Till The Death Separate Us
4 Capítulo 3 - A Bela dama
Notas iniciais
Ficou muito grande, desculpem-me.
Agradeço aos reviews de:
*sophia_08
*ArielaFernandes
Divirtam-se!
Capítulo 3 – A bela dama
POV_ARITA
Enfim chegamos à propriedade do Sr. Heitor. Era grande, não tanto quanto a maioria dos feudos, mas imponente. Heitor me convidou para entrar e deparei-me com uma lindíssima sala de estar. Minha família tinha posses, mas sempre preferimos a vida no campo, longe dos Tribunais da Inquisição. Havia ali um espelho gigantesco, com uma moldura decorada com arabescos dourados, era maravilhoso. Observei minha imagem refletida. Eu estava horrível, descabelada, pálida e provavelmente, cheirando mal.
Como se lesse meus pensamentos, Heitor ordenou a uma mulher de aparentemente vinte e tantos anos:
— Briggitte, prepare um banho para a bela dama, com ervas medicinais; arranje também um vestido bonito, sapatos baixos, pois ela torceu o tornozelo; enfache-o. Depois, penteie seus cabelos e faça um penteado.
A criada pegou nas minhas mãos e me levou para o outro andar. Lá, Briggitte esquentou água e fez uma infusão de ervas. Desde os doze anos eu não tomava um banho tão relaxante e purificador. Desde os doze anos eu perdi muita coisa...
Depois do banho, Briggitte me levou a um quarto, provavelmente de hóspedes, muito delicado, destinado a uma garota. Havia uma cama com um dossel cor de rosa, lençóis de cetim, seda, travesseiros fofos; havia também um armário com alguns vestidos e sapatos, uma penteadeira com perfumes, uma escova de cabelos e um espelho enorme na parede. Tudo tinha arabescos dourados. A criada caminhou até o armário e pegou um vestido lilás, cheio de bordados lindos, um par de sapatos pretos, simples e baixos. Disse-me:
— Vista-se, senhorita, mas não calce os sapatos ainda, para que eu possa enfaixar o seu tornozelo.
A essa altura eu já havia me esquecido do tornozelo dolorido. Vesti-me e o vestido tinha um caimento perfeito. Eu mesma fazia minhas roupas, mas como perdi todos os bens para a Inquisição, há muito tempo não usava algo tão belo.
Briggitte sentou-se na cama e fez sinal para que eu fizesse o mesmo. Sentei-me e ela perguntou-me qual a perna machucada.
— A esquerda — respondi.
Ela passou um óleo aromático e esquentou meu tornozelo, fazendo a dor passar. Enfaixou com cuidado e me disse para calçar os sapatos. Ela era muito atenciosa.
Depois, levou-me até a penteadeira e arrumou meus cabelos longos e castanho-claros, deixando-os lindos. Quando eu estava pronta, olhei minha imagem no espelho maior e agora sim, eu era uma bela dama. Minha pele alva estava saudavelmente corada, meus cabelos desciam em ondas suaves, meus olhos esverdeados brilhavam. Eu estava feliz, um pouco apreensiva, mas feliz. Briggitte me arrumara como minha mãe fazia, deixando-me com aquela aparência natural que uma garota celta deveria ter. A lembrança escapou em forma de lágrima, mas a mulher ao meu lado não percebeu.
Descemos as escadas e fui levada à copa. Lá, havia uma mesa farta e, na ponta estava Heitor, que sorriu feliz ao me ver.
— Como está? Sente-se melhor agora? Espero que não esteja chateada comigo por tê-la atropelado. – seus olhos estavam cautelosos. – Sente-se aqui.
— Agradeço-lhe muito se... Heitor – corrigi-me depressa. – Estou muito bem, obrigada.
Sentei e rapidamente fui servida. O almoço era arroz com peito de peru e saladas. Estava delicioso, bebemos vinho e quando estávamos na sobremesa – compota de framboesa – Heitor disse:
— Conte-me sua história, Arita.
— Eu, bem, não é interessante. – não queria contar, mas me senti impelida ao ver sua curiosidade infantil – Hm... eu morava com minha família bem longe daqui, perto das florestas. Éramos eu, meus pais e meus dois irmãos mais velhos. Então, quando eu tinha doze anos, a Inquisição levou minha mãe, meus irmãos fugiram e meu pai acabou por morrer de tristeza. – ele olhava para mim atento – Fui entregue a uma tia, mas ela era má e entregou-me para o Tribunal. Logo, eu já tinha treze anos. Foi minha primeira prisão. – lembrar de tudo era doloroso demais.
— E como escapou?
— Graças a uma senhora, ela me disse para ter força de vontade e coragem. Chamei o guarda e quando ele estava perto, bati em sua cabeça com um tijolo. Só tinha um guarda lá, não era uma masmorra importante, se é que me entende.
— E a segunda vez?
— Bem, eu corri muito e na manhã seguinte estava muito longe. Sete meses depois, um homem do vilarejo onde eu vivia me denunciou porque eu estava cantando canções pagãs. Dessa vez, o guarda era muito forte, então eu não poderia bater-lhe. Nesse caso, tive de tentar seduzi-lo. – ele riu vendo me ruborizar. – Comecei a conversar com ele, ele bebeu muito vinho, caiu bêbado, peguei as chaves e fugi.
— E então, a terceira?
— Foi há três dias. Prenderam-me porque eu estava fazendo chás para pessoas doentes. Consegui fugir porque o guarda tinha bom coração.
— Bom coração? Achou um exemplar único, então. – disse, incrédulo.
— Bem, sim, ele trabalhava ali porque era o único meio de sustentar a sua família. – distraí-me, pensando que deveria fazer algo, mesmo que “astralmente” para ajudar aquele homem. – E hoje de manhã, fui atropelada por uma carruagem e agora estou conversando com o dono dela. Acabam minhas aventuras. – conclui com um sorriso sem graça.
— Mas são muitas aventuras para uma dama tão jovem. – ele ria, charmoso. Olhei, extasiada.
— Bem, agora, conte-me as suas. – disse eu, querendo saber mais sobre aquele que me acolhia.
— Não são, nem de longe, tão emocionantes quanto as suas. Hm, vejamos. Eu sou o primeiro filho, e minha mãe morreu no parto. Então, há um ano, meu pai casou-se novamente, e me deixou a propriedade. Não é um feudo grande, mas tem bom tamanho e me rendeu muitos lucros. Meu pai e sua mulher moram longe daqui, e de vez em quando vêm me visitar. Então, somos só eu, Briggitte, mais duas criadas e dois criados. E vários animais, claro. – disse ele, com uma pontada de tristeza.
— É muito solitário? – preocupei-me.
— Ah, não. Tenho cães, gatos, coelhos... Sinto falta de irmãos, mas que posso fazer? O destino assim quis...
— Perdoe-me a pergunta, mas... por que ainda não se casou?
— Não havia achado nenhuma moça que realmente me encantasse, não até agora.
— O que quer dizer com isso?
— Que a senhorita é encantadora. – com essa observação, corei, sentido o sangue subir até a raiz dos cabelos. Mal nos conhecíamos, mas ele se insinuava galantemente. E eu estava gostando, admito.
— Bem, senhor, agradeço o elogio. – disse eu, sorrindo. Ele também sorriu. E eu pude ver o quanto ele também era encantador. Eu estava me apaixonando.
Notas finais
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