Thunder Chronicles

5 Velocidade v Ferro


A recuperação de Mithra era absurdamente rápida, já no dia seguinte ela conseguia se levantar e andar com pouca dificuldade, carregava ainda as marcas dos ferimentos e os curativos. Ao saberem que ela havia tido uma boa melhora e que ela já estava indo para seu salão, seus subordinados e os visitantes e novos companheiros de guerra do Reino de Pilastra iam ao seu encontro.

—Rainha, como a senhora está? -Um jovem adulto, por volta de seus 20 anos se ajoelhou perante sua rainha, chegou mais perto dela do que qualquer um ali. ele vestia uma armadura leve, compacta, prateada brilhante. Era o comandante superior dos guerreiros do reino.

—Estou bem, Lamus. -Tatsuo e Yara viam ela de uma certa distância. Estavam esperando algo. Muita gente estava ali esperando esse algo, eram tantas pessoas que o salão estava lotado. -Meus guerreiros! -Sua voz ecoava pelo local. -É triste anunciar que estamos em guerra. -Essa frase deixou os mais fortes guerreiros com medo, os mais velhos sabiam o que isso poderia ocasionar. -É certo que Jerax virá aqui com todas as suas forças para nos dominar e nós vamos reagir, agora que temos a aliança dos nossos companheiros de Pilastra… -Ela olhou para Tatsuo, assentindo. -...Vamos conseguir vencer essa batalha que está tão próxima.

—Aliança? Como é? O que você fez Tatsuo? -Yara ficou brava, acertou um soco na cabeça do garoto.

—Pra que isso Yara? Eu ofereci ajuda, disse que queríamos a aliança dela e que ajudaríamos ela por isso. -Ele passava a mão no lugar onde foi agredido.

—Não era da nossa conta, não temos responsabilidade para com isso. -Ela ficou nervosa na hora, mas ela entendia o motivo pelo qual seu parceiro havia feito isso, talvez ela teria feito mesmo se ele não o tivesse feito. -Que seja, agora já está feito, não podemos voltar atrás. Você tem noção do poder que esse Jerax tem?

—Sei que é bem forte, pra deixar Mithra daquele jeito. -O garoto não demonstrava medo, insegurança, estava inteiramente confiante de que tudo ia dar certo no final. -Yara, eu vou ajudar todos que eu puder ajudar, mesmo que isso atrase uma missão ou algo parecido, se quiser voltar ao Reino e dizer que conseguimos a aliança está tudo bem, mas eu ficarei e ajudarei Mithra.

A motivação era grande, ele não ia andar para trás. Todos foram para suas casas, no caso dos soldados de Pilastra, foram para os dormitórios onde iriam ficar. Mithra encontrou Yara e Tatsuo sentados em uma das salas de estar conversando. Sua recuperação era surreal, ela depois de tão pouco tempo já estava 90% melhor.

—Impressionante ver duas pessoas tão novas em cargos altos na força militar. -Dizia a rainha.

—Nos destacamos, somos aplicados, fortes, inteligentes. -Respondeu Tatsuo.

—Seja mais humilde!

—Se não for pedir muito, eu gostaria de ver seus poderes, o que podem fazer no campo de batalha… Se vão me ajudar, acho que devo saber do que são capazes. Meu campo principal está livre, ninguém irá incomodá-los.

Os dois se olharam e foram. Seguiram Mithra até sair do primeiro bloco de sua mansão e entrar no centro de treinamento. Apenas os três estavam lá, Tatsuo e Yara entraram no campo, era gigante, Mithra sentou em um banco de aço com estofado ali para assistí-los, tudo devia ser reforçado para aguentar a força dos soldados no treino.

—Vamos lutar um contra o outro? É isso? -Enquanto Tatsuo perguntava, Yara já avançava para acertar o primeiro golpe, um soco forte no rosto de seu parceiro. O garoto caiu no chão, estático. As duas estranharam. A adversária dele ficou assustada na hora.

—Tatsuo? Você está bem? -Em um piscar de olhos, Tatsuo se levantou e apareceu atrás dela. A velocidade foi grande demais para os olhos de Yara e até mesmo da rainha acompanhar.

—Não posso bater em uma mulher, ainda mais uma amiga. -Ele estava claramente desanimado, não conseguia acertar Yara e lutar. -Desculpa, não posso mostrar o que consigo fazer. -Aquela figura grande e assustadora apareceu. Mardak.

—Deixe-me lutar com o garoto então. -Sorrindo, o comandante pediu a permissão da rainha para entrar no campo, ela olhou para Yara, que assentiu. Ela saiu do campo e Mardak entrou. -Sua sorte acabou moleque, devia ter aproveitado.

—Eu iria vencê-lo. -Disse a garota.

—Não tenha tanta certeza. -A rainha sorriu e Yara olhou para ela, surpresa.

O comandante tirou de suas costas um pedaço de ferro e um machado com lâminas enormes e negras, ele juntou os dois, fazendo o machado ter um alcance imenso. O primeiro golpe foi dele, balançou seu machado para acertar seu oponente, que abaixou rápido. Tatsuo se impulsionou no chão e golpeou no peito de Mardak, que por sorte estava vestindo sua armadura, ela rachou bem no local onde ele levou o golpe, o comandante foi empurrado para trás, mas parou o movimento com seus pés.

—Você é mais forte do que eu imaginava, rapaz. -Mardak levantou seu machado com as duas mãos. -Libere, Lâminas Executoras! —O machado começou a exalar uma energia negra, da cor de suas lâminas.

—Mardak, o que está fazendo? -Yara se levantou, nervosa. -Pare com isso agora! -Tatsuo e Mithra não entenderam. -Não use isso, serei obrigado a te expulsar do exército!

—O que é isso? -Perguntou o garoto.

—O material do qual o machado foi feito é chamado de Sivir, o material vivo… Ele absorve as forças emocionais de seu forjador e os transforma em algo bom ou ruim, mas esse machado, o Executor, absorveu a inveja do seu ferreiro e agora suga a energia vital do que ele toca. -A preocupação no rosto da rainha e do garoto eram nítidas.

—Esse moleque chegou ontem e já é mais importante que eu, quero que pelo menos ele prove isso!

—Pode deixar, Yara, eu vou dar conta. -Os dois estavam sérios. A concentração de Tatsuo fazia seu corpo esquentar, sua força aumentava a cada segundo, as faíscas de eletricidade saíam de seu corpo e estalavam alto. -Orbe relâmpago!—Na sua mão se formou uma esfera amarela de eletricidade. Pra quem viveu há 18 anos, aquilo fez perceber quem era aquele rapaz e do que ele é e será capaz.

—Prepare-se! -Mardak partiu para cima, sem medo das consequências. Ao balançar seu machado, Tatsuo pulou, enquanto estava no ar, lançou a esfera no comandante, gerando uma explosão forte que o jogou para trás, rolando. O Executor caiu longe de Mardak, sua armadura havia sido rachada e alguns pedaços até quebraram, mas ele estava consciente, se levantou e foi até seu machado correndo, mas o garoto chegou primeiro e pisou nele. A expressão no rosto de Mardak estava mais calma, como se ele tivesse entendido o motivo do garoto ser tão superestimado. -Uma guerra está chegando, garoto. -Dizia, olhando nos olhos do seu adversário… Companheiro. -Você é novo, com certeza você tem talento e força para participar, mas não se sinta pressionado a nada, não precisa arriscar sua vida pra lutar pelo Reino, você tem muito pra viver ainda.

—Se eu tiver mesmo... -Ele chutou o machado para Mardak, que ficou surpreso. -...Que seja do lado de vocês. -Tanto o comandante como as duas que assistiam não acreditaram na atitude e palavras de Tatsuo. Mardak abaixou e pegou o machado. Tatsuo ficou em pose de batalha.

O comandante apontou o gume do machado na direção do garoto, a ponta se abriu e de um buraco uma bola saiu, quando tocou o chão, a fumaça se espalhou pelo campo, era uma bomba de fumaça. Tatsuo precisava concentrar seus sentidos na audição para poder saber de onde Mardak atacaria, pois sua visão havia sido totalmente anulada. Um barulho do encostar da armadura do comandante batendo no chão enquanto ele dá um passo entregou sua localização, Tatsuo desviou do machado, agarrou seu cabo, pegou impulso no chão com um braço e chutou o queixo de Mardak, que cambaleou para trás e novamente foi tentar golpear seu oponente aproveitando que a fumaça não tinha se esvaído.

Clarão! —Um feixe de luz extremamente intenso foi emanado da mão do garoto, iluminando tudo até mesmo além da fumaça, com isso, Mardak parou e tampou seus olhos com uma mão, sendo obrigado a apoiar o machado no chão… Fazendo barulho. Novamente, Tatsuo se aproveitou disso, ele desfez o feixe e correu para onde seu oponente estava, no exato momento em que o oficial da Força Tática preparou seu soco, a fumaça sumiu, Mardak então viu em câmera lenta aquele punho acertar seu rosto e o lançar para longe, até colidir com a parede, quebrando-a.

—Já chega! -Gritou Mithra. Sua ordem foi respeitada.

Yamamoto reuniu os oficiais novamente, coma chegada de um profeta ferido no seu Reino, a situação ficou mais perigosa do que já estava, como se não bastasse o Zodíaco agindo novamente, Crow e Sartori roubaram o poder da Relíquia do Renascimento para reviver Waryoku. Dakko está morto, existe alguém que possa trazer paz se essa guerra acontecer?

—Nós perdemos por causa do poder dele… Controle interdimensional. -Dizia Yoropac. -Ele conseguiu se livrar de dois de nós e poderia ter matado os que sobraram. -Ele abaixou a cabeça. Pela primeira vez em muito tempo um profeta demonstrava uma emoção. -Há muito tempo não lutamos, só lembro quando perdi para Waryoku, não devíamos ter perdido para aquele homem.

—Ninguém culpa vocês, não se preocupe. -Yamamoto estava com medo das consequências daquilo tudo. -Não sei o que fazer… Yara e Tatsuo estão fora, poderia mandar alguém para descobrir onde o Zodíaco ou Crow se escondem mas ficaríamos vulneráveis… Ganya! -Chamou seu ajudante. -Vá procurar Dina, ela está muito atrasada.

A líder da Força Tática já tinha perdido trinta minutos de reunião. Ganya desceu, e no momento que saiu do local onde estavam reunidos, recebeu ondas telepáticas. Alguém tentava se comunicar com ele.

Alguma novidade? —Era a voz de uma mulher.

—Crow e Sartori fugiram, Crow derrotou os profetas sozinho e roubou o poder da Relíquia do Renascimento para reviver Waryoku. -Ganya não falava. Enquanto ele andava até onde Dina estava ele pensava, apenas isso era suficiente para a mulher “ouvir”.

Isso é muito mal, vou contar aos outros… Aquário está com Jerax, eles pretendem atacar o Reino de Âmbar e terminar o que começaram com Mithra… E você, Gêmeos, o que fará?


—Começarei matando a líder da Força Tática.