Till The Death Separate Us
2 Capítulo 1 - Surpresas no caminho
Notas iniciais
Capítulo 1 – Surpresas no caminho
POV_ARITA
Meu nome é Arita de Bourgh, tenho quatorze anos e passo a maior parte do meu tempo fugindo do Tribunal do Santo Ofício. Minha família é pagã – ou era, pelo menos – e eu cresci nos bosques. Minha mãe me ensinou todas as coisas que sei, as receitas, as magias, o amor.
Essa gente tola me chama de bruxa, e dizem isso como se fosse algo ruim. Tenho uma crença diferente, apenas. Que mal há nisso? Se você quer mesmo saber a diferença entre mim e aqueles que me aprisionaram tantas vezes, é que, enquanto eles tentam agradar a Deus com ouro, prata e palavras complicadas, eu só tento agradar agradecendo as graças. O nome que dão aos rituais, pouco me importa.
Bem, acontece que importa para eles. E, se você não segue as regras da sociedade, é preso pela Inquisição. E morre de um jeito terrível.
Eu não sigo várias regras. Sei demais para uma mulher, tenho quinze anos e não me casei, trabalho e, é claro, sou uma bruxa. Então, a Inquisição já me prendeu várias vezes, simplesmente porque faço chás e elixires para ajudar quem precisa.
Fui presa três vezes, e escapei de todas. Tive de usar de muitos artifícios: força, beleza, inteligência.
Da primeira vez, quando eu tinha treze anos, bati com um tijolo na cabeça do guarda. Se ele morreu, não sei. Da segunda vez, tive que seduzir o homem. Ele era um completo idiota, bebeu mais vinho que o recomendável e caiu bêbado. Peguei as chaves e fugi. Se ele morreu, não sei.
Há três dias, porém, tive que abusar da criatividade para fugir. Engatei uma conversa com o guarda, e acabei descobrindo um coração bom nos meios dos ruins. O pobre homem acabou me deixando fugir por uma passagem secreta usada apenas por guardas durante o dia. Fugi de madrugada. Quando perguntei o que ele diria aos outros, respondeu-me que eu era uma bruxa poderosa. Se ele morreu, não sei, mas espero que não.
Pois bem, no momento, eu vivo em uma hospedagem. Digo no momento, pois a qualquer hora podem me achar. Trabalho ajudando a dona do estabelecimento na cozinha. Ela também é bruxa, mas ninguém sabe, para a sorte dela. Ela se chama Beatrice.
Hoje, pela manhã, saí para colher flores. Quando voltava, uma carruagem atropelou-me e torci o tornozelo. Ah, mas que beleza! Além de tudo, minhas flores voaram, e eu ficaria sem poder fazer as coroas.
Então, subitamente, a carruagem parou. Ótimo, iam me levar. Eu seria seqüestrada. Castigada por motivo nenhum, morta, talvez. Comecei a tremer. A porta abriu. Imaginei um monstro saindo de lá. Estava preparando-me para correr, mesmo machucada, mas estaquei ao ver tão sublime figura.
De lá, saiu um rapaz, pouca coisa mais velho que eu, de cabelos negros, olhos pertubadoramente azuis, pele alva e vestido ricamente. Ele me analisou caída no chão e ruborizei. Eu estava com um vestidinho azul marinho sem graça. E não era lá tão bonita.
Ele andou até mim e estendeu a mão. Perguntou-me se eu precisa de alguma coisa. Fiz o que qualquer garota com experiências semelhantes as minha faria. Corri.
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