This is the End
1 Prólogo
O mundo Moroi havia caído. Assim como o dos humanos. A escassez por comida era absurda. Os que se isolaram com medo e não haviam morrido com a invasão alienígena, em breve morreriam de fome.
Após eu trazer Dimitri de volta a vida e ouvir as palavras que dilaceram meu coração, eu pedi a dispensa do serviço guardião. Lissa iria ficar bem afinal, ela havia trazido Dimitri de volta e ele a estava idolatrando como uma deusa. Então eu simplesmente deixei tudo que eu cresci ao redor para trás. Havia começado do zero em Portland, havia ido para a faculdade cursando biologia e esquecido de todas as pessoas do meu passado. Não havia Lissa, Tatiana, Adrian ou Dimitri. No início, eu ainda recebia mensagens de Lissa pelo laço. Coisas como “Onde você está?”, “Por que você foi embora assim?” e até mesmo um “Sinto sua falta, Rose!”, mas eu aprendi a ignorá-las com o tempo e silenciar o nosso laço. Claro, vez ou outra eu podia sentir uma formigação chegando através do nosso laço, mas eu havia deixado de me importar. Eu tinha outras prioridades agora. Os strigois não eram nossos inimigos mais – ao menos não todos eles.
Estava em Phoenix quando tudo começou. Primeiro, os telefones pararam. Não havia TV ou internet. E então a rede de energia elétrica. A imprensa noticiou como um apagão digital. Disse que se devia a um meteoro que estava passando muito próximo a Terra, mas, quando as notícias de pessoas desaparecendo começou, o pânico tomou conta. Ninguém saia de suas casas, até que as pessoas começaram a desaparecer de dentro delas ainda sim. Eu ainda me lembrava do clarão que pude observar da minha janela quando a sra. Brooks, minha simpática e atenta à vida alheia vizinha, foi devorada em sua poltrona na sala enquanto fazia crochê.
Um pequeno grupo de humanos, dhampir e moroi sobreviventes lutavam para viver, dia após dia. Eu pertencia a esse grupo. E eu era sua líder. Estávamos escondidos em uma espécie de bunker que havia pertencido ao exército dos Estados Unidos, mas quando o governo deu o alerta vermelho, a base ficou completamente abandonada. O local ficava no subsolo de Phoenix, próximo ao deserto. Tão bem escondido que apenas nosso pessoal sabia como entrar e sair dali.
— Rose, o que acha?
A voz de Erin me trouxe de volta a realidade. Ela era um Moroi em seus quase cinquenta anos. Eu a conheci quando a bagunça toda começou. Assim como eu, Erin havia deixado o mundo moroi para trás, a diferença era que ela havia feito isso quando se casou com seu guardião e resolveu ter filhos. Ela era uma Badica e a rainha não havia aceitado aquilo tranquilamente.
Estávamos em sete pessoas, reunidos ao redor de uma mesa na sala de decisões. Tínhamos criado nosso próprio conselho para que nenhuma decisão precipitada fosse tomada em um momento de desespero. O assunto que debatíamos era sobre quais alimentos seriam plantados em alguns dias, para abastecer nosso estoque de alimentos. O elemento que Erin dominava era terra e eu concordei com sua sugestão, embora soubéssemos que mesmo os outros seis decidindo, a palavra final era minha.
— Por mim tudo bem – eu finalmente disse.
Todos sorriram em concordância e eu vi um a um eles saindo, e eu olhei para Joana que ficou por último e fiz um sinal para que ela fechasse a porta e se sentasse,
— Não quero que esse assunto saia daqui – comecei, colocando o cabelo que teimava em cair em meu rosto para trás, pensando que já estava na hora de cortá-lo outra vez – Mas Joe, Nick e os outros não voltaram – eu dei um tempo para Joana absorver minhas palavras e então continuei, sabendo que a menção ao primeiro nome havia a atingido – Preciso montar uma equipe de resgate, ir até onde eles estiveram por último, mas preciso que você olhe as coisas na minha ausência.
Joana assentiu rapidamente. Ela era humana e tinha quase a minha idade, embora parecesse no mínimo cinco anos mais jovem. Ela era irmã de Joe e eram os únicos que eu confiaria a minha vida ali dentro, de forma que eu não podia simplesmente deixá-lo lá fora a própria sorte a não ser que tivesse certeza de que era o fim da linha para ele.
Humanos, Dhampirs e Moroi conviviam juntos. Os humanos que eu havia resgatado não absorveram com muita facilidade o fato de vampiros existirem e menos ainda com o fato de que eles realmente se alimentavam de sangue – para isso contávamos com um pequeno grupo de humanos que se voluntariaram para serem alimentadores. Mas eles não tinham muita escolha, uma vez que o que acontecia lá fora era muito pior.
— Vou cuidar para que tudo siga normalmente até vocês voltarem, Rose – me assegurou.
Eu gostava de como Joana era tão prática como eu, pensei dispensando-a logo em seguida.
Quando me vi sozinha na sala de decisões, eu fui até o mapa que mantinham preso na parede com a localização de cada um dos lugares que já havíamos ido e esgotado os recursos.
Alimentação não era uma preocupação diária nossa, sobreviventes sim. E armas. A única coisa que podia matar um alienígena era ácido fluorantimônico. O pequeno laboratório que o bunker tinha era usado para criar balas feitas de teflon com o ácido dentro. Podia derreter uma daquelas coisas em segundos, mas precisávamos de armas para podermos disparar a uma distância considerável sem nos ferirmos.
Com um lápis, eu tracei a área em que tivemos notícias de Joe e sua equipe pela última vez. Nós usávamos um telefone via satélite para nos comunicarmos – 4 segundos, era o prazo que tínhamos antes que algum Erectus captasse nosso sinal e nos pegasse. Era assim que os chamávamos, já que ninguém havia tido a chance de descobrir exatamente de onde eles surgiram e porque estavam aqui. Bem, de qualquer forma. Erectus era melhor do que filhote de lagarto gigante.
Eu desenhei rapidamente o mapa em um pedaço de papel, marcando os lugares e planejando por onde começamos e então fui até o centro do bunker, encontrando algumas crianças por ali. Cada um dos adultos tinha sua função para manter tudo funcionando. Fui até Derek, um dhampir de quatorze anos que sempre me perguntava quando seria a vez dele ir lá para fora. Sua determinação e sede de estar na guerra fazia eu lembrar de mim mesma e dos meus anos na academia.
— Hey – eu disse quando parei ao seu lado – Preciso que encontre Dragon e Steele agora. Diga que eu estou os esperando nas escadas.
Precisávamos sair naquele momento para o resgate. A visão dos Erectus não era boa durante o dia e isso os confundia. Além de nos proteger de qualquer strigoi faminto que pudesse estar vagando lá fora.
Eu fui até a sala de combate, enchendo duas bolsas com armas e munições. Minha estaca de prata também estava no bolso do meu casaco e eu me certifiquei antes de prender meus cabelos em um curto coque. Strigois não eram um perigo como antes, mas eu sabia que alguns deles ainda podiam estar à espreita procurando por uma refeição.
Quando cheguei até as escadas Dragon e Steele já me esperavam, ambos com uma expressão que dizia que eles estavam prontos para lutar – seja lá com quem fosse.
— Estamos indo – eu disse, abrindo a mala com as armas e começando a entregar para eles após carregá-las – Joe saiu com uma equipe de 8 pessoas há 2 dias e não nos deu mais noticias. Precisamos nos certificar de que fizemos tudo para trazê-los de volta.
— Oito? – Steele arregalou os olhos, olhando das armas para mim – E você quer fazer o resgate com nós três?
A Rose Hathaway de antes teria feito piada com o fato dele estar com medo, mas ao invés disso eu o olhei duramente.
— Se algo aconteceu com Joe e os que estavam com ele, eu não quero arriscar mais de nós.
O grupo composto por Joe tinha apenas Dhampir e humanos. Desta vez, eu tinha escolhido Steele, um moroi que controlava o fogo. Era um elemento que eu sabia que iria nos ajudar em dificuldade, mas infelizmente parte da covardia que a maioria dos Moroi tinha, ainda habitava nele. Dragon era humano, mas ele podia ser tão letal em uma batalha quanto eu.
— Ótimo, estamos indo para a morte.
Antes que eu lhe respondesse, Dragon lhe deu um soco no ombro.
— Não seja patético, Steele – ele falou ríspido – E eu espero que você mantenha seus olhos atentos lá fora para não virar comida de Erectus.
Frequentemente eu achava Dragon gostosinho e sexy. E repetidas vezes nos encontrávamos no ginásio de treinamento quando todos já dormiam e eu podia colocar um pouco de tensão para fora. Eu era grata quando todos os outros fingiam não saber do nosso envolvimento sexual.
Parecendo ter desistido de reclamar, Steele foi buscar alimentos enquanto eu e Dragon já vestimos nossa roupa de proteção e as mascaras de oxigênio. Erectus podiam liberar uma substância alucinógena para nos manipular. Eu não sabia qual era o efeito exato que causava e também não queria conhecer.
Quando estava tudo pronto, eu marquei o cronômetro em meu pulso. Tínhamos nove horas para encontrá-los e voltarmos em segurança para o bunker – antes de anoitecer e ficar arriscado demais para voltarmos.
O bunker ficava exatamente ao lado de um posto de combustível desativado há quase 30 anos. Tínhamos uma van que usava o mesmo sistema da gaiola de Faraday. Ele nos protegia das ondas eletromagnéticas e os Erectus não podiam nos rastrear mesmo que estivéssemos passando ao seu lado. Dragon e Steele se acomodaram nos bancos enquanto eu tomei meu lugar no banco do motorista.
— Temos que ir até o Piazza – eu disse, olhando mais uma vez no mapa – O último sinal que Joe nos enviou veio de lá.
— Piazza? – Steele perguntou – Oh cara! Todos estão mortos lá. Era lá que eu estava!
— Bem, você está vivo – eu disse. Suas habilidades como Moroi eram inquestionáveis. Talvez isso tivesse alguma ligação com o fato de ele usar magia para benefício próprio e sair queimando tudo o que o desagradava. Mas a sua personalidade... Eu era grata por no mundo em que estávamos não ser errado eu ameaçar enfiar minha mão garganta abaixo de um Moroi – e realmente enfiar quando necessário.
— A rainha estava emitindo um alerta a todos os Moroi e Dhampir. Todo mundo recebeu a mensagem de que ali seria um lugar seguro. Quer saber a grande merda? Strigois ficaram sabendo disso. Foi um grande banquete para eles.
Eu revirei meus olhos. Já havia escutado tudo aquilo antes. Apenas ignorei o Moroi rabugento demais para pouca idade e continuei dirigindo. Era um emaranhado de carros abandonados no meio da estrada. Carros cheios de malas, alguns ainda com corpos em seu interior e eu tive que obrigar meus olhos para irem o mais longe possível daquela cena.
Estávamos dirigindo por quase duas horas, quando o caminho se estreitou ainda mais e eu desliguei a van, me virando para Dragon.
— Vamos ter que ir a pé daqui – falei enquanto abria a porta e já descia. Um furgão preto velho chamou minha atenção e eu olhei ao meu redor, antes de caminhar cautelosamente até lá. Estava vazio. E era o furgão que Joe havia usado. Não havia sinal da outra van que eles haviam pego – Eles também seguiram a pé.
Dragon me entregou uma das malas com as armas e os mantimentos e nós começamos a andar. Observei quando Steele lançava olhares raivosos para o sol, mas não reclamando mais.
A cidade estava completamente abandonada e destruída. A maioria das lojas haviam sido saqueadas e as que não, era porque realmente não possuíam nada necessário.
O Piazza era um teatro no centro da cidade e não demoramos para chegar até lá. Eu sabia que ele havia pertencido a monarquia Moroi e toda a sua pompa e decoração – ou o que sobrou dela – era grandiosa. Quando a invasão começou, o governo americano tentou contê-los ainda no espaço. O que obviamente não deu muito certo já que tudo que sobe, desce. E as aeronaves caíram de volta em nós causando uma grande destruição. Os que não haviam morrido diretamente pelos Erectus, morreram no confronto e na débil tentativa do exército de contê-los.
— Tomem cuidado – eu sibilei para Steele quando percebi ele sendo relapso e tocando em uma meia escutura de um anjo – Esse lugar pode estar desabando bem acima de nós.
Meus olhos foram se ajustando à escuridão conforme adentramos o local completamente abandonado.
— Dragon, veja se consegue uma planta desse local em algum lugar. – eu ordenei, tirando a máscara de oxigênio pelo calor que estava ali dentro e sendo seguida pelos outros – Steele, eu preciso que você fique alerta e incendeie qualquer coisa que se mova e tenha uma cabeça maior do que o normal.
Fogo surgiu na palma de suas mãos. Balas com ácido poderiam tranquilamente matar um Erectus, mas eu não queria fazer barulho se podíamos usar Steele para isso.
Quando o fogo iluminou o ambiente, minha atenção foi levada até um entalhado na parede à minha esquerda.
Badica
xConta
xDashkov
Dragomir
xDrozdov
Ivashkov
xLazar
Ozera
Szelsky
xTarus
xVoda
xZeklos
Eu reconheci os nomes. Eram as 12 famílias Moroi da realeza. Levei cerca de um segundo para decifrar os riscos grosseiros feitos acima de alguns nomes.
— Foram extintos – Steele disse – Os lazar eram muitos. Como será que-
— Vamos continuar. Temos pouco tempo até começar a escurecer e ficar perigoso demais continuarmos aqui.
A realeza Moroi não importava aqui. Éramos todos sobreviventes. No entanto, eu não pude deixar de me sentir aliviada por ver que Lissa ainda poderia estar viva. Eu não guardo mágoas dela, apenas havia decidido cuidar somente de mim depois de todos aqueles anos abdicando de tudo pelos outros. Por ela e por ele.
Dragon voltou para o meu lado, falando que não havia conseguido nada, então eu suspirei, tomando a frente do nosso trio e vasculhando o local, seguindo as poucas placas com direções que haviam sobrevivido. Uma a uma, fomos avançando e vasculhando. Em meu pulso meu relógio ainda me dava 5 horas de vantagem até a escuridão.
— Não tem nada aqui – Steele disse, brincando com suas mãos e jogando uma bola de fogo de um lado para o outro – Joe não tinha nada para fazer aqui. – ele chutou uma cadeira velha que já estava no chão – só tem um amontoado de coisas velhas e que não intere-
Tampei a boca de Steele no mesmo instante em que vi dois Erectus. Eles tinham quase três metros de altura, o que deveria ser o rosto era pontudo nas duas extremidades e seus dentes estavam completamente expostos. O barulho de Steele pareceu ter os colocado em alerta e eu sinalizei para que os outros dois recuaram. Eles enxergavam bem no escuro, e o fogo que queimava nas palmas das mãos do Moroi que estava conosco não era suficiente para nos esconder. Eu avaliei a postura dos Erectus. Eles estavam em frente a uma porta grande e quando pareciam acreditar que o barulho não era nada, voltaram sua atenção para ela, arranhando e inclinando suas cabeças para a porta.
O que tinha atrás daquela porta?
— Eles podem estar ali – Dragon sussurrou expondo minha conclusão, ainda mantendo a cautela – Joe pode ter sido encurralado e não conseguiu sair.
Eu suspirei. Tentávamos evitar a todo custo um combate com um Erectus, mas se tinha uma chance dos meus amigos estarem ali, eu não podia deixá-los para trás.
— Pessoal – Steele chamou, baixinho, mas eu tentava pensar em algo que não nos colocasse em ainda mais perigo. Não sabíamos se tinham ainda mais Erectus por perto – Rose, Dragon!
Finalmente nos viramos para ele, notando a urgência em sua voz, e então eu vi. O rádio que eu havia dado a Nick antes deles saírem. Com cuidado eu caminhei até ele, vendo que estava quebrado e completamente sujo de sangue e uma gosma preta escura e grudenta. Sangue de um dos nossos e líquido de Erectus.
Eles haviam entrado em combate e tinham se ferido.
— Steele, preciso que você os distraia – eu falei, me virando para os dois e vendo determinação em seus rostos. – Dragon e eu vamos abatê-los.
Eu conferi a munição das armas novamente, torcendo para que não houvesse outros Erectus ali ou teríamos problemas. Lancei um rápido olhar para meus amigos, que acenaram com a cabeça para mim afirmando estar prontos. Então eu mirei no primeiro Erectus, no exato momento em que Steele colocou dois dedos entre os lábios e soltando um sonoro assovio.
Os monstros soltaram um grunhido, erguendo suas cabeças e então se voltando para nós. Vi quando eles começaram a soltar a fumaça de suas narinas antes de Steele lançar sobre eles o fogo. Eu atirei, mirando na cabeça de um deles enquanto Dragon fazia o mesmo. O ácido era eficaz, mas não instantâneo, então a medida que eles começaram a ter suas cabeças derretidas e ainda avançavam para nós, nos distanciamos até tudo estar acabado.
– Isso foi fácil dem-
No instante seguinte, Steele havia sido jogado contra a outra parede, enquanto um Erectus estava sentado sobre o seu peito, Grunhindo e babando.
Eu atirei em suas costas e corri ate eles, desembainhando uma faca e a enfiando contra o pescoço do Erectus e Dragon me ajudou tirando Steele debaixo dele antes que o ácido o alcancesse.
Eu olhei para Steele, limpando a faca e minhas mãos em meu colete.
— Fique. Calado – Sibilei para ele, olhando com calma ao nosso redor, tentando escutar algo que indicasse que não havia mais nenhum Erectus e finalmente guardando minha faca de volta na bainha.
Ainda com a arma em punho, eu me voltei para a porta que os Erectus antes haviam patrulhado.
Poderia ter Joe, Nick e os outros ali, esperando por resgate. Eles poderiam estar mortos. Ou poderia ter mais Erectus...
Dragon também estava hesitante, com os olhos afiados. Steele se aproximou, tocando a porta e eu notei o metal que estava ao seu redor começar a derreter, soltando a sua estrutura, eu a empurrei para o lado antes que ela caísse no chão causando mais barulho do que já havíamos feito.
Eu tossi quando fui atingida pela poeira e balancei uma mão em frente aos meus olhos, piscando tentando me acostumar com a completa escuridão que estava ali dentro.
Uma luz surgiu em meu campo de visão. Era uma lanterna. E então braços se jogaram ao meu redor.
— Eu sabia que viriam!
Eu abracei Abby de volta e então a afastei, vendo seus olhos tomados por lágrimas e sangue em suas bochechas. Eu olhei para trás dela, vendo Nick que me deu aceno de cabeça e além dele.
— Vamos, temos que dar logo o fora daqui. Erectus podem estar vindo-
— Rose?
Eu estaquei. A voz aveludada me atingiu quase no mesmo instante em que a nossa ligação pareceu ter despertado dentro de mim. Fui inundada por sentimentos de esperança e alívio e por um momento eu pude ver a mim mesma por outros olhos. Ali, de pé, parada e ainda segurando Abby pelos braços. Eu estava me vendo pelos olhos de Lissa.
Eu pisquei, atordoada em como ela havia conseguido romper a barreira que eu havia criado e cuidado tão bem nos últimos anos em apenas alguns segundos. Tomando de volta o controle da minha mente, eu me virei para onde a voz tinha vindo, apenas para comprovar o que eu já sabia.
Eu havia encontrado Lissa, afinal.
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