Kelsey acordou no meio da noite, sentindo o outro Lado da cama vazio. A garota esfregou os olhos, para espantar o sono. Já não era a primeira noite que Ren trabalhava ate tarde, mas ela estava começando a se cansar disso.

Como suspeitava, Ren estava no escritório, ainda sentado na cadeira, usando uma camisa social e a gravata frouxa. Ele estava com o rosto apoiado na mão, os óculos de leitura estavam tortos no rosto enquanto ele cochilava desconfortavelmente.

Kelsey arrumou os papeis que estavam espalhados pela mesa, e depois cutucou gentilmente o ombro de Ren, ele abriu os olhos azuis cobalto com um sobressalto, mas sua expressão suavizou quando viu Kelsey.

- Me desculpe pryama, acho que cai no sono.– ele disse esfregando os olhos.

- De novo – ela disse – Ren, você não precisa ficar em cima desses papeis o dia todo, você sabe.

- eu sei, mas Kels, você sabe como os clientes preferem quando eu trato diretamente com eles, essa atenção especial do dono da empresa é essencial...

- Atenção para a sua esposa também é essencial Dhiren – ela disse cruzando os braços. – Já faz uma semana que voce chega tarde e vai direto para aquele escritório, eu nem ao menos consigo te esperar acordada, e quando é de manha, voce nunca está aqui, sempre saiu. Eu passo o dia zanzando pela casa. Seus poemas não substituem sua ausência Ren.

- Nossa Kels – ele disse surpreso – me perdoe, não imaginei que voce se sentisse assim, não passou pela minha cabeça.... bom, agora não importa, eu vou mudar as coisas prometo, a começar por amanha, vou tirar o dia livre, afinal, amanha é sua formatura – ele disse enquanto trocava de roupa, Kelsey estava com metade da atenção no corpo sarado do marido, e a outra metade no que ele estava dizendo.

- Ren, eu não vou naquela festa, já disse para voce. – ela cruzou os braços.

- É claro que voce vai – ele disse deitando-se ao lado dela – eu já comprei seu vestido.

- Dhiren! — ela exclamou.

Ren riu, aquela risada que fazia o corpo de Kelsey derreter.

- Eu te odeio – ela disse quando ele passou os braços pela cintura dela, puxando-a mais para perto.

- Eu também te amo Hridaya Patni – ele disse fechando os olhos.

- O que esse significa Ren? – ela disse se aconchegando ao lado dele.

- Esposa do meu coração. –ele disse, e com um suspiro, adormeceu.

Quando Kelsey abriu os olhos na manha seguinte, Ren estava dormindo ao seu lado, com os braços cruzados sob o peito, ressonando baixinho. Kelsey o admirou por alguns segundos, então se inclinou e beijou-lhe rapidamente os lábios. Ele sorriu antes de abrir os olhos.

- Bom dia – ela disse com uma voz adorável, enquanto trançava os cabelos, prendendo-os com uma fita azul.

- Porque toda essa animação? – ele perguntou com a voz rouca.

- Ora, porque voce tem o dia livre, e esta sol, precisamos aproveitar. E além do mais, tenho esperanças que se eu te cansar o suficiente até o fim do dia, você acabe dormindo e eu não precise ir para essa maldita festa de formatura.

- Você não vai se livrar disso Rajkumari – ele disse se levantando.

Kelsey revirou os olhos – eu vou fazer uma cesta de piquenique, hoje vamos para a praia, vista sua bermuda.

- Só se você vestir seu biquíni – ele disse sorrindo maliciosamente.

- Pelo amor da Deusa Ren, você esta parecendo o Kishan falando assim – ela sorriu.

- Meu irmãozinho me ensinou algumas coisas – ele disse.

- Va tomar uma ducha fria tigre – Kelsey disse – e me encontre la embaixo.

Kelsey colocou biscoitos de manteiga de amendoim, bolinhos de chocolate e algumas frutas na cesta. Ela fez uma mala com duas toalhas, protetor solar, uma canga, e uma garrafa de agua.

Ren entrou na cozinha usando uma bermuda branca e uma camisa azul, da cor de seus olhos.

- Está pronta? – ele perguntou, rodando a chave da moto nos dedos.

- Estou, vamos – ela disse fechando a mochila e colocando nas costas.

Como esperado para um dia quente de verão, a praia estava cheia.

Ren abriu as cadeiras e Kelsey se sentou. Ela usava uma saída de praia branca, e um biquíni azul por baixo. Ren tirou a camisa e jogou no colo de Kelsey.

- Eu vou dar uma mergulho, me acompanha? — ele convidou.

- Talvez mais tarde – ela disse.

Ren caminhou até a agua. Kelsey sentiu certa satisfação ao admirar seu marido, ainda mais com varias mulheres torcendo o pescoço enquanto ele passava. Ela sorriu, no fundo, adorava exibi-lo. Ren era um doce, e ela se apaixonara por quem ele era, mas ninguém podia negar que ele era imensamente bonito, e ela nada ruim que aquele gato fosse seu marido.

Kelsey viu uma garota se aproximando dele, uma menina de cabelos loiros platinados, Kelsey decidiu esperar para ver, ela conseguia ler os lábios de Ren. A garota disse alguma coisa e Ren assentiu, depois o viu dizer “Obrigada”e em seguida “Me desculpe, mas estou acompanhado da minha esposa “e apontar para ela.

Kelsey sentiu-se aquecer por dentro, ela tirou a saída de praia e foi até Ren.

Ren e Kelsey tiveram um ótimo dia na praia, depois de nadarem e fazerem guerra de agua no mar, eles comeram e tiraram um cochilo na canga, o sol estava se pondo quando eles decidiram que era hora de voltar.

- Eu vou tomar um banho – disse Kelsey, Ren se levantou – Eu vou tomar um banho sozinha – ela disse a ultima palavra bem devagar. Quero relaxar um pouco.

- Não relaxe demais – ele disse – Se dormir no chuveiro, vai morrer afogada.

- Eu sei me cuidar, agora voce va agora para o outro banheiro, seu gato molhado.

Kelsey tomou um relaxante banho de banheira, usou os sais de banho e fez bastante espuma. Depois de lavar os cabelos e sair do banho, ela passou o creme de pêssego que Ren havia comprado para ela. Quando entrou no quarto, encontrou um lindo vestido sob a cama. Ela o vestiu, e a imagem do espelho não parecia ela. O vestio era amarrado no pescoço, uma facha prateada deixava o vestido justo na altura dos peitos, de depois caia solto e leve, as costas, eram completamente abertas, até a base da coluna. Ele tinha pontinhos prateados, que pareciam estrelas, que eram mais numerosos na barra do vestido longo, e iam ficando menos numerosos conforme subiam.

Já que Nilima estava vivendo a vida dela na índia, e Kelsey no Oregon, ela náo tinha ninguém para fazer aqueles lindos penteados elaborados nela, então Kelsey optou por um coque simples, mas sofisticado. Todo o cabelo perfeitamente penteado e puxado para trás em um coque alto e volumoso, uma única mecha de cabelo, um cacho perfeito, caia em sua nuca.

- Maravilhosa, exatamente como achei que ficaria – disse Ren entrando no quarto. Ele usava terno e uma blusa social azul clara por baixo. Fazia o estilo casual porem sofisticado.

- Eu nem vou perder meu tempo te elogiando – disse Kelsey – voce já sabe que esta belo como um Deus grego.

- Eu gosto quando voce ressalta isso.

- Voce está belo como um Deus grego – disse Kelsey aproximando o rosto do dele, segurando o queixo do menino com os dedos. Ela roçou o lábio nos dele, sutilmente, um toque mínimo, e se afastou um pouco. As pupilas de Ren se dilataram, e ele a puxou para perto de si com uma fúria quase selvagem, ele a beijou.

Depois que eles se separaram, Kelsey sorriu, seu coração esta a milhão, e ela sentia flutuar. Nos últimos meses, Kelsey tinha aprendido a provocar Ren, deixado desesperado por ela. Não era muito difícil, ele já era assim normalmente, mas ela gostava de manter o controle sob ele, o deixava na vontade as vezes, era a maneira perfeita para que ele não se cansasse dela.

– Vamos príncipe? Se não vamos nos atrasar.

Era verdade que Kelsey não tinha ido muitas vezes à faculdade. Ela tinha estudado a maior parte do curso por correspondência, mas mesmo assim, ela reconheceu cada lugar. O salao de festa estava lotado de gente, e a musica tocava, alguns jovens dançavam, Kalsey não reconheceu nenhum deles, não tinha frequentado o lugar o suficiente para reconhecer todas as pessoas.

- Vou pegar alguma coisa para tomar – disse Ren. E se afastou.

Kelsey sentiu alguém cutucar seu ombro, quando se virou, uma amiga de longa data sorria para ela. Ela usava um vestidocor de rosa, cheio de babados. A garota era loira, os cabelos ondulados caiam pelas costas, o rosto era o mesmo, o nariz pequeno, os olhos verdes e o rosto cheio de sardas.

As memorias vieram instantaneamente para a mente de Kelsey. Ela sentada no quintal. Sua mae regando o jardim, ela e a garota, usando vestidos de princesa, correndo uma atrás da outra.

- Kelsey? – a garota disse. – é você mesma?

Kelsey assentiu.

- Ah meu deus! Sou eu! Lara! – ela disse animada – Você lembra de mim, certo?

- Ah céus! Lara! – Kelsey exclamou – A quanto tempo, é claro que eu me lembro de você! Você estuda aqui?

- Estudava – ela disse. – eu vou me formei em arquitetura.

- Que legal – disse Kelsey – Eu também estou me formando hoje... mas eu fiz a maior parte do curso por correspondência. Andei viajando muito. Eai, como está a vida? Fazem tantos anos? Está namorando?

- Ah, um caso aqui e outro ali – disse ela – Nada muito sério. E você?

E como sempre, com timing perfeito Ren apareceu, ele trazia dois copos de ponche nas mãos, os cabelos perfeitamente bagunçados, Kelsey não culpou Lara por quase desmaiar, ela mesma ainda se surpreendia com a beleza dele.

- Lara – Kelsey disse – Esse é Ren.

- Uhhh – ela disse, e quando Ren passou o braço pelos ombros de Kelsey, ela exclamou – Ahhh, seu namorado?

- Eu sou o marido dela – disse Ren sorrindo.

Lara arregalou os olhos, Kelsey não pode conter uma risada.

- Bom, eu vou me sentar – disse Lara – se quiserem, apareçam. E você senhorita Kelsey, nós conversamos mais tarde. – então ela saiu

- quem é essa? – Ren quis saber.

- Era minha amiga quando eramos crianças. Eu não a via a anos. – Kelsey deu de ombros.

- Por favor, não fale que vamos ter que nos sentar com ela e com as amigas. – ele disse apontando para o grupinho no canto com uma cara que lembrava dor.

- Deveriamos – ela disse – porque você me arrastou para essa porcaria de festa. Mas eu tenho uma ideia melhor.

Kelsey pegou Ren pela mão e o conduziu a um canto mais quieto da festa. O jardim estava todo iluminado, de uma maneira bem romântica, a musica lenta tocava em um coreto na metade do jardim. Alguns pares valsavam a musica lenta, até mesmo um casal de caras.

Kelsey estava se aproximando com Ren quando viu um rosto familiar. Kelsey sorriu. Quando o garoto a viu, o queixo dele quase bateu no chão. Kelsey sorriu. Lee não tinha mudado nada, ele usava terno e gravata, os cabelos bem penteados.

- Kelsey! – ele disse – Uau, você está linda, a vida de casada fez muito bem a você.

Ren sorriu de um jeito que só Kelsey conseguia decifrar. Um tipo de satisfação, como se dissesse. “ Ela é minha “

- Se o cara forte e medonho atrás de você permitir a um pequeno asiático, ter uma dança com essa linda mulher, eu ficaria muito agradecido.

Kelsey olhou para Ren em duvida.

- Só por que você pediu com educação – disse em cruzando os braços sob o peito. Mas não se acostume, e eu estarei de olho em você.

Lee e Kelsey foram até a pista de dança.

- Não sabia que você dançava – Kelsey disse.

- Você não sabe muitas coisas a meu respeito – ele sorriu. – Eu poderia dançar melhor, mas fica difícil com um cara daquele me olhando daquele jeito. Você tem certeza que ele não está armado?

- Tenho... acho -disse Kelsey rindo enquanto Lee engolia seco. – Não se preocupe, Ren é assim mesmo.

- Ele parece um tigre examinando a presa, é assustador. – disse Lee

- Não podia achar uma comparação mais perfeita. – disse Kelsey. – Então, está namorado?

- Eu achei que estivesse, mas acabei levando um bolo aqui hoje.

- Sinto muito.

- Tudo bem, pelo menos consegui uma dança com uma bela garota – ele sorriu. – Mas parece que meu tempo acabou. – ele disse quando a musica terminou. – Obrigada Kelsey.

Ele voltou-se para Ren, rindo. – Ve se aparece nas aulas de Wu Shu, para eu poder te dar aquela surra.

- Combinado – disse Ren sorrindo, um pouco agressivo.

Ren voltou-se para Kelsey, sua expressão suavizou. Ele sorriu, a musica começou a tocar e ele posicionou uma das mãos na cintura de Kelsey, onde ela se encaixava perfeitamente. A outra ele segurou a mão dela, aquele toque tão conhecido, mas que ainda causava arrepios na pele, de ambos.

Ren a fitou com os olhos azuis cobalto brilhando. Examinando o rosto de Kelsey. Os grandes olhos castanhos, o pequeno nariz, a boca de coração.

- Finalmente minha – ele disse soltando o ar.

- Eu sempre fui sua – disse Kelsey em um sussurro.

Notas finais
gente, não esqueçam das reviews antes de ir para o proximo capitulo! significa muito para mim!