Three Lives

1 First Mistake


Notas iniciais
EAI SEUS LINDO ♥ I'M BACK Pqp, que sdds de vcs :') Como prometido, ta aí a segunda temporada. Bjs e boa leitura

O primeiro erro de Marshall foi ter concordado em voltar pra Carolina do Sul.

Eram umas seis e poucas de uma noite de inverno.

Poucas horas os separam da aguardadíssima partida dos pais, e enquanto esperavam, a gótica só pensava em se livrar logo dos dois, para que pudesse finalmente sumir por aí, pra fazer o que quiser... Beber á vontade e fumar até que seus pulmões não aguentem mais uma única tragada.

O geek apenas queria voltar para o seu limpo e organizado quarto, onde estavam seus livros, jogos e todo o comodismo que apenas seu doce lar poderia oferecer. Enquanto a irmã se joga no mundo, ele encontra o paraíso em casa.

Já a hippie... bem, esta não pensava em nada.

Sentados na beira do píer, o trio observa o sol se pôr na praia. Todos veem a mesma coisa, porém, enxergam o mundo de forma diferente. Cada um com seu filtro de realidade.

Arthur vê, científica e matematicamente, nossa estrela mãe, cuja a distância é de aproximadamente oito minutos luz, sucumbindo aos poucos, por conta do movimento de rotação da terra. Incrível como nosso planeta, mesmo sendo tão minúsculo em escalas astronômicas já durou o suficiente pra contemplar o mesmo fenômeno tantas vezes, por 4 bilhões de anos e meio, exatos e calculados, pensava ele.

Todos esses números e escalas astronômicas o fazem lembrar de seu último jogo que zerou: Um tributo ao Star Wars (que, segundo ele, é um dos melhores filmes já criados)... Foram as sete horas interruptas mais bem gastas de sua vida. Afinal, quem precisa ir ao banheiro, comer e dormir, quando se tem um game como esse em mãos?

Necessidades básicas já não são tão necessárias assim. Santa mãe dos virgens! Como alguém pode ser tão viciado?

Enquanto isso, ao seu lado, uma certa hippie está em um universo totalmente diferente ao do primo. Com os olhos quase marejados, Mel admira a mãe natureza em seu mais belo trabalho: Perfeitamente desenhado e pintado... Nenhuma das aquarelas da mesma conseguiu expressar tamanha riqueza de detalhes. Tão suave e gentil. O universo é o mais belo artista, e nós, humanos, somos seus meros aprendizes. A gratidão transborda por seus olhos azuis e ela se vê em paz.

Ela fecha os olhos e respira fundo, relaxada. Sente o peso do ar e a superfície de sua pele em sintonia, ao mesmo tempo em que imagina um apagador “mágico” (você pode chamar isso de maconha, se preferir), que apaga a divisão entre todo o seu ser e o resto do mundo. Não há mais fronteiras entre ela e o cosmos agora.

Em contrapartida a pequena vampira, filha de Marshall, parece estar com os pés bem firmes no chão. Braços e pernas cruzadas, na defensiva, Violet observa o sol descer e se afogar na imensidão do mar. Para ela, aquilo não é apenas um pôr do sol, mas sim o fim de mais um dia em sua miserável vida.

Sim, é isso mesmo. Mais um dia de vai, e junto com ele, todas as lágrimas que ela já derramou, todas as gotas de sangue que já pingaram de seus braços, flagelados, tudo isso em vão. Mais um dia que ela não teve coragem de gritar pro mundo tudo o que pensa... Ao invés disso, se esconde, nessa pose de durona, que adora causar. Debaixo de toda a maquiagem preta sobre os olhos azuis que sua mãe lhe deu, sob suas roupas rasgadas, coturnos pesados ou um leve par de All Star, tanto faz.

Quem você quer enganar, criança? Todos sabem que debaixo desta linda máscara branca e preta há algo podre. Você não tinha nem que estar aqui – Suas vozes interiores diziam á mesma. Vozes maldosas essas, que ela herdou de seu pai – Quer diluir toda a sua frustração e rebeldia sem causa num copo cheio de álcool? Ou quem sabe num maço inteiro de cigarros? Vá em frente, é uma boa alternativa pra morrer mais cedo.

Morrer mais cedo... Ah cara! Como isso seria ótimo.

– Queridos, entrem no carro – Os devaneios do trio foram interrompidos pelo chamado ao longe de sua tia, Cake – Andem de pressa, antes que eu seja obrigada á ir sem vocês.

– Não parece ruim – Violet comentou consigo mesma

– Ora, deixe de ser rabugenta... Vai ser legal – Mel sorriu, chacoalhando a mesma – Animação!

– Jura que você tá pedindo animação para o ser mais trevoso da face da terra? – Arthur franziu o cenho – Tu é mesmo hilária.

– Ah, qual é gente – Retrucou ela – O dia tá lindo, nós estamos de férias, seus pais vão viajar e deixar a casa só pra nós três... O que mais a gente poderia querer?

– Que o mundo exploda e todo mundo morra? – A vampira deu meio sorriso, sádico

– Vai começar... – Seu irmão revirou os olhos

– Já sei! – Continuou – Sumir deste lugar, pegar meio mundo e fumar até pegar câncer?

– Violet... – Ele se virou pra mesma

– Morrer... – A Maria das trevas não para

– Entrar logo no carro e parar de falar besteiras? – Seu pai chegou atrás – Acho que a tia de vocês já chamou umas cinquenta vezes.

– Não, tenho uma ideia melhor – Disse ela – Que tal você parar de encher meu saco?

– Já conversamos sobre isso, mocinha – O vampiro suspirou – Você terá tempo o suficiente pra se ver livre do mala do teu pai... Mas enquanto eu estiver aqui, você ainda finge que me obedece.

Dando-se por vencida, bufou em protesto. Ele sorriu.

– Agora, pro carro – Disse, por fim – De pressa, antes que a gente perca o voo e eu seja obrigado a estragar o plano de vocês de fazer cagada enquanto estiver fora.

– Arthur! – Exclamou a hippie – Você contou pra ele?

– Nem sei porque tá surpresa – Disse a vampira – O trabalho desse otário é estragar planos alheios

– E ser extremamente chato, não se esqueça – O dito cujo acrescentou – Só estou cuidando pra impedir que as duas se metam em problemas... Que eu serei obrigado á solucionar, como sempre.

– Isto se chama responsabilidade – Corrigiu Marshall – Coisa que eu nem pensava em ter quando tinha a idade de vocês.

– Nas histórias que a tia Marcy conta, você era muito mais legal – Violet revirou os olhos

– Eu era muito mais irresponsável e inconsequente, você quis dizer – Corrigiu novamente.

– E não é a mesma coisa? – Ela indagou, arrancando um sorriso involuntário do pai.

– Você não tem jeito mesmo... – Ele balançou a cabeça, abrindo a porta do carro.

– Espero nunca virar adulta – Disse consigo mesma, seguindo finalmente o pedido de seu velho.

– Ele tenta parecer um adulto responsável, mas continua o mesmo adolescente imbecil por dentro – Cake comentou, no volante.

– Percebemos – Riu Arthur – Mas o deixem acreditar

– Eu ouvi isso! – Protestou ele, colocando a bagagem no porta-malas.

– Acho que foi a intenção, maninho – Marcy chegou, com mais bolsas.

– O que é preciso pra ser um pouquinho mais respeitado aqui? – Questionou ele, contrariado.

– Primeiro de tudo, seja menos Marshall – Fionna bagunçou seu cabelo – Seu nascimento foi o primeiro erro na tentativa de ser respeitado.

– Nossa, valeu – Ele levou a mão ao peito.

Um sorriso se formou nos lábios da coelha, seguido por um rápido beijo vindo do mesmo. Uma imensa cara de nojo veio de Violet, que quase se contorcia ao ver toda aquela demonstração de afeto. É amor demais para uma darkssexual como ela suportar.

O momento foi irritantemente interrompido pela buzina vinda do carro ao lado. Era Finn, com sua paciência maior que o mundo.

– Será que dá pra vocês andarem mais rápido aí? – Gritou, com a mesma cara amarrada rotineira.

– Talvez se você os ajudasse... – Flame, outro poço de plenitude, resmungou

– Ora, vá você – Respondeu no mesmo tom

– Eu não estou incomodada, reclamando feito um velho

– Mas vocês se amam mesmo, viu? – Fionna não segurou o riso

– Acho que se demorasse mais um minuto os dois já estariam se engalfinhando – Marshall fechou o porta malas – Tudo pronto.

– Ufa! Podemos ir? – O Zé pé no saco jogou as mãos pro céu

– Deus é pai! – Exclamou a Maria nervosinha

– Que Deus, amiga? – Joana ateia indagou

– Cake, por favor – Marcy pediu, montando na moto — Não começa

– Gente, cadê o Chris? – Indagou Jake, que aparentemente foi o único a ter notado seu sumiço.

– Aquele ali correndo em nossa direção feito um retardado mental serve? – Respondeu Babi, se segurando pra não rir.

Imprudentemente descendo a avenida e quase sendo atropelado, com sacos de fast food nas mãos e um sorriso bobo no rosto vinha Chris, a eterna criança (Por que você pode chegar atrasado, perder o voo e quase morrer, mas passar fome jamais!). Sob a broca de Finn e os resmungos de Flame, ele finalmente entrou no carro e a viajem pode seguir.

Mesmo após 14 anos, todos ainda se perguntam como um casal símbolo da ignorância pode gerar uma filha tão doce e pacífica quanto Mel. É uma das coisas que nunca iremos entender.

E após alguns longos minutos no trânsito (que pareciam durar séculos quando se é obrigado a escutar discussões e xingamentos em forma de amor), nossos heróis finalmente conseguiram chegar, inteiros, porém atrasados, ao aeroporto.

Violet começava a esboçar um mínimo sorriso no canto dos lábios só de pensar que finalmente se livraria dos pais... Por dias! A felicidade quase transparecia debaixo daquela expressão fechada e vestes negras.

Mais rápido do que a luz, se encaminharam todos para área de embarque, onde se despediram do casal 20. Com direito á drama e tudo.

– Eu vou sentir tanta saudade – Fionna choramingava, dando um abraço apertado em suas três crias. (Sim, porque Mel era praticamente como uma filha pra ela)

– Tá bom mãe, chega – Violet revirava os olhos – São só alguns dias, não é o fim do mundo.

– Relaxa, tia – Mel sorriu – Divirta-se!

– Eu tomo conta das três pra você – Arthur prometeu

– Das três? – Sua mãe desfez o abraço, olhando para o mesmo.

– Sim, Mel, Violet e tia Marcy – Respondeu, seriamente – Quem a senhora acha que é o responsável aqui?

Exceto Marceline, todos riram, mas era a pura verdade.

Despedidas feitas, abraços dados (junto com milhares de conselhos inúteis que as mães dão), entraram Marshall e Fionna pela porta do avião, que se fechou quase que em seguida. Agora a merda já estava feita. Atrás do vidro da sala de espera, eles observaram a enorme aeronave deslizar pela pista de decolagem e levantar voo, elevando-se no céu até sumir.

Sabe quem mais sumiu junto? Exatamente, a pequena monstrinha. Mas é claro que eles só notaram quando já era tarde demais.

Notas finais
Violet: Discípula de Marshall na arte de fazer merda :v Arrasou, bi! Beijos e até semana que vem!