Throwing Punches
18 First Step to Forever
Notas iniciais
Eu não vou nem me desculpar, porque vocês sabem que eu sou uma pessoa um tanto quanto muito mas muito preguiçosa mesmo.
Eu protelo as coisas. E eu demorei demais pra postar esse capítulo 'o'
Mas bem, a inspiração veio novamente, e eu fiquei 3 dias escrevendo ele, LOL?
Então, esse capítulo foi realmente o meu bebê :3 -QQQ
Eu gostei muito de escrever ele, e eu realmente espero que tenha ficado legal.
Aquela esquema das músicas apareceu de novo xD
E, ah. Se tem algum fã de Paramore que lê a fic, eu acho que essa pessoa vai gostar bastante do capítulo :)
Enfim, eras isso.
Espero que gostem! :D
Freddie’s POV
As coisas andaram meio corridas nos últimos dias.
Parecia que o tempo passava bem mais rápido do que o normal. O que não era tão ruim, já que estávamos bem animados com tudo o que estava acontecendo.
Mas eu sentia que a cada segundo que passava o meu tempo com a Sam diminuía. Ela estava cada vez mais ocupada.
Havia se passado uma semana desde que fizemos aquela festa, e desde que a Lucy nos contou que o pessoal da gravadora queria mesmo assinar com a Sam.
Então, essa semana foi uma correria. Eu acompanhei a Sam até a gravadora algumas vezes, nos dias em que ela gravaria algumas demos, e mais uma vez eu fiquei maravilhado com o seu talento. Nunca duvidei dela, mas a cada dia ela me surpreendia mais.
Também conheci o Matt, o cara que a ouviu na gravadora pela primeira vez. Ele foi bem simpático com todos nós.
Falando em simpatia, o Spencer havia ganhado o concurso de esculturas, do sábado passado. Lembro que ele tinha ficado realmente muito nervoso, já que tinham artistas e esculturas ótimas concorrendo. Mas nós sempre acreditamos no talento do Spencer.
E bom, apesar de toda essa pressa que estamos tendo, aqui estava eu, ainda na cama, sábado de manhã. Olhei pro relógio, e já eram 10:00 horas.
Eu não sentia vontade de levantar. Não por estar mal, ou algo do tipo.
Eu simplesmente sentia vontade de ficar sozinho, ás vezes. E mesmo sozinho, eu não estava. Ela ainda rondava meus pensamentos absolutamente o tempo todo.
Ainda era meio engraçado pra mim estar com a Sam. É diferente, já que eu nunca teria imaginado isso há alguns anos. Mas eu nunca estive tão feliz, como eu sou, com ela. Pensar nela me faz estampar um sorriso bobo no rosto.
Eu vejo como a nossa vida está mudando rapidamente, de uns tempos pra cá. E eu sei que se ela realmente seguir a carreira dela, isso vai mudar ainda mais. Mas sinceramente, eu não ligo tanto pra isso.
Eu sei que por mais que passemos por dificuldades, vamos conseguir superar tudo, se ficarmos juntos. Eu me sinto completo ao lado dela. Como se eu fosse capaz de fazer qualquer coisa. E eu realmente faria qualquer coisa, por ela.
Não sei bem o nome disso. Alguns diriam que é amor.. mas pra mim é muito maior que isso. É algo maior, e melhor.
Companheirismo, confiança, amizade. Ela sabe que eu estou aqui pra absolutamente tudo, por ela, e ela por mim.
E mesmo com a nossa vida um pouco bagunçada, eu sinto que tudo vai acabar se ajeitando.
Pensando nisso, peguei um caderno na minha cômoda, sentei na cama e calmamente comecei a escrever.
- “My Baby Blue Eyes” — disse, sorrindo.
A Sam não era a única que expunha seus sentimentos no papel. Eu tenho esse hábito desde sempre. Ninguém sabe, só isso.
Não tenho interesse algum em seguir carreira nisso, mas um dos hobbys que eu tenho e que praticamente ninguém sabe, é que toco violão e arrisco um showzinho no chuveiro, de vez em quando.
Aprendi a tocar há alguns anos. Na verdade, eu o e Chase começamos a praticar juntos, quando ele ganhou um violão de aniversário do pai dele.
Meu tio Chad era um cara e tanto. Desde que ele e minha tia Judith se separaram, há dois anos, eu nunca mais o visitei. Ainda assim, nós mantivemos contato.
Uma das coisas que ele sempre quis que os filhos tivessem era um futuro. Por isso, desde sempre ele sempre mostrava opções e caminhos pra ver se as crianças se interessavam em algo desde cedo. Isso explica o violão que ele deu pro Chase.
Pensar nisso me fez sorrir, pois eu lembrei que hoje será a primeira apresentação da Sam. Não vai ser um show de fato, isso leva algum tempo. Vai ser num clube no centro de Seattle. Pra umas 500 pessoas, eu acho.
E eu tinha uma surpresa pra ela, hoje.
Certo disso, guardei meu caderno, levantei e fui tomar um banho. O dia seria longo.
Sam’s POV
Acordei tarde no sábado. Olhei no relógio da Carls e eram 11:45 da manhã. Eu tinha passado a noite ali de novo, e pelo visto todo mundo já tinha levantado, menos eu.
Confesso que eu estava enrolando um pouco pra levantar. Eu estava muito nervosa, afinal eu vou me apresentar hoje. Matt disse que vai ser um pequeno show pra umas 500 pessoas. Se isso era pra ele era “pequeno” eu realmente não quero saber o que seria um show grande.
Tudo tem acontecido muito rápido nos últimos tempos. A última semana passou voando, e isso até me assustou um pouco. Não de uma forma ruim, afinal eu estava realizando tudo o quê eu queria.
Eu fui na gravadora várias vezes essa semana, e gravei algumas demos. Algumas que uns compositores fizeram, e tive a chance de gravar algumas que eu escrevi.
Tinha conhecido o presidente da gravadora há uns dias, e ele era um cara simpático. Meio durão, e esquisito, mas depois que conversamos um pouco eu vi que ele era legal.
Então, basicamente, depois de conhecer uma galera, o Matt deu uns telefonemas e começamos a organizar as coisas pra hoje. Eu me apresentaria num clube grande no centro de Seattle.
E eu admito, eu estava um pouco mais do quê “nervosa”. Não pela apresentação em si, até porque eu enfrentei um público parecido na festa da Wendy. Não era isso.
Era que.. depois de hoje, se tudo desse certo, seria realmente o primeiro grande passo que eu daria. Pra uma coisa que eu esperava poder fazer sempre.
O que mais me preocupava era a rapidez com o que tudo acontecia. Há apenas algumas semanas ninguém sequer sabia do meu interesse por música.. e agora eu já gravei demos, conheci gente de gravadora, e vou me apresentar pra um público relativamente grande.
Eu estava feliz com isso, afinal, pelo o quê eu via, as pessoas gostavam.
Era só que.. eu sentia que eu ficava sem tempo. Pra nada. E eu sabia que isso era só o começo, e as coisas ficariam ainda mais corridas daqui pra frente.
Era isso que me assustava. O tempo. Ou melhor, a falta dele.
Por um lado eu ficava feliz pelo o quê eu iria ganhar, se isso tudo realmente desse certo. Fãs, shows, e talvez num futuro não tão distante, turnês.
Mas por outro lado, eu tinha medo de perder, também. Perder as idas diárias ao Groovie Smoothie, de ficar no sofá dos Shay de bobeira assistindo Celebridades Debaixo D’água. Eram coisas bobas, mas que se eu realmente ficasse sem tempo, me fariam falta.
E mais do quê isso, eu ficaria menos tempo com meus amigos. Sei que eles sempre estarão do meu lado, mas mesmo assim.. eu sabia que me perderia um pouco deles no meio disso tudo.
E além de amigos, família, e escola.. tinha ele.
E esse era o que mais me preocupava. Eu não aguentaria ficar tanto tempo longe dele.
Sei que o Freddie me apoia e me encoraja nisso tudo. Inclusive.. ele é uma das maiores razões de eu estar vivendo tudo isso.
Cada palavra que eu escrevo, cada verso que eu componho, é sobre ele. É ele que me inspira a expor sentimentos que eu tão pouco entendo, mas sei que são causados por ele.
Sentimentos ótimos, que antes de conhecê-lo, eu nem sabia que era capaz de sentir.
Aquele pateta era uma das coisas mais valiosas pra mim, e eu tinha realmente muito medo de perdê-lo. De não fazê-lo feliz.
De que ele se estressasse com os problemas de uma carreira que nem era dele, tudo por mim.
Eu estava ganhando muito, mas também perdia. E eu sabia disso. Eu escolhi isso. E era uma responsabilidade completamente minha. Eu não queria envolvê-los nisso tudo.
Eu poderia ficar horas e horas discutindo comigo mesma os conflitos que isso causava dentro de mim. Mas era inútil.
Apesar do medo, eu nunca vou saber o que vai acontecer, se eu não tentar. Se eu não seguir em frente, arriscar e correr atrás daquilo que eu quero.
Eu escolhi isso. E agora era só arcar com as consequências, fossem boas ou ruins.
Ouvi batidas na porta, me tirando completamente dos meus pensamentos.
- Sam? Já acordou? – a Carls entrou no quarto, sorrindo.
- Já. – disse, suspirando.
- O quê foi? – ela perguntou, se sentando na cama.
- Nada. Só tava aqui pensando.. – comecei.
- Em quê?
- Vocês vão continuar do meu lado, se tudo der certo? E principalmente, se tudo der errado? – perguntei, insegura. Ela me olhou, séria.
- Não acredito que tu ainda me pergunta isso. É claro que sim, Sam. Eu vou estar do teu lado em qualquer momento, e você sabe muito bem disso. Não só eu, como todo mundo. – ela disse. Suspirei.
- Eu sei.
- Todo mundo, inclusive o Freddie. – ela sorriu, maliciosa. Revirei os olhos, antes de encará-la.
- Acha mesmo que ele está bem com tudo isso? – perguntei. Carly riu.
- Você é tão ingênua ás vezes. Nem parece.. você. – ela sorriu. – Sam.. ele faria qualquer coisa por você. Caso não tenha percebido ainda.. ele te ama. – ela disse. A olhei, surpresa.
- Como é quê é? – perguntei. Ela riu, novamente.
- Vai me dizer quê vocês ainda tão nessa coisinha de “eu gosto de você”? Fala sério, Sam. Você ama ele. – ela disse, convicta.
Senti meu rosto queimar. Por mais que lá no fundo eu soubesse que ela estava certa, essa palavra ainda me assustava.
- Bem, eu.. – tentei dizer. Ela revirou os olhos.
- Bem, você. – riu. – então, levanta logo, eu e o Spencer estamos preparando o almoço. – ela disse. Assenti, afinal já tava na hora de eu levantar, mesmo.
Tomei um banho, vesti uma calça jeans e um moletom preto. Quando desci, o Spencer estava no sofá com a Lucy, assistindo á algum filme.
- Oi, pessoas. – sorri, sentando ao lado deles.
- Oi, Sam. – Spencer disse, sem tirar a atenção da TV.
- E aí, pronta pra hoje á noite? – A Lucy perguntou, sorrindo. Soltei um suspiro pesado.
- Um tanto quanto muito nervosa, mas sim, pronta. – sorri. Ela riu.
- Não se preocupa, vai dar tudo certo. Lembra, você já enfrentou um público antes. – ela disse, se referindo a festa da Wendy.
- É.. mas hoje vai ser diferente. Eu vou fazer isso.. sabendo que eu quero fazer isso. Não sei se deu pra entender. – ri. Lucy sorriu.
- Entendi sim. E é por isso mesmo que eu digo que vai dar tudo certo. Você está segura. E, bom, talento não falta. – ela disse. Sorri.
- Ahm.. meninas, eu não quero estragar o momento otimista de vocês.. mas eu quero ver o filme. – o Spencer disse, um pouco frustrado. Nós rimos.
- Não se preocupa, maninho, você vai ver seu filme em paz. Até porque a Sam vai subir comigo, agora. – a Carly disse, entrando na sala. Olhei pra ela, confusa.
- Eu vou?
- Vai sim. Temos que escolher uma roupa pra mais tarde. – ela cruzou os braços. Revirei os olhos.
- Carls, pelo amor, não são nem meio-dia.
- Não importa. Você vai ser vista hoje por um público de..
- Vocês podem por favor parar de falar na quantidade de pessoas que vão me ver hoje? – disse, irritada. Ela suspirou.
- Tudo bem. Mas você vem do mesmo jeito. – disse, me arrastando pro andar de cima.
Suspirei, derrotada. Não adiantava tentar argumentar com a Shay.
Freddie’s POV
- Caramba, Freddie, olha só essa! – o Chase disse, animado, me mostrando uma guitarra de dois braços que estava na vitrine da loja. Revirei os olhos.
- É, muito legal, Chase, mas eu não vou comprar ela. – disse. Ele fechou a cara.
- Manézão. – disse, baixo. Sorri.
Estávamos numa loja de música que tinha num dos shoppings da cidade. Eu queria comprar algo pra Sam, pra dar de presente hoje. Sei que não é aniversário dela nem nada, e ainda faltam algumas semanas pro natal, mas eu queria comprar mesmo assim.
Que a Sam amava música, já era bem óbvio. Mas ela não tinha experiência alguma com instrumentos, e eu sabia que ela queria aprender.
Eu tenho umas economias guardadas. Não é muito, mas eu planejei usar esse dinheiro pra algo importante. E se eu comprasse algo pra Sam, eu usaria também.
O problema era que o Chase não calava a boca um segundo, sempre me apontando os modelos mais bizarros, de todos os tipos de instrumentos. E os mais caros, também.
- Freddie, olha só esse baixo! — o Chase disse, me mostrando um baixo com nada mais nada menos que 11 cordas. Eu nunca havia visto algo maior na minha vida.
- Chase, eu não vou comprar isso. – disse. Ele bufou.
- E por que não?
- Primeiro, o preço é bem salgado. Segundo, eu não sei nem como se segura esse negócio. – disse. Ele revirou os olhos.
- Tá com raiva só porque você não sabe tocar. – ele disse. Ergui as sobrancelhas.
- Ah, e você sabe?
- Claro que sei. – disse, convencido. Era óbvio que ele não sabia, ele só estava tentando se exibir pra Jenny, que por sinal estava do outro lado da loja vendo as baterias, e não estava dando a mínima pra ele.
- Tá bom, Chase.. agora coloca isso aí no lugar. – disse. Ele me olhou, irritado.
- Não! Eu vou mostrar pra você, eu sei tocar esse negócio. – ele disse, pegando os cabos e plugando em um amplificador.
- Cara, larga isso, você não sabe nem como..
- Eu sei sim! Agora fica quieto aí, enquanto eu te mostro como.. – quando ele foi se sentar com o instrumento, se atrapalhou todo com os cabos e o baixo já estaria no chão, se não fosse um cara pegar a tempo.
- Ei, cuidado aí, amigo. – o cara disse, rindo. Tentou ajudar o Chase a levantar. – você tá legal? – perguntou.
- Tô, tô. Não precisa se preocupar. – Chase disse, visivelmente envergonhado. Eu ri.
- E você sabe tocar, né? – perguntei, irônico. Ele me olhou, furioso, e não disse nada.
- Talvez você devesse começar com um instrumento mais simples. E.. menor. – ele disse, rindo. – o quê exatamente vocês estão procurando?
- Ah. Eu.. tô pensando em comprar um violão. – disse. O cara riu.
- Acústico? Elétrico?
- Acho que acústico. Na verdade eu não entendo muito sobre o assunto. Eu toco, um pouco, mas o violão não é pra mim. – disse.
- É pra quem? – ele perguntou.
- Pra minha namorada. Ela é iniciante, também, então eu queria algo bem simples. – eu disse. O cara pensou um pouco. Eu tinha a impressão de que conhecia ele de algum lugar, só não lembrava de onde.
- Hm. Acho que esse aqui pode ser bom. – ele disse, pegando um violão azul marinho, com cordas de aço. Eu não fazia ideia do nome do modelo, mas sabia que era uma marca bem famosa.
— Deixa eu ver. – Peguei o violão, me sentei na cadeira e toquei alguns acordes. O som era bonito. E o próprio instrumento também. Acho que a Sam ia gostar.
- É, acho que vou levar esse. Quanto custa? – perguntei. Ele riu.
- Eu não trabalho aqui. – ele disse.
- Ah, foi mal, eu achei que..
- Tá tudo bem. Eu venho bastante nessas lojas de shopping quando estou de férias da turnê, então sempre acabo ajudando quem fica em dúvida pra comprar algo. – ele disse. Franzi a testa.
- Turnê? Você.. – o olhei melhor. — ..espera, qual o seu nome?
- Taylor. Taylor York. – ele sorriu.
Cara, como eu não vi isso antes? Ele era só o guitarrista do Paramore.
- Vo-você? A.. a banda? – tentei dizer. Ele riu.
- Nós estamos de férias por algumas semanas. Eu resolvi passar em alguma loja de shopping pequeno, comprar uma guitarra nova. – ele disse, sorridente. Eu ainda não acreditava nisso.
- Cara. A minha namorada é tipo.. a maior fã de vocês no universo inteiro. – sorri. Ele riu.
- Sério? Qual o nome dela?
- Sam. Sam Puckett. Nós fazemos um webshow..
- Ah, iCarly, né? – ele perguntou. Arregalei os olhos.
- Conhece a gente?!
- Conheço. Bem, nós não temos muito tempo de folga, então não consigo ver sempre. Mas eu conheço sim, vocês são engraçados. – ele sorriu.
- Ahm.. o-obrigado. – disse.
- Você vai comprar o violão pra ela.. ela gosta de música? – ele perguntou.
- Ah, sim. Ela canta. Na verdade, ela assinou com uma gravadora semana passada. E hoje á noite vai ser a primeira apresentação dela. – disse, sorrindo. Taylor me olhou, surpreso.
- Sério? Onde vai ser? – ele perguntou, curioso.
- No Rock Ball Club, ás 21:00 horas. – disse. Ele ficou pensativo.
- Você disse que ela é nossa fã, não é?
- Sim, muito.
- Hm. Então.. ela se importaria muito se eu, a Hayles e o Jeremy aparecêssemos por lá hoje? – ele perguntou, sorrindo. Arregalei os olhos.
- Vocês fariam isso?! Cara.. ela.. ela vai surtar! – eu disse, sorrindo.
- Espero que sim. – ele riu. – então.. é Freddie, não é? – ele perguntou. Assenti. – então, Freddie, eu tenho que ir agora. Se for realmente comprar o violão, eu indico esse, é uma boa escolha. Eu vou falar com o pessoal, e a gente se vê mais tarde. – ele disse, apertando minha mão.
- Tá, c-claro. – disse.
Quando ele saiu, peguei o violão e disse pro atendente que levaria aquele. Enquanto ele procurava uma capa, encontrei o Chase e a Jenny no outro lado da loja.
- E aí, escolheu algum instrumento? – a Jenny perguntou.
- Sim, o cara já vai trazer.
- Quero só ver a cara da Sam quando você der o presente pra ela. – ela disse.
- Ela vai surtar. Mas mais que isso, ela vai surtar com quem vai ir ao show dela hoje á noite. – disse. Ela me olhou, confusa.
- Quem?
- Sabe aquele cara, que eu tava conversando agora pouco? Então.. ele é o guitarrista do Paramore. A banda favorita da Sam. – sorri. A Jenny arregalou os olhos.
- O QUÊ?! O.. O TAYLOR.. – ela começou a andar em círculos. – Porquê não me disse que Taylor York estava nessa loja?! Eu vou te matar, Freddie! – ela me deu uns tapas. Eu só consegui rir.
- Gosta deles também?
- É claro que sim! Eu.. eu não acredito..
- Calma, Jenny. A gente vai ver eles mais tarde.
- Todos eles vão? – ela perguntou, já se acalmando.
- Sim, os três. – disse. Ela respirou fundo antes de responder.
- Ok. Eu vou morrer hoje, só isso. – ela disse. Eu e o Chase rimos.
Com certeza, ela não seria a única.
Sam’s POV
Eu havia me preparado pra isso durante uma semana inteira. Mas não adiantava. A cada quilômetro que percorríamos naquelas ruas, e a cada minuto que se passava, eu ficava mais e mais nervosa.
Tentava convencer a mim mesma de quê daria tudo certo, que eu iria bem, e que hoje seria incrível. Mas ficava difícil, muito difícil sabendo que nos aproximávamos do clube a cada segundo.
E ele não estava ali comigo, segurando minha mão.
- Carls, cadê o Freddie? – perguntei, impaciente.
- Eu te disse, Sam. Ele está indo com o resto do pessoal. Ele vai nos encontrar lá bem antes do show começar, não se preocupa. – ela disse, tentando me acalmar.
Apenas encostei minha cabeça no vidro do carro e olhei a noite lá fora. Carros, pessoas, luzes, estrelas. Tanta coisa que podia me distrair, mas naquele momento minha mente só focava no que eu estaria fazendo, em alguns minutos.
Mais do que isso, no que eu estaria fazendo, em alguns anos.
Futuro, tempo, futuro, tempo. Essas duas palavras me sufocavam de uma maneira insuportável.
Cada minuto que se passava o tempo diminuía. O ano já estava no fim, e com ele vinha a formatura, a faculdade. E o futuro. Novamente, o futuro.
Vai saber o quê cada um de nós faria, depois do colégio? A maioria já tinha uma ideia, mas nada era concreto.
Pra eles, não. Eu já sabia o que eu queria. E eu estava prestes a começar isso, hoje á noite.
Sei que meus pensamentos estão muito confusos, ultimamente. Mas eu realmente estou confusa.
Eu não penso, e nem cogito a possibilidade de voltar atrás em momento algum. Eu quero isso, eu quero seguir carreira na música, é isso que eu sempre quis fazer.
E eu ficava imensamente feliz de ser uma das poucas pessoas que tem essa oportunidade tão cedo. Eu não consigo pôr em palavras o quê essa chance significa pra mim.
Mas mesmo assim, as dúvidas sempre estão ali. Se daria certo, se as pessoas me ouviriam, se gostariam da minha música.
O apoio dos meus amigos, eu sabia que tinha. O que me incomodava, era o tempo que eu não teria. O tempo com eles.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac.
- Sam. Sam.. Sam! – senti a Carls me cutucar, me tirando dos meus pensamentos antes que minha cabeça explodisse.
- Ah, oi, Carls.
- Nós já chegamos. – ela disse, abrindo a porta do carro. Tentei esquecer toda essa preocupação e realmente aproveitar a noite que tínhamos pela frente.
Saí do carro, respirei fundo e olhei pra cima. O letreiro do Rock Ball Club brilhava em luzes roxas. Sorri, ao ver que a 5 metros de mim ele encarava as mesmas luzes, com um sorriso no rosto.
- Ansiosa? – Freddie disse, vindo até mim, me dando um beijo.
- Um pouco. Mas tô legal. – menti. – porque vocês não vieram com a gente? – perguntei.
- Porque não caberia todo mundo no carro. – ele disse, debochado. – e porque eu tive que fazer uma coisa, mais cedo. – ele disse. O olhei, desconfiada.
- Que tipo de coisa?
- Tive que ir á um lugar. E é segredo. – ele disse, tentando reprimir um riso.
- Freddie.. – tentei dizer.
- Não vou te contar nada agora, é surpresa. E olha, o Matt está vindo aí. – ele disse.
- E aí, como vai a minha estrela preferida? – ele disse, sorrindo, me dando um abraço. Revirei os olhos. Alguém me chamando de “estrela” soava muito estranho.
- Ela vai bem. Um pouco nervosa, mas tudo bem. – tentei sorrir.
- Que isso, não precisa ficar nervosa.. só tem umas 800 pessoas aí dentro. – ele disse, sorrindo. O olhei, chocada.
- 800?! Vocês disseram que seria no máximo umas 500! – olhei pra ele e pra Lucy, e eles riam. Semicerrei os olhos. – vocês me enganaram.
- Bem.. é. – a Lucy riu. – mas eu já disse, Sam. Você vai ir bem.
- Então.. já temos que entrar. Passagem de som, e o show começa em meia hora. – Matt disse.
A passagem de som foi tranquila, estava tudo funcionando bem. Eu e a banda montamos a playlist do show. Tocaríamos algumas demos que gravamos essa semana, e eu pedi pra fazer um cover especial.
Eu sabia que eles nem sequer sabiam que eu existia, mas eu ainda assim os amava e os admirava como nenhum outro artista. Eu só esperava um dia poder ter a oportunidade de conhecê-los e dizer que eles são a maior inspiração que eu tenho, na música.
E por isso, decidimos fazer um cover do Paramore.
- 5 minutos, pessoal! – ouvi o Matt dizer.
Tentei me acalmar. Daria tudo certo, daria tudo certo.
Repeti essa frase na minha cabeça inúmeras vezes, tentando não pensar no quê eu estava prestes a fazer.
- Ei. Vai dar tudo certo. – ouvi a voz dele atrás de mim, e senti seus braços envolvendo minha cintura.
- O quê.. o quê está fazendo aqui? Vocês não deveriam estar na plateia? – perguntei, surpresa, e nervosa com a forma que ele me segurava.
- E eu estarei lá, torcendo por você. – ele disse, em voz baixa.
- 2 minutos!
- Essas cortinas vão se abrir, e você vai fazer um grande show. Vai mostrar pra todos que você tem talento, e que acredita em si mesma. Eu acredito. – ele disse.
- Freddie.. e-eu..
- Estão me chamando, eu tenho que ir. Suba, faça o que você ama, e quando tudo terminar, eu estarei ali, te esperando. – ele me deu um beijo, e se afastou.
- 1 minuto, Sam. Pronta? – Matt perguntou, estendendo a mão com o microfone.
O encarei por um momento, e peguei o microfone de sua mão.
- Pronta. – disse. Ele sorriu, e correu pros bastidores.
Respirei fundo, e andei até o centro do palco.
Estava tudo muito confuso, nervoso, ansioso. Eu realmente me sentia perdida.
Até eu ouvir aquelas vozes gritando, juntas, pelo meu nome.
Se o meu problema antes era a velocidade em que o tempo passava, nesse momento, ele congelou.
Eu não sabia quem eram. Meus fãs, fãs do iCarly. Minha mãe, meus amigos.
Não importava. Eram vozes que estavam ali, presentes, gritando por mim, me encorajando.
Dei um passo a frente, e vi aquelas cortinas se abrirem. Respirei fundo, e encarei aquilo tudo.
Todas aquelas pessoas, ali, por mim. Eu não sabia explicar como isso era. Eu só sei que foi parecido com aquela primeira apresentação.
A única diferença, era que agora eu não sentia medo. Nervosismo, ansiedade.
Eu me sentia realizada, feliz.
Ouvi a música ao fundo, e com um sorriso nos lábios, comecei a fazer o que eu sempre quis.
Mostrar ao mundo quem é Samatha Puckett.
Freddie’s POV
Aquela estava sendo, com certeza, uma das noites mais incríveis que nós já tivemos.
Estar no meio da plateia, ouvindo todas aquelas pessoas gritando. E eu era uma delas. Era simplesmente impossível ficar parado. Não gritar, não pular, não cantar com ela. A música, de tantas formas, sempre me levava até ela.
- Ela tá incrível, não é? – Carls disse, sorrindo, do meu lado. Sorri de volta.
- Ela é incrível.
O show continuou. A Sam cantou mais algumas músicas, e aí eu me lembrei do quê o Taylor havia dito. E me perguntei se eles realmente viriam.
Até sentir uma mão me cutucar no ombro. Olhei pra trás e uma garota de capuz preto e óculos escuros me encarava.
- Ahm.. olá? – perguntei, confuso. Ela tirou os óculos e sorriu.
- Oi. É.. eu sou a Hayley. – disse. Eu sabia quem ela era.
- A-ah! Oi. Sou Freddie. O Taylor..
- Ele e o Jeremy já estão chegando. – ela disse, de cabeça baixa. Eu entendi o porquê. Deveriam ter dezenas de fãs do Paramore ali no meio, e nenhum fazia ideia que a vocalista baixinha de cabelos vermelhos estava bem ali, entre eles.
- Então, o Taylor me disse que a sua garota é nossa fã. É ela, ali? – Hayley perguntou, olhando pro palco. Sorri.
- É ela sim. O nome dela é Sam. E eu sei que provavelmente todo mundo diz isso pra vocês, mas sério, ela é a maior fã de vocês desse universo. – eu disse. Ela riu.
- Eu acredito. E ela é boa. – disse, prestando mais atenção.
Um tempo depois o Taylor e o Jeremy também chegaram. Foi meio complicado apresentar eles três pro pessoal sem que o resto da plateia percebesse, mas demos um jeito.
Não preciso dizer que a Jenny e a Hayley surtaram, né? Inclusive, era engraçada a semelhança entre a nossa Hays e a Hayley Williams.
O momento em que a Sam pegou o microfone e disse que faria um cover especial, de uma banda que ela gostava, eu já imaginava o quê ela faria. O que me fez rir, pois mal sabia ela que o coração por trás daquela música estava na plateia, assistindo ela.
- Então.. essa é uma das minhas músicas favoritas, da minha banda favorita. – Sam sorriu.- essa se chama “My Heart”.
I am finding out that maybe I was wrong
Eu estou descobrindo que talvez eu estivesse errada
That I've fallen down and I can't do this alone
Que eu caí, e que eu não posso fazer isso sozinha
Stay with me, this is what I need, please?
Fique comigo, é isso que eu preciso, por favor?
Sing us a song and we'll sing it back to you
Nos cante uma música, e a cantaremos de volta pra você
We could sing our own but what would it be without you?
Nós poderíamos cantar sozinhos, mas o quê isso seria sem você?
Olhei pra Hayley, ao meu lado, e ela olhava a Sam atentamente. Eu não sabia dizer o que aquele olhar significava, eu só sabia que aquele momento estava sendo intenso pras duas.
Aquela música parecia ter um significado importante pra quem a escreveu, e eu estava olhando pra compositora ali, agora.
A mesma, olhava atentamente pra sua maior fã. Uma garota com o mesmo sonho que ela.
Me lembro que a Sam sempre nos dizia que um dos sonhos dela era conhecer a Hayley. E, bom.. a Hayley estava a conhecendo, nesse momento.
I am nothing now and it's been so long
Eu não sou nada agora, e faz muito tempo
Since I've heard the sound, the sound of my only hope
Desde que escutei o som, o som da minha única esperança
This time I will be listening
Dessa vez eu estarei ouvindo.
Sing us a song and we'll sing it back to you
Nos cante uma música, e a cantaremos de volta pra você
We could sing our own but what would it be without you?
Nós poderíamos cantar sozinhos, mas o quê isso seria sem você?
A Sam, no palco, se transformava em outra pessoa. Ou não. Talvez no palco, ela nos mostrasse um lado dela que ninguém conhecia. Ela deixava a garota durona de lado, e nos mostrava uma garota com sentimentos, que se importava, e tudo o quê queria era realizar um sonho.
E sinceramente, eu me sentia honrado de fazer parte de tudo isso.
This heart, it beats, beats for only you
Esse coração, ele bate, bate apenas por você
This heart, it beats, beats for only you, my heart is yours
Esse coração, ele bate, bate apenas por você, meu coração é seu
Please don't go now, please don't fade away
Por favor não vá agora, por favor não desapareça
My heart is yours
Meu coração é seu
Please don't go now, please don't fade away
Por favor não vá agora, por favor não desapareça
My heart is yours
Meu coração é seu,
My heart is...
O meu coração é..
Poucas coisas eram tão emocionantes pra mim quanto esses momentos. E eles eram sempre diferentes um do outro. Cada apresentação da Sam mexia comigo de uma forma diferente.
Eu simplesmente me sentia o cara mais sortudo do mundo por ter o coração dela.
- Isso.. isso foi.. – a Hayley tentou dizer, em meio aos gritos e aplausos das pessoas a nossa volta.
- Entendeu o quê eu quis dizer, agora? Vocês são realmente muito especiais pra ela. – Sorri. Ela balançou a cabeça negativamente, sorrindo de volta.
- Não, Freddie. Ela é especial. – Hayley disse, com um brilho diferente nos olhos. Acho que ela não diz isso pra todo mundo.
- Eu sei. – Sorri.
O show teve mais algumas músicas, até que a Sam finalmente se despediu do público.
Aquilo era um clube, então teria uma festa logo depois. Nós já víamos o DJ se posicionando e arrumando os seus equipamentos.
Depois de uns 10 minutos, Sam veio até nós, com uma garrafa de água na mão, visivelmente cansada.
- Então..eu não disse que daria tudo certo? – perguntei, a abraçando. Ela sorriu.
- É, você disse. Todos vocês disseram. E obrigada por terem vindo, gente.
Estava absolutamente todo mundo ali. Nossos amigos, a mãe da Sam. Até minha mãe apareceu no meio do show, com o James e o Jay.
E acho que por isso mesmo, ela não notou as três pessoas que estavam ali.
- Mas então, Sam.. – comecei – qual é a sensação de se apresentar pra tanta gente? – perguntei. Ela suspirou.
- É incrível, divertido. Mas também é muito cansativo. – ela disse.
- É cansativo, né? Sei como é. – A Hayley disse, aparecendo na nossa frente, com o Taylor e o Jeremy logo atrás dela.
Só o quê ouvimos foi o som da garrafa que a Sam segurava caindo no chão. Fiquei esperando uma reação histérica dela, mas ela não gritou, não chorou, não fez nada. Só ficou encarando os três com a expressão mais hipnotizada possível.
Aquele silêncio estava começando a ficar constrangedor.
- Ahm.. Sam? Você.. sabe quem eles são, não é? – eu disse.
E a reação histérica veio. Diferente de como eu imaginava.
- O QUÊ? BENSON, TU TÁ BRINCANDO COMIGO?! – ela berrou – é claro que eu sei quem eles são! – ela disse, me estapeando. Eu só pude sorrir, fazia algum tempo que ela não me batia.
- Ai! Tá! Então se sabe, porquê não teve um ataque? – perguntei, me livrando dos braços dela.
- E desde quando Sam Puckett é mulher de dar ataque? – ela disse, debochada. Revirei os olhos. – É só que.. eu ainda não acredito. São.. são vocês mesmos? – ela perguntou, cutucando a Hayley, como se achasse que ela fosse um fantasma. Ela riu.
- É, somos nós.
- Mas.. como? – a Sam perguntou, ainda confusa.
- Bom, eu encontrei o baixinho aí na loja de.. – o Taylor ia continuar, mas eu fiz sinal pra que ele não dissesse. — ..ele me encontrou no shopping. Começamos a conversar, e ele disse que a namorada dele era cantora. E, bom, resolvemos te ver aqui, hoje. – ele disse, sorrindo.
A cara de não-acredito-que-isso-tá-acontecendo da Sam era simplesmente hilária.
- E.. vocês viram o show? – ela perguntou, insegura.
- Vimos sim. Foi ótimo. – o Jeremy disse, dessa vez.
- Principalmente o cover. – a Hayley disse, com aquele sorriso diferente no rosto, novamente.
- Vocês.. não tem noção do quanto isso significa pra mim, vindo de vocês. – a Sam sorriu.
Saímos do clube, e fomos todos em direção ao Bushwell.
A noite estava apenas começando.
Sam’s POV
Aquela noite estava sendo muito melhor do quê eu imaginei.
Acho que o mais legal de se apresentar, é que cada vez que eu entro no palco, eu espero algo. E sempre ocorre tudo muito diferente do que eu espero. É sempre muito melhor.
Depois do show todos nós voltamos pro Bushwell. Todos nós. Eu, meus amigos, e aqueles três caras da minha banda favorita.
Confesso que eu me segurei muito pra não surtar. Eu só achei que eles deviam ver esse tipo de reação histérica todos os dias, dos fãs, então tentei agir normalmente.
Ficamos conversando por um bom tempo. Os meninos eram muito engraçados, e devo ressaltar, bonitos.
Mas eu passei a maior parte do tempo conversando com a Hayley. Ela era ainda mais incrível pessoalmente, e sinceramente eu ainda não acreditava que aquilo estivesse acontecendo comigo.
Ela era uma pessoa tão apaixonada pelo o quê fazia, e era tão pé no chão. Eu admirava muito aquilo, e esse era um dos maiores motivos por eu a idolatrar tanto.
Eles foram realmente muito legais conosco, e quando já era tarde eles tiveram que ir embora. Trocamos telefone, e combinamos de sair outro dia.
E agora eu estava no sofá, assistindo TV com o pessoal. Minha mente ainda estava longe, pensando em tudo o quê aconteceu hoje.
- É isso que me deixa feliz. – ouvi o Freddie dizer, do meu lado. O olhei, confusa.
- O quê?
- Ver esse sorriso bobo no seu rosto. Saber que você está feliz com tudo isso. Me faz feliz, também. – ele disse. Sorri.
- Para de fazer isso. – eu disse. Ele me olhou sem entender.
- Fazer o quê?
- Ficar tentando ser fofo. – eu disse, fazendo ele rir.
- Então agora eu sou fofo? – ele perguntou, divertido. Revirei os olhos.
- É, agora para com isso. – eu disse. Ele ficou pensativo.
- O que foi? – perguntei.
- Nada, é que.. eu ainda tenho uma surpresa pra você. – ele disse, um sorriso se formando nos lábios.
- Surpresa, Freddie? Você sabe que eu não gosto de surpresas. – eu disse, desconfiada.
- Não gosta? Achei que você tinha adorado o fato da banda ter ido te ver hoje. – ele disse.
- É diferente..
- Para de frescura, Sam. Vem comigo. – ele disse, me puxando do sofá.
Saímos do Bushwell e fomos em direção ao estacionamento. Freddie abriu a porta do carro que ele usou da outra vez, e eu entrei sem dizer nada. Pensei em perguntar pra onde iríamos, mas sabia que ele não diria.
Olhei no meu relógio, eram 23:00 horas. Já estava tarde, mas eu realmente não me importava.
Uns vinte minutos depois estacionamos. Quando desci do carro, reconheci o lugar. Era o mesmo parque que estivemos semanas atrás. Onde fizemos o piquenique, e.. onde o Freddie me pediu em namoro. Olhei pro anel no meu dedo, e sorri, lembrando.
- Então.. o que estamos fazendo aqui? – perguntei, curiosa. Eu gostava daquele lugar, mas não entendi o porquê de estarmos ali uma hora dessas.
- Eu não sei. – ele deu de ombros. – queria passar um tempo sozinho com você. – ele sorriu. Sorri de volta.
Nos sentamos na grama, perto do lago, novamente. Só que diferentemente daquela tarde, esse lugar era muito mais bonito á noite. As poucas luzes ainda acesas na cidade iluminavam levemente o parque.
Mas essa não era a luz mais bonita. A Lua estava cheia hoje, iluminando as árvores, o gramado, e brilhando no reflexo do lago. Aquilo tudo era muito bonito.
- Então, tá pronta? – o Freddie perguntou, de repente. Olhei pra ele, confusa.
- Pronta pra quê?
- Pra sua surpresa. – ele sorriu. Suspirei, derrotada. Ele não ia desistir disso.
- Claro, o quê é? – perguntei. Ele se levantou rapidamente.
- Fecha os olhos e fica aí. – ele disse, correndo em direção ao carro.
- Mas.. Freddie..
- NÃO ESPIA! – ele gritou. Revirei os olhos, e os fechei.
Fiquei ali, esperando. Eu não fazia ideia do era essa tal surpresa.
- E.. pode abrir! – ele disse, atrás de mim. Olhei pra ele e ele tinha um sorriso gigante no rosto, e segurava um violão nas mãos.
- O quê.. o quê é isso? – perguntei, surpresa. O violão era lindo, me perguntei de quem era.
- É um violão, oras. – ele riu. Revirei os olhos.
- Eu tô vendo. Mas de quem é?
- É seu. – ele sorriu. Arregalei os olhos.
- Meu?! Freddie, como.. como assim?
- É seu, ué. Foi isso que eu fui fazer hoje. Eu fui na loja de música do shopping, comprar um violão pra você. E lá eu encontrei o Taylor, e o resto você já sabe. – ele sorriu. Eu ainda não acreditava nisso. Quer dizer.. porque ele me compraria um violão?
- Mas, Freddie. Isso deve ter custado caro. Eu não quero que..
- Será que ao menos uma vez você pode entender que eu quero te ver feliz? Sorrindo, tendo tudo o que você deseja e merece? – ele disse, sentando ao meu lado. – eu comprei o violão, porque eu sei o quanto isso é importante pra você. Você quer aprender a tocar, não quer? – ele perguntou. Suspirei.
- Quero muito. – disse. Ele sorriu.
- Então eu vou te ensinar. – ele disse. Ergui as sobrancelhas.
- E desde quando você toca? – perguntei. Ele sorria, convencido.
- Há algum tempo. E você não é única que compõe, sabia? – ele disse. Eu não estava levando aquilo a sério.
- Ah, é mesmo?
- É. E eu vou provar. – ele realmente ia fazer isso? – eu compus essa música hoje, na verdade. Se chama “Baby Blue Eyes”. – ele sorriu, antes de começar a tocar.
Aquela era a última coisa que eu esperava do Freddie. Ele sabia tocar. E tocava bem. Só consegui ficar mais surpresa, quando ele cantou.
My eyes are no good-blind without her
Meus olhos ficam cegos sem ela
The way she moves, I never doubt her
O modo como ela se move, eu nunca duvido dela
When she talks, she somehow creeps into my dreams
Quando ela fala, de algum jeito ela entra nos meus sonhos
She's a doll, a catch, a winner
Ela é uma boneca, uma armadilha, uma vencedora
I'm in love and no beginner
Eu estou apaixonado e nenhum amador
Can never grasp or understand just what she means
Consegue apreender ou compreender o que ela significa
É meio difícil colocar em palavras o que eu sentia nesse momento. A cada segundo que eu passava com ele eu percebia que apesar de sermos diferentes em tantas coisas, o meu lugar era do seu lado.
E corava em pensar que provavelmente.. eu era o motivo por trás daquela letra.
I drive her home when she can't stand
Eu a levo pra casa quando ela não aguenta mais
I like to think I'm a better man
Eu gosto de pensar que sou um homem melhor
For not lettin' her do what she's been, known to do
Por não deixa-la fazer o que ela tem sido conhecida por fazer
She wears heels and she always falls
Ela usa saltos e ela sempre cai
Don't let her think she's a know-it-all
Não deixe ela pensar que sabe de tudo
But whatever she does wrong, it seems so right
Mas qualquer coisa que ela faça errado, parece tão certo
My eyes don't believe her
Meus olhos não acreditam nela
But my heart, swears by her
Mas meu coração jura por ela
Baby, baby blue eyes
Baby, baby dos olhos azuis
Stay with me by my side
Fique comigo, do meu lado
'Til the mornin', through the night
Até de manhã, durante a noite
Can't get you out of my mind
Não consigo te tirar da minha cabeça
Well baby
Bom, querida
Stand here, holdin' my sides
Fique aqui, segurando os meus lados
Close your baby blue eyes
Feche os seus lindos olhos azuis
Every moment feels right
Todo momento parece certo
And I may feel like a fool
E eu posso me sentir um bobo
But I'm the only one, dancin' with you
Mas eu sou o único dançando com você.
My eyes are no good-blind without her
Meus olhos ficam cegos sem ela
The way she moves, I never doubt her
O modo como ela se move, eu nunca duvido dela
When she talks, she somehow creeps into my dreams
Quando ela fala, ela de alguma forma entra nos meus sonhos.
Ele me olhava com o sorriso mais bobo do mundo no rosto. Satisfeito, esperançoso.
Eu não conseguia pensar direito, mas a única coisa que eu tive certeza naquele momento, era que eu estava completamente apaixonada por ele.
- Então.. gostou? – ele perguntou, os olhos brilhando.
Sorri, coloquei o violão de lado, sentei em seu colo e beijei seus lábios docemente.
- Amei. – apenas disse. Ele abriu o sorriso mais lindo do mundo, e me beijou novamente, nos deitando e ficando por cima de mim.
Não sentíamos malícia naquele momento. Tudo o que eu queria era ficar junto dele, e aproveitar cada momento desses.
Ficamos ali por um bom tempo, deitados na grama, conversando, rindo, olhando as estrelas.
E.. bom, discutindo também. Foi uma discussão curta, mas é que eu sabia que eu estava certa.
- Sam.. não começa com isso de novo. – ele dizia, rindo.
- Começo sim! Eu estou certa, e você errado. – disse, convicta. Ele revirou os olhos.
- Não, você está errada. A Lua não é feita de queijo! – ele disse, sorrindo. Fechei a cara.
- Pra mim é. Simplesmente.. faz sentido. – disse. Ele apenas riu, e me puxou pros braços dele.
Devem ter se passado horas, mas eu realmente não ligava.
Todos os anos eu critiquei ele por ser tão nerd, e agora eu estava ali, realmente interessada, observando ele falar das estrelas. Me contando curiosidades sobre os planetas, e dizendo que um dos sonhos dele era visitar o espaço, um dia.
Agora fazia muito sentido pra mim. Eu adorava ouvir isso. Ouvir seus sonhos, seus medos, suas manias. Todo momento que passávamos juntos, era perfeito pra mim.
E eu era grata todos os dias por ter o Freddie do meu lado. Sempre me apoiando, em todas as minhas decisões. E que ele esteve me apoiando hoje, quando eu precisei dele.
Ainda era surreal pra mim pensar que, se eu não tivesse subido naquele palco na festa da Wendy, nada disso estaria acontecendo.
Aquela noite, me levou até ele.
E ironicamente, aquela música era dos três artistas que eu mais admirava no mundo. Os mesmos que eu conheci hoje.
Vi eles além de simplesmente uma banda, eu tive a oportunidade de conhecê-los como pessoas. E eu vi que eles nada mais são do que pessoas normais, vivendo o sonho deles.
Essa experiência teve um impacto em mim. Essa noite eu realmente percebi que eu não preciso ficar tão preocupada com o amanhã, com o tempo, com o que eu vou perder.
Eu estava fazendo o que eu amava, e com as pessoas que eu amava do meu lado. Era só isso que importava.
E agora, eu me sentia confiante e pronta pra qualquer coisa.
Hoje á noite, foi apenas o primeiro passo.
Notas finais
Eu realmente espero que tenham gostado dessa capítulo tanto quando eu gostei de escrevê-lo :D
E, ah, caso alguém pergunte.
A música que a Sam cantou se chama "My Heart", e é -óbvio- do Paramore.
E a do Freddie se chama "Baby Blue Eyes" e é de uma banda chamada "A Rocket To The Moon". Eu recomendo, são músicas ótimas :D
Então é isso, LOL.
Reviews marotos? :D
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