Notas iniciais
aaahn, esse capítulo também ficou grande. heheheheh
desculpem-me se o finzinho tiver ficado meio tosco, é que não eu não tive ooutra ideia para colocar esse momento aí.

agradeço aos reviews de:
* sophia_08, leitora fiel aqui

Espero que gostem!

Capítulo 4 – A proposta

POV_ARITA

Depois do almoço, Heitor me convidou para um passeio nos jardins de sua casa, a fim de conhecer seus animais, suas roseiras e tantas outras maravilhas que poderiam haver ali. Andamos muito e paramos para descansar a sombra de uma grande árvore. Começamos a conversar sobre coisas triviais, como o clima, a fofura dos coelhos ou a imponência dos cavalos, quando ele perguntou-me para onde eu voltaria quando estivesse curada. Esse assuntou me entristeceu.

— Creio que eu volte para a hospedagem de Beatrice, minha cara amiga.

— Beatrice?

— Sim, ela também é como nós, hm, desligados da Igreja. Mas ninguém sabe. Ela me acolheu quando fugi da última vez. É muito amável. Aliás, deve estar preocupada comigo, probezinha. – precisava informar-lhe onde estava.

— A senhorita poderia escrever uma carta para sua amiga, dizendo-lhe onde está, com quem, e que está segura.

— Senhor, não se ofenda, mas é apenas um tornozelo torcido que nem dói mais tanto. Posso voltar hoje mesmo. – ele me olhou de um jeito estranho.

— Ah, não, não vá. Pode ver o quanto sou solitário, na tenho amigos, não dou bailes. Por favor, fique mais um pouco, mais um da, que seja. Escreva uma carta informando onde está. – suplicou. Seus lindos olhos azuis estavam tristes, o que, certamente, me comoveu.

— Eu farei isso, senhor. Mas amanhã terei que partir. – desviei o rosto para não ter que lidar com sua decepção visível.

Passamos a tarde toda sentados ali. Quando escureceu, fomos para dentro da casa, jantamos – fartamente como no almoço – e então ele me pediu para cantar. Eu, modestamente digo, sei cantar bem, minha mãe me ensinou.

A noite enfim acabou, e Briggitte levou-me até o quarto onde eu fora tão bem cuidada pela manhã. Deu-me uma camisola para vestir e eu me deitei, cansada do extraordinário dia que tive.

No meio da noite, senti sede. Acendi então uma vela – não iria incomodar Briggitte tão tarde – e me dirigi para a cozinha pegar água. Esperava que o fato passasse desercebido, não queria acordar ninguém. Quando cheguei a porta da cozinha, vi uma luz. Fiquei um pouco assustada, mas continuei. Heitor estava sentado a mesa, com um copo de vinho na mão, escrevendo em um grande livro.

Eu ia dando meia volta, mas ele me notou. Convidou-me a sentar do seu lado, puxando a cadeira.

— Sente-se aqui. – acomodei-me na cadeira. – Está sem sono?

— Ah, na verdade, estou com sede. – ofereceu-me seu copo. Recusei.

— Quer água, senhorita? – balancei a cabeça positivamente. Ele se levantou e segundos depois me trouxe um copo de cristal com água.

— Obrigada. – disse eu. – Perdoe-me a curiosidade, mas o que faz aqui tão tarde? Está sem sono?

— Eu durmo tarde. Estou escrevendo.

— Escrevendo? Uma história? Não sabia que é escritor.

— Não sou escritor. – disse ele, rindo. – É um diário. A senhorita não escreve um?

— Bem, escrevo. Mas não é bem um diário. É um livro onde escrevo tudo o que sei, as receitas, as canções... e um pouco da minha vida.

— Então é semelhante ao meu. – disse, fechando o livro. – Arita, tenho que lhe dizer.

— O que, senhor?

— Que não quero que vá embora. – disse-me.

— Mas, senhor, é necessário. Beatrice...

— Por favor. – interrompeu-me. – Tenho outras razões além da solidão.

— Tem? Quais?

— Razões que podem, por ora, ser esquecidas. – assenti.

— Senhor, de qualquer modo, sejam quais sejam suas razões, eu não posso ficar. Tenho Beatrice, todos os meus pertences estão em sua hospedagem... Ela é uma ótima amiga, não posso deixá-la de amineira alguma.

— Eu mando buscar seus pertences. Poderá visitar sua amiga sempre que quiser. Além disso, aqui terá proteção. Ninguém ousará mandá-la para as masmorras novamente. Tenho muita influência na sociedade. – ponderei por um instante. Proteção. Eu teria proteção. Eu não poderia querer mais nada, poderia? Sem prisões, sem guardas, sem julgamentos. Apenas uma vida tranqüila em uma boa casa, podendo visitar as pessoas que amo sem medo. Mas...

— É tentador, mas uma donzela não pode viver junto de um rapaz solteiro sem que sejam casados. Iríamos os dois para a fogueira.

— Não tinha pensado nessa parte. – disse ele. – Não há problema. Veja só. Façamos um trato. Eu lhe dou conforto, a senhorita me livra da solidão e me ensina coisas que minha mãe não teve tempo de ensinar.

— Mas... e o que vão pensar? – que diabos ele queria que eu ensinasse?

— Você será minha prima. E você me ensinará as magias, ora. Meu pai nunca quis tocar no assunto e ensino-me apenas o básico. – ele lia pensamentos? Ou eu havia pensado alto?

— Está bem. Serei sua prima. Mas antes, me diga. De onde veio o seu pingente? O meu é de família. – eu estava curiosa. Um pingente daqueles tem tradição, é passado de geração em geração.

— Ora, meu pai me deu quando completei dois anos. – ele disse confuso.

— Ah, sim. Bem, já que será um trato, devemos fazer algo que expresse o juramento. Que nos impeça de descumpri-lo. – podia ser escrito a tinta, troca de sangue ou, o menos usado...

— Um beijo selará o juramento. – disse ele, muito seriamente. Esperava uma resposta minha, então eu disse:

— Senhor! Isso é muito pouco usado. Não acha melhor fazermos um corte na mão e trocarmos sangue?

— Não, isso é muito dolorido. Esse tipo de juramento é melhor quando é um segredo que deve ser guardado. Um segredo em que apenas uma das partes sairia prejudicada caso fosse revelado.

— Mas, e escrever num papel?

— O papel pode ser achado ou destruído. Deve ser algo que fique apenas entre nós, que nos marque e que nos deixe feliz. Deve ser sério e vir do coração, já que os sentimentos de ambos estão em jogo. – bom argumento. Um beijo nos uniria desde o coração até a pele. Do interior para o centro. Não seria doloroso (pelo menos eu achava que não) e haveria uma troca. Não poderia ser destruído, esquecido ou achado, não deixaria marcas físicas, apenas emocionais. Concordei.

E então, ele, do modo mais sereno e puro possível, encostou seus lábios nos meus. Senti o sangue subindo rapidamente, e por fim, acabou.

Estávamos eternamente ligados a partir de agora.

Notas finais
e então? gostaram????
reviews?