Timeless
11 Cap 11 - A tentação do demônio
Notas iniciais
Esse capítulo foi um martírio, em parte por causa do semi lemon que não é do tema que eu gosto, em parte porque me desatei a ler um livro tão empolgante que toda vez que parava para escrever, parecia que eu estava escrevendo uma fic do dito cujo ao invés de kuroshitsuji.
Enfim, perdoe meus erros nesse capítulo, que sei serem muitos, e aproveitem a leitura.
“Sebastian pousou seus próprios lábios nos dele, sua respiração pesada roçando sua pele e lhe causando formigamento. Ciel fechou os olhos, afrouxando os braços com calma enquanto sua boca era invadida, sem precisar de permissão. Sua consciência parecia estar deixando sua mente aos poucos, como uma névoa densa que cobria seus pensamentos. Só percebeu quando sentiu a mão de Sebastian deslizar desde o peito até sua virilha, fazendo um frio correr sua espinha e uma onda de choque correr por todo o seu corpo, até se instalar em sua mente.”
Apesar da surpresa que o toque gelado lhe trazia, se sentiu aquecer por dentro. Espremeu ainda mais os olhos e jogou a cabeça para trás, como se procurasse ar. O movimento das mãos de Sebastian lhe trouxeram espasmos, que fez uma fagulha se aceder na consciência de Ciel. Aos poucos, as imagens foram ganhando vida e coerência em sua cabeça, vista apenas por seus olhos fechados. Era impossível ignorar aquela sensação, tão real e quase palpável.
Sebastian passou a língua lentamente por seus lábios, retirando dali os resquícios de sangue que ainda restavam. Um sangue doce, inconfundível, irresistível. Um sabor de puro deleite que apenas aumentava a sede por mais.
E foi exatamente este o problema.
Há duas formas de sentir o gosto de uma alma sem necessariamente prová-la, porém, estes dois modos retirava uma energia vital essencial. Embora a atualidade tenha desenvolvido meios de fazer um humano se recuperar da perda, caso um demônio se excedesse (o que era extremamente comum), a vida frágil do humano se extinguia. Facilmente denominados “vampiros” ou “chupa-cabras” em épocas mais remotas, o sangue trazia consigo parte da essência da alma, e como tal, seu sabor.
Sentir o gosto de sangue foi como o tiro inicial. Assim como um tubarão que não consegue mais se controlar quando sente o cheiro de sua presa, Sebastian já não tinha mais controle sobre seu corpo. Ele era um demônio de classe elevada e não era comum que se exaltasse daquela forma, mas a alma de Ciel era saborosa demais para que ele conseguisse se segurar, e sua fome alcançava níveis extraordinários. Ignorou o gemido de dor quando forçou mais o queixo do menor para baixo, invadindo com a língua a boca pequena que agora, se esforçava para fechar.
Era diferente de como Ciel se lembrava do sonho. Ele deslizou as mãos para os ombros do maior, mas não em um pedido por mais, e sim por uma tentativa de fazê-lo se afastar. Mas o demônio era bem mais forte, e uma sugada no seu lábio inferior fez uma pontada de dor lhe incomodar onde os dentes de Sebastian lhe cravavam a carne, junto com um arrepio que estremeceu todo seu corpo de uma maneira medonha.
Sebastian se afastou minimamente, segurando no quadril do garoto para puxá-lo até a mesa. Ciel se apoiou na mesma para não cair, enquanto era empurrado até se deitar com os cotovelos sobre os papéis amontoados. Fechou os olhos quando sentiu a boca do maior descer até seu ombro, enquanto que uma das mãos deslizava pela coxa, subindo os dedos por dentro do short.
- Se... Sebastian... — Ciel gemeu baixo, em uma tentativa vã de tentar fazê-lo parar. Mas sua voz falhava e simplesmente não saia da garganta.
O menino gritou alto quando o demônio passou as unhas por sua coxa, fazendo finos filetes de sangue começar a brotar de sua pele, uma ardência quente lhe percorria o local e por pouco uma lágrima não escorreu. Ciel abriu os olhos e tentou se inclinar para olhá-lo nos olhos, mas eles tinham uma cor rubra intensa e sem brilho. Prendeu a respiração quando Sebastian lhe puxou novamente com mais força, afastando suas pernas para encaixá-lo em seu quadril.
O garoto gostava de provocar o mordomo. Fazia isso tantas vezes que se tornara um costume. Mas o outro nunca sedia totalmente, sempre se esgueirando ou respondendo com escárnio à altura das provocações. Mas daquela vez era diferente. Ele com toda a certeza não estava se controlando, seus toques normalmente delicados e gentis estavam rudes e apressados. E isso só fazia o medo de Ciel aumentar.
Havia algo errado com Sebastian. Algo que fazia o garoto não conseguir formular uma frase, ou juntar forças o suficiente para lutar contra ele. O máximo que conseguiu fazer foi erguer as mãos para o peito do maior, tentando fazê-lo se afastar, mas tirar os cotovelos da mesa só fez com que se desequilibrasse e deitasse totalmente sobre ela, batendo a cabeça com força na madeira.
De uma forma que Ciel não soube explicar como, seu short foi rasgado e jogado em um canto, fazendo com que a idéia do que iria acontecer ali ficasse mais clara na mente do garoto. Ele começou a tremer. As unhas do maior continuaram lhe arranhando desde a coxa até o baixo ventre, fazendo a pele ficar mais inchada e avermelhada. Por reflexo, Ciel ergueu o quadril, pressionando-o contra o volume sob si.
A dor alternava entre a mordida no ombro e o corte na coxa, fazendo o formigamento quente se espalhar novamente. Arfou quando Sebastian se inclinou e lambeu os pequenos pingos de sangue que brotavam da pele e começavam a escorrer. Passou a língua lenta e tortuosamente desde o joelho até o baixo ventre, como tentando prolongar o sabor do líquido o máximo possível. Ciel mordeu os próprios lábios quando ele segurou seu membro, apertando entre seus dedos com força e fazendo com que a dor no ombro e na virilha parecesse cócegas. Quando a ponta das unhas começou a roçar de leve na pele sensível, Ciel cravou os dentes com mais vigor na tentativa de desviar a atenção para uma dor auto infringida. Não funcionou.
Seu contorcer desesperado só fazia a fricção contra o outro aumentar. E isso fez Sebastian gemer baixo, um som meio animalesco que fez um calafrio ainda mais gelado percorrer o corpo do garoto, que fechou os olhos e desistiu de machucar a própria boca. Estava com medo como nunca sentira antes, mais medo do que no dia em que sua família foi morta, do que o dia em que se tornou sacrifício. O fato de que aquilo aconteceria com Sebastian não era o problema, mas o demônio não parecia estar agindo por vontade ou desejo, e sim por instinto. E apesar de ser orgulhoso demais para admitir, as lágrimas que tentava a todo custo segurar vinham daquela angústia e indignação internas, ao invés das feridas que lhe sangravam a pele.
Ciel manteve os olhos fechados, sem conseguir encarar aqueles olhos rubros que certamente se encontravam sem vida naquele momento. Os cortes em sua perna já estavam dormentes, embora ainda sentisse o sangue quente escorrer. Seu ventre se contraía a cada movimento das mãos do maior, o que fazia Ciel ter de cerrar os dentes para não voltar a morder os próprios lábios. Não sabia quando o moreno voltaria a si, mas torcia para que não demorasse muito para acontecer. Se Ciel fosse religioso, aquele seria um bom momento para começar a rezar.
Até que sentiu uma dor o atingir como se o partisse ao meio, lhe arrancando um gemido tão estrangulado que não parecia pertencer a ele mesmo. Fora invadido sem preparação ou cuidado, fazendo seu corpo se contrair em repulsa e piorar ainda mais a dor.
- Pare... — A voz foi só um fio entrecortado, como se Ciel estivesse entre gritar, geme ou chorar. — Está doendo...
Mas Sebastian não deu sinais de quem estava ouvindo. Fincava os dedos em seus quadris para empurrá-lo contra si, se enterrando dentro dele com força. Ciel podia sentir, junto de cada veia pulsante e cada bater doloroso do coração, dentro de si algo ansiava e ardia gritando tão alto que ele não conseguia ouvir seus próprios pensamentos. Seu peito queimava, subia e descia rapidamente, sentindo suas energias se esvaírem aos poucos, levando junto sua consciência. Sua cabeça pendeu para trás, pendurada além da mesa, balançando conforme seu corpo era pressionado.
Ciel pareceu despertar de um pesadelo, empurrando Sebastian de cima de si com uma força que somente a adrenalina poderia explicar. Encolheu-se no canto da cama, tremendo como se estivesse congelando.
O demônio pareceu entender o que aconteceu, o encarando com mais receio do que podia demonstrar.
- Sua memória voltou. — Ele disse, e aquilo não era uma pergunta.
O garoto estava com medo demais para dizer qualquer coisa. Manteve-se encolhido, quase como se quisesse se fundir à parede. Sua cabeça parecia girar cada vez mais rápido e seu corpo sentia as dores da memória. Ciel perdeu as forças, batendo a nuca na parede quando seu corpo desfaleceu.
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Ciel não gostava de acordar naquele lugar, não gostava de lembrar que era uma parte da alma de outra pessoa. Embora “acordar” certamente não fosse o correto a se dizer, por que ele sabia que se encontrava exatamente no estado inverso. Ele estava sonhando com aquele imenso lugar de um branco infinito, onde o espelho continuava apontado para o precipício.
Com passos rápidos, se encaminhou até lá para poder tirar satisfações com sua outra parte. Se sentir enganado por si mesmo é uma terrível sensação, pior que a traição de um amigo ou um membro da família. E não sei dizer se já houve outras pessoas que tiveram o desprazer de sentir isso algum dia. Mas pode ter certeza de que é uma frustração pior do que bater com o dedinho do pé na quina da cama.
- Apareça, Phantomhive. Eu sei que está ai! — Gritou quando ficou de frente para o espelho, vendo o resquício de um sorriso refletido.
- Às vezes parece que você se esquece de que eu sou você. — O reflexo se sentou sem cerimônia, mantendo um olhar superior apesar da posição.
- Se somos a mesma pessoa, por que não me lembrava do que aconteceu naquele dia?
O reflexo o encarou por um longo tempo com uma sobrancelha arqueada, como se achasse que o outro estava brincando. Não estava.
- Achei que era melhor não saber dessa parte. — Desviou os olhos para um ponto qualquer. — Não queria que tivesse medo de Sebastian. — O outro não disse nada, esperando que ele completasse aquela explicação. Suspirou. — Meu medo me fez ordenar que Sebastian nunca mais chegasse perto de mim novamente. E meu orgulho causou minha morte. — Disse como se comentasse sobre o tempo. Não importava mais, ele já havia morrido e nada mudaria o passado.
- Mas o contrato foi quebrado, ele não precisava seguir suas ordens. — O Phantomhive deu de ombros, o que significava que ou ele não sabia, ou não queria responder. E isso o deixou confuso e mais irritado. — O que mais você esconde de mim?
- Não sou um vilão, sabe? Nosso corpo é como um copo, e a alma seria a água que o preenche. Há água demais para o copo suportar, então parte da água tem que ficar na garrafa. — Deu uma pausa, esperando que o outro absorvesse a informação. — É isso que acontece com nossas almas, um pedaço da memória não consegue ocupar o mesmo lugar. 20% da alma é sua. O resto sou eu.
- 20% — Repetiu em um sussurro. Era um número menor do que pensava, muito menor do que gostaria. Ele era só uma sombra. — Isso não faz sentido. EU controlo o corpo, EU tomo as decisões.
- Já disse, e você sabe que ambos somos um. Mesmo que não perceba, as decisões são tomadas em comum acordo, com base em uma fusão das nossas personalidades. Você sabe que ficou mais arrogante, mais teimoso e um melhor ator dissimulado. Também percebeu que todo e qualquer contato com Sebastian te deixa mais confuso e inevitavelmente, excitado. — Ciel corou violentamente, não conseguindo negar que tudo aquilo era verdade. — É assim que eu sou. É assim que NÓS somos.
Fez-se um silêncio incomodo, no qual apenas se ouvia o farfalhar das roupas de Ciel ao se sentar também, imitando seu reflexo. Fechou os olhos com força por alguns segundos, balançando o corpo como se entrasse em tranze. Sentia uma enorme vontade de enterrar a cabeça em algum lugar e desaparecer. Achava que tudo era melhor antes, quando ainda era cego e tinha seu pai por perto, quando ainda ouvia os seres que lhe sussurravam se não estivesse ouvindo música. Era fácil ignorá-los, mas ignorar Sebastian se via totalmente impossível.
- O que está pensando? — O reflexo perguntou, parecendo irritado.
- Não sabe? Você parece saber tudo.
- Se soubesse, não estaria perguntando. — Rebateu nervoso. Mas logo soltou um suspiro resignado. Voltou em um tom mais simpático, mas ainda assim, mesquinho. — Você parece ser meio tapado para entender, mas já deve ter percebido que os sonhos são nosso “momento pessoal”. O único momento que não somos a mesma pessoa.
Mais um momento de silêncio, em que o outro parecia refletir sobre estes sonhos. É, talvez ele fosse mesmo tapado.
- Os outros 80% da minha alma. Onde está? — A pergunta parecia retórica, como aquelas perguntas para se começar uma aula de filosofia. Mas Ciel realmente esperava por uma resposta, e só recebeu um dar de ombros. — O que eu sou?
- A mais de meio ano nos tornamos um só. Mas você se recusa a aceitar e é por isso que está confuso.
- Então quer dizer que quando eu aceitar, vou ter as respostas?
- Não. Quero dizer que quando você aceitar, vai parar de fazer essas perguntas.
Ciel rodou os olhos teatralmente e bufou baixo, como uma criança contrariada.
- Como se fosse fácil aceitar ser absorvido.
- Chame do que quiser, você não irá sumir. — O Phantomhive deu uma rápida olhada para trás, com os ouvidos atentos. Voltou com um sorriso de lado. — Sebastian está nos chamando.
Ciel não conseguiu disfarçar o leve espanto, se lembrando daquela memória que fazia suas coxas doer como se tivessem sido arranhadas recentemente. Estremeceu.
- Medo e raiva, mas ainda assim quer se manter por perto. Sei como é sentir isso. — O Phantomhive disse com ironia, se apoiando nos joelhos para conseguir ficar de pé. Abanou as roupas com tanta delicadeza que dificilmente tirar-lhe-ia o pó. Ergueu a mão para o outro, com um sorriso galante de gatuno. — Eu precisei morrer para perdoar Sebastian e perceber que mais do que meu orgulho, eu preciso dele. Não vamos precisar morrer novamente, não é?
Ciel não se sentia totalmente seguro, mas a maneira como o Conde falava e sorria exercia uma força quase dominante sobre ele. Talvez fosse algum dom dos nobres, ou talvez fosse só porque ele sentia a necessidade de confiar em alguém. Mas não foi pensando nisso que ele aceitou a mão estendida. Ele queria respostas que sabia não conseguir sem ajuda, a ajuda de um demônio.
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Ciel demorou um pouco para conseguir abrir os olhos totalmente. Mesmo que o quarto estivesse escuro, uma dor latejava no canto da cabeça que ele havia batido na parede. Viu Sebastian sobre si com a visão embaçada, e imediatamente, arregalou os olhos.
- Está bem, bocchan? — O mordomo perguntou lhe afagando o rosto, tendo sua mão afastada com um tapa. — Devo considerar isso um sim?
Uma expressão acusatória foi a única resposta que teve, mas era melhor do que o medo, Sebastian achava.
A respiração pesada foi o único som que ecoou pelo quarto por um longo tempo.
- Por que... — Ciel começou, mas percebeu que não conseguia concluir uma única frase.
Sebastian se levantou da cama, arrumando o colete amassado com uma tensão no maxilar que só quem o conhecesse há muitos anos repararia. E Ciel reparou, mas aquela sensação de indignação interna não o deixava raciocinar sobre o motivo da tensão.
- O que você quer que eu diga? — Sebastian perguntou de maneira retórica, ele sabia que o outro não diria nada. — Não vou pedir desculpas, se é o que está pensando. Perdão requer arrependimento, e não me arrependo de ter feito aquilo, me arrependo das consequências do que fiz.
Não era exatamente um modo delicado de começar uma discussão, mas era a verdade, e mesmo que Sebastian não quisesse que o ódio aparente do garoto duplicasse, nunca mentir estava no contrato.
Ciel engoliu em seco, tentando acalmar sua respiração.
- Não... — O garoto murmurou. Ele queria dizer que não queria suas desculpas, que não acreditava no que ouvia, que não era uma garotinha ingênua que fora violada ou que nada daquilo tinha significado. Mas era mentira.
"Não" foi a única palavra que conseguiu sussurrar, e podia significar muitas coisas. Respirou mais devagar, levando mais ar aos seus pulmões do que seria necessário. Começou a achar mais coerência em seus pensamentos antes de tentar voltar a falar.
- Você quebrou o contrato. Não parou quando eu mandei.
Mesmo perturbado, o raciocínio de Ciel funcionava melhor do que era esperado de um garoto daquela idade, e Sebastian se viu surpreso. O resquício do que poderia ser um sorriso se formou em seu rosto, apesar da rigidez de seus músculos mostrassem o quão tenso ele estava.
- É por isso que não devorou minha alma, não é? — O garoto acusou, ainda tremendo. Mesmo com o tom de pergunta, era mais como uma conclusão em que ele chegara por conta própria, e por isso, Sebastian não respondeu. — Por que não parou?
O moreno ficou um tempo apenas o encarando, não esperava ter de responder aquela pergunta agora. Aliás, não esperava que o garoto voltasse a lhe dirigir a palavra por um longo tempo, assim como aconteceu a tantos anos atrás.
- Os demônios são de uma raça repugnante: Pior que os animais, melhor que os humanos. A grande maioria é guiado única e exclusivamente por instinto. Neste quesito, eu sou mais parecido com um humano. É como passar uma eternidade sem comer um único grão, e sentir o cheiro de um pedaço suculento do seu prato preferido. A necessidade carnal é muito mais descontrolável do que qualquer criatura possa imaginar.
- A ponto de não me obedecer? Eu sou seu dono, minhas ordens estão acima de qualquer coisa.
Sebastian soltou um longo suspiro. A personalidade de Ciel nunca foi fácil, e certas vezes era deveras irritante. Ele não esperava que o garoto entendesse como o instinto agia sobre um demônio, mas também não lhe agradava que ele pensasse que o estupro fora um simples ato de luxúria inconsequente. Era algo forte demais para um humano entender.
Mas Ciel não era um humano qualquer, e havia algo por trás do seu tom acusador que ele conhecia.
- O que você quer que eu faça? — Sebastian perguntou impassível, sem demonstrar nada, a não ser talvez, pela ironia que era tão comum em seu tom de voz.
Inevitavelmente, Ciel sorriu, curto e sem dentes, e mesmo assim tão largo que era impossível não se sentir estremecer.
- Já te dei as condições: 1-Esteja sempre ao meu lado. 2-Nunca minta pra mim. 3-Faça tudo que eu mandar. — O menino enumerou pausadamente, enquanto erguia o corpo para fora da cama sem nenhum resquício do medo ou da raiva que tinha antes na voz. — Eu quero entender minha alma por completo: Como, quem e por qual motivo eu estou vivo novamente.
E só então Sebastian se permitiu sorrir abertamente.
O jogo iria começar.
Notas finais
Queria agradecer de verdade por todos os comentários. Eles me impeliram a não desistir do capítulo mais de uma vez e foram muito gratiicantes! Muitos leitores novos deixaram suas impressões e isso me deixa tão feliz! ^^
Vou responder tudo com calma depois.
O que acharam desse semilemon? Confesso que foi difícil, até porque eu odeio esse tipo de tema forçado como o estupro, mas depois que criei a ideia geral não dava pra voltar atrás sem que a coisa perdesse o sentido. Espero que ainda estejam acompanhando e sejam sinceros, se tudo estiver tomando um rumo sem sentido me avisem! o/
See ya~
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