This isn´t the end

9 Se o fim está próximo, ninguém sabe.


Notas iniciais
Oi, meus queridos! Estava meio sem ideias, então levei mais um tempinho para escrever, ahahah Espero que gostem! Beijinhos

Fico repassando os eventos da noite repetidas vezes tentando achar onde errei. Mas não acho que tenha feito algo errado; Richard não podia simplesmente dar opinião na minha vida depois de todo esse tempo ausente, muito menos apresentar a mulher dele (que claramente já me odeia) depois de três dias.

Até tinha esperanças que, talvez, desse certo, mas no fundo, sabia que eram falsas. Estava bem sem ele, e iria continuar assim.

Os dias passam, seguindo a mesma rotina, mas não consigo deixar de pensar que trabalhar está sendo muito cansativo. As provas finais do semestre também chegaram, e forço-me a estudar pelo menos um pouco- não que tenha funcionado- mas acredito que fui acima da média em algumas matérias. As palavras de meu pai voltam à tona durante as semanas, pois qualquer pessoa normal trocaria o emprego de garçonete por tempo para estudar e entrar numa faculdade.

Tinha evitado Richard ao extremo, e foi efetuado com sucesso, tanto que ele e Jane foram embora antes do esperado. Ele até passou para dizer tchau no meu trabalho, mas como toda pessoa racional, eu me escondi. Eu admito que prefiro evitar o conflito do que enfrentá-lo, por um tempo pelo menos. Honestamente, não estava afim de aguentar ele ou a mulher dele tão cedo. Embora, ainda queria conhecer meus irmãos, ou meus avós. Um dia, talvez.

Logo afasto esses pensamentos, pois chega o aniversário de Nick, estou realmente precisando de um dia com meus amigos, ou no mínimo, de folga.

Marco de me encontrar com eles na pista de skate, na frente da praia, onde os meninos andam. É um lugar bem legal, na verdade, é grande, com vários grafites coloridos. Encontro-me com Lou, e nos sentamos na beirada de uma das pistas, onde Nick e Caleb estão. Acho incrível como os dois viraram melhores amigos tão rápido; os dois agem como se fossem amigos a anos, e não alguns meses; e acho que até comigo, Caleb virou amigo muito mais rápido do que esperaria.

Odeio admitir, mas os dois são bons andando de skate. Tenho vontade de ir lá e empurra-los, embora eles caíram sim, o que tornou a situação mais engraçada. Mas ainda assim, não sei como eles conseguiam fazer todas aquelas manobras; se fosse eu, em cinco minutos já teria quebrado o braço. Não aguento e pego a minha câmera polaroid que trouxe em minha bolsa, e espero o momento certo. Vejo os dois com os skates em mãos, dando um abraço como se fossem irmãos, e os grafites coloridos no fundo e então tiro a foto. Tenho que admitir, a foto ficou linda.

Passamos bastante tempo lá, afinal, o aniversário era de Nick, e ele merecia fazer o que quisesse. Quando eles finalmente cansaram, dou um feliz aniversário direito para ele, e caminhamos em direção aos carrinhos com comida, à beira da praia. Nick fica abraçando e beijando Lou com tanto carinho que me faz sentir incrivelmente feliz por eles. Sem brincadeira, parecem que nasceram um para o outro. Um dia, juro, que ainda estaria no casamento deles.

Vamos até uma barraquinha com doces e é tudo tão lindo, que quero comprar todos. Lou e Nick pedem um grande pote de sorvete com duas colheres para dividir e fico pensando no que comprar- pareço uma criança de cinco anos- mas pelo menos não sou a única- Caleb consegue ser mais animado com doces que eu.

–Caleb. Olha aquilo, Caleb!! –Digo apontando para um algodão doce enorme e rosa numa vitrine. Percebo o divertimento de Louise e Nicollas ao nos observar. Mas era tudo tão lindinho! – É isso, não me importo que aquilo é maior que a minha cabeça, eu vou pedir aquilo.

–Tão injusto! É o último! –Ele diz, rindo. Consigo convencê-lo a me deixar ficar com o algodão doce, e ele pede um sorvete. Estava me segurando para não pedir um pedaço.

Ficamos nós quatro na frente das barraquinhas; Lou e Nick dividiam o sorvete deles, conversando baixinho em francês, e não me segurei em tirar outra foto instantânea deles. Dou meu doce para Caleb segurar- com insegurança, obviamente-, e tiro a fotografia, que ficou linda novamente. Guardo-a em minha bolsa junto com a outra, que havia tirado dos meninos.

Nos afastamos um pouquinho dos dois, pela privacidade mesmo; falo que já voltamos. Eu e Caleb trocamos algumas palavras, enquanto guardo a câmera com cuidado para não quebrar nada.

Mas quando viro, vejo uma cena realmente cômica: Ele pega um pedaço de algodão doce e colocou encima dos lábios, imitando um bigode, e me encarava com uma careta. Não pude evitar de rir, pego aquele pedaço e como. Logo depois, ele me oferece o sorvete dele (finalmente!), mas quando vou tomar, ele empurra-o na minha cara com uma mão, e com a outra ele puxa minha touca para baixo, cobrindo-me os olhos. Pego o sorvete em minhas mãos e faço o mesmo nele, passando em toda a sua face. Éramos muito idiotas, infantis. E eu gostava disso.

Tiro a touca, arrumo meus cabelos e limpamos nossos rostos, sem muito sucesso. Nos encontramos com Nick e Lou, que estavam sentados de frente da praia, abraçados. Sinto até uma pena de interrompê-los, mas eles se viraram para nós de um jeito ou de outro.

Vamos caminhando até o local onde alugam-se bicicletas, e alugamos quatro delas, uma para cada. Iríamos até o final da praia, onde ficavam as grandes rochas, e pegaríamos uma estradinha de pedras, que quase ninguém conhecia, como sempre fazíamos quando éramos menores.

Vamos nos afastando, até não avistamos mais ninguém, além de nós mesmos. Por um tempo, ando do lado de Nick e ficamos batendo um no outro com as bicicletas, igual a como éramos crianças. Algumas pessoas já questionaram se eu sentia alguma coisa por ele, mas sinceramente, não. Ele é praticamente um irmão para mim, e não há ninguém que discorde que Lou e Nick são feitos um para o outro.

Depois de um tempo (e várias quase caídas), Nicollas vai para o lado de Louise e eu vou para trás. Nick já havia me dito um dia que simplesmente amava de observar Lou, mesmo quando ela não notava. De tanto observá-la, que me apaixonei por ela, ele me disse uns meses atrás. Na verdade, antes de conhecermos Caleb, eu interpretava o papel de amigo e amiga de Nick. Ele me contava todas as merdas que havia feito, que não queria contar a sua namorada, mas desabafava sobre o tanto amava ela, e essas coisas.

Percebo que já o sol já está a se pôr, e estou esperando para tirar uma foto do horizonte. Mais ou menos na metade do percurso, onde é uma subida, tem um lugar perfeito para isso – as vezes até ia ali sozinha- mas sabia que meus amigos não eram muito chegados a isso, então digo para eles irem na frente que logo os alcançava. Caleb se ofereceu a ficar, mas digo que não é necessário, pois admito que prefiro ficar ali sozinha mesmo.

Passam-se uns quinze minutos e saio. Pelo jeito, eles já estavam lá na frente, pois só os encontro novamente na praia, encima das rochas. Me sento entre Lou e Caleb e ficamos conversando um pouco, olhando para o mar.

–Vocês lembram onde colocamos nossos nomes? –Lou pergunta, aí que me lembro disso.

–Nomes? –Caleb pergunta. Ele era o único de nós que não estava presente no dia, anos atrás.

–Entalhamos nossos nomes em uma das rochas, só não lembramos exatamente onde. –Respondo. Olho para Nick e trocamos um olhar. Lou havia me contado que o primeiro beijo deles tinha sido ali, então imagino que os dois queiram ficar um tempo sozinhos- Vou procurar. Caleb se importa de vir comigo?

–Hm, não. –Ele desce e me acompanha, enquanto nos afastamos.

–Tem alguma ideia de onde possa estar? –Pergunta ele, franzindo as sobrancelhas.

–Sei exatamente onde está, e os dois estão ficando lá. –Digo, rindo. –Mas não se preocupe, depois colocamos teu nome lá também.- Falo e me sento em outra rocha, e ele se senta ao meu lado.

–Ah, claro. –Ele diz com um sorrisinho.- Hm, Kate, eu queria falar com você.- Noto que ele fica mexendo freneticamente o anel que usa em sua mão direita, o que ele faz quando está nervoso.

–Pode falar. –Respondo, meio sem reação.

–Queria saber se estava tudo bem entre nós, depois de... você sabe. Nunca quis te magoar, de verdade. Podemos continuar amigos, certo? –Sinto um alívio instantâneo ao ouvir isso.

–Sim, Caleb, por favor! Sinto tanto sua falta. Deixamos tudo aquilo para trás, sim?

–Sim, com certeza. –Ele diz, abrindo um sorriso, enquanto me envolve num abraço apertado. Parece que um peso enorme acabou de sair de minhas costas e é tão libertador.

Permanecemos ali e perco a noção do tempo, mas estou tão feliz e aliviada. Ficamos rindo e fazendo graça, e é tão bom ter isso de volta!

–Quanto você me paga para eu te pegar no colo? –A conversa chegou a esse ponto.

–Eu te pago para você não fazer isso. –Respondo a ele.

–Por isso mesmo vou fazer. –Grito em protesto desesperadamente, mas não adianta em nada; quando vejo estou em seus braços.

–Leb, seu desgraçado! Me põe no chão! –Grito. E daí, que eu tinha medo de altura?

–Tem medo de altura, que fofinha. Mas você cai direto, está se contradizendo. –Para me assustar ainda mais, ele me solta e me pega de novo no ar.

–Eu vou te matar, Caleb! –Digo, e ele finalmente me põe no chão. Finalmente.

–Lembra, eu disse que nunca ia te deixar cair. –Ele diz, rindo.

–Ah, sim, como lembro.

Percebo que Lou e Nick estão nos chamando, então descemos da rocha que estávamos e vamos caminhando pelo caminho de pedras cinzas. Normalmente na Europa, não é comum de ter areia branquinha e fina, e sim pedras. Naquela parte da praia, ainda mais.

Ao andar, reparo no restinho de claridade do sol, que continua lindo. Pôr do sol nunca deixam de ser lindos.

–Kate, veja o que eu achei. –Nick fala para mim, apontando para uma bola de futebol de borracha. –Acha que consegue ganhar?

–Eu sempre ganho de você, Nick. –Rio. Não estava brincando quando dizia que também era amigo dele. Eu jogava futebol. Quer dizer, pelo menos conseguia chutar uma bola. Mas até Lou entrava na brincadeira às vezes.

Fico na frente dele e começo chutando a bola de frente para o mar, e assim ficamos. Quando Nicollas era mais baixinho, era mais fácil de ganhar, mas agora com os seus 1,80m, e porte forte, era muito mais difícil. Tentei evitar ao máximo me molhar, mas foi impossível, pois a bola ia parar inúmeras vezes no mar, assim como nós. Foi água até acima de meus joelhos, mesmo com as calças jeans dobradas, fiquei encharcada- além de meu pé, que meus tênis all-star brancos não suportaram tanta água.

Depois de um tempo, meus outros dois amigos também foram, e foi realmente muito divertido. Lou era um desastre, mas não deixava aquilo impedi-la; era bem engraçado, e ela ficou mais molhada que todos, da cabeça aos pés.

Já Caleb era impossível de jogar, pois sempre que encostava na bola, ele me segurava por trás, para que não pudesse me mover, e no caso, Nick que, teoricamente, “ganhava”, enquanto Lou aplaudia. Parecia um pequeno complô contra mim, mas foi realmente engraçado.

Engraçado só não foi sentir o vento da noite em nossas roupas molhadas, então os meninos, depois de várias, eu digo, várias, tentativas, acenderam uma pequena fogueira, não sei como foi possível. Acho que o fato de Lou ter um isqueiro na bolsa- caso isso acontecesse de novo, pois já tínhamos feito isso uns tempos atrás- ajudou bastante a aumentar o tamanho da chama.

Achamos nossos nomes entalhados na rocha, e adicionamos o nome de Caleb ao lado dos nossos. Noto que já são quase meia noite, e como esse dia passou rápido, tão rápido que não queria que acabasse. Até me surpreendo, pois nunca tínhamos ficado ali até tão tarde.

Passa-se mais tempo ao ficarmos conversando e rindo como não fazíamos a tempo, até que Lou diz:

–Gente, acho que eu e Nick vamos embora. Vamos dar uma passadinha lá em casa, chez moi. Querem ir? –Olho de relance para Caleb, e sei que ele pensa a mesma coisa que eu.

–Acho que vamos ficam um pouco mais aqui. –Diz, ele.

Nos despedimos deles, e dou um outro feliz aniversário para meu amigo. Vejo os dois partindo com as bicicletas, que teríamos que devolver de manhã, e sentamos em volta da pequena fogueira que estava começando a se apagar.

–Então, Leb, como vai Julianne? –Pergunto, com naturalidade. –A última vez que a vi, foi quando cai do terraço. –Falo, rindo. –Céus, como eu consegui cair?

–Ah, está bem. Eu acho, pelo menos. Ela terminou comigo. –Ele diz, mas não aparenta estar muito abalado, não em minha frente.

–Aí, Caleb, eu lamento. –Sentia pena, mesmo.- Já tentou conversar com ela?

–Ah, já. Mas não era para ser, acho eu. – Ele fala dando de ombros.

–Ah, acho que acontece. – Falo, e ficamos um pouco em silêncio. –Mudando de assunto, vamos levar as bicicletas de volta amanhã de manhã?

–Vamos, claro. –Bem quando ele fala isso, a fogueira se apaga por inteiro. Meus olhos ao pouco vão se acostumando com o breu, mas o frio de minhas roupas úmidas ainda me consume.

–Aí, Deus. Merda, a Lou levou o isqueiro. Quer voltar? – Falo.

–Ah, mas está tão bom aqui. Só se você quiser.

–Não quero, na verdade. Só estou com frio.

–Quer meu casaco? –Ele estende o moletom para mim e eu aceito, pois estou congelando naquele vento.

Ficamos conversando mais um pouco em silêncio, deitados fitando o céu, até que, sem perceber, adormecemos; mesmo naquelas pedras duras, que de repente pareceram tão confortáveis.

–Caleb. Caleb. –Sussurro. Havia totalmente perdido a noção do tempo. Acordo ainda nas pedras, e percebo que seus braços me envolvem pela cintura e ele descansa sua cabeça em meu ombro, mesmo que adormecermos apenas um do lado do outro. Ele descansa tranquilamente, e me sinto mal por acordá-lo. –O que aconteceu? Que horas são? Já está começando a clarear o céu.

–Katie... Acho que adormecemos. Só isso. –Me desprendo de seus braços, e me levanto ainda tonta. Avisto minha bolsa- Graças a Deus-, mas vejo que meu celular está sem bateria. Merde.–Acho que dormimos demais. São quatro e meia da manhã.

–Aí, Deus, precisamos ir. –Digo, pegando a bicicleta do chão, assim como ele. Não sei exatamente por que, mas sinto vergonha e não falo nada e não olho para trás; apenas continuamos pedalando.

Notas finais
E aí, gostaram? Deixem comentários, me ajuda a melhorar, e ver o que não está bom! Beijinhos