Till The Death Separate Us
11 Capítulo 10 - Cartas, revelações e visitas
Notas iniciais
Desculpem a demora para postar o novo capítulo, mas é que estava difícil escrever essa parte, eu fiquei resfriada e ainda estava fazendo o novo layout do meu blog (pra quem quiser ver: achoupana.zip.net ).
Agradeço aos reviews de:
* belle_epoque
* sophia_08
* AliceBennet
Espero que gostem.
Capítulo 10 – Cartas, revelações e visitas
POV_ARITA
Enfim, o dia tão esperado para Heitor chegou. Ele acordou enérgico e feliz, contando os segundos. Saudou-me com um beijo e um abraço, rodopiando pela sala. Ele não cabia em si de tanta alegria.
- Creio que eles chegarão na hora do almoço. – ponderei.
- Será? Espero que cheguem mais cedo. – disse ele, enquanto comíamos no jardim.
Eu estava espetando com o garfo o meu último morango com mel quando Thomás, um criado, trouxe um envelope para mim.
- Correspondência para a senhorita.
- Para mim? Que estranho, só Beatrice sabe onde estou. – Heitor e eu nos encaramos assustados.
- Abra! – disse ele, nervoso.
- Vejamos... – abri a carta e li em voz alta:
“ Querida irmã,
Sei que não tem notícias nossas há anos... Mas enfim a achamos!
Quantas saudades moram em nossos corações por não vê-la! Há tantas coisas para serem contadas! Quando fugimos, tínhamos quinze anos apenas e você, doze. Hoje já estamos casados e somos pais.
Quantas voltas o mundo dá! Nós dois nos reencontramos em um pequeno vilarejo e nos hospedamos em uma confortável hospedagem. A dona é uma jovem chamada Beatrice, e, enquanto conversávamos, ela muito astuciosamente percebeu que nossas características lhe eram familiares, e nos reconheceu como seus irmãos. Dissemos a ela que a procurávamos, e ela nos deu seu atual endereço.
Qual não foi a nossa surpresa em saber que encontrou um parente! E que vai se casar! Estamos extremamente felizes com essa notícia, como é bom saber que está feliz e segura!
Querida, venha nos visitar na hospedagem de Beatrice, conhecer suas cunhadas e seus sobrinhos! E traga seu noivo também. Ficaremos muito contentes de conhecer este rapaz, que tão bem a acolheu quando nós não pudemos fazê-lo.
Amamos você de todo o coração.
Esperamos vê-la em breve.
De seus irmãos,
Arthur e Marco.”
- Meus irmãos estão vivos! E bem! – gritei, contente. Ah, seria possível? Meus irmãos, eu não os via há três anos! Meu coração apertou, saudoso.
- Na hospedagem de Beatrice? Isso é muito estranho.
- Não, não. É a única hospedagem do vilarejo. – respondi. – Preciso ir vê-los, imediatamente!
- Mas... agora? Não pode ir agora. Meu pai irá chegar... Por favor, fique, mais um dia, pelo menos.
- Mais um dia. E então vou visitá-los. Não irei passar mais do que alguns dias com eles. Venha também...
- Não posso, meu bem. Meu pai estará aqui. Sinto muito... Diga a seus irmãos para ficarem aqui também. Será ótimo ter a casa cheia!
- Ótima ideia! – exclamei, contente com tudo; a notícia de meus irmãos, o fato de agora eu ter uma família, o fato de ter Heitor ao meu lado... Tudo estava tão bem para mim!
Terminamos a refeição cheios de alegria. Ao meio-dia, o pai de Heitor, um senhor muito divertido chamado Ethan e sua esposa, uma linda mulher chamada Nora, chegaram, iluminando a casa com sua simpatia. Passamos toda a tarde nos jardins, conversando, rindo, ouvindo e contando histórias.
Nora tinha nervos frágeis e ficou emocionada com a minha história e todas as desventuras que passei nas masmorras. Ela gostava muitíssimo de Heitor, tratava-o como um filho. Ele também gostava dela, e parecia tê-la como mãe. Eu a adorei. O pai de Heitor era engraçado, sempre tinha um comentário espirituoso a respeito dos assuntos que conversávamos, e era muito inteligente também.
Ao cair da noite, eu não me sentia bem, então fui para os meus aposentos, enquanto Heitor ficou na sala com seu pai e a madrasta. Reli a carta de meus irmãos, chorando ao lembrar como fomos separados. Por que era assim? Por que insistiam em separar aqueles que se amam? Separam famílias, destroem amizades, desunem os enamorados. E por quê? Às vezes penso que fazem isso por inveja, porque eles nunca sentiram o coração aquecido por uma boa companhia. Outras, penso que é por pura crueldade.
No fim das contas, eu sei que não há explicação.
Depois de me recompor, desci as escadas e ouvi a voz de Heitor no meio de uma discussão. Oh, não, eu não queria que após tanto tempo sem se verem, eles estivessem brigando. Isso não!
Minha curiosidade falou mais alto, e eu sei que é falta de educação escutar a conversa alheia, mas... Eu estava preocupada. O que ouvi foi espantoso:
- O que está dizendo? É algum tipo de brincadeira? Não pode ser verdade! – gritava Heitor, em desespero.
- Desculpe-nos, querido, por não termos contado antes, mas... Não era seguro. Você sabe como estão as coisas fora desses muros. – disse Nora, tentando em vão acalmá-lo.
- Mas, era tão perigoso assim contar que minha mãe não morreu? – estaquei e minha boca se abriu de choque. – Que minha mãe é você? – como? Seria possível?
- Querido... eu, eu sinto muito. Muito mesmo. Mas entenda. Quando eu estava grávida, disseram que, após o parto eu deveria ir com eles. Levaram-me para uma masmorra a léguas daqui, fiquei anos presa e mais outros anos perdida.
- Você fugiu?
- Não, eu não conseguiria. Houve uma rebelião naquela região, mataram os guardas, os integrante do clero, foi horrível. Todos os prisioneiros foram libertos e eu levei anos para achar o caminho de volta.
- Mas isso já foi há um ano! Por que não me contou nada? Por que não me contou quando voltou? Eu passei todo esse tempo sofrendo, tentando decifrar o seu livro. O pai não tinha forças para me ensinar magia, porque ele se lembrava de você. Eu sei quase nada por esse motivo. Mas você voltou já faz um ano e não disse nada! E por que foram morar tão longe e me deixaram sozinho?
- Não era o momento certo. – interveio Ethan.
- Exato. Fomos para longe para não me reconhecerem. E não o levamos porque, caso contrário, vocês dois nunca se encontrariam.
- Nós dois, quem? Eu e meu pai?
- Você e Arita.
- Como assim? – eu também estava confusa.
- Vocês estão destinados. Na época em que tentava voltar, encontrei-me com uma vidente, que disse que isso tudo aconteceria. Eu não podia quebrar isso.
- Mas... E se ela estivesse errada?
- Não estava. Você a encontrou.
- Mas como pôde saber que ela não estava errada?
- Porque ela era a sua avó. A minha mãe.
- Pare. É muita informação. A minha cabeça não consegue entender tanto assim. A minha mãe e a minha avó estão vivas?
- Sua avó, não. Eu sinto muito. Ela já tinha uma idade avançada.
- A minha mãe está viva, passou anos longe de mim, encontrou minha avó, que era vidente e ela lhe disse que eu estava predestinado a encontrar Arita. É isso?
- Sim, meu bem.
- Mais alguma coisa?
- Só mais uma. Nunca, jamais se esqueça disso: há ligações impossíveis de destruir.
- Ligações... destruir. Tudo bem. – ele falava num tom baixo e confuso. Virei às costas e voltei para o quarto o mais rápido e silencioso que pude.
Nossa, esse certamente não é o tipo de coisa que se espera ouvir. A mente de Heitor deveria estar toda embaralhada. Mas eu ficaria feliz, se descobrisse que minha mãe ou meu pai estão vivos. Infelizmente, eu vi os corpos de ambos, e não posso nem me deleitar com o benefício da dúvida. Heitor também deveria estar feliz...
Apaguei as velas e estava quase dormindo quando a porta se abriu e uma luz fraca iluminou o espaço. Sentei-me assustada e o ouvi dizer:
- Ouviu tudo, não é? – assenti, e ele fechou a porta, deixando-me na escuridão.
No dia seguinte, acordei cedo e já desci com uma bolsa de viagem pronta. Heitor ergueu os olhos surpresos no primeiro momento, mas depois eu vi a compreensão em seus olhos. Ao seu lado, estava sua mãe. Eles eram incrivelmente parecidos, mas eu nunca havia reparado. Nora sorriu ao me ver, sorriso que eu retribui de coração. Sentei-me e Ethan disse alegre:
- Linda manhã, não é, jovem? Mas, diga-me, aonde vai com essa bolsa de viagem?
- Vou visitar meus irmãos. Recebi uma carta dizendo que eles estão por perto, e já faz muitos anos que não os vejo.
- Será seguro? Temo muito pela sua segurança, querida. Minha intuição está em alerta. – disse Nora.
- Eu espero que sim. De todo modo, não ficarei no vilarejo por muito tempo. Voltaremos todos para cá. – respondi, sorrindo.
- Isso é ótimo, e me deixa muito mais tranquila. Meu bem, temos uma coisa para contar-lhe.
- Ela já sabe. Ela ouviu. – disse Heitor, fazendo-me enrubescer. Agora eu ficaria conhecida como a curiosa.
- Ouviu? – perguntou Nora. Assenti, sentindo o rubor se fortalecer. – Sem problemas! Que bom que já sabe! E então, não é bom?
- É sim senhora. Fico feliz em saber que a família Bennet está unida novamente. Heitor sentia muito a falta de uma mãe.
- É... Eu lamento não ter podido contar antes... Mas o mundo está tão horrível! Você sabe o que é viver em uma masmorra.
- Sim... Ah, senhora, tenho que lhe dizer, eu li seu livro, mas porque Heitor pediu que eu o ajudasse...
- Eu sei. Está tudo bem. Fico feliz que tenha ajudado-o.
- Obrigada.
Depois do café da manhã, eu parti na carruagem, para voltar em dois ou três dias.
POV_HEITOR
Eu não conseguia acreditar.
Minha mãe estava viva, e eu já a conhecia há um ano. Talvez seja verdade o que dizem sobre o mundo dar voltas.
Minha cabeça estava bagunçada, mas eu estava feliz.
Arita partiu para encontrar seus irmãos, e voltaria com eles em muito breve. As famílias estavam reunidas novamente. Afinal, o mal não conseguiu vencer, como tantas vezes eu pensei que venceria, nos momentos de tristeza.
Meus pais ficaram na sala, e eu alegando cansaço, fiquei sozinho no jardim, querendo pensar e colocar as idéias em ordem.
Eu estava lá, divagando, sentado em meio às flores, quando surgiu na minha frente uma barra de vestido e seus sapatos. Levantei os olhos e vi Beatrice, com uma expressão esquisita. Não era aquele sorriso forçado de sempre, seus olhos estavam vermelhos e suas mãos tremiam.
- O que faz aqui? Não é benvinda.
- Onde está Arita? Preciso falar com ela.
- Ela viajou. Foi ver os irmãos, que estão na sua hospedagem, inclusive. O que faz aqui?
- Os irmãos dela não estão mais na minha hospedagem. Estão mortos.
- O quê?
- Os irmãos dela chegaram a alguns dias, eu lhes dei o endereço e eles mandaram uma carta, não é? Pois é, ontem a noite alguns inquisidores entraram na casa e os levaram. Mataram as esposas e as crianças foram sequestradas. Hoje de manhã, fui aos seus quartos para chamar para o café, e eles não estavam lá. Saí desesperada para procurá-los, e os achei na praça, para serem queimados. Peguei uma carruagem e vim o mais rápido que pude.
- Ah meu Deus.
- Sim! Ela está perdida. Perdida! Eu sinto tanto... Não pude vir mais rápido, peço mil perdões, eu... – minha mente se desligou da lamúrias de Beatrice e se concentrou em Arita.
Ela estava perdida.
Notas finais
Complicou, né?
Noossa, a parte que a Nora revela ser mãe de Heitor O_O Que emoção.
Já vou avisando que o próximo capítulo vai ser... emocionante ~eu, me segurando para não dar spoiler.~ Mas acho que já pra imaginar o que vai acontecer, né?
Bom, já falei demais aqui
Reviews?
Beijos!
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