para terminar de abrir a camisa. Era injusto que ele estivesse todo exposto enquanto o outro ainda mostrava tão pouca pele. Não chegou a retirar a peça, mas apenas adentrou-a com curiosidade. Estavam fazendo á luz do dia, trazendo uma nova perspectiva quase indecente ao ato. Não que aquilo já não fosse.

Sebastian se deixou ser observado, vendo as reações libidinosas ao ser encarado com tanto desejo. Desceu a mão devagar para abrir a calça, sorrindo satisfeito quando Ciel mordeu o lábio inferior. Não ficou muito tempo com a tortura, logo arrastando o corpo menor pela mesa para encaixá-lo em seu quadril. Voltou a enterrar as mãos nas nádegas em uma massagem quase dolorosa pela força que os dedos longos faziam na carne. Ciel se forçou para cima querendo mais contato, ao que foi respondido com mais uma mordida perto da clavícula.

Ciel enterrou as unhas curtas nos ombros para segurar a dor, projetando o quadril para frente e quase sendo penetrado de imediato, se Sebastian não o segurasse. O resmungo que soltou poderia ser de frustração, embora ele nunca admitisse para si mesmo. Sebastian apertou os dedos com mais força, começando a se enterrar de forma lenta e precisa onde já sabia ser um ponto sensível. Ao atingi-lo, Ciel arqueou as costas puxando sua camisa, que se repuxava ao ponto de ranger. O demônio aproveitou para abraçá-lo, arranhando suas costas enquanto começava a se movimentar devagar. Sugou seu pescoço enquanto o ouvia gemer baixinho, ainda parecendo com vergonha de soltar a voz.

Segurando-o pelas costas para mudar a posição, se sentou na mesa com o garoto por cima, puxando seu corpo com força para atingi-lo mais fundo. Ciel gritou pela entrada repentina, jogando a cabeça para traz enquanto tentava apoiar as mãos nos joelhos do demônio. Cada vez mais rápido, Sebastian fincava suas unhas nas coxas macias para controlar o ritmo.

Dor e prazer se misturavam de forma que Ciel não sabia mais distinguir as duas sensações. Só soube que desejava mais quando o outro se tornou repentinamente mais carinhoso, exigindo um beijo enquanto diminuía a velocidade. Resmungou entre um beijo e outro, passando a se apoiar melhor para exigir com uma retorcida de corpo. Sebastian não o obedeceu, continuando a sair e se enterrar em seu corpo devagar, mas cada vez mais fundo, uma vez após a outra. O novo ritmo clareava a mente de Ciel, enquanto a intensidade o deixava consciente do próprio prazer, sentindo cada músculo que envolvia cada movimento. A forma com que Sebastian o segurava, com que ambos se encaixavam. Tudo se tornava evidente pelo simples toque.

Escondeu o rosto em seu pescoço, com vergonha de como seu corpo respondia a cada investida. Sebastian lhe abriu para ir ainda mais fundo, atingindo o limite naquela pressão gostosa que era estar dentro do outro. Puxou seus cabelos para poder olhá-lo nos olhos, beijando-o com vontade e menos luxúria do que acharia ser possível um demônio fazer.

Ciel prendeu a respiração ao ser preenchido, se libertando tão logo foi atingido pelo líquido quente dentro de si.

Desfalecido nos braços de Sebastian, Ciel procurou pela sua boca para mais um beijo, calmo e denso. Foi colocado deitado na mesa novamente para descansar, enquanto o outro se levantava e começava a limpá-lo com um pano úmido que não sabia de onde tinha surgido.

– Você é um sádico, sabia? — Ciel reclamou, em tom de acusação. As marcas em seu corpo ardiam e latejavam mais agora que seu corpo começava a “esfriar”.

“E você é um masoquista”. Sebastian pensou, mas achou melhor não dizer se quisesse ter uma próxima vez. Apenas se limitou a um daqueles sorrisos cínicos, sem dentes. Terminou sua limpeza com Ciel de costas, cansado demais para ficar sentado.

Ciel virou para o lado, sonolento, observando Sebastian se levantar para voltar a se vestir. Trouxe seu casaco para mais perto, mas quando começou a embolá-lo para fazer de travesseiro, percebeu que tinha algo no bolso. A foto velha meio amassada que pegara na casa de Eliza.

Depois do beijo forçado da garota, havia até mesmo se esquecido da foto.

Se virou para Sebastian, que já estava meio vestido, e o chamou com um puxão em sua camisa. Seu sono tinha ido embora.

– Mesmo que minha alma não esteja com nenhum deles, a família de Eliza tem relação com tudo isso. — Ciel entregou a foto. — Esse é o Undertaker, não é?

Sebastian levou um tempo para se situar na conversa. Tinham acabado de passar um momento um tanto íntimo juntos há poucos minutos e Ciel já queria falar de trabalho? Não que Sebastian não tivesse feito exatamente o oposto antes, mas o garoto poderia ser um pouco mais sentimental às vezes.

Pegou a foto, reconhecendo o shinigami de imediato.

– Certamente. — Respondeu desamassando as bordas, mas se viu surpreso ao notar a mulher ao lado de Undertaker, de sorriso tímido e olhos brilhantes. Olhos muito parecidos com os de Ciel. — Seus olhos...

– São parecidos com os meus? — Ciel completou, tirando a foto das mãos de Sebastian e puxando um espelho de uma das gavetas da cômoda. — Eliza disse a mesma coisa. Mas não acha que devem ter milhares de pessoas por ai com olhos iguais aos meus?

– Não sei se por ter sido cego, você não repare muito nas pessoas. Mas posso te assegurar que seus olhos são bem peculiares e raros. — Andou até o menor, envolvendo seu corpo com seu cardigã para que não se resfriasse. — Acho que agora sabemos o motivo de Undertaker ter se interessado por você desde o começo.

– Eu não sou parente direto nem indireto de Kassandra.

– Não. Mas tem esses olhos. Nunca se perguntou do motivo de ter nascido exatamente com o mesmo rosto de antes?

Ciel amuou. Ele provavelmente se importaria se tivesse outro corpo, mas como sempre foi exatamente do mesmo jeito que se lembrava, aquilo nunca passou pela sua cabeça.

– Talvez estejamos nos focando na direção errada. — Se encolheu um pouco mais no cardigã enquanto pensava. Sua mente parecia ter se iluminado de repente. — Como é que eu não saquei antes? Claro que precisamos saber mais sobre o que aconteceu com essa Kassandra e o Undertaker. Mas meu pai era a chave de tudo desde o começo!

– Provavelmente.

– Não faça essa cara óbvia! Por que não me disse isso antes?

– O jovem mestre não perguntou.

– Sério, às vezes me pergunto se você está mesmo me ajudando. — Deu as costas para Sebastian, sem se importar de ainda estar nu. — Você pode ter todo o tempo do mundo para essas suas brincadeiras. Mas eu não sei quanto tempo ainda tenho.

– Na realidade, nem mesmo nós sabemos. — Ciel se assustou quando viu William sentado no peitoril da janela, falando como se estivesse incluído na conversa desde o começo. — Sua alma não tem registro.

Ciel se sentou em um sobressalto, sentindo aquela pontadinha de dor pelo movimento brusco. Encolheu-se mais no cardigã, que mal lhe cobria a cintura, se sentindo intensamente observado pelo shinigami.

– O que faz aqui? — Sebastian perguntou, indo para perto de Ciel para lhe entregar suas calças.

– Tenho informações que devem lhe interessar. Embora o que deveria acontecer seja o contrário. — William disse impassível, levantando-se e apoiando o peso na sua arma. — Não se preocupe, garoto. Não estou nem um pouco interessado no que faz com seu cãozinho. Mas se queriam privacidade, não deixem a janela aberta.

Ciel sentiu vontade de se enterrar em um buraco.

– Ninguém na família da garota compartilha da alma que falta em Ciel. — Sebastian relatou, um tanto frio e não parecendo nem um pouco incomodado com a situação.

– Humm… Estranho.

– Mas Kassandra certamente esteve envolvida com Undertaker. — O demônio mostrou a foto para Will, que retirou um lenço do bolso para poder pegá-la. — Agora é sua vez de dizer o que sabe.

William arrumou os óculos, suspirando. Ciel teve a impressão de que o shinigami iria cuspir no chão antes de falar.

– Encontramos quem recolheu a alma de Kassandra. Ele relatou que Undertaker começou a agir estranho depois, querendo os registros da mulher e atormentando-o a todo o momento.

– Ele queria revivê-la? — Ciel perguntou, já devidamente vestido, mas sem coragem de erguer os olhos.

– Ele parecia mais inclinado a tentar investigá-la.

– E o bebê? A alma dele não deveria ter sido recolhida junto?

– O Shinigami responsável não tinha conhecimento dele. Não existem registros. — William devolveu a foto para o garoto, passando a conversar encarando-o ao invés de Sebastian. Parecia se sentir mais confortável sem ter que lidar diretamente com um demônio. — Mas entre os pertences de Undertaker que foram deixados quando se aposentou, tinha um frasco vazio.

Ciel arregalou os olhos, finalmente encarando-o.

– Vazio? Então como eu estou aqui só agora?

– Ele estava fazendo experiências. — Sebastian murmurou, terminando de ajustar a camisa do menor. — Naquela época em que criava zumbis, estava só testando as técnicas, aperfeiçoando.

– E você é o resultado disso. — William completou, não querendo ficar para trás nas teorias. — Digamos que você é a obra-prima do Dr. Frankenstein.

Ciel deu um meio sorriso, não por achar graça, mas desdenhando. Parecia que os loucos tinham uma estranha obsessão em usá-lo nos seus fetiches malucos. Apalpou o ombro, que voltava a latejar, se sentando na escrivaninha novamente. Precisava descansar.

– Mas ele já devia estar morto quando eu nasci. — Disse, em tom de quem queria terminar a conversa. — Outra pessoa deu continuidade ao plano dele.

Todos sobressaltaram juntos quando a campainha tocou, contínua e irritante como se a pessoa que tocava estivesse impaciente.

– É o Peter. — Sebastian informou.

– Todo mundo resolveu fazer uma visita hoje?! — Ciel suspirou irritado.

– Não se preocupe, já estou de saída. — William disse caminhando até a janela, parecendo feliz em poder sair de lá. — Se algum dos Shinigamis estiver envolvido, eu irei descobrir. — Fez uma curta reverência antes de saltar para fora.

William podia ter muitos adjetivos insuportáveis, mas ninguém poderia negar que era eficiente e esforçado.

– Pode ir atender. — Ciel disse com um aceno de mão assim que ficaram a sós, sentando na poltrona feliz por ela ser macia. — Ah, Sebastian. — Chamou, vermelho como um pimentão e encarando o chão. — Nunca mais faremos de dia.

Sebastian sorriu largo, segurando para não soltar uma risada audível. Não respondeu, apenas se virando para ir abrir a porta.

Continua...

Notas finais
Adoro esse Sebastian sacana! Perceberam que ele não concordou com a ordem? XD HAUAHUAHUAH Esse lemon foi um pouquinho mais fraco em descrições, porque esse tema meio sadomaso não é muito a minha praia. Mas espero que tenham gostado! Aliás, estou diminuindo um pouco o excesso dos detalhes na narração para tornar minha escrita mais rápida e mais fluída, já que não estou com muito tempo de revisar. Se acharem que está ficando corrido e "pobre", podem dizer que eu volto a escrever como antes! o/ Um beijo a todos os meus lindos incentivadores! =* See ya~