Notas iniciais
Bom, antes de começar tenho que dar uns avisos: Tive umas ideias legais sobre a divisão dos capítulos... Vou começar cada POV com uma música característica pra cada personagem, seguido de uma fotografia que descreve a mesma :3 Não sei se vocês vão curtir a mudança, mas ok. Não me matem pelo atraso, plz... Tive uns contratempos aí, junto com muita procrastinação, seguido por uma onda enorme de indisposição. Mas agora tá tudo ok de novo, prometo postar com mais frequência. Beijos, boa leitura. Ps: Bora começar com a emo gótica punk revoltada, Violet

Não me deixe triste, não me faça chorar

Às vezes o amor não é suficiente

Quando o caminho se torna dificil

Eu não sei por quê

Continue me fazendo rir

Vamos ficar loucos

O caminho é longo e nós continuaremos

Tente se divertir nesse meio tempo

•

Venha e dê um passeio pelo lado selvagem

Deixe-me te beijar na chuva

Você gosta de garotas insanas

Escolha suas últimas palavras

Esta é a última vez

Porque você e eu

Nós nascemos para morrer

(Lana Del Rey – Born To Die)

Eles podem até ter conseguido me arrastar contra minha vontade pra esse lugar, mas se estavam pensando que iriam me prender aqui por muito tempo, cercada de gente que eu não conheço e nem ao menos gosto, estão muito enganados.

Fala sério, justo eu, ficar nesse aeroporto, confinada e cercada de gente que detesto e nem ao menos conheço, sem fazer absolutamente nada? Nem morta. Vou vazar na primeira brecha que me aparecer, agora que finalmente me livrei dos meus pais, curtir é minha obrigação.

Eu corria dentro daquele aeroporto procurando a saída, derrubava malas das mãos de desconhecidos, os empurrando, com direito á pisada no pé e cotoveladas. Estava bem nem aí, pra falar a verdade, só queria minha liberdade.

Quando enfim pensei ter avistado um escape, forcei a mim mesma um pouco mais de persistência. Não podia ser impedida por ninguém, principalmente pela minha "maravilhosa" família, mesmo que meus braços e pernas implorassem por descanso.

Porém, estava fora de cogitação parar, eu precisava me libertar daquele inferno chamado de "união em família" ou "amor familiar". Preciso dos meus maços, minha bebidas, preciso de coisas que me tirem da realidade, que verdadeiramente, é uma bosta

– Assim como você, Violet – Dizia meu psicológico, mexendo comigo mais uma vez – Não passa de uma Maria droguinha perturbada.

Eu estava quase desistindo, meus pulmões fracos pediam por descanso, meu corpo inteiro implorava por isso. Cogitava seriamente a hipótese de me dar por vencida, cair no chão do aeroporto e lá ficar... Talvez ninguém nem notasse que tem uma coisa semi falecida ali, jogada.

Foi aí que avistei a saída, uma chama de esperança e alívio cresceu em mim. Vamos lá, fraca, só mais alguns passos. Corri o mais rápido pude para alcançá-la, porém, meu caminho foi bloqueado por um dos seguranças, que se colocou na minha frente, lançando-me um olhar sério.

– Criança, onde estão seus pais? Sabia que não deve correr aqui? – Sua voz era quase tão medonha quanto sua cara.

– Foda-se – Murmurei rapidamente, esquivando pela primeira brecha que me apareceu.

Isso pode ser considerado um surto de coragem, e eu mereço uma medalha por isso, porque fala sério: Encarar uma montanha em forma de gente como aquele cara não é pra qualquer pessoa sã, não.

Apenas corra – Foi meu único pensamento – Não importa pra onde! Apenas. Corra.

Sei que é um erro contar vitória antes do tempo, que minha família e seguranças ainda podem estar no meu encalço e que meu corpo recebeu uma carga de enorme e oportuna de adrenalina que eu deveria aproveitar, mas se tem uma coisa que meu corpo precisa agora é descanso. Mais do que o Arthur precisa de jogos, pra você ter uma ideia.

Desabei em uma parada de ônibus, há alguns quarteirões de distância. Por mil Usain Bolts, eu não sabia que podia correr tão rápido! Estava consideravelmente longe do aeroporto, quando pude finalmente respirar tranquila.

O ar volta aos meus pulmões, agora é minha garganta que suplica por água.

Não sei se eu contei á vocês, mas há três coisas que eu herdei do Sr Marshall: 1 – A palidez, magreza e os cabelos escuros; 2 – O hiper drama insuportável, com direito á rebeldia sem causa, paranoias e vozes maldosas na cabeça; 3 – O azar crônico.

Ele é um magrelo depressivo esquizofrênico azarado. Basicamente, sou um Marshall piorado, mais novo, com os olhos claros. Que maravilha, adoro essa vida.

Sabendo deste terceiro item na lista, você já pode imaginar que o ônibus levou séculos pra chegar, e não se via em um raio de quilômetros um lugar em que eu pudesse matar minha sede, antes que ela me matasse. Por sorte (isso é raro), meu celular estava cheio de sinal, e eu coloquei minha cabeça pra pensar (isso também é raro).

Desbloqueei a tela: Uma chamada perdida – Tio Finn (Aposto que o obrigaram á ligar)

Duas chamadas perdidas – Arthur (Me dá paz, moleque insuportável)

Cinco chamadas perdidas – Tia Marcy (Dramática...)

Nove chamadas perdidas – Tia Cake (Essa daí já deve estar chamando a polícia)

Uma nova mensagem – Mãe (UÉ)

Abri a mensagem:

“Oi, querida... Seu pai disse pra que esperássemos que o avião chegasse na Carolina, mas já não estou me aguentando de saudade! Está tudo bem aí? Espero que não esteja dando trabalho á sua tia.

Bj, te amo.”

Me ama por enquanto, né coelha? Coitadinha, mal sabe o que tá rolando, e muito menos a filha que tem. Fechei tudo, voltando á tela de início e tocando o tópico de discagem. Vamos lá sorte, eu sei que você me odeia, mas esteja do meu lado só dessa vez e faça com que eu, pobreza em pessoa, tenha créditos.

Digitei o número de um velho de amigo de satanagem – Tanto “ta” quanto “sa”. Espero que você tenha pegado isso, porque eu me senti a rainha dos trocadilhos (Menos, Violet).

Começou a chamar, suspirei aliviada. Quatro toques foram suficientes pra atender.

– Vampirinha... – Ele atendeu com o mesmo tom sacana

– Fala, seu delinquente – Saudei-o, com todo o amor – Cara, tu não sabe como eu to feliz de escutar tua voz

– Nah, eu sei que você me ama — Ele riu – Mas deixa eu adivinhar: Se meteu em problemas mais uma vez e precisa da minha ajuda?

– Quase isso... Preciso da sua ajuda, mas é pra criar o problema.

– Tu é insana, garota – Seu tom deixava claro que tinha gostado da ideia – Você ainda me deixa louco com isso – Murmurou pra si mesmo – Ok, explica isso direito.

– Bom, meus pais saíram de viajem e eu estou totalmente livre deles por tempo – Comecei – Então, como ninguém merece ficar trancada em casa nessa fodendo noite de sexta, eu fugi do aeroporto, e isso me deu umas ideias.

– Essas ideias envolvem foda? – Ele indagou, na lata.

– Você sabe quais são meus conceitos de diversão – Respondi

– Certo, me convenceu – Ele deu uma risada gostosa – Chamo toda sua matilha de delinquentes?

– Não, só o nosso pessoal... do subúrbio mesmo – Respondi – Aqueles imbecis da zona nobre me dão nos nervos. Principalmente aquele imbecil do Klaus... Eu sei que é seu irmão, mas... Puta que pariu, aquele moleque é um merda.

– Nem me lembre... Burgueses... – Eu não o via, mas tinha certeza de que estava revirando os olhos – Aonde você tá?

– Ponto de ônibus, cinco quarteirões antes do aeroporto

– Porra, tu andou tudo isso? – Ele cuspiu as palavras – Nunca imaginei que uma magrela como você aguentaria tanto!

– Eu aguento muito mais do que pareço – Não foi minha intenção, mas percebi que isso soou sujo pela risada que ele deu. Meninos... Porque tão idiotas? É por isso que eu corto pros dois lados.

– Se você tá dizendo... – Ele recuperou o fôlego, desviando o assunto – Está cada vez mais frio, e de noite só piora. Quer que eu leve sua jaqueta? Você esqueceu aqui da última vez.

Ah... A última vez. Ainda posso sentir o cheiro das memórias.

– Owwn, que gay... Se preocupando comigo – Não dá, eu tinha que tirar com a cara dele.

– Claro, fraca como um mosquito do jeito que tu é... Qualquer vento frio já te deixa em coma.

– Devon... – Respirei fundo, puxando a paciência – Vai se foder, na moral.

– Também te amo – Disse ele, com voz de sorriso – Tchau.

– Morre – Desliguei, sorrindo também.

Eu achava que o Arthur era o ser mais idiota da terra (e o que mais me tirava do sério), até conhecer este ser. A diferença é Devon tem (bons) gostos em comum, me faz esquecer do mundo e ainda por cima é um gostoso. Me desculpem os conservadores, mas uma das melhores coisas da vida são assim.

– Só se for pra você, sua pirigótica – Novamente, minha própria mente me perturbando. Eu precisava de um cigarro ou qualquer coisa que me deixe “alta”... Só assim pra calar a boca desta infeliz que é minha consciência. Vou dar um nome pra ela.

O que fazer quando seu pior inimigo está dentro de você? Pra matar ele, eu também preciso ir junto (E nem sempre isso me parece ruim).

Depois de encerrada a chamada, resolvi arrancar o chip do celular. Não quero ser incomodada pela minha família maravilhosa enquanto tento viver minha vida.

Outra coisa que vocês não sabem sobre mim é que, quando eu começo a pensar sobre alguma coisa, esse pensamento me leva á outro, que traz mais outro, e assim vai. E quando vejo, estou há tempos olhando pro nada, pensando em um milhão de coisas. Ás vezes gesticulando, e falando sozinha.

E é por isso que as pessoas acham que eu sou louca. Elas não deixam de estar certas, pelo motivo errado.

E foram nessas viagens que eu passei longos minutos, sem nem notar, quando Devon e os outros palhaços que eu chamo de amigos chegaram, tirando-me do transe.

– Ihh, a lá a noiada – Eu reconheceria a voz da Olivia em qualquer lugar – Nem fumou ainda e já tá viajando.

– Nossa mina, minha mão vai viajar direto pra sua cara, – Respondi, indo na direção dos mesmos. Cara, fazia tempo que eu não via essa projeto de piranha... E que falta que eu sentia dela nos rolês. Amigo quando arruma namorado é foda.

– Pode falar, vai... Eu sei que você estava morrendo de saudade da pirigótica aqui – A mesma desceu da moto e me entregou o capacete – Pode ir com seu crush

– Crush? – Forcei a risada, tentando não deixar transparecer que isso me deixou levemente constrangida – Você não perde a oportunidade de ficar calada, né? – Sorri, recebendo da mesma.

– Tá apaixonadinha – Ela me cutucou, provocando.

– Não fala bosta, garota – Revirei os olhos, colocando o capacete – Olha, só não dou na sua cara, porque tenho medo de deixar pior do que já tá.

– Uhhh, se eu fosse tu não deixava – Mattew provocou.

Matt é o maldito sargitariano com ascendente em áries, que anseia por uma briga e adora uma treta. Não que eu acredite nessa baboseira de signos, mas que esta criatura é um imã de problemas... Ah, isso é. Daquele tipo de amigo em que, onde tem merda, ele tá.

E é exatamente por isso que eu adoro sair com ele.

– Cala essa boca, Mattew – Erik, que também não era outro exemplo de plenitude, reclamou – Será que a gente pode ir logo?

– Vem aqui me calar – Respondeu o outro, incitando a discórdia

– Talvez eu vá mesmo – Ele se virou pro dito cujo – Vou calar essa sua boca... rosa e modível... Vem cá, me beija – De repente, todo o clima de pré briga se dizimou. Só mesmo esse palhaço pra fazer isso.

– Idiota – Matt revirou os olhos, constrangido. Não sei de quem eu ria mais: do viado do Erik e sua paixão platônica ou da cara que ele fez.

Eu gostava tanto daquela bicha que até pegaria ele, se ele gostasse da fruta. O que, infelizmente pra mim, não é o caso. Pensando bem... Quem dessa rodinha de amigos eu não pegaria?

– Ok, se vocês não se importam – Me pronunciei – Eu realmente gostaria de vazar logo daqui e parar de enrolação.

– Finalmente alguém falou minha língua – Devon jogou as mãos pro alto – Sobre aí – Disse, ligando a moto.

– Shippei! – Gritou o purpurinado, entrando numa 4x4 que eu nunca havia visto.

– De quem é o carro? – Sussurrei, ignorando o comentário.

– Além de mim, Erik é o único maior de dezesseis que tem habilitação – Ele disse como se fosse óbvio – Daí ele pega do irmão de vez em quando.

– E ele sabe disso? – Perguntei, já sabendo a resposta.

Ele sorriu e balançou a cabeça, dando partida na moto e rasgando o asfalto em uma direção qualquer, o destino era totalmente desconhecido, não que alguém esteja se importando muito com isso.

Abri uma playlist qualquer no celular e coloquei meus fones... É uma coisa minha: nos momentos em que eu sou espontânea e verdadeiramente feliz, costumo escutar uma música que gosto, pra criar uma trilha sonora do momento. Assim, esse som vai sempre guardar algo especial. Fofo, né?

Nem tanto. Ás vezes eu quebro a cara com algumas pessoas e acabo deixando de escutar uma música, por conta das lembranças que ela traz, das coisas boas que acabo tendo que esquecer. O sofrimento é inevitável, mas a gente pode amenizar isso.

Enfim, não tô aqui pra contar das minhas lágrimas. Hoje não.

Neste exato momento, eu só quero me concentrar no frio na barriga que eu sinto quando Devon acelera aquela moto numa rodovia livre... Em como meus cabelos voam com o vento, tão vividamente quanto a batida violenta, somada á voz rasgada de Cobain, explodindo dentro da minha cabeça. É tudo o que eu sinto.

Um ídolo morto revivendo meu momento. Mas que coisa...

Uma euforia cresce dentro de mim, não consigo segurar o sorriso. Ele me olha pelo retrovisor, e um sorriso surge em seus lábios também. Eu o aperto, é apenas uma deixa pra ir ainda mais rápido. É como se houvessem sido injetadas várias seringas de adrenalina com endorfina na minha corrente sanguínea. Ah não, chegou o refrão... Acho que eu não vou me aguentar dentro de mim.

“Com as luzes apagadas é menos perigoso

Aqui estamos nós agora, nos divirta

Me sinto estúpido e contagioso

Aqui estamos nós agora, nos divirta

Um mulato, um albino, um mosquito

Minha libido

Sim

Hey... yay

•

Sou o pior no que faço de melhor

E por esta dádiva me sinto abençoado

Nosso pequeno grupo sempre existiu

E sempre existirá até o fim”

E aí pronto, o single mais famoso do Nirvana vira trilha sonora da minha delinquência. A partir de hoje, Smells Like Teen Spirit cheira além de espírito adolescente, como a própria música sugere, á perigo, vento na cara, cabelos voando e aquele sorriso (Esse último vou guardar forte na cabeça).

Na sequência, veio Come as you are, Lithium e Drain You, todas da mesma banda de porralocas que eu tanto amava. Acho que eu estava viajando novamente, já que nem notei quando diminuímos a velocidade e finalmente paramos em algum lugar. Eu não ligava pra onde eu estava, desde que estivesse com eles.

Arranquei os fones e desci da moto, olhando em volta. A área principal da cidade, onde fica o aeroporto, estava suficientemente longe pra eu me considerar oficialmente livre da minha família querida. Havia voltado para a parte afastada chamada subúrbio, distante do olhar dos magnatas ricaços como meu avô, e gente ruim do tipo.

Ali estavam as crianças sujas e ignoradas pelos burgueses, que só querem se divertir e fugir um pouco da realidade que as persegue. Não demorou muito pra reconhecer o lugar onde me encontrava: entre as vielas londrinas, num canto que fica meio escuro e esquecido quando anoitece, há um barzinho. É lá pra onde menores de idade podem ir á um universo paralelo, sem a supervisão constante da polícia ou coisa do tipo. Um paraíso dos perturbados.

E é claro, foi pra lá que nos encaminhamos.

Notas finais
Tutorial de como ser uma delinquente: 1 - Seja a Violet; 2 - Pronto. Desejem sorte pra Marcy, que vai ter que aturar essa esporrinha por uma semana inteira ahsuahu Ela vai precisar... E muito. Beijos, até semana que vem! o/