Tigers
10 O Rumo de Cada Um - Parte 3
Notas iniciais
Vou começar imediatamente (após eu descansar um pouco) a trabalhar no próximo cap!
Boa leitura!
Por mais que ainda respirasse, nenhum sinal de vida existia naquele corpo. Desejou não estar a salvo se isso custou à vida de seu ente querido. Seus olhos azuis quase brancos não exibiam aquela luz de vida e estavam inchados das lágrimas que derrubara. Safira, ainda deitada nos pés da árvore, olhava fixamente a bússola que ganhou do irmão e lembrava-se do que ele havia dito, mas não tinha forças para seguir em frente. Ela aperta o objeto e fecha os olhos, mas a imagem assustadora de Onihime invade seus pensamentos, fazendo-a se levantar com o susto. Tão bruscamente levantou e logo caiu sentindo a dor de suas costelas quebradas. Ela tinha que avisá-los. Pensando no irmão e nas vidas que se perderiam, ela se levantou e, vagarosa e cambaleada mente, seguia rumo a Sairati.
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Mikke – Como isso é possível?
Loritai – Para “como isso é possível” eu respondo: Quem a matou, não a matou.
Mikke – (se levanta) Onde ela está?! Como ela está?! Responda!
Loritai – Para “onde ela está” eu respondo… hun…
Mikke – Onde? (se aproxima mais dele) Diga! Diga onde ela está!
Loritai –… Com o mal!
Essa resposta de Loritai novamente fez as pessoas em volta se exaltarem.
Loritai – A arma que feriu sua mãe. Esta arma não leva sua vida, mas sim, sua alma.
Lika – A Lâmina das Almas Trancadas.
Mikke – O que é essa lâmina, Lika?
Lika – Mamãe me contou há muito tempo. Ela não mata e nem fere quem perfura, mas rouba e prende sua alma. O portador dessa espada pode hipnotizar a alma selada e roubar informações dela.
Janessa – Mas se ele pode retirar o selo da alma e hipnotiza-la, se conseguirmos a alma dela podemos trazê-la de volta!
Mikke – Sério?
Janessa – Existem vários feitiços em Sairati e um deles pode ajudar.
Lika – Se nossa mãe ainda está viva, temos que salvá-la! Nós temos que voltar! Loritai, como conseguimos voltar?
Loritai – Para “como conseguimos voltar” eu respondo: Impossível.
Mikke – O que?
Loritai – Só a luz mais brilhante pode transitar entre os mundos e ela está longe de nós.
Mikke – Como assim?
Lika – Um feitiço que só nossa mãe podia conjurar. Uma luz que podia ser vista em qualquer lugar e, com isso, abria um portal para onde você quiser.
Mikke – Mas, como ela…
Janessa – (tomando a frente de todos) Grande Loritai, você pode nos ajudar a trazer Nakixa de volta?
Loritai – Para “se eu posso ajudar a trazer Nakixa de volta” eu respondo: Sim.
Mikke – (se animando) Verdade?
Lika – Como você pode fazer isso?
Loritai – Enviar uma entidade para fora de Veratia é impossível para mim, mas…
Com os punhos fechados, um sobre o outro, em posição horizontal e próximos ao peito, ele respira fundo e solta o ar.
Loritai -… trazer uma entidade para Veratia é fácil para mim.
Janessa – Grande Loritai existe algum risco neste processo?
Loritai – Para “existe algum risco neste processo” eu respondo: Sim.
Lika – Que riscos são esses?
Loritai – A alma não pode cuidar do corpo não estando nele.
Lika – (visivelmente espantada)
Mikke – O que quer dizer com isso?
Loritai – Na morte, a alma abandona o corpo e deixa de cuidar dele.
Mikke – Quer dizer que…
Loritai – A natureza cuida do corpo sem alma.
Lika – O corpo dela está… se decompondo.
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Rozekio – O que pretende fazer agora, mestre?
Xanferhion – Como assim garoto?
Rozekio – Seus planos, ações… o que fará agora?
Xanferhion – Do que está falando? Quem tem que mostrar alguma ação por aqui é você.
Rozekio – Eu?
Xanferhion – Informações, garoto. Você ainda tem seus braços junto ao corpo por que me dará informações. Volte agora para Sairati e veja o que está acontecendo.
Rozekio – Agora mesmo! (e parte)
Xanferhion – Garoto!
Rozekio – (para de correr) Sim?
Xanferhion – Qual é o lugar mais seguro que você conhece e onde ele fica?
Rozekio – Talvez… (aponta para a esquerda) Siga por dois quilômetros naquela direção. É a parte mais escura de Veratia e poucos se atrevem a ir lá.
Xanferhion – Volte amanhã naquele lugar, bem cedo e me conte o que souber.
Rozekio – Sim!
O garoto se afasta mais e mais e Xanferhion apenas o observa pelas costas.
Xanferhion – ‘Ódio, frieza e ainda mantem um sorriso no rosto. Assustador. ’
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Toni – Onde estávamos indo, vovô?
Barok – Você já vai ver. Não estamos muito longe. (se levanta) Toni, como você veio para este mundo?
Toni – Não me lembro bem. Estava no túnel da ponte Mizarashi e uma luz bem forte me apagou. Quando acordei já estava nessa floresta.
Barok – Quem estava com você? Suponho que Nakixa estava junto não é?
Toni – Conhece ela?
Barok – Conheço! Uma antiga companheira e a única que pode ir e vir desse mundo. Por que você não está junto a ela?
Toni – Ela… (relembrando as pessoas que estavam no túnel) não estava conosco.
Barok – Então quem estava com você no túnel?
Toni – Os filhos dela. A mais velha e o mais novo.
Barok – O mais novo? Então se encontraram novamente. Conseguiu pedir desculpas?
Toni – O que acha?
Barok – (suspira) Acho que você é muito teimoso e orgulhoso.
Toni – Só aqueles que estão errados é que devem pedir desculpas.
Barok – (balança a cabeça negativamente) Toni, se lembra da sua avó?
Toni – É claro que lembro. O que tem ela?
Barok – Melody e eu nos conhecemos nos tempos de escola. Naquele tempo eu estava com dezoito anos e era do tipo que levava as brincadeiras a sério demais. Numa certa manhã preguei uma peça nela.
Toni – E o que aconteceu?
Barok – Eu fiquei muito feliz e orgulhoso de mim por fazer aquilo e toda a nossa turma riu, mas daí… olhei para os olhos dela. Ela estava triste e tão magoada que saiu correndo, deixando todos os seus pertences lá. Passou-se quase uma semana e ela não apareceu mais na escola.
Toni – E depois?
Barok – Eu não conseguia parar de pensar naquele dia… naqueles olhos e decidi ir á sua casa. Peguei o endereço na diretoria e o material que ela deixou na escola e fui até lá. Meu coração disparou quando o pai dela me atendeu e perguntou o que eu queria. (um sorriso bobo) Nunca fiquei com tanto medo na minha vida! Foi então que ela apareceu. Eu me desculpei em reverência e… ela me ignorou.
Toni – Ignorou?
Barok – (confirmou com a cabeça) Eu me senti envergonhado enquanto estava agachado e ela ali, apenas me olhando. Fiquei ali por quase dez minutos e então… ela falou comigo.
Flashback — ON
Melody – Por que quer se desculpar?
Barok – Eu… fiz algo que te magoou e… eu me arrependo profundamente do que fiz. Por favor, aceite minhas desculpas.
Melody – Você riu bastante por ter feito algo errado.
Barok – (olha indiferente para o lado)
Melody – Eu posso te desculpar agora, mas o que te impedirá de fazer o mesmo com outras pessoas?
Barok – Eu… eu não sei.
Melody – Eu sei o que vai te impedir.
Ela se aproxima, pega a mão de Barok e a segura selando um aperto de mãos.
Melody – Sejamos amigos de hoje em diante. Eu vou te impedir de fazer esse tipo de coisa com os outros ou não me chamo Melody, combinado?
Flashback – OFF
Barok – Ela estava com um sorriso tão confiante no rosto que naquele momento eu vi que queria aquela mulher ao meu lado como minha amiga… e companheira. Cinco anos depois nos casamos e…
Toni – Espera um pouco! O que isso tem a ver com a história, vovô?
Barok – Eu preguei aquela peça por que ela fez algo que eu achei muito errado.
Toni – O que ela fez?
Barok – Ela sabia que eu ia, me viu indo até lá e mesmo assim ela o fez!
Toni – (apreensivo) O que ela fez vovô?
Barok – Ela pegou… o último cachorro quente da cantina.
Uma dor aguda começa na nuca de Barok devido ao soco que Toni desferiu.
Barok – ISSO É JEITO DE TRATAR OS MAIS VELHOS?!
Toni – Um cachorro quente. Você envergonhou uma pessoa POR CAUSA DE UM MÍSERO CACHORRO QUENTE?!
Barok – FALANDO DE MIM?! NÃO FOI VOCÊ QUE DERRUBOU ALGUÉM DE UMA PONTE POR CAUSA DE UMA BONECA?!
Toni – EU IA DEVOLVER A BONECA PRA UM BEBÊ E FUI CHAMADO DE LADRÃO! VOCÊ FOI EGOISTA! E-GO-IS-TA!
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Mikke – Decompondo?
Lika – Janessa! Existem várias ervas aqui em Veratia que podemos usar. O que podemos fazer para retardar isso?
Janessa – Podemos inserir extrato de Genki em seu corpo e mergulha-la em Dyuto. Creio que a manteríamos por mais 40 horas.
Lika – 40 horas? Temos que achar um jeito de conseguir sua alma de volta nesse tempo! Grande Loritai! Você disse que consegue trazer uma entidade para Veratia é fácil. Você consegue trazer a alma da minha mãe?
Loritai – Para “se eu consigo trazer uma alma de volta” eu respondo: é possível.
Lika – É possível. O que pode ser feito?
Loritai – Para procurar algo preciso saber como é esse algo. Preciso do resquício de sua alma.
Mikke – “Resquício de alma”?
Elie – Algum objeto pessoal dela que sempre ficou ao seu lado. Esse objeto fica gravado com um pouco de sua alma.
Janessa – Que pertences vocês tem de Nakixa?
Lika – Não tenho nada. Mikke?
Mikke – Nada. E o colar, Lika? Aquele que você ganhou da mamãe.
Lika – Eu não ando com ele.
Janessa – Abaixe-se, Lika.
Lika o faz e Janessa coloca a mão direita com o polegar em sua testa e fecha os olhos.
Janessa – Pense em como é esse colar (joga a mão esquerda com a palma para cima)
Lika – O que vai-
Janessa – Pense nele, Lika!
Uma estranha vibração começa na mão de Janessa e algo começa a se materializar. Um colar branco com uma esmeralda aparece nela.
Mikke – ‘Incrível’.
Janessa – Grande Loritai! Este item que pertenceu a Nakixa contém seu resquício de alma?
Loritai – Um resquício quase ínfimo misturado ao de Lika aqui presente. Não é adequado.
Lika – Droga. (recebendo o colar de Janessa, o olha e o coloca no pescoço)
Janessa – Grande Loritai! Qual pertence seria mais adequado?
Loritai – Para “qual pertence mais adequado” eu respondo: enfeitiçados.
Mikke – “Enfeitiçados”?
Loritai – Objetos enfeitiçados guardam um maior resquício de alma. Quanto maior o feitiço, maior o resquício de alma esse item terá.
Lika – Um objeto enfeitiçado…
Mikke – No que está pensando, Lika?
Lika – A bússola!
Mikke – Eu entreguei para Lysa! Onde ela está?
Janessa – Ela está se recuperando na sala no fim do corredor, mas- ESPERE! Você não pode entrar lá!
Sem se importar com os alertas, Mikke começa a correr mirando a última sala. Por jogar futebol e ser muito rápido, logo estava a uma grande distância deles.
Janessa – Elie! Vá atrás dele e, custe o que custar, impeça-o de entrar naquela sala.
Elie – Agora mesmo, Grisma! (e parte)
Lika – O que tem naquela sala Janjan?
Janessa – Nada, mas…
Lika – Mas?
Janessa – Se ele entrar lá eu temo por sua vida!
A junção dessas palavras foi o suficiente para Lika sair como um raio atrás de Mikke. Ele, já avistando o fim do corredor, acelera o passo e dá um forte encontro na porta. Do escuro corredor para um lugar cheio de luz solar fez a visão de Mikke ofuscar e este fechar os olhos. Sua audição captava vários risos e uma grande e alta conversa.
Mikke – LYSA? VOCÊ ESTÁ AQUI?!
Os risos e a conversa param. Devido à mudança de pressão causada pela súbita saída do estreito corredor, Mikke fica zonzo, cambaleia, encosta no que pensou ser a parede, mas é algo macio e escuta um grito feminino. Abrindo os olhos sua visão lentamente volta a ter foco e ele vê um lindo ambiente com pequenos lagos sobre uma vegetação cheia de flores e várias mulheres seminuas ao redor. Quase cem mulheres, adolescentes e crianças seminuas e todas olhavam furiosas para Mikke, principalmente aquela que estava recebendo a mão dele em seu seio esquerdo. Retira sua mão, se afasta e fica sem graça.
Mikke – D-D-D-Des…
– O que pensa que está fazendo, seu pervertido? – olhos, cabelos e manto vermelhos. A única totalmente vestida naquele arem e que carregava uma katana.
Mikke – E-E-Eu… E-Eu…
– Então temos um gaguinho aqui hoje? – se aproxima dele e o segura pela gola do manto – Devo admitir que você, senhor Gaguinho, tem muita coragem de entrar aqui e nos espiar hein? – o empurra fazendo-o cair.
Mikke – Não! Não! Não! Você entendeu errado!
– Aqueles que usam esse manto sabem muito bem a proibição que existe nesta sala, então (começa a desembainhar a espada bem devagar) me de uma boa explicação para a sua presença aqui… senhor Gaguinho.
Mikke – (se levanta, mas fica sem reação diante daquela mulher assustadora)
– A primeira coisa que cortarei será essa mão imunda que tocou uma de minhas irmãs!
A situação complica mais quando as mulheres em volta começam a gritar apoiando a mulher de cabelo e olhos vermelhos. Perto dali, uma pessoa desperta de seu sono. Sente uma dor na nuca e, levando a mão até lá, percebe algo protegendo seu pescoço que fora ferido. Se levanta daquela cama feita de folhas brancas, direciona seu olhar para o aglomerado ali e caminha em sua direção.
Mikke – Desculpe! (em reverência)
– Ah? – estranhava a mulher de vermelho.
Mikke – Eu soube que uma amiga minha estava se recuperando aqui, e queria vê-la. Eu cheguei aqui há pouco tempo e não sabia que era proibido entrar. Existem várias coisas que não sei desse lugar, mas se você me deixar ir, eu não causarei mais problemas.
– Esse é um bom argumento. Pois bem! Então eu lhe pergunto senhor Gaguinho: quem te disse que sua amiga estava aqui?
Mikke – J-Janessa Omura.
– (desfere um golpe com a base da katana na nuca dele, fazendo-o cair) É Grisma Omura para você. Ela, melhor do que ninguém sabe das regras daqui e você está tentando me dizer que veio aqui a mando dela?
Mikke – Não. Ela tentou me alertar, mas eu igno-
– VOCÊ O QUE?! – pisa nas costas dele – Desrespeito as ordens da Grisma é igual a desrespeitar o Grande Loritai. Imperdoável. – direciona a katana para o pescoço dele – Invasão de uma área proibida, assediar uma das irmãs e desrespeito as ordens da Grisma. Aqui e agora eu faço seu julgamento!
Mikke – Espere!
– MORRA!
– PARE COM ISSO!
Mikke – Essa voz…
– O que está acontecendo aqui Satir? – questionando a mulher vermelha.
Satir – Uma punição por violação das regras de invasão e…
– EU SEI QUAIS SÃO AS REGRAS QUE CRIEI! SOLTE-O AGORA!
Satir – (saindo de cima dele)
Mikke – Obrigado por me sa- AH! (é puxado pela gola do manto e jogado para fora da sala)
– Espere aqui! (e fecha a porta)
Mikke – ‘Mas o que ela está fazendo aqui?’
Do lado de fora, Mikke conseguia ouvir claramente os gritos daquela pessoa.
– O QUE ESTÃO OLHANDO?! VOLTEM A FAZER O QUE ESTAVAM FAZENDO! SATIR?!
Satir – Sim Enishi Sigren?
– ONDE ESTÁ A GAROTA NOVA?!
Satir – A-a-ali Enishi Sigren.
– GAROTA! HEY GAROTA! CHEGA DE PREGUIÇA E ACORDE!
– Ah? O que-
– Você tem visita. Levanta logo e vista-se.
– Quem é voc- AAAHHH! POR QUE ESTOU SEM ROUPAS?
– PERGUNTAS PRA DEPOIS! VISTA-SE!
– E-E-Espera! Eu posso me vestir sozinha!
– Agora vem comigo!
– AH! Na-não me puxe assim! Eu posso andar!
E, igual à Mikke, aquela pessoa, trajando um manto vermelho e encapuzada, também é jogada para fora da sala.
– Muito bem! – com um sorriso no rosto – Agora vocês podem conversar!
Mikke – Por que você fez isso tia Geixa?
Geixa – E ainda reclama? Deveria ter deixado Satir arrancar sua cabeça então? Eu posso te levar de volta se você quiser.
Mikke – Não… obrigado.
– Mikke?
Depois da confusão e, parando para realinhar seus pensamentos, Mikke finalmente nota a presença ao seu lado.
Mikke – Lysa… voc- (é surpreendido por um abraço)
Lysa – VOCÊ ESTÁ VIVO! ESTÁ VIVO! ESTÁ VIVO! ESTÁ VIVO! Você e sua irmã foram feridos. Eu achei que tinham morrido!
Mikke – Eu também achei isso. Você foi ferida também e… eu também achei que… Estou feliz que esteja bem.
Geixa – Olha só! O amor dos jovens é tão lindo!
Após o comentário, eles quase que instantaneamente se afastam um do outro, muito corados.
Geixa – Vamos lá! Não fiquem acanhados! Titia Geixa não vai contar pra ninguém!
Elie – E… Enishi… Sigren!
Lika – Tia Geixa!
Geixa – Muita plateia agora. Melhor matar a saudade depois, ok?
Lysa não sabia onde enfiar a cara de vergonha e Mikke igualmente.
Lika – O que aconteceu aqui?
Elie – Algo errado Enishi Sigren?
Geixa – Nada demais! Tivemos uma pequena invasão desse indivíduo na Eren.
Lika e Lysa – VOCÊ ENTROU?!
Mikke – E-e-eu…
Lysa – Que vergonha! (parecendo um pimentão de tão vermelha) Ficar exposta daquele jeito!
Lika – O que você viu Mikke? (a morte era vista nos olhos dela)
Mikke – Na-na-na-na-na-
Lika – PARE DE GAGUEJAR E DESEMBUCHA!
Geixa – Gashi Nadok solicite uma audiência com nossa Grisma ao amanhecer.
Elie – Pode deixar.
Lika – Você pelo o menos achou?
Mikke – Achou o- AH! Lysa! (segurando em seus ombros) Onde está a bússola que te entreguei?
Lysa – Bússola? (puxa um cordão do pescoço) Essa?
Como se tudo de ruim que aconteceu até agora estivesse acabando, Mikke exibe um imenso sorriso de alegria que também é refletido em sua irmã ao ver o objeto ileso. Lysa retira a bússola do pescoço e a entrega para Mikke.
Mikke – Obrigado por guarda-la, Lysa.
Lysa – Não é nem o mínimo que eu deveria ter feito.
Mikke – Ah?
Lysa – Você me salvou duas vezes. Não é o suficiente, pois ainda estou em débito com você.
Lika – Acertem tudo quando essa confusão acabar. Vamos logo, Mikke!
Mikke – (se levantando) Claro!
Geixa – Vá com eles, garota.
Lysa – Eu?
Geixa – Será bom para você saber no que está envolvida e saber como pode “acertar” o débito.
Lika – Então venha também.
Lysa acena positivamente com a cabeça, se levanta e os segue a passos acelerados.
Geixa – Eles estão apressados. Deve ser muito importante. Bom! Gashi Nadok, irei acompanhar essa audiência então deixe-me a par dos acontecimentos.
Elie – Como quiser Enishi Sigren.
E, a passos mais lentos, as duas seguem seu caminho.
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Barok – Chegamos Toni. É aqui.
Eles chegam à entrada de uma caverna. Suas estalactites e estalagmites pareciam presas e davam a impressão de ser a boca de uma fera.
Toni – Não sei se você lembra vovô, mas eu sou claustrofóbico.
Barok – (batendo no ombro dele) Deixa disso! Tá com medo de uma caverninha? Achei que era mais corajoso Toni! (passando por ele e adentra a caverna)
Toni – NÃO ESTOU COM MEDO!
Barok – Venha logo!
Toni – Droga.
Começa a caminhar e quanto mais se aproxima, começa a tremer e suar. Na entrada da caverna ele para, respira fundo e entra. Os poucos raios de Sol que iluminavam o lugar desapareciam e a escuridão tomava conta da caverna. Sua atenção é chamada quando ouve a voz de Barok ecoando no local.
Barok – Você conhece o Yin-Yang Toni?
Toni – Yin-Yang? Os dois conceitos do Taoísmo. Um representa a luz e o outro a escuridão.
Barok – Exato. Entre Yin e Yang, Yang é o lado branco enquanto Yin é o lado negro. Era isso que eu via em vocÊ Toni.
Toni – Você via... escuridão em mim?
Barok – Sim e, mesmo depois de tanto tempo, ainda enxergo essa escuridão em você.
Toni – O que quer dizer com isso? Que eu sou mal? Vou virar algum tipo de assassino por acaso?
Barok – Talvez. Eu não sei. Eu não me conheço o bastante para dizer o que faria se visse você sendo morto diante de mim. No entanto…
Uma tocha de coloração azul é acesa e começa a iluminar o local.
Barok – Yang tem um pouco de escuridão. Yin tem um pouco de luz. Por mais escuro que o lugar ou alguém seja, existe uma luz que, igual a esta tocha, tentará vencer a escuridão. Isso se ela for treinada.
Toni – E o que você pretende fazer vovô?
Barok – Tentar fazer o mesmo que a luz desta chama: derrotar a escuridão que existe em você.
Toni – O quanto dessa escuridão você enxerga?
Barok – Igual à imagem de Yin: uma pequena luz envolta de muita escuridão.
Toni – Se eu tenho mesmo essa escuridão dentro de mim uma luz fraca igual a essa não mudará nada.
Barok – De fato será difícil, pois não existem atalhos, mas…
Outra tocha é acesa e esta começa a ascender outras e logo a penumbra do lugar desaparece. A luz revela várias estalagmites de cristais azuis e a estatua de uma mão com correntes entre os dedos e tochas em suas pontas.
Barok – Se você seguir um caminho de luz, por mais fraca que ela for no início, ela irá aumentar. Irei lhe mostrar a direção para apagar a escuridão que habita em sua alma de uma vez por todas. Chegou a hora Toni. De hoje em diante você será um Tiger.
…
Notas finais
Até a próxima!
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