Thunder Chronicles

4 A Primeira Missão I: Aliança


A partir dali que tudo iria desandar. O Zodíaco começou a se mover, a relíquia do renascimento foi roubada e os profetas foram derrotados, um desequilíbrio estava sendo causado. Yara e Tatsuo haviam acabado de partir para o Reino de Âmbar conseguir uma aliança com a rainha Mithra quando o Zodíaco resolver atacá-los, Yamamoto e Zulk conversaram a sós num beco isolado perto do porto, o governante queria dizer algo que por enquanto ninguém mais podia saber.

—Não devemos só nos preocupar com o Zodíaco, recebi uma notificação da Ilha de Aço, assim como todos os outros governantes de reinos. -Ele pegou a carta, enrolada e segura com um laço, entregou-a a Zulk. -Crow e Sartori escaparam juntos de lá.

—O quê? -Ele pegou a carta, tirou o laço, abriu e começou a ler. -Impossível, nunca ninguém escapou de lá.

—Até dois dias atrás não,,, Crow conseguiu encontrar um modo de anular os poderes de seu guarda, escapando primeiro e soltando Sartori logo depois. Como conhecemos Sartori, sabemos do que ele é capaz, ele destruiu metade da Ilha antes de sair com Crow, destruiu todas as construções e matou todos que estavam naquela metade.

—Você acha que eles estão se juntando com o Zodíaco? -Zulk olhou para o porto e viu um pequeno barco encostando, com um idoso dentro dele. -Meu Deus… Yamamoto, é o profeta Yoropac! -O coração do chefe do exército acelerou, eram duas péssimas notícias uma atrás da outra, estaria prestes a receber uma terceira? Os dois correram para o barco, desesperados.

—Mestre Yoropac, senhor, o que aconteceu? Onde estão os outros? Nós recebemos seu aviso sobre o Zodíaco! -O mestre estava cansado, suando frio e caído no barco, Zulk e Yamamoto o pegaram, levaram para a superfície e o colocaram encostado numa parede sentado no chão.

—O poder da relíquia… Foi roubada… Dogma e Hale foram derrotados… Todos fomos, mas eles não estão mais entre nós… -Aquelas palavras fizeram Zulk engolir seco, os dois ficaram sem saber o que fazer, mas o governante era mais estável emocionalmente.

—Quem fez isso? -Perguntou.

—Crow… Sozinho ele nos derrotou… Ele quer… Waryoku. -O profeta desmaiou.

Era isso. Crow e Sartori estão trabalhando juntos para reviver Waryoku. Por eles terem conseguido a relíquia, talvez sua ameaça fosse maior que a do Zodíaco, pois é sabido que a força de Waryoku era comparada a de uma divindade, assim como a de Dakko, os dois mais poderosos da história. A situação era complicada.

Ao ver do que Tatsuo era capaz, Yara e os outros no barco ficaram pasmos, se ele tem toda aquela força, poderia ter conseguido entrar pro exército dando aquele golpe em Zulk, mas porque não usou esse poder?

—Por quê não usou isso contra Zulk? -As coisas voltaram ao normal. Tatsuo estava em seu quarto e Yara entrou sem avisar. -Se tem esse poder todo, poderia ter entrado pro exército.

—Zulk não usou os poderes dele também, então não usei nada além do meu físico, eu queria uma avaliação justa. -Tatsuo estava sentado na cama, de costas para ela, arrumando algo em seus calçados. -Eu queria entrar pro exército, de uma maneira justa. -Se levantou. -Mas eu sou da Força Tática, é como se eu fosse do exército não é mesmo? -Sorriu para sua companheira.

A viagem seguiu. Longas horas se passaram naquele barco, era cansativo pois era difícil se distrair. Noite e dia demoravam para trocar. Mas o objetivo estava mais perto de ser alcançado agora, o Reino de Âmbar estava logo ali, eles já o avistaram, era lindo. Os prédios e casas altos e modernos podiam ser vistos de longe, todas as pequenas montanhas feitas de âmbar deixaram Tatsuo fascinado. Aquela ilha era enorme, quando ela foi encontrada, seu solo era 75% âmbar, apenas os mais inteligentes engenheiros conseguiram transformar esse solo em algo utilizável, construindo moradias por exemplo.

Ao chegar, Yara e Tatsuo desceram juntos do barco, os outros ficaram lá em cima, esperando as ordens. Dois guardas armados com uma lança cada pararam os chefes.

—Viemos do Reino de Pilastra. -Disse Yara. -Viemos pedir à sua rainha a criação de uma aliança, pois recebemos o aviso dos profetas dizendo que o Zodíaco começou a agir novamente. -Os dois guardas abriram caminho para passarem.

—A vontade, guerreiros… Mas a rainha não está no momento, ela está voltando já, foi até o Reino Elíseo, foi chamada para uma assembleia diplomática entre os dois reinos, creio que possa ser sobre o mesmo motivo.

Todos os guerreiros do Reino de Pilastra se dirigiram ao castelo da rainha Mithra, entraram e se acomodaram nos dormitórios de visita. O castelo era o maior do mundo, gigantesco, ocupando centenas de quilômetros quadrados, se estendendo desde as montanhas de âmbar até o solo principal, onde era a entrada. Os dormitórios eram enormes e chiques, todos os soldados de Pilastra conseguiram se acomodar muito bem, Yara e Tatsuo foram para o salão principal ficar à espera da rainha, já que ela estava para chegar. Esperaram em torno de uma hora.

—Médicos, mobilizem-se! -Um dos chefes da guarda gritou no castelo. -A rainha precisa de ajuda imediata! -Rapidamente ele correu novamente para o lugar de onde tinha vindo. Os médicos saíram rápido também, alguns passaram correndo pelo salão. Pelo castelo ser imenso, os que escutaram o aviso na porta correm para avisar os outros e assim por diante, um telefone sem fio.

Yara e Tatsuo correram junto com as unidades médicas. Alguns de seus soldados também, outros continuaram lá por ordem do terceiro no comando, o homem com barba e cabelos negros, comandante Mardak, que foi junto ver Mithra.

—Rainha, o que aconteceu? -Quando chegara, ela já estava recebendo os devidos cuidados ali mesmo no porto, ela estava sem condições de andar ou ser carregada e por isso estava deitada em cima de um pano que os médicos trouxeram recebendo ajuda.

—Era uma armadilha… -Ela tossia sangue. -Rei Brun foi morto e o Reino Elíseo foi tomado, o necromante Jerax está tomando conta… Recebendo ordens do Zodíaco. -A situação era crítica, sua fala estava difícil, sangrava por todos os lugares possíveis, tinha roxos de pancada no seu rosto inteiro.

—Zodíaco? -Perguntou Tatsuo.

—Uma organização se assassinos incrivelmente poderosos. -Respondeu Yara. -Um deles fez isso a você? -Ela se abaixou, olhando para Mithra com um olhar analisador.

—Não… Se fosse um deles eu estaria morta agora, foi apenas Jerax… Nunca imaginei que ele poderia estar tão forte.

Depois de uns trinta minutos ela se estabilizou e foi levada ao seu castelo, na área médica para ser cuidada com todo o potencial de seus médicos. Sua fala estava melhor após uma hora, parou de tossir sangue.

—Com licença, rainha. -Tatsuo pediu permissão para entrar. Sozinho.

—Entre, garoto.

—Pode me contar tudo? -A beleza de Mithra era estonteante. Mesmo toda machucada era fácil se apaixonar por ela. Seus cabelos eram azuis claro, pele branca lisa, dentes brancos, uma feição tão frágil que esconde uma das mais fortes guerreiras.

—Normalmente não confiaria em alguém assim, mas sei que Yamamoto o mandou… E confio plenamente no seu governante. -Ela tentou sorrir e começou a falar. -Recebi uma carta, supostamente do Rei Brun do Reino Elíseo, convocando-me para uma reunião diplomática de emergência para organização de uma aliança para nos defender de conflitos inesperados, eu fui. Descobri quando cheguei que Brun estava morto e que Jerax havia assassinado-o. Eu e meus guerreiros lutamos contra seu exército mas o poder dele se desenvolveu muito, ele é um necromante, pode criar corpos e ressuscitar os mesmos, fora sua habilidade de tirar a força de vida do corpo de alguém. Não fomos páreos, eu consegui escapar por pouco com vida num pequeno barco que guardávamos no navio… Mas todos eles morreram.

—E esse Zodíaco? -Perguntou Tatsuo, curioso.

—Não queira se meter com eles. -Ela ficou com semblante de raiva por um momento. Que logo se transformou em medo. -Dakko lutava pelo bem de todos, Waryoku pelo mal, mas houve um momento em que os dois uniram forças com um objetivo: Destruir o Zodíaco. Eles conseguiram separá-los e “acovardá-los”... Pararam suas atividades por longos anos, até que agora começaram a agir novamente, pois sem Dakko e Waryoku… Eles são invencíveis.

—Mithra… -Os médicos que ouviam a conversa não acreditavam que ele se comunicava com ela de um modo informal como esse. -Nós viemos pedir uma união de forças, creio que agora já sei o motivo disso, mas eu não acho justo irmos embora agora… Nós vamos ficar, vamos te ajudar a derrotar Jerax, não podemos deixar ele no Elíseo fazendo o que quiser.

—Você não está entendendo garoto, ele não chegou até vocês, o problema é comigo! -Ela estava nervosa. -Não tem obrigação de me ajudar, vocês de Pilastra sempre terão nossa ajuda, podem ir já, não vou arriscar vocês.

—Quem não está entendendo é você, Mithra. -Ele falava com a maior calma. -Nós vamos ficar e vamos te ajudar. -Ele sorriu e saiu da sala.

Nem a rainha nem os outros que estavam ali acreditaram naquilo, era um desacato grave o que Tatsuo tinha acabado de fazer. Mas Mithra ficou feliz, uma lágrima escorreu e ela rapidamente limpou.

—Providenciem tudo que eles precisarem e mais um pouco, quero que este garoto tenha a melhor estadia da vida dele.

O Reino Elíseo em pouco tempo se tornou o lugar com menos vida do planeta. Todas as suas paisagens verdes ficaram cinzas, o sol nunca mais se mostrou perto daquele lugar, Jerax tornou o país um antro de doenças e violência. Ele era o único contente ali, o riso não saía de seu rosto, usava os aposentos do Rei Brun para si, ou seja, se acomodava melhor do que qualquer outro.

O necromante era loiro, cabelos longos, olhos completamente negros, pele branca, como se nunca tivesse passado meia hora debaixo do sol. Jerax se acomodava em seu salão, do lado de fora os guerreiros zumbis guardavam as entradas. Mas quando um homem chegou, eles abriram a porta para ele.

—Mithra continua viva. -Era um homem que tinha por volta de 180cm, forte mas não grande, tinha cabelos brancos e curtos, usava uma jaqueta azul e roupa preta por baixo, tinha o semblante totalmente sério. -Você irá em Âmbar acabar com isso e dominar aquele lugar.

—Você acha que pode me dar ordens? -Jerax se aproximou do homem lentamente, andando com a coluna reta e peito para frente, tentando intimidá-lo. -Estou fazendo isso por que me convém, vou matar ela, mas não ache que é por que obedeço a você.

O homem, um pouco mais alto que Jerax não piscou, não se movimentou nem demonstrou emoção nenhuma.

—Claro que é, quem é você perto de mim? Você é um fraco. -O homem deu um tapa no pescoço do necromante, lançando-o na parede sem ter feito esforço algum. Os zumbis entraram na sala ao ouvir o barulho e foram atacar o agressor de seu mestre. -Sua magia é ridícula. -De repente os zumbis pararam e sentiram algo como se fosse um calafrio muito forte, eles tremiam e começaram a inchar como se fossem explodir. E assim aconteceu, jatos de água saíram de seus corpos, eram muitos e muito intensos, como se a água tivesse corroído tudo que ainda tivesse lá dentro, tornando-os ocos. Eles caíram no chão inertes.

—Uau, quanto poder você tem Damon… Ou prefere que te chame de Aquário? -Jerax passava a mão em seu pescoço enquanto estava sentado no chão.


Aquele homem que estava na frente de Jerax era membro do Zodíaco, era Damon, o Aquário. Realmente eram fortes, o necromante deixara Mithra praticamente sem vida e mesmo assim Damon ainda pode derrotar Jerax facilmente.