Notas iniciais
Yaay :) Hm... capítulo não tem nome, não consegui pensar em nada, sorry xD.Perdoem a demora, mas este foi mais difícil de escrever, eu chorei 98217498223356 litros enquanto escrevia.
Agradeço aos reviews de:
* sophia_08
* belle_epoque
Lá vai!

Capítulo 11

POV_ARITA

Eu estava sentada, ferida e entristecida no meio de um monte de palha. Havia uma grade de ferro a minha frente. Paredes de pedra me encaravam assustadoramente, “decoradas” com imagens do Apocalipse. Ratos eram a minha única companhia, e devo dizer que eram mais agradáveis que as pessoas que eventualmente passavam perto de mim.

Eu estava em uma masmorra, presa pela Inquisição, pela quarta vez.

Ontem, eu cheguei ao vilarejo, não cabendo em mim de tanta felicidade por poder reencontrar meus irmãos e dirigi-me imediatamente para a hospedagem de Beatrice. Eu não sentia mais raiva dela, e ainda não sinto. Sabia como a vida pode ser cruel com uma donzela, que não era casada e precisava trabalhar.

Abri a porta da estalagem, conforme havia ensaiado uma entrada dramática (é curioso como, nos momentos de grande alegria, nos importamos com coisas tão banais). Esperava ver a sala de estar cheia, com música, risos e boa comida, como sempre acontecia à noite.

Deparei-me com o vazio, o silêncio e a melancolia, que andava livremente por entre as mesas. Subi as escadas, correndo. Abri todas as portas.

Nada de pessoas. Nada de Beatrice. Nada de comida. Nada de música. Nada de meus irmãos, nem de suas famílias.

Apavorei-me no primeiro momento, pois foi exatamente assim quando minha mãe foi levada e meus irmãos tiveram que fugir. Sentei em uma cadeira e tentei organizar os pensamentos.

Andei até a praça principal do vilarejo, havia uma pequena aglomeração de pessoas ali, em volta do patíbulo. Dois corpos masculinos estavam pendurados. Dançando na ponta da corda, se é que me entende.

O desespero tomou conta de meu corpo e de minha mente. Imediatamente, cutuquei um senhor e lhe perguntei quem eram aquelas pessoas.

– Dois irmãos, eu acho. Os nomes deles eram Arthur e Marco. O sobrenome era... De Borth. Ou algo assim. Pobres almas... – ele parou de falar e se virou, para continuar a contemplar os mortos.

Os mortos eram meus irmãos. Minha família inteira foi morta por aqueles hipócritas desgraçados. Irrompi em lágrimas e atirei-me ao chão, insanamente. Eu sei que devia ter corrido dali, salvo minha vida, mas... Eu estava cansada de fugir. Eu queria confrontá-los, dizer a eles umas verdades.

Meu escândalo da dor foi rapidamente percebido, e logo eu passei a ser o foco das atenções. Nada bom. O clérigo responsável por aquele horror veio até mim e me levantou do chão.

– O que foi, minha filha? O que te causa tanto sofrimento? – falso, hipócrita, mentiroso.

– Vocês me fazem sofrer. Vocês são os culpados de TUDO. – gritei. – E tire as suas mãos sujas de sangue de mim!!! – o padre me soltou. Um guarda começou a me encarar e eu fiz uma careta. – O que foi? Perdeu alguma coisa, idiota? – eu estava com tanta raiva, e eu nem sabia que podia ficar tão furiosa e não explodir.

– Eu estou... Reconhecendo você! Você é a irmã desses hereges, é a Arita de Bourgh! Aquela, que foi presa três vezes. A desgraçadinha conseguiu fugir! – disse ele, levantando os braços. Nesse momento, o padre segurou meus braços atrás do meu corpo, como se eu fosse uma perigosa assassina, ou algo do gênero. Eu me debatia, querendo bater em alguém, cega pelo ódio.

É incrível como certas pessoas têm o poder de nos descontrolar, principalmente quando mexem com a sua família.

O guarda que me reconheceu caminhou até mim e segurou meu queixo, autoritariamente. Cuspi em seu rosto. Com isso, ele me deu uma bofetada e pegou uma faca, fazendo um corte leve na palma de minha mão.

– Monstro! – gritei.

– Você está pronta para o julgamento e se unir aos seus parentes no inferno? – indagou o sacristão, cheio de maldade em sua voz. Não respondi, encarando o guarda. – Responda! – gritou, chacoalhando-me.

– Julguem-me. – disse, abaixando a cabeça.

Levaram-me para o patíbulo. Era estranho estar ali, com todos olhando para mim; uns com piedade, outros com raiva. Eu não saberia dizer o que era pior. O carrasco sorriu, cruel, ao olhar para mim. Fiz-lhe uma careta.

– Arita de Bourgh, quinze anos. Certo? – indagou o padre.

– Certo.

– Ah... A senhorita já é muito conhecida por aqui. – disse, rindo. – Você é acusada de praticar bruxaria, honrar o demônio e rejeitar a Deus, Nosso Senhor. Aceita minhas declarações?

– Pratico bruxaria, mas não tenho nenhuma ligação com o mal, nem rejeito a Deus.

– Mentirosa! – gritou uma pessoa da “plateia”.

– Calem-se todos. – resmungou o padre. Esse, pelo menos, não era um debochado como os outros. – Então, está me dizendo que não honra o demônio?

– NÃO. – gritei. – Eu nem acredito em demônios!

– Você então rejeita também um dogma da Igreja e da Bíblia?

– Não! Eu só... – calei-me. Tudo o que eu dissesse seria usado contra mim, e só iria piorar a minha condenação. O carrasco que me segurava cheirou meu pescoço, fazendo-me estremecer. Que nojo.

Uma coisa que você deve saber sobre a Inquisição é que eles te encurralam, fazendo perguntas, te deixando sem o que dizer. Outra é que se deve tomar cuidado com os guardas, pois eles adoram tirar a castidade das mulheres que vão presas.

Eu quis ter fugido quando era tempo.

– Não vai mais falar nada? – balancei a cabeça negativamente. – Muito bem. Está condenada a... – prendi a respiração. – Forca.

Quando ele disse minha sentença final, entrei em desespero. Bem, eu devia já estar acostumada a isso, afinal, é minha quarta prisão, e meu modo de morte dessa vez foi bem melhor do que das outras (já fui condenada a fogueira, a roda e a dama de ferro). Mas, mesmo assim, atirei-me ao chão pela segunda vez no mesmo dia e me debulhei em lágrimas, gritando.

O carrasco me levantou pelos cabelos e levou-me para a prisão. Tudo outra vez. Jogou-me violentamente no chão e trancou a grade. Mandou um beijo. Eu já estava cansada daquele imbecil se insinuando, então, perdi a compostura e lhe mostrei o dedo do meio. Ele riu.

Ali, sentada, comecei a chorar de novo, mas com muito mais força. Eu soluçava, o ar me faltava, mas eu não conseguia parar. Como eu era burra! Como eu pude me deixar prender mais uma vez! Por que não escrevi uma carta a meus irmãos, falando para irem a até a propriedade de Heitor? Heitor...

Meu primeiro e único amor, agora eu via. O garoto que me acolheu, e em tão pouco tempo, se mostrou um homem justo, belo, corajoso, inconstante... Perfeito para mim. Eu nunca mais iria vê-lo...

Eu sei que poderia fugir, mas estava cansada dessa brincadeira de gato e rato. Achei melhor aceitar a morte rápida que me coube, sem grandes ressentimentos. Orei aos deuses, aos anjos e aos elementais, no dia seguinte eu estaria em paz em Summerland.

Enquanto assim refletia, outro dia amanheceu e anoiteceu, fui deixada no escuro. O guarda apareceu com um lampião e jogou um pãozinho, do tamanho da minha mão, o que certamente não era grande coisa. Ficou me vendo devorar o alimento, quando terminei, disse:

– Fome, hein, doçura? – riu. A crueldade daquele homem me enervou. Peguei, então, uma migalha de pão e joguei nele, dizendo:

– Tome, fiz um modelo para colecionador do seu cérebro em tamanho real. – um fato: eu adorava provocar os guardas. Mas antes não tivesse falado, pois ele se virou, abriu a grade e caminhou até mim. Segurou meus pulsos com muita força, até machucar.

– Está achando graça, não é? Acha que vai conseguir fugir daqui também? Sua idiota, não vai. Pois eu não sou como aqueles outros, seu rostinho lindo não tira a minha concentração. – beijou-me violentamente, e eu afastei a cabeça. Então ele me jogou contra a parede. – Pena que eu posso fazer nada com você... – segurou meu queixo. – O padre disse que seus pecados já eram muito grandes, e que pelo menos você ainda tinha sua virtude. – Esse padre deve ser canonizado. Livrou-me de uma noite de horrores.

Dizendo isso, saiu, deixando-me na escuridão novamente.

Chorei novamente.

Eu estava largada, assim, no chão, quando uma pedrinha caiu do meu lado. Ignorei-a, pensando que devia ser porque as masmorras já eram muito velhas. Talvez desmoronasse e eu morreria sem grandes humilhações. Outra pedrinha caiu, dessa vez, atingindo-me. Olhei para cima e soltei um gritinho ao ver uma mão na janela. Ouvi um “shiu” e me levantei, caminhando até a janela.

Heitor estava ali, sorrindo, mas com os olhos chorosos. Segurei a mão dele, e por um instante, tudo parecia bem, como se estivesse em sua casa, e não em uma masmorra imunda. Ele me encarou por um segundo e disse:

– Você está bem? – não respondi, pensando em como poderia fazê-lo. – Desculpe. Foi uma pergunta idiota.

– Não, eu só... Estava pensando. Mas, não, não estou bem.

– Eu... Diga-me... Já foi julgada? – ele perguntou, e dissecada palavra arfando como se estivesse morrendo e aquelas fossem suas palavras finais.

– Sim. Forca, amanhã, ao meio-dia. – ele começou a chorar.

– Vamos fugir. – disse, recompondo-se.

– Não. Heitor, eu estou cansada disso. Eu fujo, eles me pegam, eu fujo, eles me pegam... Eu não quero mais. E isso seria um perigo para você. Teríamos que ir para longe, muito longe, iria separar a sua família que se reuniu a menos de dois dias... Eu não quero lhe causar problemas.

– Mas eu a amo! Não posso deixar que isso aconteça com você! Nós vamos para uma ilha no meio do oceano, não me importa, qualquer lugar me serve desde que tenha você! E minha família também é perseguida, viver isolados seria uma ótima solução. Não posso, não consigo viver sem você... – ele se calou, a voz sumindo.

– Você... me ama?

– Amo. – ele sorriu por um breve instante. — Então... acho que, agora, você deveria dizer algo... – disse, corando.

– Não vou dizer. Vou demonstrar... – dizendo isso, me aproximei das barras de ferro e beijei-lhe os lábios por entre as grades da janela. Ele retribuiu pronta e apaixonadamente. Ficamos assim por algum tempo, e nos separamos.

– Você me ama! – exclamou, e parecia uma criança que vai a primeira vez ao circo.

– Amo. Muito. – olhei no fundo de seus olhos. Se não fosse pelas circunstâncias, tudo estaria perfeito. Apesar de feliz por ele estar ali, eu também estava triste, meu coração apertado e machucado. O guarda passou por ali e nos surpreendeu.

– Ei. O que é isso? Serenata ao luar, amigo? — ele riu, desdenhoso. – Quer saber de uma coisa? Tem cinco segundos para correr daqui. Senão, está preso. Ops, já se passaram cinco segundos.

– Imbecil, não sabe contar? – eu disse e ele caminhou até mim furiosamente, de novo. Prendeu-me a uma barra e saiu para pegar Heitor. A masmorra daquele vilarejo era muito pequena, portanto, não haveria tempo para que ele corresse, mas mesmo assim, gritei:

– Corra!

– Eu não vou fugir. – disse, e um minuto depois, entravam os dois. O guarda aplicou uma surra em Heitor, e eu chorei, pela milésima vez no dia. Após a violência, jogou-o dentro da minha cela, por assim dizer, e me soltou.

– Vou ficar na porta, vocês não vão fugir. – e saiu. Engatinhei até Heitor e coloquei sua cabeça no meu colo. Ele tinha um olho começando a ficar roxo e um corte na boca.

– Você está bem?

– Claro. Estou com você. – sorriu. Beijei-lhe mais uma vez, suavemente.

– Você é muito burro.

– Mas fui corajoso.

– E burro. – abracei-o. – Como soube onde eu estava? Quer dizer, que eu estava em apuros?

– Beatrice foi até minha casa, em prantos, perguntando por você. Então ela me contou que hoje de manhã seus irmãos foram executados e tudo mais.

– Pobrezinha. Ela pode estar em perigo também. Ela deve ir para longe... Largar a hospedagem. – disse. Ele se levantou e se sentou de frente para mim. Acariciou meu rosto, tocou meus cabelos, beijou meus olhos.

– Você é tão boa. Tem um coração tão puro.

– Você também. – ele pegou minha mão e colocou em seu peito.

– Sinta como ele está batendo forte. Eu estou nervoso. – coloquei minha mão por debaixo de sua camisa.

– Eu também... – peguei sua outra mão e a coloquei sobre o meu coração, por dentro do meu vestido. Ele ruborizou, e eu tive a mesma reação.

– Não. – disse ele. – Não vou fazer isso, não vou machucá-la, por mais que eu queira tê-la.

– Não vai me machucar... – eu disse, e me aproximei, beijando-o pela terceira vez.

Embora ele não quisesse fazer nada, não pôde refrear sua paixão por mim, e retribuiu este e todos os outros beijos e toques que se seguiram com muito carinho.

Foi assim que foi decidido que, se meu último dia na Terra seria repleto de dor e ódio, a última noite seria de amor.

Notas finais
Então. A Beatrice reconquistou minha simpatia, tadinha da Ariitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.Presa de novo, é muita falta de sorte!Como eu disse chorei 2849723562856891356 litros escrevendo este, dependendo dos que vcs escreverem nos reviews eu choro ou não escrevendo o próximo.Aaah, eu sei que esse capítulo nem foi tão emocionante assim, mas eu sou sentimental (pisciana).Ah, e eu não coloquei um super hentai, mas deu pra entender o que aconteceu né? Digam que sim, please *-*Enfim, espero que tenham gostado!Beijos ;*