Notas iniciais
Mais um capítulo! Esse ficou grande.

Agradeço aos reviews de:
* RinChung
* Carol_night
* sophia_08 ( é nóis que tá -qq)
* belle_epoque

Divirtam-se!

Capítulo 7 – A banshee

POV_ARITA

No dia seguinte, acordei totalmente esquecida do que havia acontecido na noite passada. Troquei-me e somente quando arrumava o cabelo lembrei que Beatrice estava em casa. E que Heitor havia tido mais um ataque de inconstância.

Desci, um pouco nervosa, afinal, nossa conversa não fora das melhores... Encontrei-o conversando animadamente com Beatrice. Controlei, com muito custo, minha raiva e meu impulso primário de voltar para o quarto, quando observei que o quadro da mãe de Heitor sorria malignamente e piscava os olhos. Depois, vi no móvel que ficava abaixo do quadro, as xícaras dançando.

Poltergeist.

— Há um poltergeist na casa! – gritei. Na verdade, não sei por que gritei, eu já estava tão acostumada àquilo. Mas minha intuição dizia que não era um elemental ou espírito brincalhão e protetor da casa. Era algo perigoso...

— Poltergeist? – disse Beatrice, rindo – Mas que surpresa há nisso, somos três bruxos, na casa de um bruxo. Sempre há efeitos assim à nossa volta. Às vezes, Arita, você é tão burrinha... – ela estava me provocando. Heitor disse:

— Nunca houve um poltergeist na minha casa. Os espíritos e elementais que aqui moram nunca se manifestaram. – ele olhou para as xícaras. – Não assim. Eu já vi muitos, mas eles nunca fizeram efeitos.

— Ora... – interrompeu Beatrice. – Deixe isso para lá, meu bem, o que estávamos falando mesmo antes de sua prima chegar? – ela riu, maliciosa.

— Cale a boca, Beatrice. – gritei novamente. Não é do meu feitio gritar, mas estava uma faca estava voando na direção. Uma faca de manteiga. Além de tudo, o poltergeist era idiota. Imagine, atirar uma faca de manteiga!

— O que é isso, Arita? Está sendo grossa comigo, que tão bem a acolhi? – ela não estava percebendo?

— VOCÊ AINDA NÃO ENTENDEU QUE TEM UM POLTERGEIST MALUCO NUMA CASA QUE NUNCA TEVE ANTES? – estava me descontrolando. Paciência...

— Calma, Arita. – disse Heitor. – Por favor, peço que saia daqui. Suas brincadeiras não estão tendo graça, e o dono da casa sou eu. Saia, ou serei obrigado a tomar providências piores. – disse ele, dirigindo-se para o local de onde vinham as coisas voadoras. Tudo parou. Eu nunca tinha percebido como a voz dele podia ser autoritária.

— Bobagem... – riu Beatrice, irritante. Ela estava rindo tanto, como se estivesse bêbada.

— Não é, não. Em minha casa nunca aconteceu um poltergeist assim, e toda a família é bruxa.

— Ora, que seja... Tanto faz. Voltemos a conversar. – insistiu.

— Vamos tomar café, Arita. Eu esperava por você. – disse Heitor, ignorando Beatrice, que olhou indignada. Ele passou o braço pela minha cintura, eu estava um pouco zonza.

— Vocês são primos mesmo? Não se parecem nem um pouco...

— Sim, somos primos distantes. – disse eu.

— Ah, entendo... – o que estava acontecendo com ela? Ela não era nem um pouco assim. Ela estava tão cheia de perversão, malícia, estranha...

Sentamo-nos para tomar o café, e nada mais aconteceu. De vez em quando, Heitor olhava para mim preocupado, eu devia estar pálida; e segurava minha mão por baixo da cadeira, e eu tratava de tirá-la dali o mais rápido possível. Beatrice nos encarava, sem dizer nada. Eu estava, e muito, curiosa para saber o que eles conversavam antes da minha chegada.

Depois do café, voltamos para a sala de entrada e eu me sentei ao lado de Heitor, temerosa. Beatrice abriu a boca para falar, mas Heitor disse:

— Por que não toca alguma música no piano? Você é tão boa. Poderia cantar também. – ele sorria. – Quem canta seus males espanta, não é?

— Arita, cantar? Não sabia que cantava... – disse Beatrice.

— Ela canta lindamente. – replicou Heitor, fixando os grandes olhos azuis em mim. Eu disse que ele tinha mudanças bruscas...

Sentei-me ao piano e comecei a cantar minha música favorita, Fairy Night Songs, que minha mãe ensinou. Estava me acalmando, quando ouvi um gemido de dor e tristeza.

Levantei os olhos na direção do som. Apoiada na janela havia uma garota, uns três ou quatro anos mais velha do que eu, com um vestido longo, cabisbaixa, lamentando-se. Uma banshee. Só poderia haver um motivo para ela estar ali. Alguém da família de Heitor ia morrer. Poderia ser o pai dele, já tinha idade, vivera bastante... Contudo, banshees não aparecem na casa de uma pessoa que não mora ali, mesmo que tenha uma ligação familiar. Eu não sou da família de Heitor. Beatrice não é. Duvidava muito de que seus criados fossem. Então... Heitor iria morrer?

Com essa conclusão, comecei a sentir que estava caindo, e a mulher desapareceu. Meus olhos se fecharam contra minha vontade e Heitor me pegou em seus braços antes que eu caísse. Creio que desmaiei, pela primeira vez na vida.

POV_HEITOR

Estava conversando distraidamente com Beatrice, prestando mais atenção em ouvir Arita cantar. Ela cantava e tocava tão bem... Ela era tão linda... Enfim. Isso não vem ao caso.

Justamente por estar prestando atenção na música de Arita, percebi quando ela parou bruscamente. Olhava para a minha janela, com os olhos arregalados, assustada. Eu havia pensado que o susto com o poltergeist já tinha passado. Estava andando até ela quando ela simplesmente caiu do banco do piano, desmaiada. Pelo menos, eu a peguei a tempo de bater a cabeça no chão.

— Arita! – disse eu, segurando-a, sentado no chão. – Briggitte, traga os sais! A senhorita desmaiou!!! – gritei desesperado.

— Não precisa, querido, ela vive desmaiando... – disse Beatrice, a pseudo-amiga (agora eu via a falsidade em seus olhos) de Arita.

— Briggitte!!! OS SAIS!!! – gritei novamente e virei-me para Beatrice. – Você não é amiga dela de verdade, não é? Afinal, o que você é? O que você quer?

— Do que está falando? Sou amiga dela, ora o que é isso?

— Amigos se preocupam uns com os outros. Não vejo preocupação em seus olhos, nem uma gota. – Briggitte chegou. – Briggi, leve-a para o quarto e a acorde, por favor.

— Briggi? Que tipo de tratamento é esse com os criados?

— Não que seja da sua alçada, mas Briggitte ajudou meu pai a me criar, e é como uma mãe para mim. – garota intrometida. – Voltando ao assunto principal: qual é seu interesse na companhia de Arita?

— Somos amigas!

— VOCÊ não é amiga dela e posso ver.

— Quer saber? Acolhi Arita porque ela me pareceu uma garota sortuda, afinal, conseguiu fugir três vezes da Inquisição. Assim que a vi soube que ela me traria sorte. Então, qual não foi minha surpresa ontem, quando recebi a carta que dizia que havia encontrado você! Quando cheguei aqui, lá estava ela, toda feliz, ricamente vestida, na companhia de um lindo jovem! Vocês são primos, mas isso não interferiria um casamento. Então, fiquei contente ao perceber que vocês não planejavam nenhuma ligação amorosa, e sempre soube que Arita é romântica, jamais se casaria por conveniência. Mas eu sim.

— Mas você disse a ela que o amor era o mais importante!

— Disse, para ganhar a simpatia dela. Como você sabe disso?

— Arita me contou. Contou também que você estava interessada em casar comigo, por conveniência. Ela estava decepcionada.

— Aquela... Decepcionada, é? Ela ainda sabe o que é decepção.

— Bem. Uma última pergunta. A senhorita tem algo a ver com os efeitos poltergeist de hoje?

— Não.

— Sabe o que Arita viu agora pouco?

— Não.

— Então, saia da minha casa. – disse eu, firme.

— Não pode fazer isso!

— E por quê?

— Porque... – ela ergueu os olhos para a escada e, subitamente, aproximou-se de mim e encostou os lábios nos meus. Que atrevida!

POV_ARITA

Eu vi uma banshee, desmaiei, fui curada por Briggitte (que é um anjo). Quando descia as escadas, vi Beatrice e Heitor se beijando, e isso doeu fundo em meu coração. Eu desmaiei de preocupação por ele, e ele agora beijava minha ex-amiga.

Cai sentada na escada, com um estrondo.

Heitor se descolou de Beatrice e me viu. Eu chorava.

— Arita! Eu... – não adiantava, ele não podia dizer nada, nós éramos primos, para todos os efeitos.

Beatrice sorria, orgulhosa de seu feito, lambendo os próprios lábios.

— Oh, Arita, que bom que chegou! Agora poderá saber que eu e Heitor iremos nos casar!

— Casar? – eu e Heitor dissemos ao mesmo tempo. Ele se aproximou de mim, e eu o repeli. Ela estava fingindo, mentido, e achava que eu não percebia. Decidi entrar na brincadeira dela.

— Ela não pode se casar com você. Está prometido a mim.

— O quê? – o idiota do Heitor não estava entendendo nada.

— Sim. Você sabe.

— Está falando sério, Arita?

— Sim. Eu o aceito. – ele nunca fez um pedido formal, eu sei, mas deu todas as mostras. – Mas, primeiro, terá que conquistar o meu perdão. Estou profundamente magoada com o que vi. Não esperava isso de você, Beatrice.

— Eu não sabia de nada! Ele nada me disse!

— Não percebeu o modo como nos olhamos? Não agora, pois estou com raiva.

— Por que não o culpa de nada? – eu o culpava sim, por me ter tentado me fazer ciúmes na noite passada, mas agora, esperava tudo vindo dela.

— Porque sei que quis seduzi-lo para casar por interesse. Você mesma me disse.

— Eu... Perdoe-me. – ela parecia realmente arrependida, mas não me convenceu.

— Não. Saia desta casa e não volte nunca mais. Considere-se banida. – Heitor me olhava abismado. Assistimos Beatrice pegar suas coisas e partir, em menos de meia hora.

Quando ela já estava longe, Heitor perguntou:

— Aceita mesmo casar comigo?

— Não, eu estava blefando. Ouvi muita coisa do que Beatrice disse a você, enquanto descia as escadas.

— Então viu que foi ela que me beijou?

— Sim, mas você retribuiu.

— Perdoe-me.

— Perdoo, porque está me ajudando, e muito. Sou grata ao senhor por isso. Mas peço que, a partir de agora, tenhamos o mais formal dos relacionamentos.

— Sim. Prefiro termos uma relação fria, do que não a ter mais aqui para me ajudar e alegrar os dias. – ele... chorava?

— Então, com licença, senhor, mas vou me retirar. – dizendo isso, levantei-me comecei a subir as escadas.

— Arita... Diga-me o que você viu, que a aterrorizou tanto? – disse ele, sem uma gota de formalidade, chamando-me pelo nome.

— Uma banshee, senhor. Sabe o que significa? – respondi, petulante. Ele não disse nada. Baixou a cabeça, pensativo.

Sim, ele sabia o que significava.

Notas finais
* Fairy night Songs: http://www.youtube.com/watch?v=2jmJzDDWVLA (eu adoro essa música)

* Poltergeist: efeito físico provocado por espíritos ou elementais.

* Banshee: espírito feminino que aparce nas casas, lamentando. Avisa a morte de alguém da casa.

E então, gostaram?
Reviews?
Quem mais ficou com raiva da Beatrice?
Eu fiquei o/