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1 O Lutador


Notas iniciais
Tive que fazer umas edições pois o capitulo 1 em si era divido em três partes... Tive que fazer algumas adaptações do capitulo original.. Espero que gostem :D

Se estiver "corrido demais" não se preocupe, vai ser sempre assim.

O aeroporto estava cheio. Não era muito comum encher os aeroportos durante a noite, principalmente em Ariant. Mas naquele dia, realmente estava cheio. A notícia de tempestade de areia que foi avisada á 30 minutos atrás assustou os visitantes, e como todos os hotéis lotaram rapidamente, a maioria decidiu ir embora no ultimo aeroplano que ainda tinha. Era óbvio que não ia caber todos. Dito e feito, a companhia do aeroporto despachou todos os que não tinham passagem antecipada, e logo o aeroporto esvaziou.


"Onde essas pessoas iram ficar?" – pensou Gaz – "Ah, deixa, não tenho tempo para isso, logo o aeroplano irá partir, melhor ir para o meu lugar. Só espero que fiquem bem..." – E saiu andando com sua mala até o aeroplano.

Horas mais tarde, já estava em Leafre, mais precisamente no Hotel Copallas. Era tarde, e mesmo assim, Gaz estava na academia do Hotel, treinando um pouco de boxe.

De longe, um pequeno homem, vestindo um terno branco, se aproximava.

– Com licença, senhor. – Disse o homem, sem demonstrar quaisquer sentimentos na sua voz.

– Sim? – Disse Gaz, sem desviar sua atenção para o saco de pancadas que estava arrebentando com suas soqueiras. Logo logo iria acabar rasgando o saco e teria que comprar outro.

– São 4 horas da manhã, senhor. Não acha que está tarde de mais para treinar? – Disse o homem, estrategicamente parado enquanto observava o outro, sem camisa e apenas de shorts, socar o saco de pancadas com duas soqueiras reluzentes, á primeira vista, dava a impressão de serem de Ouro. Vendo mais de perto, dava para perceber que eram apenas pequenos detalhes dourados numa armação de prata. Gaz era alto, tinha pele clara e cabelos pretos. Forte, com peitos definidos, sem pelos pubianos visíveis, assim como não tinha barba, bigode ou costeleta. Visualmente tinha sua pele lisa. Olhos azuis e cabelos curtos (quase que raspados, dava a impressão de ser um membro do exército de Ossyria).

– Treinamento não tem hora. Porque a pergunta? — Respondeu Gaz sem demonstrar perder o foco, ou desviar o olhar, enquanto socava.

– Desculpa senhor. Estava apenas fazendo uma pergunta. Além de que, esse não é o motivo de eu estar aqui. Vim aqui para lhe entregar isto. – Disse o homem, levantando o braço e mostrando-lhe uma carta, onde, bem grande e brilhante, estava escrito: Para Gaz, dê: Anônimo.

Gaz parou de socar, retirou suas soqueiras e pegou a carta. A princípio acreditava que era apenas uma carta de brincadeira, já que era de uma pessoa anônima, mas viu que era sua primeira vez em Leafre, ninguém o conhecia ali. "Quem poderia ser? Dificilmente alguém me conheceria aqui" pensou.

– Obrigado, er... – disse Gaz, olhando-o, como alguém que esquece o nome de algum parente.

– Pode me chamar de Charles. – Respondeu o mordomo, abaixando o braço.

– Obrigado, Sr.Charles. Já deu meu tempo, vou subir agora. – Disse Gaz, pegando sua mochila e sua garrafa de água num banco próximo, e se dirigindo a saída – Ah – exclamou, parando no meio do caminho – O que vai ter no almoço de hoje? – disse, virando-se para o mordomo.

– Não se sabe ainda, senhor. – Respondeu o homem, indo também em direção á saída.

– Obrigado – disse Gaz. Virou-se a saída e andou em direção ao seu quarto.

Olhou para o despertador. 4 horas e 30 minutos. Estava mais que na hora de dormir. Passara tempo demais treinando na academia do Hotel. Até iria dormir, mas a carta não o deixou. "O que será que tem aqui dentro?" – pensava. "Isso está muito estranho... "

Abriu o envelope. Dentro, havia uma carta, feito de papel de caderno. Também havia um pequeno pedaço de pergaminho, todo coberto por papel filme, com um pedaço de adesivo colado, aonde vinha escrito “Use apenas na hora certa”. Deixou o pedaço de pergaminho na escrivaninha onde se encontrava o despertador, e abriu o envelope.

“Caro Gaz. Primeiramente, desculpe-me pelo transtorno. Eu avisei para não exagerarem na tempestade, mas parece que não me ouviram. Enfim, já que não sofreu danos, então isso não importa mais. Estou aqui apenas para lhe avisar de uma coisa: precisamos de você urgentemente. Mas é tão urgente, que você não tem escolha a não ser aceitar. Esteja arrumado amanhã as 12 horas do horário de Leafre, e, bem, veja se não coma nada. A viagem costuma dar sérias dores de barriga.”

Ass: Anônimo

Gaz ficou perplexo. Não sabia se ria, ou se levava a sério. Porém, ele não tinha tempo para brincadeiras. A carta não tinha sentido algum, mas sabia que havia algo sério por detrás. Mas antes que fizesse alguma escolha definitiva, pôs a carta de lado, deitou na cama, apagou a luz de abajur e adormeceu.

Acordou cerca de 8 horas da manhã. Tomou um banho, se trocou, e desceu para tomar o café da manhã do Hotel, que já dava para sentir o cheiro logo do saguão. Torradas com mel, leite quente, café e omeletes. Tinha medo que as omeletes tivessem sido feitos de ovos de dragão (comuns em Leafre), então as deixou de lado. Cerca de 40 minutos depois, voltou para seu quarto, arrumou suas coisas, e leu a carta novamente. Ele sabia que tinha várias coisas subentendidas nas frases, mas ele não sabia o que queria dizer, e o que fazer. O que aconteceria as 12 horas? Seria capturado, preso, esquartejado, deportado? Não tinha certeza, mas sabia que teria algo haver com viagens. Decidiu então, ir até o aeroporto de Leafre.

O Aeroporto de Leafre era bem mais calmo do que o de Orbis, calmo até demais. Além de pessoas indo e vindo, e dos funcionários, não parecia haver ninguém esperando alguém, que no caso, seria ele. Há não muito tempo, colocaram um enorme relógio na Torre de Leafre, uma torre enorme que servia como uma espécie de farol para os aeroplanos, além de que, a mesma torre possuía um portal mágico que levava direto para a cidade de Ellinia, na Ilha Victória. Claro, precisava pagar uma taxa altíssima para usar.

Gaz ficou ali parado na entrada do aeroporto, com uma visão perfeita da Torre e do seu Relógio gigante, até que o relógio marcou 12 horas em ponto com as suas doze badaladas. Esperou, e nada aconteceu. Olhava para os lados, e não havia nenhum suspeito, nada com que se parecesse o dono da carta, ou um sequestrador, estuprador ou assassino. Quando decidiu voltar para casa, sentiu seu bolso se mexer levemente, como se tivesse algo vivo ali dentro.

Rapidamente colocou a mão no bolso e tirou. Era apenas o pedaço de pergaminho que havia vindo junto com a carta. Porém, ele estava se mexendo, se revirando dentro do papel filme que estava enrolado, junto com a fita adesiva escrita “Use apenas na hora certa”. Olhou novamente o relógio, 12 horas e 45 segundos. Olhou em volta, ninguém prestava atenção nele, as pessoas simplesmente iam e viam pelo aeroporto. Até que tomou a decisão. Usando suas luvas brancas (que usa por baixo das soqueiras, o tempo todo, menos no banho, claro), foi puxando levemente o adesivo. Parou na metade do processo, e olhou novamente para o relógio. 12 Horas e 57 segundos.

Não sabia se passasse do horário iria acontecer alguma coisa. Quando viu a hora, ele se desesperou e puxou o adesivo de uma vez por todas. Rapidamente o papel filme vuou de sua mão junto com a fita adesiva e restou apenas o pergaminho.

O pergaminho, que estava se mexendo o tempo todo, agora estava apenas flutuando em sua mão. Gaz ficou olhando por alguns segundos, até que olhou o relógio novamente. 12 horas 1 minuto e 13 segundos.

– Ah, sabia que era besteira. – Disse, tirando a tensão que ficou sobre seus ombros. Pegou o pergaminho com a mão, e o colocou novamente no bolso, mais tarde iria ver do que se tratava. Estava se virando para voltar ao Hotel, quando rapidamente a paisagem começou a se distorcer em sua volta.

– Ah não... – disse, olhando as pessoas a sua volta, todas sendo esmagas e remodeladas, a Torre caindo e se levantando, o céu ficando roxo, e as nuvens colidindo com a terra. Tudo pela visão de Gaz, que colocou a mão na cabeça e fechou os olhos. Toda aquela mudança desconhecida estava o deixando com dor de cabeça.Se ele se lembrava bem, isso era uma habilidade tipica de Sacerdotes, que era o teletransporte obrigatório. Decidiu gritar, mesmo sabendo que nada ia mudar o fato de que ele estava sendo teletransportado.

Rapidamente, a paisagem se estabilizou, e a dor de cabeça passou. Gaz continuou um tempo com a mão na cabeça e os olhos fechados, até ouvir uma voz.

– Então você veio. – Disse a voz, vinda das costas de Gaz.

– Quem está ai? — Respondeu, virando para a direção da voz, sem abrir os olhos, porém, levantando o corpo e levantando as mãos em posição de defesa. – Foi você que me enviou a carta?

– Está mais no que na hora, Gaz. Não temos mais tempo, rápido! – Ao dizer essas palavras, Um forte vento empurrou Gaz em direção ao som, e quanto menos percebeu, estava quase caindo, quando um rabo peludo o segurou pelas pernas, antes que caísse. Com o susto, abriu os olhos e viu a coisa mais estranha da sua vida.

Era um estranho macaco de pelos brancos com folhas tampando as partes intimas, estava o segurando pelo rabo. Sorria com sua boca enorme, e em uma de suas mãos segurava um enorme cachimbo que parecia ter sido feito á mão.

– Você... Você é um macaco! – Gritou, enquanto esperneava no ar – e me solta logo!

– Tem certeza disso? Estamos acima das nuvens, veja bem. Se eu te soltar daqui, você morre com certeza. – Gaz olhou para baixo, e viu que era verdade. Não sabia como, mas naquele ponto onde estavam, era realmente em cima das nuvens.

– O que você quer comigo? – Disse Gaz, olhando para o macaco, enquanto o mesmo o puxava para a base de madeira, onde estava apoiado.

– Calma e espere, logo entenderá – enquanto dizia, ouviu-se um barulho nas folhas próximas.

Logo Gaz percebeu que estavam numa base de madeira sobre as nuvens, e toda a sua cobertura era feita de vários tipos de folhas e plantas, e ao redor, nuvens por todo o lado, tanto em baixo, quanto nos lados, e em cima. Não se conseguia ver o que sustentava aquela estrutura, apenas nuvens e mais nuvens.

– Parece que mais um chegou. – Disse o macaco, olhando atentamente para as folhas atrás deles. — Ele será sua companhia nessa viagem.

– Foda-se, só quero saber como eu saio daqui.